Pessoas que gostam deste blog

Lição 2 - Aplicando princípios divinos à disciplina familiar

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
A Intimação para Comparecer na Presença de Deus (3.9-13)
A pergunta: Onde estás? (9), não foi feita por Deus não saber o paradeiro deles, mas porque Ele queria induzir a resposta e fazer o homem e a mulher saírem do esconderijo pela própria confissão.
A resposta de Adão: Temi (10), esclarece o motivo de terem se escondido. Participar do fruto da árvore não o fez semelhante a Deus, como sugeriu a serpente, mas comprometeu sua verdadeira essência de ser homem diante de Deus.
Deus conhece o bem e o mal da perspectiva da bondade divina e soberana. Mas o homem, sendo homem e dependente de Deus, só pode conhecer o bem e o mal da perspectiva da obediência à vontade de Deus ou da perspectiva da desobediência, que é a rejeição da vontade expressa de Deus. O alcance do homem ao estado divino só o lançaria no papel da desobediência; por conseguinte, seu conhecimento do bem e do mal estava misturado com culpa e medo.
A primeira pergunta foi feita diretamente ao homem: Comeste tu? (11). Adão não tinha desculpa, porque ele sabia qual era a ordem. Tratava-se de uma proibição simples e clara. Mas Adão não enfrentou sua responsabilidade; ele passou a culpa para a esposa — ela me deu (12) — e Deus não a deu para ele? Certamente, ela era digna de confiança como guia para a ação.
A mulher (13) também tentou evadir-se da responsabilidade, dizendo: A serpente me enganou. Então ela se deu conta de que a serpente “a fez de boba”.
Em 3.6-11, G. B. Williamson destaca “Deus e o Pecador”. 1) O pecado causa culpa pessoal, 7,10,11; 2) O pecado separa Deus e o homem, 8b; 3) Deus busca o homem pecador, 8a,9; 4) Deus perdoa a culpa do homem, 21
O Pronunciamento dos Vereditos (3.14-19)
Os pecados cometidos estão refletidos nas punições, as quais foram aplicadas em partes. A serpente (14) foi amaldiçoada. Mais que é tradução incorreta, pois sugere que outros animais também foram amaldiçoados. O sentido correto é “à parte” ou “separado de entre”. Moffatt traduz: “Uma maldição em ti de todas as criaturas!” A serpente posou como supremamente sábia, mas sua maneira de se locomover sempre seria símbolo de sua humilhação. A frase sobre o teu ventre não significa que a serpente tinha originalmente pernas e as perdeu no momento em que a maldição foi imposta, mas que seu modo habitual de locomoção tipificava seu castigo.
A frase pó comerás é idiomaticamente equivalente a “tu serás humilhado” (cf. Sl 72.9; Is 49.23; Mq 7.17, onde a frase “lamberão o pó” tem claramente este significado).
O castigo envolveria inimizade (15), hostilidade entre pessoas. A semente da serpente, que Jesus relaciona aos ímpios (Mt 13.38,39; Jo 8.44), e a semente da mulher, têm ambas sentido fortemente pessoal.19 Deus disse à serpente: A Semente da mulher te ferirá a cabeça. Compare a referência de Paulo a isto em Romanos 16.20. A serpente só poderia ferir o calcanhar da Semente da mulher. De fato, ferir não é forte o bastante para traduzir o termo hebraico, que pode significar moer, esmagar, destruir. Uma cabeça esmagada que leva à morte é contrastada com um calcanhar esmagado que pode ser curado. O versículo 15 é chamado “protoevangelho”, pois contém uma promessa de esperança para o casal pecador. O mal não tem o destino de ser vitorioso para sempre; Deus tinha em mente um Vencedor para a raça humana. Há um forte caráter messiânico neste versículo.
Em 3.14,15, vemos “O Calcanhar Ferido”. 1) O Salvador prometido era a Semente da mulher — o Deus-Homem; 2) Esta Semente Santa feriria a cabeça da serpente — conquistar o pecado; 3) A serpente feriria o calcanhar do Salvador — na cruz, ele morreu (G. B. Williamson).
O castigo da mulher seria o oposto do “prazer” que ela procurou no versículo 6. Ela conheceria a dor (16) no parto, que é bem diferente do novo tipo de vida que ela tentou alcançar pela desobediência. Igualmente, a futura ligação do seu desejo ao seu marido era repreensão à sua decisão de buscar independência. Ela sempre seria dependente dele.
Em 3.1-15, Alexander Maclaren vê “Como o Pecado Entrou”. 1) O induzimento ao mal, 1-5; 2) A entrega ao tentador, 6; 3) As consequências fatais, 7-15.
Deus pôs uma maldição diretamente na terra em vez de colocá-la no homem. Adão foi comissionado a trabalhar com a terra (2.15), mas já não seria por puro prazer. O homem se submeteu tão facilmente ao apelo da mulher que ele comeu o fruto proibido. Agora seu trabalho na terra seria misturado com dor (17). De todos os lados, ele seria confrontado por competidores: espinhos e cardos (18), que crescem profusamente sem cultivo e não produzem comida para o homem. Em Oséias 10.8, estas plantas aparecem como símbolos de julgamento e desolação no lugar da adoração. Compare também com Juízes 8.7,16; 2 Samuel 23.6; Salmo 118.12; Isaías 32.13; 33.12; Jeremias 4.3; 12.13 e Ezequiel 28.24. Em todo caso, uma conotação ruim é ligada à natureza destas plantas (ver tb. Mt 13.7; Hb 6.8).
A morte física não seria imediata, mas seria inevitável, porquanto és pó e em pó te tornarás (19). O tipo imediato de morte que o homem sofreu foi espiritual: separação de Deus.
Em 3.14-19, encontramos retratada “A Maldição Causada pelo Pecado”. 1) Na serpente, 14; 2) Na mulher, 15,16; 3) Em Adão, 17,19.4) Na terra, 17b,18 (G. B. Williamson).

Hb 12.11 - E, na verdade, toda correção, ao presente, não parece ser de gozo, senão de tristeza, mas, depois, produz um fruto pacífico de justiça nos exercitados por ela.
Como soam consoladoras estas palavras sóbrias, naturais, com as quais o apóstolo fala do sofrimento. Ele não minimiza a realidade e a seriedade do sofrimento. Também no caminho após Jesus existem lágrimas. As experiências difíceis a que Deus nos conduz em nossa vida (Hb 11.35-40) fazem parte da fé. Contudo, na tribulação revela-se a educação sábia e pastoral de Deus. A fé está cônscia da limitação temporal dos sofrimentos e do seu alvo maravilhoso. Ao depois, entretanto, produz fruto pacífico aos que têm sido por ela exercitados, fruto de justiça. Assim como exercitar-se espiritualmente na vida de fé através da prática da palavra de Deus, da oração e da comunhão dos fiéis leva a uma capacidade de discernimento espiritual (Hb 5.14), assim o entrosamento espiritual no sofrimento leva à paz interior e à justiça. O “fruto pacífico de justiça” representa para os fiéis um sinal determinado da salvação e um penhor da glória vindoura. 
1. Definição de disciplina
Vem da mesma etimologia da palavra discípulo, de seguidor: cristãos são aqueles que seguem a disciplina de Cristo. Também é chamado de disciplina o conjunto de matérias que formam uma ciência, uma área de conhecimento. Os que se dedicam ao estudo de uma ciência e se graduam nela são chamados pelo nome da disciplina que escolheram: teólogos, matemáticos, geógrafos, médicos, pedagogos, cientistas sociais e etc. 
1.1. O sentido mais amplo de disciplina
Em sentido amplo, disciplina envolve a formação do caráter, da cidadania e da consciência do ser humano e pode ser percebida no conjunto de princípios, valores, ensinamentos e regras seguidos por uma pessoa, comunidade, instituição, profissão, etc. A disciplina religiosa, a filosófica e a moral são comum ente chamadas de doutrina. Os códigos de ética das profissões são a sistematização da disciplina comportamental que os profissionais devem seguir. 
1.2. Definição de Método
É o caminho ou processo racional para atingir um fim específico, Para aplicar determinado método é necessária prévia análise dos objetivos que se pretende atingir, as situações a enfrentar, os recursos e o tempo disponíveis, e por último, das várias opções possíveis. Trata-se, pois, de uma ação planejada, baseada num quadro de procedimentos sistematizados e de antemão conhecidos. A Pedagogia chama de métodos os diferentes modos de proporcionar uma dada aprendizagem. O método não diz respeito ao fim que se deseja alcançar nem aos vários saberes que são transmitidos, mas sim ao modo como se pode atingir o objetivo pretendido ao realizar a transmissão do conhecimento. 
1.3. Disciplina e método
A disciplina e os meios de aplicá-la são inseparáveis, a ponto de, como foi dito na introdução deste tópico, muitas vezes ser confundida com os métodos de sua aplicação. Em Jó 36.10, Eliú fala da doutrina de Deus, da disciplina propriamente. Em Provérbios 23.13, 14, Salomão aponta um método de levar a criança a obedecer à disciplina que pode livrá-la do inferno. Em Hebreus 12.8 o escritor chama correção de disciplina. Paulo, em Efésios 6.4, refere-se à disciplina e aos métodos de sua aplicação: “E vós, pais, não provoqueis à ira a vossos filhos (método errado de aplicar a disciplina), mas criai-os na doutrina (disciplina) e admoestação do Senhor (método correto de aplicar a disciplina)”.
Uma criança é apanhada numa mentira. Os pais mandam-na escrever cem vezes: "A mentira é má. A verdade é boa. Daqui por diante falarei e amarei a verdade”. Assim vemos que a verdade é disciplina é básica naquela família; o exercício de rechaçar a mentira e exaltar a verdade repetidamente, neste caso específico, foi o método utilizado para aplicar a criança à verdade e mantê-la nela. Portanto, sabedoria na escolha dos métodos e da ocasião para aplicar as medidas disciplinares adequadas a cada caso de quebra de disciplina, é indispensável à sua aplicação e manutenção. Os resultados serão eficientes e duradouros se, além disto, forem executadas com amor misericórdia, e graça. 
2. Acompanhamento presencial da disciplina
Deus preparou o Éden com todo o conforto, segurança, abundância de recursos e o entregou a Adão e sua esposa. O casal não tinha necessidade alguma nem corria risco, exceto o de fazer uma escolha equivocada; no entanto Deus os visitava todos os dias. Oferecia-lhes Sua maravilhosa companhia enquanto os ouvia contar de como estavam se saindo e o quanto se deleitavam com cada descoberta (Gn 3.8). Naturalmente o Criador não precisava usar nenhum destes expedientes, visto que, sendo Deus, não carecia da companhia humana nem de se informar através de relatórios, pois é onisciente. Mas Deus não levou em conta a Si mesmo, e sim o Homem, que dada a sua condição de criatura, precisava da assistência do Criador. Assim como a presença divina é necessária à humanidade, a presença dos pais é necessária aos filhos para: 
2.1. Aplicar e manter a disciplina
Os casais cristãos precisam ter em mente que devem criar a família na disciplina de Cristo, porém, só conseguirão êxito pleno em ensinar e formar de modo satisfatório o caráter dEle nos filhos, se puderem passar com eles boa parte de seu tempo. Precisam considerar também, que a aplicação de métodos e medidas disciplinares é necessária mesmo aos bebês e aos filhos mais dóceis e obedientes. Filhos menos dóceis tenderão a considerar os pais severos e injustos, quando os privarem de algo que eles desejam possuir ou gostam de fazer, ou quando solicitarem a execução de tarefas que eles não gostam de realizar.
Quando Adão e Eva violaram a disciplina do Éden, o Senhor imediatamente os confrontou e aplicou os métodos disciplinares cabíveis naquela situação. Ao privar-lhes da Árvore da Vida, antes liberada, o Senhor não estava apenas corrigindo o casal, mas manifestando a eles a Seu amor, misericórdia e graça, visto que uma vez contaminados pelo pecado se tornaram incompatíveis com a imortalidade (Gn 3.22). O fruto daquela árvore poderia conservar em vida os seus corpos físicos, entretanto, não poderia remover o peso de suas consciências nem a maldade instalada em suas almas pelo veneno da semente. Se comessem da Arvore da Vida teriam vida física ilimitada (Gn 3.22). O Homem viveria milênios atormentado por sua própria perversidade. Assim, o afastamento da Árvore da Vida foi o meio de corrigir a quebra da disciplina do Éden (Gn 2.17) e também o modo de manifestar a doação do amor, da misericórdia e da graça de Deus, que propiciaram ao ser humano descansar na morte (IRe 2.10) enquanto aguarda a restauração ou o juízo. 
2.2. Prover os meios necessários para a reabilitação do transgressor
Observamos em Gênesis 3 que Deus não se afastou do Éden, nem manteve incógnita sua presença, nem se tornou inacessível a Adão e Eva depois que eles O desobedeceram. Ao contrário, permaneceu lá em completa disponibilidade, Como o casal não buscou por sua companhia como fazia habitualmente, Ele os procurou e proveu os meios necessários para a reconciliação. Assim também nossos filhos tendem a se afastar" de nós quando cometem alguma falta grave, por julgarem que não serão mais aceitos por nós, pais. Além disso, o orgulho impede que haja reconhecimento da falta cometida, a fim de ser confessada e perdoada. 
2.3. Prover exemplo e referencial
Filhos precisam de exemplos constantes e claros que os pais só poderão oferecer se estiverem presentes na criação e desenvolvimento deles. Tais exemplos só se transformarão em princípios norteadores para suas vidas e caminhos se puderem ser observados com frequência e se as razões das atitudes e comportamentos dos pais lhes forem informadas, a fim de que sejam assimilados, imitados e sedimentados na alma dos pequenos (Jo 13.15). Não podemos, por exemplo, orai' somente se estivermos em apuros, falar a verdade somente se não houver alternativa, honestos e fiéis somente quando não tivermos oportunidade e vantagens na desonestidade e na infidelidade, tratar amavelmente e com cortesia somente as pessoas que considerarmos importantes, etc. 
3. Preparando-se para a disciplina do lar
É um erro deixar para pensar em disciplina depois que os filhos nascem ou quando eles já puderem compreender o sentido da instrução. Na verdade, os jovens devem aplicar-se à disciplina pessoal e ao temor do Senhor antes do namoro e do casamento, e persistir nisso depois de casados, para que tenham condições emocionais, morais e espirituais de organizarem e manterem a vida do lar. Como fazer isto? 
3.1. Através da autodisciplina
Muitos casais não têm tempo um para outro, nem para desfrutar do convívio dos filhos e oferecer a eles educação e disciplina presenciais, porque deixaram para depois de casados muitas providências que deveriam ter sido tomadas até mesmo antes de começarem o namoro, como por exemplo, concluir os estudos, aprender uma profissão, buscar uma fonte de renda suficiente para a manutenção da futura família, ou ainda adquirir um imóvel para residência do casal. O resultado do adiamento na tomada destas providências, normalmente é desastroso: com o nascimento das crianças, pai e mãe terão que trabalhar dobrado para atender às necessidades básicas da família, enquanto os filhos crescem sem a presença deles; os cônjuges se distanciam física e emocionalmente, o que pode ocasionar desentendimentos constantes e até culminar em divórcio, entre outros.  
3.2. Preparando-se para acompanhar de perto o crescimento dos filhos
Crianças precisam estar expostas à presença dos pais. Necessitam ver como eles resolvem os problemas, como organizam a casa, o orçamento doméstico, como se relacionam um com o outro, com Deus e com o próximo. Esta exposição constituirá para eles valioso modelo e referencial para toda a vida. Portanto, pais, eduquem seus filhos para serem educadores eficazes dos seus netos, pessoas cujas presenças sejam exemplos de integridade, amor, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. 
3.3. Lidando positivamente com possíveis fracassos dos membros da família
Não  casais que nunca falhem, não há pais que nunca errem, não há filhos perfeitos, enfim, não há humano que não peque (Ec 7.20). Mas isto não é motivo para que o jovem cristão evite se casar e ter Filhos, ou que perca a esperança de constituir uma família do agrado de Deus. Ao contrário, o casamento propicia excelentes oportunidades de aperfeiçoamento do caráter, de santificação e de honra ao Nome do Senhor. Portanto, candidatos ao matrimônio, prepararem-se para possíveis defeitos, pecados, falhas, erros e imperfeições dos membros da família.
Normalmente, o cônjuge, quando fracassa em a alguma empreitada ou comete uma falha consciente contra seu par, e os filhos, quando desobedecem aos pais, tendem a se afastar, ficando arredios. Diante deste comportamento, o ofendido precisa imediatamente, buscar a reconciliação e a restauração do ofensor, o que só será possível se marido e mulher desfrutarem de maturidade emocionai e espiritual suficientes para poderem doar perdão e amor incondicionais um ao outro e aos filhos. Lembremo-nos sempre: Perdão, reconciliação e restauração do ofensor não implicam de modo algum em ausência de disciplina, ao contrário, são medidas disciplinares baseadas na amor. 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Online