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91 Os preparativos para a Ceia da Páscoa, Mc 14.12-16

Os preparativos para a Ceia da Páscoa, Mc 14.12-16
(Mt 26.17-19; Lc 22.7-19)

12-26 E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal, disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para comeres a Páscoa? Então, enviou dois dos seus discípulos, dizendo-lhes: Ide à cidade, e vos sairá ao encontro 
um homem trazendo um cântaro de água; segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos?
E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo mobilado e pronto; ali fazei os preparativos. Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa.

Em relação à tradução
a
Em 14.1 a festa dos pães sem fermento seguia à Páscoa em si; aqui ela já começa no dia anterior à
noite da Páscoa. Esta divergência de nomes, porém, é encontrada também em outras ocasiões no judaísmo
(Bill. I, 987s; II, 813s; Jeremias, Abendmahl, p 11; Windisch, T hWNT II, 905; Pesch, p 342; Blinzler, p 123;
contra Bultmann, Tradition, p 284: “totalmente impossível na linguagem judaica”). A expressão não está
fora do lugar aqui também porque todo fermento era tirado das casas já na manhã do dia 14 de Nisã, pois na
Ceia da Páscoa também se comia somente pão sem fermento.
b
A referência não é aos discípulos, mas aos judeus em geral. Eles costumavam (“fazia” aqui está no
imperfeito!) carnear os cordeiros no começo da tarde, no pátio do templo.
c
A palavra é derivada do termo usado para desatrelar os animais de tração, portanto originalmente
significava uma estalagem de repouso ou pernoite (p ex Lc 2.7), mas mais tarde incluía o quarto de
hóspedes. “Com freqüência a cobertura plana da casa servia para isto” (Hengel, ThWNT IX, 55, nota 46).
Observação preliminar
Contexto. Este trecho chama a atenção já pelo seu caráter fechado. Com muitas palavras, no fim ele
circunda somente um único assunto, a preparação da sala para a noite. Sempre de novo repetem-se os  mesmos
termos: quatro vezes “Páscoa”, “discípulos” e “onde”, três vezes “preparar”. Por fim, no v.  16, uma conclusão
formal com quatro frases curtas que começam com “e”. Em segundo lugar a gente se surpreende de ver que
esta solenidade litúrgica só se refere a coisas organizacionais. Qual é o propósito deste trecho que nenhum dos
sinóticos omite?
Numerosos intérpretes respondem: Ele quer nos ensinar a admiração. Jesus dá uma prova do seu
conhecimento prévio, até o ponto de detalhes e aspectos secundários. Esta informação é muito formal e nos
satisfaz tão pouco como a representação de Jesus como milagreiro na história da Paixão que não tem milagres
soa como um corpo estranho. O relato singelo de Mateus também fala contra isso. Todavia, se deixamos o
contexto falar, descobrimos a função verdadeira destes versículos. Há pouco lemos que, daqui em diante,
Jesus tinha um espião ao seu lado, que tinha a meta de ajudar os principais sacerdotes a fazer desaparecer o
Senhor às escondidas ainda antes da festa (v. 2). Jesus, porém, deveria e queria viver este dia ainda com seus
discípulos, para cumprir e renovar a festa de libertação de Israel à sua maneira. Este interesse na data é
indicado logo no começo do v. 12: já era quinta-feira de manhã. Judas estava nervoso. Ainda antes da meia-noite ele tinha de dar um jeito de apanhar Jesus, antes que os portões do templo fossem abertos no meio da
noite (Jeremias, Abendmahl, p 40, nota 6). Portanto, se pressupomos que Jesus ocultou suas intenções diante
de Judas, o texto se explica ponto por ponto, sem forçar. Depois de ter feito arranjos antecipados com o dono
da casa (cf. Riesner, p 254), Jesus envia em segredo dois dos seus discípulos, e Judas só fica sabendo do local
da reunião quando se encontram lá. Só depois que a renovação da festa da Páscoa foi efetuada Jesus o libera,
para que corra avisar os que o contrataram (Jo 13.27).
Como tantos outros detalhes históricos e atalhos na narrativa da Paixão, este encontro também não é
descrito com nitidez. O acerto prévio só pode ser deduzido do contexto. Em primeiro plano está a vontade
claramente direcionada de Jesus: “Onde queres…?” (v. 12) (com Zahn, Rienecker, Dehn, Lane, Pesch; contra
Haenchen, Grundmann, Gnilka). A suposição de que o próprio Marcos era o moço que carregava o jarro de
água e que a casa era a de seus pais (Rienecker, p 241) não influencia em nada a exegese.
12  E, no primeiro dia da Festa dos Pães Asmos, quando se fazia o sacrifício do cordeiro pascal.
Era a manhã de quinta-feira, fora da cidade. À tarde seriam carneados os cordeiros para a festa, no
pátio do templo (Descrição em Jeremias, Jerusalem, p 89ss). Os discípulos sabiam que Jesus também
queria participar da festa. Fora para isto que ele viera à cidade. Todavia, ainda nem mesmo tinham
uma sala. Disseram-lhe seus discípulos: Onde queres que vamos fazer os preparativos para
comeres a Páscoa?  A maneira de falar – onde queres, para comeres – espelha o respeito que tinham
por ele. Em termos práticos, não era fácil encontrar no próprio dia uma sala adequad a “no lugar que o
Senhor escolher” (Dt 16.7), com toda aquela multidão de peregrinos na cidade. Boa parte dos
visitantes era obrigada a tomar a Ceia nos pátios ou nos telhados planos das casas, apesar da época
fria (Jeremias, Abendmahl, p 37s). No caso de  Jesus o problema ainda era maior porque ele tinha de
tomar cuidado com a presença de Judas.
13  A continuação é igual à frase de 11.1: Então, enviou dois dos seus discípulos. Agora Jesus toma a
iniciativa e dá início a uma demonstração carregada de simbolismo, enquanto os discípulos estão
ansiosos e ele resolve um problema prático. Ele encarrega dois mensageiros:  Ide à cidade, e vos
sairá ao encontro um homem trazendo um cântaro de água.  Em 11.3 o resultado é
indeterminado: “Se alguém vos perguntar…”, e no v. 5 são vários os que perguntam. Aqui um
homem bem específico irá encontrá-los. É verdade que, naquela manhã, seriam muitos os
carregadores de água nas vielas da cidade da cidade carente de abastecimento, para que nada faltasse
nas casas até à noite. Estes homens, porém, geralmente usavam um grande odre de couro para
transportar a água (Pesch, p 343), e não um jarro sobre a cabeça, como as mulheres. Os mensageiros,
portanto, tinham de ir até a fonte de Siloé (Bornhäuser, p 55) e prestar atenção neste detalhe
diferente. Uma vez encontrado o homem, eles não deviam falar com ele em público, mas “segui-lo”.
Este, ao perceber que os homens estavam em seus calcanhares, sem dizer nada se poria a caminho do
seu senhor. Só ali, no interior da casa, os mensageiros podiam falar.
14  Segui-o e dizei ao dono da casa onde ele entrar que o Mestre pergunta: Onde é o meu
aposento no qual hei de comer a Páscoa com os meus discípulos? Nesta noite os cidadãos de
Jerusalém tinham a obrigação de colocar aposentos à disposição dos peregrinos, de graça. Em troca
eles recebiam somente a pele do cordeiro (Bill. I, 988s). A singularidade aqui está em que Jesus não
recebeu uma sala qualquer, mas um privilégio impressionante:
15  E ele vos mostrará um espaçoso cenáculo. Sem fazer perguntas nem mostrar-se surpreso, ele os
levaria para cima. “Mostrar” aqui significa igualmente “indicar, entregar” (Schlier, ThWNT II, 26).
A sala é grande como um salão, já mobilado com divãs e almofadas e pronto para a Ceia da Páscoa,
com mesas, jarros e talheres. Tudo está somente à espera de Jesus e seus discípulos, reservado como
seu “aposento” (v. 14).
16  Tudo funciona às mil maravilhas: Saíram, pois, os discípulos, foram à cidade e, achando tudo
como Jesus lhes tinha dito, prepararam a Páscoa. Assim, não faltaram sinais de grandeza no
caminho em que Jesus se tornou o mais desprezado de todos. A obediência de todos os participantes,
a coragem do dono da casa que ficou firme como seguidor apesar da situação arriscada, e a sala
convidativa – tudo isto eram sinais do alto: Deus governa!
Várias coisas faziam parte dos preparativos: até o meio-dia a casa tinha de ser vasculhada à
procura de pães com fermento, e o que fosse achado tinha de ser queimado. A partir das duas da tarde
um representante do grupo que cearia junto tinha de carnear o cordeiro no pátio do templo. Também
se traziam verduras, ervas amargas e compota de frutas para o antepasto, assim como pães sem
fermento. Finalmente, à noite, o cordeiro era assado.

Fonte: Marcos - Comentário Esperança

Um comentário:

  1. Parabéns, irmão!Finalmente encontrei uma explicação plausível para esse texto ( Luc. 22:10-13). Muito Obrigada!Nunca ouvi ninguém comentar sobre isso!
    Irmã Rosemary

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