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1. O que é preciso para saber a vontade de Deus?

1. O que é preciso para saber a vontade de Deus?
Para saber a vontade de Deus, há, pelo menos, três movimentos importantes a serem dados. O primeiro é fundamental para que os outros aconteçam: é o novo nascimento, que acontece a partir de uma entrega real e irrestrita ao Senhor Jesus, reconhecendo-o como o único Senhor e Salvador de sua vida. O segundo é passar a ter compreensão espiritual, evidentemente fruto do primeiro movimento, sem novo nascimento não há percepção espiritual verdadeira. O terceiro e não menos importante, seria a obediência a Palavra de Deus. 
1.1. Nascer de novo
Em primeiro lugar, para que haja uma compreensão da vontade de Deus, a pessoa precisa reconhecer sua condição de pecador e, a partir do arrependimento, se tornar uma nova criatura (2Co 5.17), pelo incomparável poder do Senhor Jesus Cristo. O homem é denominado pecador, não só porque comete atos pecaminosos, mas porque a sua natureza interior é pecaminosa. O salmista disse: "‘Eis que em iniquidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe” (SI 51.5). Então, a solução única para esse problema humano é ter a sua natureza transformada. A isso a Bíblia chama de novo nascimento (Jo 3.1-7). Sem essa transformação, não se pode viver uma vida segundo a vontade de Deus, pois só as pessoas nascidas de novo saberão de fato qual a direção que Deus tem para as suas vidas.

Nosso novo relacionamento com Cristo nos leva a desenvolver uma nova relação com o mundo e com as pessoas ao nosso redor.  Não encaramos mais a vida como antes. Conhecer a Cristo "segundo a carne" significa avaliá-lo do ponto de vista humano.  Mas os "dias da sua carne" já passaram (Hb  5:7),  pois  ele subiu  ao  céu  e  se  encontra  glorificado  à destra do  Pai.
Adão foi o cabeça da antiga criação, e Cristo (o último Adão, 1 Co 15:45) é o Cabeça da  nova  criação.  A antiga criação caiu em pecado e em condenação como resultado da desobediência de Adão.  A nova criação representa retidão e salvação por causa da obediência de Jesus Cristo (ver Rm  5:12-21 para  uma  explicação  sobre  o  primeiro  e  o último  Adão).  Uma vez que fazemos parte da nova criação, tudo é novo.
Em primeiro lugar, temos uma nova visão de Cristo. Infelizmente, a música e a arte enfatizam excessivamente Cristo "segundo a carne".  Os fatos relacionados à vida de Jesus aqui na Terra são importantes, pois a mensagem cristã é fundamentada na história.  No entanto, devemos interpretar a manjedoura à luz do trono.  Não adoramos o bebê em uma manjedoura, mas sim o Salvador glorificado no trono.
Uma vez que todas as coisas "se fizeram novas", também desenvolvemos uma nova maneira de olhar as pessoas ao nosso redor.  Passamos a vê-las como pecadoras pelas quais Cristo morreu. Não as vemos mais apenas como amigas ou inimigas, clientes ou colegas de trabalho;  antes,  as vemos com  os  olhos  de  Cristo,  como  ovelhas  perdidas  que  precisam  de  um  pastor.  Quando somos constrangidos pelo amor de Cristo, temos o desejo de compartilhar esse amor com outros.
No entanto, também devemos olhar para os demais cristãos como parte da nova criação e não os  avaliar de acordo com seu nível de instrução, raça, situação financeira ou classe  social. 
1.2. Ter compreensão espiritual
Assim como os homens entendem as leis da natureza através dos sentidos humanos (tato. visão, gustação, olfato e audição), o Senhor nos revestiu de compreensão espiritual para termos uma vida altaneira na sua presença. É uma compreensão da certeza da existência de Deus, da sua presença e atuação em cada filho. Revelando a Sua vontade em cada decisão que se toma. É na verdade uma percepção espiritual que os crentes passam a ter, como bem disse o Apóstolo Paulo: “Ora, o homem natural não compreende as coisas do Espírito de Deus, porque lhe parecem loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente. Mas o que é espiritual discerne bem tudo, e ele de ninguém é discernido” (ICo 2.14,15).

 “O ser humano psíquico, porém, não aceita as coisas do Espírito de Deus. Afinal, são loucura para ele, e ele não é capaz de reconhecê-las.” Retorna aqui o termo loucura, remetendo-nos outra vez à palavra da cruz. Ela é loucura, não porque fosse intelectualmente néscia, mas porque contradiz a inteligência egoísta do ser humano centrado em si. O “ser humano psíquico” é realmente, como traduziram Lutero, Almeida etc., o ser humano natural, que apenas possui aquilo que ele tem em si mesmo, em sua psique, e o que o espírito do mundo lhe traz. Para ele a fraqueza e a loucura de Deus em seu amor redentor são tão incompreensíveis quanto a asserção de que está perdido e é pecador causa indignação ao seu orgulho. É por isso, pois, por razões tão profundas do ser, que ele “não é capaz de reconhecer” o que o Espírito de Deus pretende mostrar-lhe na mensagem da cruz. “É à maneira espiritual que se julga.” Isso não se refere a uma arte intelectual ou teológica especialmente elevada. Pelo contrário, precisamos recordar que o amor é o verdadeiro fruto do Espírito. O julgar à maneira espiritual acontece por força do amor e é, assim como a rejeição no caso do ser humano psíquico, uma questão da pessoa toda. Portanto, não surpreende que a mensagem não seja compreendida e seja rejeitada com indignação e escárnio. É assim naturalmente. Motivo de admiração é quando apesar disso ela penetra num coração, porque o Espírito de Deus conquista espaço ali. Então é que ocorre o julgamento espiritual, que capta a verdade de Deus.
Paulo acrescenta: “Porém o homem espiritual julga todas as coisas, mas ele mesmo não é julgado por ninguém.” Uma grandeza tão misteriosa é cada pessoa verdadeiramente espiritual. Essa palavra pneumatikos (pessoa espiritual) expressa que aqui toda a vida interior de uma pessoa é tomada e determinada pelo Espírito de Deus. Aqui reside a diferença entre os membros da Antiga e da Nova Aliança. Aqui de fato o menor é maior no reino dos céus, maior do que o maior profeta (Mt 11.11). O Espírito de Deus visitou o profeta de quando em vez, concedendo-lhe diversas iluminações e palavras proféticas. Porém, desde o Pentecostes o Espírito de Deus habita nas pessoas, transformando-as em pessoas espirituais de forma duradoura e integral. No entanto, se o Espírito a todas as coisas perscruta [v. 10], então a pessoa plena do Espírito de fato precisa ser capaz de “julgar todas as coisas”. Novamente a locução todas as coisas não deve ser entendida em termos estatísticos: ela se refere às “coisas do Espírito de Deus” [v. 14]. A todas elas o ser humano espiritual julga, enquanto o ser humano psíquico fica perplexo diante delas. Sem dúvida pessoas espirituais também se compreendem e julgam mutuamente. Para todos os demais, porém, eles constituem um enigma que foge a qualquer julgamento. 
1.3. Obediência à Palavra de Deus
Ao contrário do que os mais simples possam pensar, o Senhor não revela a Sua vontade simplesmente para satisfazer a curiosidade das pessoas. Ele faz para que as pessoas possam orientar suas vidas. Por isso, para saber da vontade de Deus, é preciso antecipadamente decidir se vai ou não ter uma vida de obediência ao que o Senhor nos revelar, não importando a que circunstância vai nos encaminhar. Isso sempre envolve uma significativa medida de fé e confiança da sabedoria de Deus. Sabendo que a sua vontade é revelada progressivamente, à medida que caminhamos com Ele no estudo da Palavra de Deus.
O nosso progresso espiritual se estabelece e se sustenta a partir de uma vida pura e santificada. Assim já disse o profeta Isaias (Is 59.2). Logo, se a vida do crente está contaminada com o pecado, a comunhão com o Senhor fica interditada e a falta de percepção espiritual se torna uma realidade. Daí a crise de muitas pessoas cristãs de não saberem a vontade de Deus para suas vidas. Consideram que Deus não lhe está revelando a Sua vontade, enquanto que na verdade é a vida sem comunhão que não permite que ele saiba o que Deus já revelou. 

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