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Lição 13 - A igreja de Cristo vencendo os desafios

Uma leitura superficial de Marcos 16:15, 16 pode dar a entender que, a fim de ser salvo, é preciso que o pecador também seja batizado, mas essa interpretação incorreta não pode ser defendida, uma vez que observamos a ênfase sobre o crer. Se uma pessoa não crê, mesmo que seja batizada, está condenada (ver Jo 3:16-18, 36). A Igreja primitiva esperava que os cristãos fossem batizados (At 2:41; 10:44-48).
Quando Deus enviou Moisés para desafiar o Faraó no Egito, deu-lhe alguns milagres que deveria realizar como credenciais divinas, de modo a provar que havia, de fato, sido enviado por Deus (Êx 4:1-9). O mesmo aconteceu com alguns dos profetas (1 Rs 18; 2 Rs 2:14-25). Os apóstolos também receberam "sinais" para corroborar sua mensagem (At 19:11, 12; 2 Co 12:12; Hb 2:3, 4). Os milagres, por si mesmos, não provam que uma pessoa foi enviada por Deus, pois a sua mensagem também deve ser fiel à Palavra de Deus (ver 2 Ts 2; Ap 13).
A maioria dos sinais que Marcos relaciona nesta passagem ocorreu no tempo dos apóstolos e se encontra registrada no Livro de Atos. O caso que chega mais perto de "pegar em serpentes" é a experiência de Paulo em Malta (At 28:3-6), mas não há qualquer registro bíblico de alguém que tenha
bebido veneno e sobrevivido. Sem dúvida, Deus realizou muitas maravilhas das quais não temos conhecimento, que ficaremos sabendo apenas no céu.
É triste quando pessoas bem-intencionadas, porém ignorantes, apropriam-se desses sinais como se fossem promessas e morrem por picadas de cobras ou por envenenamento. A justificativa apresentada é que tais pessoas não tiveram fé suficiente! Mas aquilo que não provém da fé é pecado (Rm 14:23); portanto, não deveriam ter se envolvido em tais situações.
Quem pega em serpentes só para provar sua fé está caindo na mesma tentação que Satanás apresentou a Jesus no alto do templo (Mt 4:5-7). Na verdade, o que Satanás disse foi: "Atire-se aqui do alto e veja se Deus cuidará mesmo de você". O inimigo deseja que "ostentemos" nossa fé e que obriguemos Deus a realizar milagres desnecessários. Jesus recusou-se a tentar Deus, e devemos seguir seu exemplo. Sem dúvida, Deus cuida de seus filhos quando estes se encontram em perigo ao andar dentro da vontade dele, mas não tem obrigação de cuidar de nós quando, por nossa própria insensatez, deixamos de fazer a vontade dele. Somos chamados a viver pela fé, não pela sorte; a crer em Deus, não a tentar o Senhor. 
1. Entendendo melhor o que é a igreja
Uma instituição ou uma organização se tem por definição de igreja nos dias de hoje. No entanto, nas páginas do Novo Testamento, ela era identificada mais como um organismo vivo e dinâmico, do que uma estrutura de poder e concentração de riquezas. No grego clássico, a palavra igreja (ekklesia) significa “ajuntamento popular” e designava as assembleias locais da Grécia antiga, em que os magistrados decidiam a vida jurídica dos cidadãos (At 19.32,39). Mas, no Novo Testamento, essa expressão indica dentre outras uma congregação local de redimidos em Cristo (Rm 16.5; ICo 16.19; Cl 4.15; Fm 2). 
1.1. A igreja é um grupo de companheiros (At 2.42)
O único livro, considerado histórico do Novo Testamento, Atos dos Apóstolos, começa a descrever os atos da igreja, como uma comunidade praticando o que os apóstolos ensinaram, na comunhão, no partir do pão, e na prática constante das orações. Esse grupo de companheiros chamados de igreja tinha no relacionamento um estilo de vida particular. Por isso a palavra comunhão descreve bem aquele estilo de vida que os crentes tinham. Eles se consideram iguais e se amavam mutuamente. Eles pertenciam a uma nova família, a família de Deus.

Atos 2.40-4 3 — Quase três mil almas. A resposta ao sermão de Pedro foi tremenda. O impressionante crescimento do número de convertidos criou novas necessidades e responsabilidades. Os apóstolos tinham o dever de treinar esse grande grupo e conduzi-lo à comunhão com os outros cristãos.
O processo se dava em quatro etapas: (1) Era ensinado aos novos convertidos que eles deveriam perseverar na doutrina dos apóstolos. A uniformidade da crença em relação à pessoa de Jesus, baseada no testemunho ocular de Seus seguidores, era essencial. (2) Os novos convertidos eram incentivados a partilhar da comunhão da Igreja. A palavra grega traduzida por comunhão significa compartilhar sua vida com outros cristãos. (3) Os novos convertidos eram incentivados a partir o pão, provavelmente, uma referência à ceia do Senhor (1 Co 11.23,24). Alguns creem que essa é uma referência mais ampla à Festa do amor, uma refeição de comunhão da Igreja primitiva. (4) Os novos convertidos eram ensinados na disciplina da oração. As orações coletivas eram vistas como parte essencial do crescimento espiritual da Igreja.
Muitas maravilhas e sinais aparentemente eram concedidos aos apóstolos pelo Senhor para validar a condição de ministros ordenados por Deus e para comprovar a veracidade do testemunho deles, objetivando o estabelecimento da Igreja primitiva (Hb 2.3,4). 
1.2. A igreja é comparada a um corpo
Em uma definição cientifica, “o corpo humano é constituído por diversas partes que são inter-relacionadas, ou seja, uma depende da outra”. Cada sistema, cada órgão é responsável por uma ou mais atividades. Milhares de reações químicas acontecem a todo instante dentro do nosso corpo, seja para captar energia para a manutenção da vida. movimentar os músculos, recuperar-se de ferimentos e doenças ou se manter na temperatura adequada à vida. Isso mostra que mesmo o corpo humano se dividindo em cabeça, tronco e membros, nenhuma das partes tem vida própria ou são independente uma da outra. Todas trabalham juntas (Rm 12.3-9).
E sendo Cristo o cabeça do corpo (Cl 1.18), ele permanece como Senhor de todo o corpo, que pertence a Ele totalmente. A imagem do corpo só fortalece o relacionamento entre Cristo e seu povo, na medida em que toda a vida e nutrição vêm dele. Se vive Dele, por ele, através dele e para ele. Trata-se da completa dependência dele. 
1.3. A igreja é um templo espiritual.
No Antigo Testamento, essa imagem do povo de Deus como edifício do Senhor ensinava que Deus permanecia no meio do seu povo (Tabernáculo/Templo). No entanto. Deus. cuja presença é encontrada em todo o universo, não está limitado a um templo. Assim no Novo Testamento, os cristãos passam a representar o templo de Cristo. Ele é a pedra fundamental (ICo 3.11; Ef 2.20), em que a igreja de Cristo é edificada como santuário do Altíssimo (ICo 3.16), e habitação do Espírito (Ef 2.22).

Não vivemos mais no paraíso, na comunhão inquestionável com Deus. Estamos separados de Deus e rendidos solitariamente à nossa vida e morte. Porém ansiamos por Deus. Neste mundo cheio de aflições queremos ter locais em que podemos ter certeza da proximidade de Deus. Por isso no mundo, todos os povos edificam templos, prédios sagrados, nos quais deveria ser possível que a pessoa carente e amedrontada encontre a divindade. Contudo, por mais grandiosos e misteriosos que esses prédios possam ser, por mais profundamente que os atos cultuais e as celebrações comovam as almas, as pessoas notam que sua fome pela presença de Deus não é saciada. Agora, porém, após a conclusão da obra de salvação, Deus está empreendendo pessoalmente a construção de um templo, que concretiza aquilo que todas as religiões do mundo almejam. Nesse templo imenso, que se estende pelo mundo todo, que não consiste de matéria inanimada, mas de pedras vivas, o Deus santo e vivo de fato habita pelo Espírito Santo. Esse templo existe e quando pessoas são salvas pela palavra da cruz e presenteadas com o Espírito Santo. Consequentemente, esse templo também existe em Corinto:  “Não sabeis que sois o santuário de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?”. 
2. O fundamento, a missão e o futuro da igreja.
Os historiadores entendem que desde o início, havia uma forte igreja em Jerusalém dirigida e organizada pelos apóstolos. No entanto ela tem seu início já nos primeiros movimentos de pregação e ensinos de Jesus Cristo, que é de fato o fundador da igreja. Durante seu ministério, Jesus viveu como quem tinha a missão de começar uma nova comunidade. Ele, antes de qualquer nova proposta, dirigiu-se à antiga comunidade (a nação de Israel), mas esta o rejeitou (Jo 1.11-12). Então, começou a chamar um grupo de novos alunos, ou seguidores e deu-lhe os princípios normativos dessa nova comunidade (Mt 5.1-10). A partir daí, Ele designou doze homens como liderança daquele novo grupo. Esses homens ensinaram e pregaram em vários lugares os seus ensinos. E, até hoje, continuadamente Jesus está convocando os pecadores, a fim de que desfrutem das bênçãos do reino de Deus. 
2.1. A igreja e seu fundamento
Apesar de sua constituição humana, a igreja de Cristo tem procedência divina, pois ela foi pensada pelo próprio Deus que a sustenta e faz com que tudo quanto projetou para ela, em sua jornada de peregrinação rumo ao Céu, realize-se. Ela é uma edificação de Deus, e como tal tem um fundamento, sem o qual não pôde ser construída e não poderá se manter de pé ou suportar a ação do tempo em suas estruturas (Mt 7.24-27). E esse fundamento é Jesus Cristo (Mt 18.13-20). 
2.2. A missão da igreja
Antes de qualquer coisa, a igreja existe essencialmente para adorar a Deus (Jo 4.24). O ensino, a comunhão e o serviço na comunidade cristã têm exatamente essa finalidade, glorificar a Deus em toda a sua grandeza. A igreja proclama o evangelho e faz missões em todos os níveis para que o Senhor seja exaltado entre todas as pessoas e todas as nações. Então, a igreja é um grupo de pessoas redimidas que existem e vivem para a glória de Deus. Jesus disse: “Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem o vosso Pai, que está nos céus” (Mt 5.16). Portanto toda ação da igreja na terra é para glorificar a Deus.
A igreja é uma comunidade de fé para servir a sociedade. Ela tem o poder de com sua mensagem e dons ajudar na transformação de homens e mulheres marginalizados em cidadãos de bem (Mt 5.13-16). Com sua ética (Mt 5.1-10), sua filosofia (Mt 5.43-48), seu padrão familiar (Ef 5.22-6.4), sua pedagogia (At 10.38), seu gosto pela leitura (lTm 4.13), sua pré-disposição para ajudar os mais necessitados (Rm 12.20). São comportamentos que, com ' certeza, cumprirão a missão de transformação de muitas pessoas na sociedade. Por isso, a necessidade de pregar o evangelho. A proclamação e o ensino dos princípios cristãos é que vão sinalizar o reino de Deus para a sociedade. Por isso, Jesus mandou que pregassem por todo o mundo (Mc 16.15-20). 
2.3. O futuro da igreja
A igreja de Cristo, em sua jornada neste mundo, mesmo influenciada pelos poderes das trevas, tem um futuro de vitória. Ela aguarda ansiosamente, o retorno de Cristo para busca-la. Será um maravilhoso evento. A transitoriedade histórica da igreja terá sido consumada naquele dia. A igreja estará para sempre com o Senhor Jesus, nas mansões celestiais, aproveitando o gozo e alegria do futuro celeste. A igreja não está sem direção, ela tem um caminho (Jesus), ela participa do projeto de restauração de Deus para a humanidade. A ela resta apenas a fidelidade até o dia final (Mt 10.22 Todos odiarão vocês por minha causa, mas aquele que perseverar até o fim será salvo.).

Os sofrimentos com a perseguição tornam-se cada vez mais intensos. No início falava-se da perseguição pelos de fora, depois da perseguição pela autoridade. Agora trata-se, como terceiro aspecto, da opressão no próprio círculo familiar. Constitui a maior aflição quando, por parte dos parentes de sangue, surge o ódio mortífero, e quando o irmão denunciará à morte o irmão, e o pai ao filho. E mais: filhos se rebelarão contra os pais de maneira indigna, lançando os próprios pais à morte. Surge o quadro retratado em Mq 7.6. Além da expulsão do povo e da pátria, acompanha os discípulos a expulsão da comunhão familiar. “Diante do ardoroso banimento com que o judaísmo punia os delatores, a declaração de Jesus retrata com cores especialmente fortes a cruel impossibilidade de reconciliação na discórdia. Extirpar a confissão a Jesus impõe-se até mesmo aos parentes de sangue como o dever mais sagrado” (cf. Schlatter).
O ápice da perseguição, porém, é alcançado quando os seguidores e discípulos do Senhor são odiados por todos, sem qualquer exceção. No entanto, todo o ser odiado acontece por amor do meu nome, conforme o Senhor declara literalmente.
A resposta a esse ódio de todos os lados, por parte de todos, das autoridades, dos parentes mais próximos, não deve ser amargura, mágoa, indisposição para a reconciliação, falta de amizade e amor, dureza de coração e frieza, mas deve mostrar-se na perseverança no amor (o amor ágape) até o fim. 
3. A mulher, a política e a disciplina na igreja
A mulher, a política e a disciplina na igreja são assuntos que ainda são difíceis de discutir com alguns cristãos. Tudo porque alguns perpetuam conceitos preconceituosos. 
3.1. O ministério feminino na igreja
Apesar de estarmos no século XXI, ainda existe muita resistência ao ministério feminino na igreja cristã brasileira; evidentemente, por existir muitos preconceitos da parte de alguns. Entretanto, encontramos no ministério de Jesus, muitas mulheres presentes com sua relevante contribuição para a vida comunitária e a expansão do reino de Deus (Lc 8.1-3). Jesus, de certa forma, proporcionou melhores condições para a mulher na sociedade. Ele a colocou no lugar que merecia. Destacou sua importância e a necessidade de tê-las presentes, na igreja, com suas funções e habilidades. Elas aparecem na genealogia de Jesus (Mt 1.3,5,6,16), e como mulheres de destaque na preservação da história de Israel (Gn 38.12-39; Js 2.1; Hb 11.31; 2Sm 11.1-4); e ficou subtendido que mesmo as transgressoras se arrependeram de suas práticas pecaminosas, e creram na obra redentora de Cristo (Hb 11.1,2,32-40). 
3.2. O poder político e a igreja
Erra quem pensa que não deve se envolver com a esfera política. É preciso estar a par dos assuntos civis que afetam a vida. Participar dos debates da sociedade e se envolver através do voto e da opinião emitida, é muito importante para que o crente contribua contra as impunidades e injustiças praticadas na sociedade. O crente tem que contribuir para a prosperidade de seu país, com motivações positivas e ideias inteligentes (Rm 13.1-17). O que se tem que fazer como igreja, é se manter fiel andando na verdade denunciando o pecado, seja em que esfera for, ajudando a promover a justiça, praticando através da vida a espiritualidade sadia e combatendo o mal (lPe 2.9,10).
“Fica claro, portanto, que a igreja e o poder político situam-se em polos distintos. A história revela que, a partir da “constantinização" da igreja histórica, à medida que a relação entre ambos se tornava cada vez mais comprometida e promíscua, e igreja sempre ficou no prejuízo. Além da perda da identidade, ela abriu espaço para o avanço do nominalismo pela conversão dos que buscavam as benesses do poder temporal a través da via eclesiástica. Tornou, também, propício o ambiente para a corrupção do clero e chegou aos níveis mais baixos de obscurantismo, quando as fogueiras da inquisição foram usadas para tentar calar as vozes que combatiam seus erros”. (Geremias do Couto) 
3.3. A disciplina na igreja
A disciplina cristã tem a função clássica de assegurar o bem-estar na igreja e o seu bom funcionamento. Sendo ela uma instituição divina quanto humana, ela necessita de normas para o seu bom desempenho. Em seu caráter temporal, dispõe de personalidade jurídica e obriga-se a explicitar em estatuto, e, em alguns lugares, o seu regimento interno. Na verdade, a disciplina é um pressuposto em qualquer área da vida. Além das normas, a disciplina ajuda as pessoas em seu caráter preventivo, com o ensino adequado, protegendo os cristãos para que obedeçam as Escrituras. E, é nessa rotina que a Bíblia sempre será a fonte cristalina da disciplina, ela é a base, o parâmetro, a verdade absoluta, com autonomia espiritual, para qualquer assunto que for tratado no seio da igreja de Cristo (2Pe 1.19-21). 

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