Lição 2 - Esperança em Meio à Adversidade


Lição 2 – 14 de Julho de 2013 - CPAD

Esperança em Meio à Adversidade

TEXTO ÁUREO

"Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho" (Fp 1.21).

 VERDADE PRÁTICA

Nenhuma adversidade poderá reter a graça e o poder do Evangelho

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 1.12-21

12 - E quero, irmãos, que saibais que as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho.
13 - De maneira que as minhas prisões em Cristo foram manifestas por toda a guarda pretoriana e por todos os demais lugares;
14 - e muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor.
15 - Verdade é que também alguns pregam a Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente;
16 - uns por amor, sabendo que fui posto para defesa do evangelho;
17 - mas outros, na verdade, anunciam a Cristo por contenção, não puramente, julgando acrescentar aflição às minhas prisões.
18 - Mas que importa? Contanto que Cristo seja anunciado de toda a maneira, ou com fingimento, ou em verdade, nisto me regozijo e me regozijarei ainda.
19 - Porque sei que disto me resultará salvação, pela vossa oração e pelo socorro do Espírito de Jesus Cristo,
20 - segundo a minha intensa expectação e esperança, de que em nada serei confundido; antes, com toda a confiança, Cristo será, tanto agora como sempre, engrandecido no meu corpo, seja pela vida, seja pela morte.
21 - Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
As cadeias de Paulo (Fp 1:12-14)
O mesmo Deus que usou o bordão de Moisés, os jarros de Gideão e a funda de Davi, usou as cadeias de Paulo. Os romanos sequer suspeitavam que as correntes que colocaram nos punhos do apóstolo o libertariam ao invés de prendê-lo. Como o próprio apóstolo escreveu em uma ocasião posterior em que também estava preso: "estou sofrendo até algemas, como malfeitor; contudo, a palavra de Deus não está algemada" (2 Tm 2:9). Em lugar de se queixar das suas cadeias, Paulo consagrou-as a Deus e pediu que as usasse para o avanço pioneiro do evangelho. E Deus respondeu a suas orações.
Em primeiro lugar, essas cadeias deram a Paulo a oportunidade de ter contato com os perdidos. Ele permanecia acorrentado a um soldado romano vinte e quatro horas por dia! Cada soldado cumpria um turno de seis horas, o que significava que Paulo poderia testemunhar a pelo menos quatro homens todos os dias! É possível imaginar a situação desses soldados, presos a um homem que orava "sem cessar", que sempre conversava com outros sobre a vida espiritual e que escrevia constantemente para igrejas espalhadas por todo o império. Em pouco tempo, alguns desses soldados também aceitaram a Cristo. Paulo pôde levar o evangelho à guarda de elite pretoriana, algo que teria sido impossível se estivesse livre.
Mas as cadeias permitiram que Paulo tivesse contato com outro grupo de pessoas: os oficiais do tribunal de César. O apóstolo encontrava-se em Roma como prisioneiro do Estado, e seu caso era importante. O governo romano estava prestes a determinar a situação oficial da "seita cristã". Era apenas mais uma seita do judaísmo ou algo novo e possivelmente perigoso? Deve ter sido uma satisfação enorme para Paulo saber que os oficiais de César eram obrigados a estudar as doutrinas da fé cristã!
Às vezes, Deus precisa colocar "cadeias" em seu povo para que realizem um avanço pioneiro que não poderia se dar de outra maneira. Algumas mães talvez se sintam presas ao lar enquanto cuidam dos filhos, mas Deus pode usar essas "cadeias" para alcançar pessoas com a mensagem da salvação. Susannah Wesley criou dezenove filhos numa época em que não havia eletrodomésticos nem fraldas descartáveis! Dessa família numerosa vieram John e Charles Wesley, cujos ministérios estremeceram as ilhas britânicas. Fanny Crosby ficou cega quando tinha um mês e meio de idade, mas já em sua infância mostrou-se determinada a não permitir que as cadeias da escuridão a prendessem. Os hinos e cânticos que ela escreveu ao longo da vida foram usados por Deus de maneira poderosa.
Eis o segredo: quando existe determinação, olha-se para as circunstâncias como oportunidades de Deus para o avanço do evangelho, e há regozijo com aquilo que Deus fará em vez de queixas por aquilo que Deus não fez.
As cadeias de Paulo não apenas o colocaram em contato com os perdidos, mas também serviram para encorajar os salvos.
Ao verem a fé e a determinação de Paulo, muitos cristãos de Roma tiveram sua coragem renovada (Fp 1:14) e "[ousaram] falar com mais desassombro a palavra de Deus". Aqui, o verbo falar não se refere às "pregações", mas sim às conversas diárias. Sem dúvida, muitos romanos comentavam o caso de Paulo, pois questões legais desse tipo eram de grande interesse para essa nação de legisladores. Os cristãos de Roma, solidários a Paulo, aproveitavam essas conversas para falar de Jesus Cristo. O desânimo costuma espalhar-se, mas o bom ânimo também! Por causa da atitude alegre de Paulo, os cristãos de Roma foram encorajados novamente a testemunhar de Cristo com grande ousadia.

Os críticos de Paulo (Fp 1:15-19)
É difícil imaginar que alguém se opusesse a Paulo, mas era exatamente isso o que alguns cristãos de Roma faziam. As igrejas da capital estavam divididas. Alguns grupos pregavam a Cristo com sinceridade, visando a salvação dos perdidos. Outros, porém, pregavam a Cristo por motivos escusos, procurando dificultar ainda mais a situação de Paulo. Estes últimos usavam o evangelho como um meio de alcançar propósitos egoístas. É possível que tais indivíduos fizessem parte da ala "legalista" da igreja, contrária ao ministério de Paulo aos gentios e a sua ênfase sobre a graça de Deus em vez de na obediência à Lei judaica. A inveja e a contenda andam juntas, da mesma forma que o amor e a unidade são inseparáveis.
Paulo usa em Filipenses 1:15 um termo interessante: porfia , palavra que dá a ideia de "polêmica, rivalidade, com petição para receber o apoio de outros". O objetivo de Paulo era glorificar a Cristo e levar as pessoas a seguir ao Senhor; o objetivo de seus críticos era promover a si mesmos e granjear seguidores para si. Em vez de perguntarem: "você já aceitou a Cristo?", perguntavam: "de que lado você está, do nosso ou do de Paulo?" Infelizmente, esse tipo de "politicagem religiosa" ainda existe hoje, e quem a pratica precisa conscientizar-se de que apenas faz mal a si mesmo.
Quem tem a mente determinada vê os críticos como mais uma oportunidade de contribuir para o progresso do evangelho. Como soldado fiel, Paulo sabia que estava "incumbido da defesa do evangelho" (Fp 1:16). Era capaz de regozijar-se, não com os críticos egoístas, mas com o fato de que pregavam a Cristo! Não havia inveja alguma no coração de Paulo. Ele não se importava se alguns eram a favor dele e outros contra. Para ele, o mais importante era a pregação do evangelho de Jesus Cristo!
Sabe-se, pelos registros históricos, que dois grandes evangelistas ingleses, John Wesley e George Whrtefield, discordavam sobre questões doutrinárias. Os dois tiveram um ministério bem-sucedido, pregando para milhares de pessoas e vendo multidões se entregarem a Cristo. Diz-se que alguém perguntou a Wesley se ele esperava ver Whitefield no céu, ao que o evangelista respondeu:
- Creio que não o verei no céu.
- Então você não acredita que ele seja convertido?
- Claro que ele é convertido! - exclamou Wesley -, mas não espero vê-lo no céu porque ele estará tão próximo do trono de Deus e eu estarei tão longe que não conseguirei enxergá-lo!
Apesar de discordar de seu irmão em Cristo sobre algumas questões, Wesley não tinha inveja alguma em seu coração e não tentou opor-se ao ministério de Whitefield.
Em geral, é difícil aceitar críticas, especialmente quando passamos por situações difíceis, como era o caso de Paulo. De que maneira o apóstolo conseguiu regozijar-se mesmo em meio a tanta reprovação? Ele era determinado! Filipenses 1:19 indica que Paulo esperava que sua causa fosse vitoriosa ("me redundará em libertação") por causa das orações de seus amigos e da provisão do Espírito Santo de Deus. O termo grego traduzido por provisão dá origem à palavra "coral". Sempre que uma cidade grega organizava alguma festa especial, alguém precisava bancar cantores e dançarinos. A doação precisava ser generosa, de modo que o termo adquiriu a conotação de "suprir com generosidade e abundância". Paulo não estava dependendo dos próprios recursos escassos, mas sim dos recursos generosos de Deus, ministrados pelo Espírito Santo.
Além de participar do avanço pioneiro do evangelho em Roma por meio de suas cadeias e de seus críticos, Paulo usou, ainda, um terceiro meio.
Por causa das cadeias de Paulo, Cristo tornou-se conhecido (Fp 1:13), e por causa dos críticos de Paulo, Cristo foi pregado(Fp 1:18). Mas por causa da crise de Paulo, Cristo foi engrandecido! (Fp 1:20). Havia a possibilidade de Paulo ser considerado traidor de Roma e de ser executado. Ao que parece, seu julgamento preliminar fora favorável, mas o apóstolo ainda não recebera o veredito final. Mas o corpo de Paulo não lhe pertencia, e seu único desejo (resultante de sua determinação) era engrandecer a Cristo em seu corpo.
Cristo precisa ser engrandecido? Afinal o que um simples ser humano pode fazer para engrandecer o Filho de Deus? Considere, por exemplo, as estrelas, muito maiores que o telescópio, mas bem distantes. O telescópio as "aproxima" de nós. O corpo do cristão deve ser um telescópio que diminui a distância entre Jesus Cristo e as pessoas. Para muitos, Cristo é uma figura histórica distante e nebulosa que viveu há séculos. Mas quando os incrédulos observam o cristão passar por uma crise, podem ver Jesus mais de perto. Para o cristão comprometido, Cristo está conosco aqui e agora.
Enquanto o telescópio aproxima o que está distante, o microscópio amplia o que é pequeno. Para o incrédulo, Jesus não é grande. Outras pessoas e coisas são muito mais importantes do que ele. Mas, ao observar o cristão passar por uma experiência de crise, o incrédulo deve ser capaz de enxergar a verdadeira grandeza de Jesus Cristo. O corpo do cristão é uma lente que torna o "Cristo pequeno" dos incrédulos extremamente grande e o "Cristo distante", extremamente próximo.
Paulo não temia a vida nem a morte! De uma forma ou de outra, desejava engrandecer a Cristo em seu corpo. Não é de se admirar que tivesse alegria! Paulo confessa que se encontra diante de uma escolha difícil. Para o bem dos cristãos em Filipos, era necessário que ele permanecesse vivo, mas seria muito melhor partir e estar com Cristo. O apóstolo chega à conclusão de que Cristo permitiria que ele vivesse não apenas com o propósito de "[contribuir] para o progresso do evangelho" (Fp 1:12), mas também "para o [...] progresso e gozo da fé [dos filipenses]" (Fp 1:25). Desejava que desbravassem novas áreas de crescimento espiritual. (A propósito, Paulo admoestou Timóteo, o jovem pastor, a ser um pioneiro em novos territórios espirituais na própria vida e ministério. Ver 1 Tm 4:15, em que o termo "progresso" é usado com o mesmo sentido.); Paulo era um homem e tanto! Dispôs-se a adiar sua ida para o céu a fim de ajudar os cristãos a crescerem e a ir para o inferno a fim de ganhar os perdidos para Cristo! (Rm 9:1-3). É evidente que Paulo não tinha medo da morte, pois significava apenas "partir". Esse termo era usado pelos soldados e se referia a "desarmar a tenda e prosseguir viagem". Que retrato da morte do cristão! A "tenda" em que vivemos é desarmada pela morte, e o espírito vai para o lar, viver com Cristo no céu (ver 2 Co 5:1-8). Os marinheiros também usavam essa palavra com o sentido de "soltar as amarras da embarcação e pôr-se a navegar".

INTERAÇÃO

A prisão do apóstolo Paulo em Roma foi crucial para a propagação do Evangelho na região de Filipos. A partir de uma experiência de sofrimento, Deus usou pessoas para propagar a mensagem das Boas Novas. É verdade que alguns pregadores usavam o sofrimento do apóstolo para proclamar Cristo de boa consciência. Outros utilizavam-se do sofrimento alheio para obterem vantagens pessoais. Cristo não era o centro das suas preleções. Infelizmente, na atualidade, algumas pessoas perderam o temor de Deus. A exemplo daqueles pregadores de Filipos, elas exploram as tragédias pessoais, pois veem nelas a oportunidade de se locupletarem com as feridas alheias (elas sabem que o sofrimento humano pode ser muito rentável). Cristo não se acha mais no centro de suas vidas.

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Saber que as adversidades podem contribuir para a expansão do Evangelho.
Explicar as motivações de Paulo para a pregação do Evangelho.
Compreender que o significado da vida consiste em vivermos para o Evangelho.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Prezado professor, para concluir a lição sugerimos a seguinte atividade: (1) Pesquise ao menos três países cujo índice de perseguição religiosa é grande. (2) Identifique missionários que atuam nesses locais (a pesquisa pode ser feita pelas agências missionárias, secretaria de missões de sua igreja ou internet). (3) Em seguida, pesquise o crescimento de cristãos nesses países visando identificar como o trabalho missionário tem sido realizado. Conclua dizendo que, a exemplo do que ocorreu a Paulo, o Evangelho continua a ser propagado no mundo através do sofrimento de muitas pessoas que se dispõem a propagá-lo com ousadia.

COMENTÁRIO
introdução

Palavra Chave
Adversidade: Infelicidade, infortúnio, revés. Qualidade ou caráter de adverso.

INTRODUÇÃO
Nesta lição, veremos como a paixão pelas almas consumia o coração de Paulo. Embora preso em Roma, ele não esmorecia na missão de proclamar o Evangelho. E, tendo como ponto de partida o seu sofrimento, o apóstolo ensina aos filipenses que nenhuma adversidade será capaz de arrefecer-lhes a fé em Cristo. Ao contrário, ele demonstra o quanto as suas adversidades foram positivas ao progresso do Reino de Deus.

I. ADVERSIDADE: UMA CONTRIBUIÇÃO PARA A PROCLAMAÇÃO DO EVANGELHO

1. Paulo na prisão. Paulo estava preso em Roma, aguardando julgamento. Ele sabia que tanto poderia ser absolvido como executado. Todavia, não se achava ansioso. O que mais desejava era, com toda ousadia, anunciar a Cristo até mesmo no tribunal. Paulo não era um preso qualquer; sua segurança estava sob os cuidados da guarda pretoriana (1.13). Constituída de 10 mil soldados, esta guarda encarregava-se de proteger os representantes do Império Romano em qualquer lugar do mundo. Sua principal tarefa era a proteção do imperador.

2. Uma porta se abre através da adversidade. Uma das principais contribuições da prisão de Paulo foi a livre comunicação do Evangelho na capital do mundo antigo. Os cristãos estavam espalhados por toda a cidade de Roma e adjacências. Definitivamente a prisão de Paulo não reteve a força do Evangelho e o promoveu universalmente. Deus usou o sofrimento do apóstolo para que o Evangelho fosse anunciado de Roma para o mundo (v. 13).

SINÓPSE DO TÓPICO (1)
A prisão de Paulo foi uma porta aberta para a proclamação do Evangelho.

II. O TESTEMUNHO DE PAULO NA ADVERSIDADE (1.12,13)

1. O poder do Evangelho. De modo objetivo, Paulo diz aos filipenses que nenhuma cadeia será capaz de impor limites ao Evangelho de Cristo. Esse sentimento superava todas as expectativas do apóstolo concernentes ao crescimento do Reino de Deus. O seu propósito era ver as Boas Novas prosperando entre os gentios. Portanto, nenhum poder humano conterá a força do Evangelho, pois este é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê (Rm 1.16).
2. A preocupação dos filipenses com Paulo. Está implícita a preocupação dos filipenses com o bem-estar de Paulo. Eles o amavam e sabiam do seu ardor em proclamar o Evangelho. Todavia, achavam que a sua prisão prejudicaria a causa cristã. O versículo 12 traz exatamente essa conotação: "E quero, irmãos, que saibais as coisas que me aconteceram contribuíram para maior proveito do evangelho". Para o apóstolo, seu encarceramento contribuiu ainda mais para o progresso da mensagem evangélica (v.13). 
3. Paulo rejeita a autopiedade. Paulo era um missionário consciente da sua missão. Para ele, o sofrimento no exercício do santo ministério era circunstancial e estava sob os cuidados de Deus (v.19). Por isso, não manifestava autopiedade; não precisava disso para conquistar a compaixão das pessoas. Para o apóstolo, a soberania de Deus faz do sofrimento algo passageiro, pois os infortúnios servem para enchernos de esperança, conduzindo-nos numa bem-aventurada expectativa de "que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados por seu decreto" (Rm 8.28).

SINÓPSE DO TÓPICO (2)
O testemunho de Paulo na adversidade pode ser observado pela sua rejeição a autopiedade e a sua fé no poder do Evangelho.

III. MOTIVAÇÕES PARA A PREGAÇÃO DO EVANGELHO (1.14-18)

Duas motivações predominavam nas igrejas da Ásia Menor onde o apóstolo Paulo atuava. São elas:
1. A motivação positiva. "E muitos dos irmãos no Senhor, tomando ânimo com as minhas prisões, ousam falar a palavra mais confiadamente, sem temor" (v.14). Estava claro para os cristãos romanos, bem como para a guarda pretoriana, que o processo judicial contra Paulo era injusto, porque ele não havia cometido crime algum. Além de saberem da inocência do apóstolo, os pretorianos recebiam diariamente deste a mensagem do Evangelho (v.13). O resultado não poderia ser outro. Os cristãos filipenses foram estimulados a anunciar o Evangelho com total destemor e coragem.
2. A motivação negativa. A prisão de Paulo motivou os cristãos a proclamar o Evangelho de "boa mente" e "por amor". Mas havia aqueles que usavam a prisão do apóstolo para garantir vantagens pessoais. Dominados pela inveja e pela teimosia, agiam por motivos errados. Mas pelo Espírito, o apóstolo entendeu que o mais importante era anunciar Cristo ao mundo "de toda a maneira". Isto não significa que Paulo aprovava quem procedia dessa forma, porque um dia todo mau obreiro terá de dar contas de seus atos ao Senhor (Mt 7.21-23).

SINÓPSE DO TÓPICO (3)
Foi o Criador quem planejou o matrimônio, uma união indissolúvel e permanente (Gn 2.24).

IV. O DILEMA DE PAULO (1.19-22ss.)

1. Viver para Cristo. "Nisto me regozijo e me regozijarei ainda" (v.18). Estas palavras refletem a alegria de Paulo sobre o avanço do Evangelho no mundo. Viver, para o apóstolo, só se justifica se a razão for o ministério cristão: "Porque para mim o viver é Cristo, e o morrer é ganho. Mas, se o viver na carne me der fruto da minha obra, não sei, então, o que deva escolher" (vv.21,22).
A morte para ele era um evento natural, mas glorioso. Significava estar imediatamente com Cristo. O Mestre era tudo para Paulo, o princípio, a essência e o fim da sua vida. Nele, o apóstolo vivia e se movia para a glória de Deus. Por isso, podia dizer: "E vivo, não mais eu; mas Cristo vive em mim"(Gl 2.20).
2. Paulo supera o dilema. "Estar com Cristo" e "viver na carne". Este era o dilema do apóstolo (vv.23,24). Ele desejava estar na plenitude com o Senhor. Todavia, o amor dele pelos gentios era igualmente intenso. "Ficar na carne" (v.24), aqui, refere-se à vida física. Isto é: viver para disseminar o Evangelho pelo mundo. Mais do que escolha pessoal, estar vivo justifica-se apenas para proclamar o Evangelho e fortalecer a Igreja. Este era o pensamento paulino. Nos versículos 25 e 26, ele entende que, se fosse posto em liberdade, poderia rever os irmãos de Filipos, e viver o amor fraterno pela providência do Espírito Santo.

SINÓPSE DO TÓPICO (4)
O dilema de Paulo era, imediatamente, "estar com Cristo" ou "viver na carne" para edificar os filipenses.

CONCLUSÃO

Paulo resolveu o seu dilema em relação à igreja, declarando que o seu desejo de estar com Cristo foi superado pela amorosa obrigação de servir aos irmãos (vv.24-26). Ele nos ensina que devemos estar prontos a trabalhar na causa do Senhor, mesmo que isso signifique enfrentar oposição dos falsos crentes e até privações materiais. O que deve nos importar é o progresso do Evangelho e o crescimento da Igreja de Cristo (vv.25,26).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOI

Subsídio Teológico
"Alguns pregam Cristo por inveja e porfia, mas outros de boa mente (1.15).
Posteriormente Paulo voltará sua atenção aos judaizantes, que distorcem o evangelho insistindo nas obras como algo essencial para a salvação (3.2-11). Aqui a tensão é pessoal em vez de doutrinária. Alguns se tornam evangelistas mais ativos por um espírito competitivo, tendo um prazer perverso no pensamento de que Paulo está atado e incapaz de tentar alcançá-los. Outros se tornam evangelistas mais ativos por amor, um esforço de aliviar Paulo da preocupação de que expansão do evangelho retrair-se-á devido à sua inatividade forçada.
É fascinante ver como Paulo recusa-se a julgar as motivações, e está encantado com o fato de que, seja pela razão que for, o evangelho está sendo pregado. Poucos de nós têm essa maturidade. Os críticos de Paulo poderão ficar amargamente ressentidos com o seu sucesso, mas o apóstolo não ficará ressentido com eles! Em vez disso ele se regozijará por Cristo estar sendo pregado, e deixará a questão dos motivos para o Senhor.
Porque sei que disto me resultará salvação (1.19). Paulo não se refere aqui à sua libertação da prisão. O maior perigo que qualquer um de nós enfrenta é o desânimo que as dificuldades frequentemente criam" (RICHARDS, Lawrence O. Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2007, p.437).

VOCABULÁRIO

Locupletarem: Enriquecerem; encherem em demasia; fartarem.

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

PEARLMAN, Myer. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.
ZUCK, Roy B (Ed.). Teologia do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008.

SAIBA MAIS

Revista Ensinador Cristão CPAD
nº 55, p.36.

EXERCÍCIOS

1. De acordo com a lição, qual foi a principal contribuição da prisão de Paulo para o Evangelho?
R. Foi a livre comunicação do Evangelho na capital do mundo antigo.

2. Como Paulo via o sofrimento?
R. Para o apóstolo, a soberania de Deus faz do sofrimento algo passageiro, pois os infortúnios servem para encher-nos de esperança, conduzindo-nos numa bem-aventurada expectativa de "que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deus" (Rm 8.28).

3. Cite e explique as motivações que predominavam nas igrejas da Ásia Menor onde o apóstolo Paulo atuava.
R. A primeira motivação era positiva, caracterizada pela disposição dos filipenses pregarem o Evangelho com destemor e coragem. A segunda era negativa, pois a sua principal característica era os pregadores que usavam a prisão do apóstolo para garantir vantagens pessoais. 

4. Qual era o maior dilema de Paulo apontado na lição?
R. "Estar com Cristo" ou "viver na carne".

5. Você está pronto a trabalhar na causa do Senhor, mesmo que isso signifique enfrentar oposições de falsos crentes, além das privações materiais ou físicas?
R. Resposta pessoal.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
Antigo e Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)
Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

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Eudes L. Souza

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