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Lição 1 - Paulo e a Igreja em Filipos


Lição 1 – 07 de Julho de 2013 - CPAD

Paulo e a Igreja em Filipos

TEXTO ÁUREO

"E peço isto: que o vosso amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento" (Fp 1.9).

VERDADE PRÁTICA

Paulo tinha uma grande afeição pelos irmãos de Filipos; por isso suas orações e ações de graças por essa igreja eram constantes.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 1.1-11

1 - Paulo e Timóteo, servos de Jesus Cristo, a todos os santos em Cristo Jesus que estão em Filipos, com os bispos e diáconos:
2 - graça a vós e paz, da parte de Deus, nosso Pai, e da do Senhor Jesus Cristo.
3 - Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós,
4 - fazendo, sempre com alegria, oração por vós em todas as minhas súplicas,
5 - pela vossa cooperação no evangelho desde o primeiro dia até agora.
6 - Tendo por certo isto mesmo: que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao Dia de Jesus Cristo.
7 - Como tenho por justo sentir isto de vós todos, porque vos retenho em meu coração, pois todos vós fostes participantes da minha graça, tanto nas minhas prisões como na minha defesa e confirmação do evangelho.
8 - Porque Deus me é testemunha das saudades que de todos vós tenho, em entranhável afeição de Jesus Cristo.
9 - E peço isto: que a vossa caridade aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento.
10 - Para que aproveis as coisas excelentes, para que sejais sinceros e sem escândalo algum até ao Dia de Cristo,
11 - cheios de frutos de justiça, que são por Jesus Cristo, para glória e louvor de Deus.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
A PRESENÇA NA MEMÓRIA (FP 1:3-6) É impressionante ver Paulo pensando nos outros, não em si mesmo. Enquanto o apóstolo aguarda seu julgamento em Roma, os cristãos de Filipos lhe vêm à memória, e ele se alegra com as recordações que tem deles. A o ler Atos 16, descobrimos que algumas coisas que aconteceram a Paulo em Filipos poderiam ter deixado lembranças tristes. Foi preso e açoitado ilegalmente, colocado no tronco e humilhado diante do povo. Mas até mesmo essas memórias alegram o coração de Paulo, pois foi por meio desse sofrimento que o carcereiro conheceu a Cristo! Paulo se lembra de Lídia e de sua casa, da jovem serva infeliz, liberta da possessão demoníaca, e também de outros cristãos queridos de Filipos (vale a pena perguntar: "será que somos o tipo de cristão que traz alegria ao pastor quando ele se lembra de nós?").
É possível que Filipenses 1:5 seja uma referência a sua cooperação financeira com Paulo, assunto ao qual ele volta em Filipenses 4:14-19. A igreja de Filipos foi a única congregação que contribuiu para sustentar o ministério de Paulo. A expressão "boa obra", em Filipenses 1:6, pode ser uma referência a esse compartilhamento de seus recursos; essa obra foi iniciada pelo Senhor, e Paulo estava certo de que o Senhor a continuaria e completaria.
Mas não se foge do significado do texto ao aplicar esses versículos à salvação e à vida cristã. Ninguém é salvo pelas boas obras (Ef 2:8, 9). A salvação é a boa obra de Deus na vida do indivíduo, efetuada quando cremos em seu Filho. Em Filipenses 2:12, 13, vemos que Deus continua a trabalhar em nós por meio de seu Espírito. Em outras palavras, a salvação compreende uma obra tripla:
• A obra que Deus realiza por nós - a salvação;
• A obra que Deus realiza em nós - a santificação;
• A obra que Deus realiza por meio de nós - o serviço.
Essa obra terá continuidade até vermos Cristo e, então, será consumada. "Seremos semelhantes a ele, porque haveremos de vê-lo como ele é" (1 Jo 3:2).
Paulo se alegra em saber que Deus continua a operar na vida de seus irmãos e irmãs em Cristo em Filipos. Afinal, essa é a verdadeira base para comunhão cristã jubilosa: Deus operando em nossa vida diariamente.
- Estamos tendo certo atrito em casa - comentou com o conselheiro uma esposa preocupada. - Não sei exatamente qual é o problema.
- O atrito pode ter duas causas - disse o conselheiro e, para exemplificar, pegou dois blocos de madeira que estavam sobre a sua mesa. - Ocorre quando um bloco se move e o outro não, ou quando os dois se movem em direções contrárias. Qual é seu caso?
- Preciso admitir que, ultimamente, minha vida cristã sofreu um retrocesso; meu marido, no entanto, tem crescido na fé reconheceu a esposa. - Preciso voltar a ter comunhão com o Senhor.

A PRESENÇA NO CORAÇÃO (Fp 1:7, 8) Passamos a um nível um pouco mais profundo, pois podemos pensar em outras pessoas sem que estejam em nosso coração. O amor profundo de Paulo por seus amigos é algo que não pode ser disfarçado nem escondido.
O amor cristão é o maior elemento de união e a prova da salvação: "Nós sabemos que já passamos da morte para a vida, porque amamos os irmãos" (1 Jo 3:14). É o "lubrificante espiritual" que garante o bom funcionamento do motor de nossa vida. É interessante observar como Paulo usa a expressão "todos vós" com frequência nesta epístola, referindo-se diretamente a todos os seus leitores em pelo menos nove ocasiões. Ele não deseja deixar ninguém de fora!
De que maneira Paulo demonstrava seu amor por eles? Em primeiro lugar, estava sofrendo por eles. Suas cadeias eram prova de seu amor. Ele era "prisioneiro de Cristo Jesus, por amor de vós, gentios" (Ef 3:1). O julgamento de Paulo daria ao cristianismo a oportunidade de receber uma audiência justa diante das autoridades romanas. Uma vez que Filipos era uma colônia de Roma, o veredicto também afetaria os cristãos filipenses.
O amor de Paulo não era da boca para fora; era algo que ele praticava. O apóstolo considerava suas circunstâncias difíceis uma oportunidade para defender e confirmar o evangelho, o que seria benéfico para os irmãos em Cristo em toda a parte.
Mas como os cristãos podem aprender a colocar em prática esse tipo amor?
- Eu me dou melhor com meus vizinhos incrédulos do que com meus parentes convertidos, - um homem comentou com seu pastor. - Sei que "o ferro com o ferro se afia", mas estou cansado dessa gente!
O amor cristão não é algo que geramos dentro de nós, mas sim algo que Deus faz em nós e por meio de nós. Paulo ansiava por seus amigos "na terna misericórdia de Cristo Jesus" (Fp 1:8). Não se trata do amor de Paulo transmitido a eles por meio de Cristo, mas sim do amor de Cristo transmitido por meio de Paulo. "Porque o amor de Deus é derramado em nosso coração pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado" (Rm 5:5). Quando permitimos que Deus realize sua "boa obra" em nós, passamos a amar uns aos outros cada vez mais.
Como saber se estamos verdadeiramente ligados a outros cristãos em amor? Em primeiro lugar, quando nos preocupamos com eles. Os cristãos em Filipos preocupavam-se com Paulo e enviaram Epafrodito para lhe ministrar. Paulo também se preocupava extremamente com seus amigos em Filipos, especialmente quando Epafrodito caiu enfermo e não pôde voltar de imediato (Fp 2:25-28). "Filhinhos, não amemos de palavra, nem de língua, mas de fato e de verdade" (1 Jo 3:18).
Outra evidência do amor cristão é uma disposição de perdoar uns aos outros. "Acima de tudo, porém, tende amor intenso uns para com os outros, porque o amor cobre multidão de pecados" (1 Pe 4:8).
- Conte-nos algumas das burradas que sua esposa já fez - disse o locutor de rádio a um dos participantes de seu programa.
- Não me lembro de nada - respondeu o participante.
- Não acredito! Você deve se lembrar de pelo menos uma asneira dela! – insistiu o locutor.
- Não me lembro mesmo - disse o participante. - Amo muito minha esposa e simplesmente não guardo coisas desse tipo na memória.
O amor "não se ressente do mal", diz 1 Coríntios 13:5.
Os cristãos que praticam o amor sempre experimentam alegria, pois as duas coisas são resultado da presença do mesmo Espírito Santo. "Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria..." (G l 5:22).

A PRESENÇA NAS ORAÇÕES (Fp 1:9-11) Paulo alegra-se com as recordações que tem de seus amigos em Filipos e com seu amor cada vez maior por eles. Também se alegra em se lembrar deles diante do trono da graça em oração. O sumo sacerdote de Israel usava sobre o peito uma vestimenta especial chamada de "peitoral do juízo". Nela se encontravam engastadas doze pedras preciosas, e em cada uma estava gravado o nome de uma das tribos de Israel (Êx 28:15­29). Como o sacerdote, Paulo trazia o povo junto ao coração em amor. Talvez a maior comunhão cristã e alegria que podemos experimentar nesta vida encontre-se diante do trono da graça, ao orarmos uns com os outros e uns pelos outros.
Vê-se aqui uma oração pedindo maturidade, e Paulo começa com o amor. Afinal, se o amor cristão se desenvolver corretamente, o resto será consequência. O apóstolo pede que os filipenses experimentem amor abundante e discernente. O amor cristão não é cego! O coração e a mente trabalham juntos para que se tenha amor discernente e discernimento amoroso. Paulo deseja que seus amigos cresçam em discernimento, ou seja, na capacidade de "fazer distinção entre coisas diferentes".
A capacidade de distinguir é um sinal de maturidade. Quando uma criança está aprendendo a falar, às vezes chama todo animal quadrúpede de "au-au". Mas, à medida que se desenvolve, descobre que existem gatos, ratos, vacas e outras criaturas quadrúpedes. Para uma criança, todos os carros são iguais, mas com certeza não é o caso para o adolescente aficionado por automóveis! Ele é capaz de identificar as diferenças entre os modelos antes mesmo de seus pais conseguirem distinguir a marca. O amor discernente é um dos sinais inequívocos de maturidade.
Paulo também ora pedindo que tenham um caráter cristão maduro e que sejam "sinceros e inculpáveis". O termo grego traduzido por "sinceros" pode ter vários significados. Alguns o traduzem por "testado à luz do sol". O cristão sincero não tem medo de ser exposto à luz.
O vocábulo correspondente a sincero também significa "girar em uma peneira", o que sugere a ideia de separar a palha do trigo. Em ambos os casos, a verdade é a mesma: Paulo ora para que seus amigos tenham um caráter que possa ser testado e aprovado. Na língua portuguesa, o adjetivo "sincero" vem do latim sinceru, que significa "sem mistura, não adulterado, puro".
Paulo ora por eles para que tenham amor e caráter cristão maduros, "inculpáveis para o Dia de Cristo"(Fp 1:10). Isso significa que a vida não deve ser motivo de tropeço para outros e que estamos preparados para o tribunal de Cristo em sua volta (ver 2 Co 5:10; 1 Jo 2:28).
Há aqui dois testes excelentes para usar como referência ao exercitar o discernimento espiritual: (1) Esse ato será tropeço para outros? (2) Ficarei envergonhado se Jesus voltar agora?
Paulo também ora para que tenham um serviço cristão maduro. Deseja que sejam plenos e abundantes em frutos (Fp 1:11). Não está interessado apenas nas "atividades da igreja", mas sim no tipo de fruto espiritual produzido quando se está em comunhão com Cristo. "Permanecei em mim, e eu permanecerei em vós. Como não pode o ramo produzir fruto de si mesmo, se não permanecer na videira, assim, nem vós o podeis dar, se não permanecerdes em mim" (Jo 15:4). Muitos cristãos tentam "gerar resultados" por meio dos próprios esforços em vez de permanecer em Cristo e permitir que ele produza os frutos.
Qual é o "fruto" que Deus deseja ver em nossa vida? Sem dúvida, o "fruto do Espírito" (Gl 5:22, 23), o caráter cristão que glorifica a Deus. Paulo compara o trabalho de ganhar almas perdidas para Cristo com a produção de fruto (Rm 1:13) e cita a "santidade" como um fruto espiritual (Rm 6:22). Exorta-nos, ainda, a "[frutificar] em toda boa obra" (Cl 1:10). Hebreus fala do louvor como o "fruto [dos] lábios" (Hb 13:15).
A árvore frutífera não faz barulho enquanto produz sua safra; apenas permite que a vida interior trabalhe de maneira natural, redundando em frutos. "Quem permanece em mim, e eu, nele, esse dá muito fruto; porque sem mim nada podeis fazer" (Jo 15:5).
A diferença entre o fruto espiritual e a "atividade religiosa" humana é que o fruto glorifica a Jesus Cristo. Sempre que alguém faz algo pelas próprias forças, há a tendência de vangloriar-se. O verdadeiro fruto espiritual é tão lindo e maravilhoso que ninguém é capaz de assumir o crédito; a glória deve ser dada somente a Deus.
Eis, portanto, a verdadeira comunhão cristã: o compartilhamento é um elemento em comum bem mais profundo que a simples amizade. A presença na memória, no coração e nas orações - esse é tipo de comunhão que produz alegria e que é resultante de uma mente determinada.
Muito a contragosto, Jerry teve de ir a Nova Iorque para se submeter a uma cirurgia complexa. Preferia ser operado na própria cidade, pois não conhecia uma viva alma naquela metrópole inamistosa. Mas quando Jerry e a esposa chegaram ao hospital, havia um pastor esperando por eles com um convite para que ficassem hospedados em sua casa até se adaptarem. A operação foi séria, e a recuperação no hospital foi longa e difícil, mas a comunhão com o pastor e a esposa dele renovaram a alegria de jerry e de sua esposa. Eles aprenderam que as circunstâncias não precisam nos privar da alegria, se permitirmos que fortaleçam a comunhão no evangelho.

INTERAÇÃO

Prezado professor, neste trimestre estudaremos a carta do apóstolo Paulo aos filipenses. Os temas contemplados nesta epístola são diversos. O apóstolo fala sobre o caráter de Deus, a alegria, o serviço, o conflito e o sofrimento dos santos. Mas o tema que ganha maior destaque na carta é o senhorio de Jesus Cristo, o kyrios de Deus (2.9,10). O Pai o fez Senhor e Cristo.
O comentarista do trimestre é o Pastor Elienai Cabral - conferencista e autor de várias obras publicadas pela CPAD, membro da Academia Evangélica de Letras do Brasil e também da Casa de Letras Emílio Conde. Que Deus abençoe a sua vida e a de seus alunos. Bons estudos!

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Introduzir a Epístola aos Filipenses destacando a cidade, a data e o local da autoria.
Explicar o propósito, a autoria e os destinatários da epístola.
Compreender os atos de oração e ação de graças do apóstolo Paulo.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, para introduzir a lição desta semana reproduza o esquema abaixo. Faça a exposição panorâmica da Epístola aos Filipenses, explicando o propósito e suas principais divisões. Mostre aos alunos que a carta pode ser dividida em duas partes principais: (1) Circunstâncias em que Paulo se encontrava e (2) assuntos de interesse da Igreja - alegria, o serviço, o caráter de Deus, o conflito e o sofrimento, etc.
Aprendamos, pois, neste trimestre, com a igreja de Filipos. Boa aula!

COMENTÁRIO
introdução

Palavra Chave
Epístola: Cada carta ou lições dos apóstolos às comunidades cristãs primitivas.

Neste trimestre, estudaremos a Epístola de Paulo aos Filipenses. Esta carta é uma declaração de amor e gratidão do apóstolo pelo amoroso zelo dos filipenses para com os obreiros do Senhor. A epístola está classificada no grupo das cartas da prisão - Filipenses, Filemon, Colossenses e Efésios. Além de realçar a verdadeira cristologia, a epístola orienta-nos quanto ao comportamento que devemos ter diante das hostilidades e perseguições enfrentadas pela Igreja de Cristo.

I. INTRODUÇÃO À EPÍSTOLA

1. A cidade de Filipos. Localizada no Norte da Grécia, foi fundada por Filipe II. Outras cidades como Anfípolis, Apolônia, Tessalônica e Bereia também faziam parte daquela região (At 17.1,10). Filipos, porém, era uma colônia romana (At 16.12) e um importante centro mercantil, pois estava situada no cruzamento das rotas comerciais entre a Europa e a Ásia.
2. O Evangelho chega à Filipos. Por volta do ano 52 d.C., o apóstolo Paulo, acompanhado por Silas e Timóteo, empreendeu uma segunda viagem missionária (At 15.40; 16.1-3). Ao entrar numa cidade estrangeira, a estratégia usada por Paulo para anunciar o Evangelho era sempre a mesma: dirigir-se em primeiro lugar a uma sinagoga. Ali, o apóstolo esperava encontrar judeus dispostos a ouvi-lo. Mas, na sinagoga de Filipos, havia uma comunidade não muito inclinada a escutá-lo. Por isso, Paulo concentrou-se num lugar público e informal para falar a homens e mulheres desejosos por discutir assuntos religiosos.
Lá, o apóstolo encontrou Lídia, de Tiatira, uma comerciante que negociava púrpura (At 16.14). Ela se converteu a Cristo e levou o primeiro grupo de cristãos de Filipos a congregar-se em sua casa. No lar da irmã Lídia, a igreja começou a florescer (At 16.15-40).
3. Data e local da autoria. Apesar das dificuldades para se referendar a data e o local da Epístola aos Filipenses, os especialistas em Novo Testamento dizem que a carta foi redigida entre os anos 60 e 63 d.C., provavelmente em Roma. Na ocasião, o apóstolo Paulo estava encarcerado numa prisão, e recebeu a visita de um membro da igreja em Filipos, chamado Epafrodito. Este chegara a ficar gravemente adoentado, "mas Deus se apiedou dele" que, agora recuperado, acabou por levar a mensagem do apóstolo aos filipenses.

SINÓPSE DO TÓPICO (1)
Após chegar numa cidade gentílica, o apóstolo Paulo dirigia-se a uma sinagoga judaica para evangelizar

II. AUTORIA E DESTINATÁRIOS

1. Paulo e Timóteo. O nome de Timóteo aparece juntamente com o de Paulo na introdução da epístola filipense (v.1). Apesar de Timóteo ser apresentado como coautor da carta, a autoria principal pertence ao apóstolo Paulo. Este certamente tratou com Timóteo, seu discípulo, os assuntos expostos na carta. O apóstolo Paulo também não desfrutava de boa saúde, e este fato fazia com que dependesse constantemente da ajuda de um auxiliar na composição de seus escritos (Rm 16.22; 1 Co 1.1; Cl 1.1).
2. Os destinatários da carta: "todos os santos". Paulo chama os cristãos de Filipos de "santos" (v. 1). Isto é, aqueles que foram salvos e separados, por Deus, para viver uma nova vida em Cristo. Este era o tratamento comum dado por Paulo às igrejas (Rm 1.7; 1 Co 1.2). Quando o apóstolo dos gentios usa a expressão "em Cristo Jesus", ele quer ilustrar a relação íntima dos crentes com o Cristo de Deus - semelhante ao recurso usado por Jesus quando da ilustração da "videira e os ramos" (cf. Jo 15.1-7).
3. Alguns destinatários distintos: "bispos e diáconos". A distinção entre "bispos e diáconos" expressa a preocupação paulina quanto à liderança espiritual da igreja (v.1). O modelo de liderança adotado pelas igrejas do primeiro século funcionava assim: os "bispos" eram responsáveis pelas necessidades espirituais da igreja local e os "diáconos" pelo serviço à igreja sob a supervisão dos bispos.

SINÓPSE DO TÓPICO (2)
Apesar de Timóteo aparecer como o coautor da carta, a autoria da epístola é do apóstolo Paulo.

SUBSÍDIO TÓPICO 2
A frase introdutória marca o tom de toda a Carta. Tem as notas características das cartas que um amigo dirige a seus amigos. Com exceção da Carta aos Tessalonicenses e da breve nota pessoal a Filemom, Paulo começa sempre pondo clara sua condição de apóstolo. Por exemplo em Romanos começa assim: “Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para ser apóstolo” (cf. 1 Coríntios 1:1: 2 Coríntios 1:1; Gálatas 1:1; Efésios 1:1; Colossenses 1:1). E assim em todas as demais Cartas começa afirmando sua posição oficial, que dá razão do direito que tem de escrever e do dever do destinatário de escutar. Sempre apresenta primeiro suas credenciais. Mas não assim quando escreve aos filipenses. Não há necessidade. Não precisa especificar sua autoridade nem exigir atenção; sabe que será ouvido com todo afeto. De todas as Igrejas a de Filipos era a que Paulo se sentia mais ligado. E por isso escreve não como um apóstolo aos membros da Igreja, mas sim como um amigo a seus amigos. Mas apesar disto Paulo reclama um título: é o servo (doulos) de Cristo. Doulos é mais que servo; significa escravo. Um servo tem a liberdade de ir e vir, de ligar-se a outro amo; mas um escravo é possessão de seu senhor para sempre. Quando Paulo se chama escravo de Jesus Cristo o faz por três motivos.
(1) Deixa situado que é possessão absoluta de Cristo. Cristo o amou e o comprou mediante um preço (1 Coríntios 6:20); já não pode pertencer a ninguém mais que a Cristo. (2) Deixa claro que se deve a Cristo com uma obediência absoluta. O escravo não tem vontade própria; sua vontade é a do senhor; as decisões do senhor são as que regem sua vida. Paulo não tem outra vontade a não ser a de Cristo e não obedece a ninguém a não ser a seu Salvador e Senhor.
(3) Mas ainda há algo mais. No Antigo Testamento o título comum dos profetas é servo de Deus (Amós 3:7; Jeremias 7:25). Este é o título que foi dado a Moisés, a Josué e Davi (Josué 1:2; Juízes 2:8; Salmo 78:70; 89:3.10). Em realidade, o mais elevado de todos os títulos honoríficos é o de servo de Deus. Quando Paulo o adota se coloca humildemente na mesma linha dos profetas e dos grandes homens de Deus. A escravidão cristã não é uma sujeição rasteira e objeto mas sim, como diz o lema cristão: Ser seu escravo é ser um rei. Ser escravo de Cristo é o caminho à liberdade perfeita.

III. AÇÃO DE GRAÇAS E PETIÇÃO PELA IGREJA DE FILIPOS (1.3-11)

1. As razões pela ação de graças. "Dou graças ao meu Deus todas as vezes que me lembro de vós" (v.3). A razão de o apóstolo Paulo lembrar-se dos filipenses nas suas orações, e alegrar-se por isto, foi a compaixão deles para com o apóstolo quando da sua prisão, defesa e confirmação do Evangelho (v.7). Esta lembrança fortalecia Paulo na sua solidão, pois, apesar de estar longe fisicamente dos filipenses, aproximava-se deles pela oração, onde não há fronteiras.
2. Uma oração de gratidão (vv.3-8). Paulo lembra a experiência amarga sofrida juntamente com Silas em Filipos (v.7). Eles foram arrastados à presença das autoridades, açoitados em público, condenados sumariamente e jogados no cárcere, tendo os pés atados ao tronco (At 16.19,23,24). Essa dura experiência fez o apóstolo recordar o grande livramento de Deus concedido a ele, a Silas e ao carcereiro (At 16.27-33).
Os filipenses participaram das aflições do apóstolo e proveram-no, inclusive, de recursos financeiros (4.15-18), ao passo que os coríntios fecharam-lhe as mãos (1 Co 9.8-12). Por isso, quando lemos a Epístola aos Filipenses percebemos o amor, a amizade e a grande estima que Paulo nutria para com aquela igreja (v.8).
3. Uma oração de petição (vv.9-11). Após agradecer a Deus pelos filipenses, o apóstolo passa a rogar a Deus por eles:
a) Que o vosso amor aumente mais e mais em ciência e em todo o conhecimento (v.9). O desejo do apóstolo é que o amor cresça e se desenvolva de modo mais profundo, levando cada crente em Filipos a ter um maior conhecimento de Cristo.
b) Para que aproveis as coisas excelentes para que sejais sinceros e sem escândalo algum até ao Dia de Cristo (v.10). Paulo intercedia pelos filipenses, pedindo ao Senhor que lhes concedesse a capacidade de discernir entre o certo e o errado. Esta capacidade fará do crente uma pessoa sincera e sem escândalo até a volta do Senhor.
c) Cheios de frutos de justiça (v.11). O apóstolo desejava que os crentes filipenses não fossem estéreis, mas cheios do fruto da justiça para a glória de Deus. A justiça que vem de Deus manifesta-se com perfeição no caráter e nas obras do crente.

SINÓPSE DO TÓPICO (3)
A atitude de ação de graças e petição pela igreja de Filipos é o tema que predomina na introdução da epístola.

CONCLUSÃO
As adversidades ministeriais na vida do apóstolo Paulo eram amenizadas na demonstração de amor das igrejas plantadas por ele. Ao longo deste trimestre, veremos o quanto a igreja de Filipos foi pastoreada por aquele que não media esforços nem limites para proclamar o Evangelho: o apóstolo Paulo.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOI

Subsídio Bibliológico
"[Filipos]
A cidade de Filipos foi fundada em 360 a.C. por Filipe da Macedônia. Foi construída na aldeia de Krenides em Trácia e serviu como um centro militar significativo. Quando Roma conquistou a área duzentos anos mais tarde, Filipos se tornou a principal cidade na Macedônia, um dos quatro distritos romanos do que é hoje conhecido como a Grécia. Lá, aconteceu a famosa batalha entre os exércitos de Brutus e Cassius e aqueles de Otávio e Marco Antônio (42 a.C.). A vitória de Otávio levou ao estabelecimento do Império Romano, e ele é lembrado pelo nome sob o qual governou aquele império - Augustus. Filipos floresceu como uma cidade colonial no Império Romano; é a única cidade romana chamada de 'colônia' no Novo Testamento (At 16.12). Muitos veteranos de guerras romanas, particularmente do conflito mais antigo entre Antônio e Otávio, povoaram este lugar, tendo recebido porções de terras por seu serviço a Roma. A cidade teve orgulho deste estado como uma colônia romana, desfrutando dos privilégios de isenção de impostos. Promoveu o latim como sua língua oficial e modelou muitas de suas instituições segundo as de Roma (por exemplo, o governo cívico). Os magistrados que Paulo e seus companheiros encontraram primeiro em Atos 16 trouxeram o título honorário de 'pretores'. O sentimento de orgulho dos filipenses é evidente em Atos 16.21, onde vários cidadãos se referem a si mesmos como 'Romanos'" (ARRINGTON, ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento.  4.ed. Vol. 2, Rio de  Janeiro: CPAD, 2009, p.470).
VOCABULÁRIO

Colônia: Grupo de migrantes que se estabelecem em terra estranha. Ou lugar onde se estabelece quaisquer migrantes.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4.ed. Vol. 2, Rio de  Janeiro: CPAD, 2009.
STAMPS, Donald C (Ed.). Bíblia de Estudo Pentecostal: Antigo e Novo Testamento. Rio de Janeiro: CPAD, 1995.

SAIBA MAIS

Revista Ensinador Cristão CPAD
nº 55, p.36.

EXERCÍCIOS


1. Faça um resumo a respeito da cidade de Filipos.
R. A cidade de Filipos foi fundada por Felipe II, localizada no Norte da Grécia. Além de ser uma importante colônia romana (At 16.12), era um importante centro mercantil entre a Europa e a Ásia.

2. Qual a data mais provável em que foi escrita a Epístola aos Filipenses?
R. De acordo com os especialistas do Novo Testamento, a carta foi redigida entre os anos 60 e 63 d.C.

3. Quem é o coautor e autor da carta aos filipenses?
R. Aos crentes de Filipos, chamados santos, e "bispos e diáconos" da Igreja.

4. Quem são os destinatários da carta aos filipenses?
R. Aos crentes de Filipos, chamados santos, e "bispos e diáconos" da Igreja.

5. Quais são as três petições de Paulo apresentadas na lição em favor dos filipenses?
R. Que os filipenses crescessem em amor e ciência, tivessem sinceridade e que dessem frutos de justiça.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
Antigo e Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)
Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

3 comentários:

  1. Muito Bom,parabéns pelo trabalho e que Deus continue nos abençoando + e +.Amém!!!

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  2. A resposta 3 está incorreta: O Coautor é Timóteo.

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    Respostas
    1. o autor da carta de filipenses é o Apostolo Paulo, Ir. Paula

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