Lição 8 - Deus procura os verdadeiros adoradores

É muito mais confortável discutir religião do que encarar os próprios pecados! Mas Jesus confrontou-a, mais uma vez, com sua ignorância espiritual: ela não sabia a quem adorar, onde adorar nem como adorar! Deixou claro que nem todas as religiões são iguais e aceitáveis aos olhos de Deus e que a adoração de alguns é fruto de ignorância e de incredulidade.
A única fé que Deus aceita é aquela dada ao mundo por meio dos judeus. A Bíblia tem origens judaicas, e o Salvador era judeu, como também o eram os primeiros cristãos. Somente os que têm o Espírito Santo habitando dentro de si e que obedecem à verdade podem adorar a Deus de modo aceitável.

Dizer que a adoração não se limitava mais ao templo dos judeus era uma declaração arrasadora, a qual pode ser ligada a João 2:19-21 e também às palavras de Estêvão em Atos 7:48-50. O Evangelho de João revela claramente que existe um novo sacrifício (Jo 1:29), um novo templo (Jo 2:19-21; 4:20- 24), um novo nascimento (Jo 3:1-7) e uma nova água (Jo 4:11 ). Os judeus que lessem este Evangelho veriam que Deus havia estabelecido em Jesus Cristo um sistema totalmente novo. A lei da antiga aliança havia sido cumprida e colocada de lado. 
1. O que é a adoração cristã?
O ajoelhar-se, inclinar a cabeça e prostrar-se são atitudes que revelam o estado da alma, diante do poder inigualável de Deus. É assim que encontramos os personagens bíblicos em suas histórias. Através da adoração pública, doméstica e individual esses homens e mulheres ensinaram o quanto é importante reconhecer o Deus cristão como único e singular Senhor, entre todos os outros. No entanto, a palavra adoração traz conotações mais íntimas e afetivas, que apontam para expressões de amor (ágape). Ela não se materializa em liturgia, embora esteja na gênese do louvor e da liturgia.


ADORAÇÃO - [Do lat. adorationem, orar para alguém] Veneração elevada que se presta a Deus, reconhecendo-lhe a soberania sobre o Universo, o governo moral e a força de seus decretos. Em hebraico temos a palavra sãhâ; e, em grego, proskyneo. Ambos os termos enfatizam o ato de prostração e reverência. A adoração não precisa estar associada necessariamente à liturgia.  Os judeus do tempo de Isaías não sabiam fazer tal distinção, por isso foram repreendidos com severidade: “De que me serve a mim a multidão de vossos sacrifícios? Diz o Senhor. Estou farto dos holocaustos de carneiros, e da gordura de animais cevados, e não me agrado do sangue de novilhos, nem de cordeiro, nem de bodes” (Is 1.11 ). A verdadeira adoração está associada ao amor que devotamos ao Senhor. É um ato permanente na vida do filho de Deus; não pode ser, sob hipótese alguma, uma atitude episódica. Em tudo o que fizermos, há de ser ressaltada nossa atitude de adoração. Até as nossas atividades materiais têm de mostrar ao mundo que somos uma comunidade de adoradores. Adoração não é contemplação; é, acima de tudo, serviço que se presta ao Reino de Deus. 
1.1. A intimidade e a participação do adorador
Nascemos para relacionar-nos uns com os outros e para vivermos em comunidade com a raça humana. Percebemos essa verdade na linguagem do discurso cristão primitivo, enfatizado na maneira como eles se relacionavam na adoração coletiva. Eles se referiam uns aos outros como irmãos e irmãs, adorador de um mesmo Deus, e consideravam-se membros de um mesmo corpo (ICo 12.27 Ora, vós sois o corpo de Cristo e, individualmente, membros desse corpo.). Não importava o status social, características econômicas ou até mesmo o sexo (G1 3.28 Não há judeu nem grego, escravo nem livre, homem nem mulher; pois todos são um em Cristo Jesus.; Cl 3.11 Nessa nova vida já não há diferença entre grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro e cita (Aquele que nasceu em Cítia, povo rude, bárbaro, não civilizado), escravo e livre, mas Cristo é tudo e está em todos.). Todos tinham a oportunidade de participar da adoração coletiva (ICo 11.2-16). A profecia de Joel é citada como explicação dessa intimidade e participação da igreja do Novo Testamento (At 2.17; Jl 2.28-32). 
1.2. A chama na adoração
A repetição com que a palavra alegria (gr. chara) e as referências a “regozijo” (Gr. agalliaomaí) são frequentes no Novo Testamento é uma amostragem do júbilo avivado e experimentado especialmente na adoração dos cristãos primitivos. Essa chama estava relacionada à ideia de um contato direto com Deus na pessoa do Espírito Santo que havia sido derramado. Para os cristãos, Deus se comunicava diretamente com eles através daquele acontecimento (At 2.26-47). Os dons do Espírito Santo e o sucesso na proclamação do evangelho retratavam o fervor na adoração da igreja. Eles haviam experimentado o dom celestial e estavam participando do Espírito Santo, que promovia neles uma alegria constante e um fervor em suas vidas.

Desde a primeira entrega da mensagem divina foi visto que nele havia poder divino; milhares foram levados à obediência da fé. Porém, nem as palavras de Pedro nem o milagre presenciado puderam produzir tais efeitos se não tivesse sido entregue o Espírito Santo. Quando os olhos dos pecadores são abertos, não podem sentir senão contrição de coração pelo pecado, não podem menos que sentir uma inquietude interior. O apóstolo os exorta a arrepender-se de seus pecados e confessar abertamente sua fé em Jesus como o Messias, e a serem batizados em seu nome. Assim, pois, professando sua fé nEle, receberiam a remissão de seus pecados, e participariam dos dons e graças do Espírito Santo.
Separar-se da gente ímpia é a única maneira de salvar-nos deles. Os que se arrependem de seus pecados e se entregam a Jesus Cristo, devem provar sua sinceridade desembaraçando-se dos ímpios. Devemos salvar-nos deles, o qual supõe evitá-los com horror e santo temor. Pela graça de Deus, três mil pessoas aceitaram o convite do evangelho. Não pode existir dúvida de que o dom do Espírito Santo, que todos receberam, e do qual nenhum crente verdadeiro tem sido jamais excetuado, era esse Espírito de adoção, essa graça que converte, guia e santifica, a qual se dá a todos os membros da família de nosso Pai celestial. O arrependimento e a remissão dos pecados ainda se pregam aos principais dos pecadores em nome do Redentor; o Espírito Santo ainda sela a bênção no coração do crente; as promessas alentadoras ainda são para nós e para nossos filhos; e ainda se oferecem as bênçãos a todos os que estão longe. 
1.3. A relevância e o poder da adoração
É indispensável para um cristão levar uma vida de adoração. Tendo em vista que os crentes do Novo Testamento foram discipulados a pensar sobre si mesmos a partir de um modo de ver coletivo, ou seja, abrangendo todos no Reino, por isso, que o culto cristão deve ser repleto de significado e de plena relevância. Naquela época não havia templos majestosos, nem uma liturgia pirotécnica, mas um grupo de cristãos reunidos como sacrifício vivo apresentado a Deus (Rm 12.1-3 Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis o vosso corpo em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este mundo, mas transformai-vos pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.  Porque, pela graça que me é dada, digo a cada um dentre vós que não saiba mais do que convém saber, mas que saiba com temperança, conforme a medida da fé que Deus repartiu a cada um.). A vida deles e suas reuniões de cultos, não eram apenas um exercício religioso, mas uma oportunidade para reafirmar o que eles acreditavam. Era uma ocasião para a manifestação dos poderes divinos (ICo 12-14 Abençoem aqueles que os perseguem; abençoem, e não os amaldiçoem.).
“Além do poder divino expresso no discurso profético, há também referência a “milagres” entre os primeiros grupos cristãos. O termo grego comumente traduzido por “milagre” é dynameis, plural do equivalente grego para “poder”. Portanto a conotação original dizia respeito a fenômenos considerados especiais, manifestações diretas do poder de Deus, “fato obras poderosas magníficos”. Em ICo 12.10, Paulo faz referência à “realização de milagres” (energemata dynameon) como uma das várias coisas que Deus faz na reuniões da igreja. Em Gl 3.5, ele diz aos cristãos da Galácia que a distribuição divina do Espírito e a operação de milagres entre eles são prova da validade da sua religião. 
2. A adoração verdadeira
A verdadeira adoração é prestada somente por aquelas pessoas que nasceram do Espírito Santo. Tem sua forma auxiliada pelas Escrituras e centralizada em Deus. É fruto da convivência que o novo cristão tem com Deus, pois requer preparação prévia. Toda adoração verdadeira tem a perspectiva de que Deus é grande, e que, Ele merece louvor e honras por parte da humanidade. 
2.1. Os verdadeiros adoradores
Adorar é agir em sinceridade de coração, autenticidade e não só de lábios, da boca para fora, pois em vão adoram os que assim procedem (Mt 15.9 Em vão me adoram; seus ensinamentos não passam de regras ensinadas por homens.). Chega de hipocrisia! A falsa adoração é abominável ao Senhor. Deus não Se deixa enganar. A convocação do salmista ecoa até os nossos dias dizendo: “Vinde, cantemos ao Senhor! Cantemos com júbilo à rocha da nossa salvação! Apresentemo-nos ante a sua face com louvores e celebremo-lo com salmos. Porque o Senhor é Deus grande e Rei grande acima de todos os deuses. Nas suas mãos estão as profundezas da terra, e as alturas dos montes são suas. Seu é o mar, pois ele o fez, e as suas mãos formaram a terra seca. Ó, vinde, adoremos e prostremo-nos! Ajoelhemos diante do Senhor que nos criou” (Sl 95.1-6).

O Salmista diz como louvar a Deus e por que louvá-lo. Trata de um louvor em comunidade, não individual, ape­sar de ambos serem importantes. Nosso louvor deve ser cheio de alegria e entusias­mo, em algumas versões, a injunção é para fazê-lo em alta voz, e inteiramente voltado ao Senhor. "Sair ao encontro", "sair para encontrar-se com Deus face a face, estar em sua presença". Os cristãos fazem isso por meio de Jesus Cristo (Hb 10:19-25). Devemos ser gratos em nos­so louvor ao exaltarmos o Senhor por suas grandes misericórdias.
Por que devemos louvá-lo? Porque ele é grande e está acima dos falsos deuses deste mundo. Depois de sua ascensão, Jesus Cristo foi entronizado e "exaltado sobremaneira" (At 2:33; Ef 1:19-23; Fp 2:9-11; Cl 1:15-18) e nada pode nos separar do seu amor (Rm 8:37-39). Ele é nosso "Grande Deus e Salvador" (Tt 2:13) e devemos ter prazer em louvá-lo. Porém, nosso Deus também é o Criador do Universo e controla todas as coisas. As profundezas do mar e da Terra e os cumes dos montes pertencem todos ao Se­nhor, e ele sabe o que se passa tanto nas águas quanto na terra. As nações pagãs ti­nham deuses e deusas para as diferentes partes da criação - os mares, a terra, os pi­cos das montanhas, o Sol, a Lua e as estrelas, as tempestades, as colheitas, mas nosso Deus é Rei sobre todas essas coisas. Não é de se admirar que o louvemos! 
2.2. A espiritualidade verdadeira
A nossa adoração de fachada não move o coração de Deus! Precisamos estar alicerçado na Palavra, nos princípios e nas leis espirituais e não em doutrinas que são preceitos de homens (Mt 15.8-9 Este povo honra-me com os seus lábios, mas o seu coração está longe de mim. Mas em vão me adoram, ensinando doutrinas que são preceitos dos homens.). É preciso tirar a máscara da mentira, da falta de união, da murmuração; não adianta adorar a Deus não tendo comunhão com os irmãos (lJo 4.20,21 Se alguém diz: Eu amo a Deus e aborrece a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? E dele temos este mandamento: que quem ama a Deus, ame também seu irmão.; Mt 15.13 Ele respondeu: “Toda planta que meu Pai celestial não plantou será arrancada pelas raízes.), mostrando espiritualidade só nos cultos diante do pastor, em casa ser um inferno e na sociedade não ter testemunho de crente (lTm 3.7 Também deve ter boa reputação perante os de fora, para que não caia em descrédito nem na cilada do Diabo.). O cristão não pode ter do que se envergonhar (2Tm 2.15 Procure apresentar-se a Deus aprovado, como obreiro que não tem do que se envergonhar e que maneja corretamente a palavra da verdade.). 
2.3. Sacrifício vivo e agradável a Deus
Oferecer sacrifício vivo e agradável a Deus é entregar a vida a Ele. Dormir, comer, trabalhar, passear, tudo como se fosse uma oferta a Ele. E nunca se ajustando às culturas demonizadas, a ponto de não poderem pensar mais com razoabilidade. Na verdade, quando o apóstolo pede para que ofereçam sacrifício vivo a Deus, é uma contraposição aos sacrifícios de animais mortos praticados no Antigo Testamento, pois a vida cristã é a nova vida no Espírito Santo (Rm 6.4 Portanto, fomos sepultados com ele na morte por meio do batismo, a fim de que, assim como Cristo foi ressuscitado dos mortos mediante a glória do Pai, também nós vivamos uma vida nova.). É um culto com a participação da mente, do coração e da vontade no serviço obediente ao Senhor Jesus.
Não se iluda! Deus tem poder para conhecer quando o cantor afinado, o pregador eloquente ou a apresentação que nos deixa de água na boca é uma adoração de fato ou somente fruto de talento. Não adianta ser afinado no louvor e esconder uma vida desafinada diante de Deus. A nossa grande adoração é fazer o que se fala, viver o que se prega. 
3. Adoração exclusiva a Deus
Adoração exclusiva a Deus é a essência da adoração, e uma exigência divina (Jo 4.23 No entanto, está chegando a hora, e de fato já chegou, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade. São estes os adoradores que o Pai procura.). Das coisas nós gostamos; as pessoas nós amamos (Mc 12.31 O segundo é este: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Não existe mandamento maior do que estes.), mas só a Deus adoramos (Mt 4.10 Então Jesus lhe disse: Vai-te, Satanás! Pois está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás.). Não devemos falar nem por brincadeira que adoramos alguma coisa ou pessoa, a não ser Deus! Não mude a sua adoração e não adore pessoas nem coisas. Faça tudo em Nome do Senhor Jesus dando a Ele toda a honra e toda a glória. Não devemos atrair para nós atenção em nossas celebrações, roubando de Deus a honra que lhe é devida. 
3.1. Os ídolos estão dentro das igrejas
Certas pessoas são verdadeiras vedetes (Atriz de teatro de revista; corista) nas igrejas: procuram ser reconhecidas, buscam fama e brilho, apresentam-se como salvadoras do Evangelho, gostam de passar imagens de super-crentes e que nelas se possam confiar. Porém chegam somente para cantar ou pregar depois saem, não assistem aos cultos completos; passam vários minutos falando das suas realizações e fazendo marketing dos seus produtos. Filhinhos, guardai-vos desses ídolos (lJo 5.21).
Hoje muitos vão à igreja, porque o cantor ou o pregador são ídolos do seguimento cristão; cobram fortunas das igrejas que para atender as expectativas dos idolatras não medem esforços para trazê-los. 
3.2. Os paparazzos causam vergonha dentro das igrejas
Preparam suas máquinas fotográficas ou seus celulares e ficam tirando fotos ou filmando cenas sem respeito à casa de Deus e ao pastor. Eles vivem à caça de ídolos ocupando a frente do púlpito e atrapalhando a liturgia do culto. A reunião já não parece mais ser de adoração a Deus e, sim, de reverência às celebridades. Sem submissão alguma e sem espiritualidade, procuram saber primeiro quem é que vai cantar ou pregar naquele dia para sair de casa, se não for um dos seus ídolos nem lá vão. 
3.3. Verdadeiros palcos são montados dentro das igrejas
Para receber mais público, com o fim de realizar shows, montam estruturas gigantescas dentro dos templos descaracterizando o lugar de adoração. O altar fica em constante mudança para se adaptar a tais apresentações, uma verdadeira falta de respeito ao lugar que biblicamente deveria ser chamado casa de oração. Fora os estragos deixados nos bens e utensílios. Esses palcos e teatros dentro dos templos descaracterizam e profanam a casa de Deus, pois não atraem adoradores, mas plateias para aplaudir os Pops Stars; não adoram a Deus, mas personalidades que se apresentam. A igreja do Senhor Jesus deve atrair as pessoas pelo testemunho dos fiéis, vida exemplar do pastor, pregação do autêntico Evangelho e pelos sinais que devem acompanhar (Mc 16.15-18).
O cântico quando é de verdadeiro adorador tem força para abrir prisões miraculosamente (At 16.25). Paulo e Silas perto da meia-noite cantavam e as cadeias foram ao chão. A música sacra, quando é de verdadeiro adorador tem força para expulsar espíritos maus (ISm 16.14-23). Davi, ao dedilhar sua harpa, espantava os espíritos que atormentavam o rei Saul. 

Um comentário:

Nosso muito obrigado aos irmãos, que carinhosamente têm participado e enriquecido ainda mais o comentário das lições. No entanto, INFORMO, que este blogger não possui nenhum vínculo com a Editora Betel, o mesmo foi criado com a finalidade de auxiliar nossos professores e alunos da Escola Bíblica Dominical.
"Os comentários aqui postados são de inteira responsabilidade de seus autores, não havendo qualquer vínculo com a equipe deste blogger”
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Eudes L. Souza

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