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Lição 6 O diálogo é vital para o crescimento integral dos filhos

 SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Um casal piedoso (Sl 128:1)

No antigo Oriente Próximo, a maioria dos casamentos era arranjada pelos pais, mas a história de Jacó (Gn 28 - 30) e a história de Rute mostram que esses casamentos não eram absolutamente desprovidos de amor. Neste salmo, temos um casal de israelitas que temia verdadeiramente ao Senhor e de­sejava estabelecer um lar que pudesse ser abençoado por Jeová. Temer ao Senhor sig­nifica reverenciá-lo e procurar lhe agradar obedecendo à sua Palavra. O contexto é a aliança de Deus com Israel (Lv 26; Dt 28 -30). Se o povo fosse obediente, Deus supriria suas necessidades, mas se desobedecesse, ele os disciplinaria. Trata-se da versão do Antigo Testamento para Mateus 6:33. Para que um casamento seja feliz, é preciso haver três pessoas: um homem e uma mulher que amam a Deus e o Senhor, aquele que fez o primeiro casamento no jardim do Éden.

Trabalhadores bem-sucedidos (Sl 128:2)

É o Senhor quem dá a seu povo "força para [adquirir] riquezas" (Dt 8:18). Como é fácil nos enganarmos e pensarmos que nosso pla­nejamento, nossas aptidões e trabalho árduo foram responsáveis por tudo o que realiza­mos! Como vimos no salmo anterior, sem a bênção do Senhor, todo nosso trabalho é em vão. Cada israelita deveria dar o dízimo ao Senhor, mas o Senhor desejava que os traba­lhadores compartilhassem uns com os outros o fruto de seu trabalho. Se a nação se voltas­se para outros deuses, alguns dos primeiros alvos do julgamento do Senhor seriam o lar e o campo (Lv 26:14ss; Dt 28:30-34).

Pais felizes (Sl 128:3, 4)

Tanto as videiras quanto as oliveiras eram importantes para a economia de Israel, sen­do que dos frutos da videira produzia-se o vinho e das oliveiras consumiam-se os frutos e seu azeite (104:14, 15). A videira e a oli­veira são usadas para ilustrar o amor do marido por sua esposa (Ct 7:6-9). Em Israel, os casais desejavam ter famílias grandes e consideravam cada filho uma bênção do Se­nhor. A expressão "no interior de tua casa" refere-se aos aposentos da esposa na parte posterior da tenda, onde ficava o mais afas­tado possível da entrada. A esposa fiel não é infeliz em seu próprio lar, cuidando dos fi­lhos que ama com tanto carinho. A esposa infiel deixa a segurança e a santidade de seus aposentos e sai em busca de vítimas (Pv 7:10-13). Os brotos ("rebentos") da oliveira ao redor da base da árvore são viçosos e cheios de vigor e retratam os filhos ao redor da mesa da família. É preciso paciência para cuidar das crianças enquanto estão crescendo, mas tais esforços são gratificantes. Essas famílias da Antiguidade ficariam estarrecidas se visi­tassem um lar moderno e vissem pais e filhos espalhados pela casa, raramente fazendo uma refeição juntos e sem pressa.

Cidadãos produtivos (Sl 128:5)

O povo de Israel orgulhava-se de sua herança e desejava que Deus concedesse tudo o que havia de melhor para Jerusalém. Sabiam como Sião os enriquecia, e seu anseio era que cada criança honrasse sua nação e oras­se pela paz e prosperidade de Israel e de Jerusalém. Vários salmos terminam com uma oração pela terra e pela cidade (14:7; 25:22; 72:18, 19; 106:48; 130:7, 8; 125:5; 131:3; 134:3; 135:21; 148:14). O verdadeiro patrio­tismo começa em casa, onde o amor a Deus se entrelaça com o amor à família e à pátria.

Avós satisfeitos (Sl 128:6)

Do noivado aos netos em apenas seis ver­sículos! O tempo voa! Este salmo apresenta três gerações, todas tementes ao Senhor.
Nossa tendência é lembrar que Deus julga as gerações subsequentes, caso imitem os pecados de seus antepassados, mas não podemos esquecer que ele também transmite bênçãos de uma geração para outra quando os antepassados foram piedosos (Êx 34:6, 7; Nm 14:18, 19; Dt 5:9, 10). Muitas vezes, é a terceira geração que abandona a fé (jz 2), de modo que devemos orar cons­tantemente por nossos filhos e netos, pedin­do ao Senhor que mantenha sobre eles sua boa mão, abençoando a vida deles para sua glória. "Feliz a nação cujo Deus é o Senhor" (33:12).
 1. Comunique honestidade e responsabilidade
Estes são os dois aspectos da comunicação entre pais e filhos que mais consomem tempo e exigem constância. Eles fazem parte do pacote de princípios e valores mencionados na lição anterior, onde vimos a parte teórica deste estudo; agora, um pouco de prática.
 1.1. Ensine seu filho a falar a verdade
Através de situações cotidianas é que a criança aprende a falar a verdade desde pequenina (Pv 2.7 Ele reserva a verdadeira sabedoria para os retos; escudo é para os que caminham na sinceridade,). Seja você mesmo o exemplo: ao oferecer a ela um alimento amargo, ao invés de dizer, “coma porque é gostoso", diga; “coma porque faz bem à sua saúde”; quando ela for tomar uma injeção, não diga que não vai doer nada, mas: “vai doer um pouco, mas a dor passa rápido”, ou se você a mandar executar determinada tarefa, ao invés de dizer que é fácil ou que não demora nada, diga que é difícil e vai demorar; mas que ela é inteligente e capaz, por isto vai conseguir fazer tudo direitinho; se você precisar sair, é melhor que seu filho o veja sair e fique em casa chorando do que colocá-lo para dormir ou mandar que o levem para outro cômodo da casa, e depois sair às escondidas (Pv 12.19 O lábio de verdade ficará para sempre, mas a língua mentirosa dura só um momento.; 16,6).
 1.2. Encoraje seu Filho a ser honesto
Muitos pais inibem o desenvolvimento da honestidade nos filhos. Como fazem isto? Por exemplo, castigando os filhos quando eles assumem que erram, do mesmo modo que fariam se não tivessem assumido o erro (Pv 28.13; 2Co 2.7 De maneira que, pelo contrário, deveis, antes, perdoar-lhe e consolá-lo, para que o tal não seja, de modo algum, devorado de demasiada tristeza.). Então, quando o filho comete uma falta e a assume, deve ficar sem correção? Não (Ec 7.5NTLH Em meio a tantos sonhos absurdos e conversas inúteis, tenha temor de Deus.). Mas a correção para quem assume e é honesto, deve ser diferente da aplicada em quem oculta o erro. Além disto, os pais devem declarar o perdão e elogiar a coragem da criança que confessa a falta (Pv 28.13 O que encobre as suas transgressões nunca prosperará; mas o que as confessa e deixa alcançará misericórdia.), e ter o cuidado de ensinar-lhe que o elogio feito e a punição branda aplicada, não significam que ela está livre para cometer outra vez aquele erro, mas sim que o papai e/ou a mamãe valorizam a honestidade com que o filho encara aquela situação (2 Co 8.21 pois zelamos no que é honesto, não só diante do Senhor, mas também diante dos homens.).
 1.3. Crie oportunidades práticas para comunicar responsabilidade
Comece pelo exemplo: Seja pontual, pague em dia suas contas (1 Pe 2.12 tendo o vosso viver honesto entre os gentios, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, glorifiquem a Deus no Dia da visitação, pelas boas obras que em vós observem.), cumpra a palavra ainda que seja sacrificial, assuma a responsabilidade pelos erros que você cometer, peça desculpas se for preciso, mas não se justifique. Permita que seu filho perceba suas atitudes. Continue pela distribuição de tarefas, determine a hora que você quer vê-las terminadas, elogie depois que forem executadas e exija o cumprimento delas. Lembre-se, não é necessário esperar que as crianças cresçam para começar a boa educação (1 Tm 5.10 tendo testemunho de boas obras, se criou os filhos, se exercitou hospitalidade, se lavou os pés aos santos, se socorreu os aflitos, se praticou toda boa obra.).

Conforme a criança for se desenvolvendo, vá aprimorando as tarefas. Ensine-a como guardar seus brinquedos, arrumar sua própria cama, colocar a roupa suja no cesto. Assim, você não apenas estará aprimorando o senso de responsabilidade na criança, mas também estará criando hábitos que serão úteis para a vida toda. Paro que a criança aprenda, nas primeiras vezes em que for executar uma tarefa, é necessário que o pai ou a mãe faça junto com ela. Não pague a seu filho para executar tarefas domésticas, pois se lhe pagar para arrumar o próprio quarto ou lavar a louça do jantar, por exemplo, ele pensará que aquelas tarefas não são responsabilidades dele, são suas e que só as fará se desejar fazer-lhe um favor ou se for recompensado.
 2. Capacidade para viver em liberdade
Outro fator importante que contribui para o desenvolvimento integral dos filhos e que está intimamente ligado à comunicação de responsabilidade, é o ensino progressivo para o uso da liberdade. Sem que esta capacitação seja oferecida ao indivíduo desde pequenino, a liberdade para ele poderá ser uma ameaça, um perigo, um fator de sofrimento.
 2.1. Dar pequenas liberdades desde a primeira infância
Segundo a psicologia infantil, a criança de até seis anos de idade só é capaz de entender a liberdade no sentido prático. Por isso, os pais devem permitir que a criança escolha entre coisas e situações de igual valor. Por exemplo, coloque diante dela dois alimentos de valor nutritivo semelhantes, ou duas mudas de roupas próprias para a mesma ocasião e clima, e peça para que ela escolha; ou, se vocês vão sair para lanchar, dê à criança a oportunidade de optar entre duas lanchonetes e entre dois tipos de lanche. Permita que ela escolha entre dois horários para as tarefas escolares. Proporcione a seu filho ou filha alguma atividade que possa executar sem a sua ajuda, desde que você, para a segurança dele ou dela, possa monitorar sem que o perceba. Elogie a preferência e o modo como executaram a tarefa (Ec 10.12 Nas palavras da boca do sábio, há favor, mas os lábios do tolo o devoram.).
2.2. Disciplinar e corrigir o abuso de liberdade
O melhor método de correção a ser aplicado àquele que ultrapassou os limites é permitir que sofra as consequências de sua conduta (Rm 2.6 o qual recompensará cada um segundo as suas obras,). Muitos pais falham em comunicar responsabilidade aos filhos porque querem poupá-los dos resultados de suas escolhas (Hb 12.6 porque o Senhor corrige o que ama e açoita a qualquer que recebe por filho.). Quando os pais assumem total responsabilidade pelos frutos dos erros dos filhos, estão negando a eles o direito de crescer, de amadurecer e de se tornarem pessoas responsáveis por suas ações. É importante que os pais assegurem aos filhos que permitirão que eles arquem com as consequências de seus próprios erros porque isto lhes é útil e necessário à sua formação, que eles sabem o quanto aquela experiência de colheita está sendo ou será dolorosa para as crianças, mas que no futuro serão gratas porque puderam vivenciá-la.
Um exemplo extremo e dramático, porém muito mais real do que gostaríamos que fosse, é o de garotos e garotos que continuam a viver do mesmo modo que viviam antes de se tornarem pais. Isto mais os prejudica do que poupa. Pais cristãos, conscientes de suas responsabilidades, sabem que devem amar e apoiar os filhos que se enlaçarem numa situação dessas, mas devem fazê-lo de modo a que os adolescentes aprendam a contabilizar os custos da liberdade usada inconscientemente.
O jovem pai passaria a dedicar as horas antes usadas somente no lazer, para trabalhar e ganhar algum dinheiro ou dividir aquilo que seus pais gastam com ele para contribuir com o sustento do bebê, além de passar algum tempo cuidando da criança e aprendendo a paternidade. A jovem mãe deveria cuidar do bebê, exceto nas horas em que estiver na escola ou fazendo os trabalhos escolares, e ter a parte do dinheiro que os pais usariam somente para satisfazê-la, dividido entre ela e seu bebê. Isto pode parecer cruel, mas é disciplina amorosa e se for dispensada, trará graves prejuízos à formação integral de pais e mães precoces. 
3. Relacionamento com Deus
Para que os filhos desenvolvam relacionamento pessoal com Deus, é necessário que os pais assumam como práticas continuadas pelo menos as três indicações sugeridas neste tópico: 
 3.1. Culto Doméstico
Normalmente quando se fala ou se escreve sobre a importância do Culto Doméstico na edificação de uma família feliz, começa-se pela porção bíblica de Deuteronômio 6,7 e as intimarás a teus filhos e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e deitando-te, e levantando-te. Porém, bem antes disto, o próprio Deus, instituidor desse culto, descia ao Éden todas as tardes para receber o culto de Adão e Eva. Estes formavam uma família feliz até o dia em que trocaram aquelas horas com Deus pelo passeio no Jardim, onde tiveram a infelicidade de conhecer Satanás e travar relacionamento com ele. Muitos casais se perdem ou aos filhos por cometerem a mesma falta de nossos ancestrais edênicos. Portanto, irmão, sacrifique algumas horas semanais no altar do Culto Doméstico, e livre seu casamento e seu filho de ser sacrificado ao inferno.

Neste tópico mencione apenas o culto doméstico, ele será tratado nas lições 12 e 13. Quando o casal ainda não tem filhos o culto doméstico pode consistir em leitura bíblica, cântico, colocação dos problemas relacionais diante de Deus e oração conjunta. Com bebês os elementos e a forma do culto podem continuar os mesmos, exceto pelos cânticos que poderão cantar hinos infantis e pela inclusão do nenê nos motivos de oração. Com crianças que já andam e falam, a leitura bíblica precisa ser mais curta e compartilhada com os pequenos de modo que eles possam assimilar o máximo possível. O culto não precisa ser necessariamente curto, rápido, mas precisa ser realizado em um local seguro e aconchegante, de modo que mesmo que as crianças se movimentem bastante, o casal não precise interrompê-lo, mas poderá aproveitar tudo o que as crianças fizerem para ensinar-lhes sobre Deus. No momento da leitura bíblica e da oração, os pequeninos devem ser colocados no colo carinhosamente. Crianças, a partir de três anos podem e devem ter participação no culto, cantando e fazendo a própria oração.
3.2. Meditação e oração a sós
Além do culto doméstico, os pais devem reservar momentos diários de devoção pessoal, ora como casal, ora cada cônjuge fazendo seu devocional separado (Sl 9.10 E em ti confiarão os que conhecem o teu nome; porque tu, SENHOR, nunca desamparaste os que te buscam.). Quando os filhos presenciam estas práticas, aprendem que também podem e precisam se relacionar direto com Deus sem a presença e a mediação dos pais ou de irmãos na fé. Quando as crianças já puderem expressar-se em palavras, os pais devem estimulá-las a receberem a Cristo como seu Salvador pessoal e a orarem sozinhas a respeito de algum desejo, necessidade, medo, etc (Sl 7.10 O meu escudo está com Deus, que salva os retos de coração.). É interessante, também, que os pais perguntem o que ocorreu ou como a criança se sentiu após orar e evitar satisfazer o desejo pelo qual a criança orou. Se depois de algum tempo ela se queixar de que sua oração não foi respondida, esta será uma ótima oportunidade para os pais ensinarem a respeito da oração e do modo como Deus responde (Mt 6.9-13 Portanto, vós orareis assim: Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome. Venha o teu Reino. Seja feita a tua vontade, tanto na terra como no céu. O pão nosso de cada dia dá-nos hoje. Perdoa-nos as nossas dívidas, assim como nós perdoamos aos nossos devedores. E não nos induzas à tentação, mas livra-nos do mal; porque teu é o Reino, e o poder, e a glória, para sempre. Amém!; Tg 4.2,3). 
3.3. Frequentar a igreja assiduamente
Quando chegam à adolescência, muitos filhos se afastam dos princípios, valores e fé em que foram criados porque não se envolveram com a Igreja e com outras crianças criadas do mesmo modo e na mesma fé. Assim, entram na chamada “idade crítica”, tendo como amigos e companheiros somente os colegas da escola e os filhos dos vizinhos, que na maioria das vezes não são cristãos (1 Co 15.33 Não vos enganeis: as más conversações corrompem os bons costumes.). Outros se afastam por que a Igreja deixa de ser um espaço onde possam ter um ensino ministrado com entretenimento e passa a ser um local para sentarem ouvindo hinos e sermões durante horas e receberem críticas pelo modo como se comportam. Por isso, os pais, além de frequentarem a Igreja com os filhos, devem se envolver com eles em atividades adequadas, principalmente naquelas em que podem unir aprendizado da Palavra e relacionamentos sociais, como na Escola Bíblica Dominical e nas atividades dos departamentos correspondentes à idade deles (Dt 4.9 Tão-somente guarda-te a ti mesmo e guarda bem a tua alma, que te não esqueças daquelas coisas que os teus olhos têm visto, e se não apartem do teu coração todos os dias da tua vida, e as farás saber a teus filhos e aos filhos de teus filhos.). Permanecer nas dependências do templo por algum tempo depois dos cultos, também é muito importante para a socialização dos filhos com outras crianças da mesma idade e até com pessoas mais velhas. 

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