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Lição 7 - Fugindo do método farisaico de educação

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Nesta seção, Jesus explica as falhas básicas da religião farisaica.
Tinham um falso conceito de justiça (v. 2, 3). Em primeiro lugar, haviam tomado sobre si uma autoridade que não lhes era devida, como fica evidente na declaração: "Na cadeira de Moisés, se assentaram os escribas e fariseus". Não há registro nas Escrituras de que Deus tenha dado qualquer autoridade a esse grupo. Sendo assim, o povo deveria obedecer ao que os fariseus ensinavam pela Palavra, mas não cabia ao povo obedecer às tradições e regras criadas pelos fariseus.
Para os fariseus, a justiça significava a conformidade exterior com a Lei de Deus, ignorando a condição interior do coração. A religião consistia em obedecer a inúmeras regras que regiam todos os aspectos da vida, inclusive o que faziam com os temperos (Mt 23:23, 24). Os fariseus eram extremamente zelosos em dizer as palavras certas e em seguir os rituais corretos, mas não obedeciam à lei interiormente. Deus desejava a verdade no coração (Sl 51:6). Pregar uma coisa e praticar outra não passa de hipocrisia.
Tinham um falso conceito de ministério (v. 4). Para eles, o ministério significava dar leis ao povo e acrescentar ainda mais peso a seus fardos. Em outras palavras, os fariseus eram mais severos com os outros do que com eles mesmos. Jesus veio para aliviar o fardo (Mt 11:28-30), mas uma religião legalista procura sempre tornar o fardo ainda mais pesado. Jesus nunca pediu para fazermos algo que ele próprio já não tenha feito. Os fariseus ordenavam, mas não participavam. Eram ditadores religiosos hipócritas, não líderes espirituais.
Tinham um falso conceito de grandeza (v. 5-12). Para eles, sucesso significava reconhecimento e louvores dos homens. Não estavam preocupados com a aprovação de Deus. Usavam a religião para atrair a atenção para si mesmos, não para glorificar a Deus (Mt 5:16). Assim, lançavam mão até de ornamentos religiosos para demonstrar piedade. Os "filactérios" eram pequenas caixas de couro em que os fariseus guardavam as Escrituras. Usavam essas caixinhas amarradas na testa e no braço, em obediência literal a Deuteronômio 6:8 e 11:8. Além disso, aumentavam o tamanho das "franjas" das orlas de suas vestes (Nm 15:38; ver Mt 9:20).
Os fariseus também pensavam que o status social era sinal de grandeza, de modo que buscavam os melhores lugares na sinagoga e nos jantares públicos. O lugar onde um homem se assenta não mostra, verdadeiramente, quem ele é. Albert Einstein escreveu: "Procure não se tornar um homem de sucesso, mas sim um homem de valor".
Acreditavam, ainda, que os títulos de honra eram sinais de grandeza. O título "rabino" significa "meu magnífico" e era cobiçado pelos líderes religiosos (hoje em dia, os líderes religiosos cobiçam títulos de doutor honorífico). Jesus proibiu seus discípulos de usar o título rabino, pois todos eram irmãos, somente Jesus era seu Mestre (Mt 23:8). Os filhos de Deus encontram-se numa situação de equidade sob a liderança de Jesus Cristo.
Obter a misericórdia - rejeitar a misericórdia (w. 23, 24; 5:7). A especialidade dos fariseus era se preocupar com coisas secundárias. Ao mesmo tempo que tinham regras para todos os aspectos da vida, deixavam passar as coisas mais importantes. Os legalistas costumam ser assim: atentos para os detalhes, mas cegos para os grandes princípios. Não se incomodaram de condenar um homem inocente, mas se recusaram a entrar no palácio de Pilatos, a fim de não se contaminar (Jo 18:28).
Não há dúvida de que a Lei do Antigo Testamento exigia o pagamento do dízimo (Lv 27:30; Dt 14:22ss). Abraão havia praticado o dízimo muito antes de a Lei ser dada (Gn 14:20), e Jacó seguiu o exemplo do avô (Gn 28:20-22). Os princípios da oferta cristã no contexto da graça são apresentados em 2 Coríntios 8 e 9. Não nos contentamos em dar apenas o dízimo (10%), mas também desejamos trazer ofertas ao Senhor com nosso coração cheio de amor.
Justiça, misericórdia e fidelidade são qualidades importantes que Deus procura e que não podem ser substituídas pela obediência a regras. Apesar de ser importante prestar atenção aos detalhes, nunca devemos perder nosso senso de prioridade quanto às questões espirituais. Jesus não condenou a prática do dízimo, mas sim aqueles que deixaram que seus escrúpulos legalistas os impedissem de desenvolver o verdadeiro caráter cristão. 
1. Os usuários do método farisaico
Nenhum crente quer ser identificado como membro ou aluno da Escola farisaica. Chamar um crente de fariseu é uma ofensa inominável. O perfil dos fariseus é descrito por Jesus e muito falado e criticado nas Igrejas. Somos constantemente exortados a que sejamos diferentes deles. Entretanto, muitos de nós, pais, educamos nossos filhos no método educacional farisaico e nem nos damos conta disto. 
1.1. A posição e a doutrina dos pais no método farisaico
Neste sistema de educação, os pais ocupam uma posição de superioridade em relação ao cônjuge e aos filhos (Mt 23. 2). Usam Efésios 5.22,23 e 6.1 para impor a eles suas exigências. São inflexíveis: não têm nada mais a aprender e nada a modificar em seus posicionamentos (Mt 23.2) e, se tiverem, o cônjuge e os filhos não podem saber disso. Nunca devem admitir um erro para que a autoridade deles não fique abalada. Ensinam corretamente as Escrituras (Mt 23.3), mas o fazem pelo motivo errado (Mt 23.5). Observam costumes antigos nos mínimos detalhes. São justos aos seus próprios olhos, são dizimistas e ensinam os filhos a sê-lo também (Lc 11.42; 18.11,12), jejuam muitas vezes (Mt 9.14), são zelosos e dotados de qualidades especiais (Mt 23. 27,29) e guardam as tradições antigas (Mc 7.3). Fazem, porém, tudo isso sem misericórdia e fé (Mt 12.7; 23.23).
 1.2. Em que se baseia o método farisaico na educação de filhos
Este método disciplinar é marcado pela literalidade das regras bíblicas acrescentadas de muitas outras regras e costumes extra bíblicos. Baseia-se em “fazer e não fazer”. Em recompensas e punições. Não é baseado na necessidade de conversão, tampouco em princípios, valores e fé.

No Antigo Testamento foi colocado um pesado véu, que servia de parede para separar o Lugar Santíssimo dos demais compartimentos da Tenda da Congregação, visto que se alguém ousasse entrar e olhar para dentro da Área sem estar preparado era fulminado. Desse modo, somente o sumo sacerdote, uma vez por ano entrava no Santíssimo.

A carta aos Hebreus diz que aquele véu era o próprio Deus/Filho, cuja santidade se interpunha entre o pecador e Deus/Pai, que consentiu em se fazer homem, e pela sua carne rasgada qual véu, vencer o pecado e inaugurar em Si mesmo o novo e vivo Caminho (Hb 10.19, 20). Este sacrifício de Deus, em Jesus, dar a todos quantos o recebem um coração novo, purificado pelo Seu sangue (Hb 8.10,11.). Porém, quando colocamos a rigidez das regras acima da graça de Deus e quando criamos nossos filhos para fazerem ou deitarem de fazer coisas como se tivessem um novo coração, sem que de fato o tenham, nós os estamos privando da Maravilhosa Graça. Conduzamos, pois nossos filhos a receberem a Cristo como Salvador e peçamos que Ele faça transbordar em nós a Sua graça, para agirmos com nossos filhos e cônjuge do modo que Ele mesmo age com os pecadores (Hb 8.12).
1.3. A vida doméstica e o discurso do método farisaico de educação
Neste método, o discurso e a prática nem sempre significam a mesma coisa. Falta coerência entre o que se manda que os filhos façam e o que os pais fazem a respeito dos mesmos assuntos. Por esse critério os pais estão liberados para dizerem uma coisa e fazerem outra. Portanto, os filhos precisam ouvir e obedecer ao que eles dizem e fazer de conta que não veem o que eles fazem (Mt 23.3). 
2. Indicações do método farisaico para a vida religiosa
O perfil que o método farisaico de educação propõe para a vida religiosa dos pais é bem interessante e tentador. É relativamente fácil e confortável, por isso muitos pais o utilizam equivocadamente, como se fosse o melhor método que existe para desenvolver a “vida espiritual” da família. 
2.1. O método farisaico promete primazia
Os fariseus criaram um método pelo qual poderiam ocupar definitivamente os lugares de honra na sinagoga: o culto individual realizado em público, desde dizimar até orar e jejuar, tudo era feito do modo mais chamativo possível. Este método, quando aplicado à disciplina da família, consiste em fazer com que todos os membros dela se apresentem no templo e na comunidade, a fim de que pareçam ser a família mais espiritual da Igreja. Assim podem ocupar posições de destaque na Igreja ou pelo menos receberem reconhecimento público pela excelente forma de conduzir a família. O método é bastante utilizado, porque promete primazia a quem o pratica. Carece de ensinar a viver em particular aquilo que se exibe em público.
Nas sinagogas da Palestina havia uma cadeira especial, conhecida como cadeira de Moisés, Assentava-se nela o homem de maior reputação entre os judeus. Além da cadeira de Moises, havia outros assentos reservados às pessoas importantes. 
2.2. Os usuários do método farisaico buscam visibilidade
Quanto mais desejarmos visibilidade social e eclesiástica, mais propensão teremos para aplicar o referido método na educação da nossa família. Veja o que Jesus declarou acerca dos mestres e alunos da escola farisaica: "... fazem todas as obras a fim de serem vistos pelos homens; pois trazem largos filactérios, e alargam as franjas das suas vestes” (Mt 23.5). 
2.3. O método farisaico acena para a possibilidade de reconhecimento e popularidade
Este método cumula de elogios, de recompensas e de prêmios quem cumpre as regras ou se sai bem na escola e/ou nos esportes e humilha a quem as descumpre e não consegue se sair tão bem naquelas atividades. Há pais, usuários do método farisaico, que premiam todos os acertos e vitórias dos primeiros com broches de estrelas e os últimos recebem bonés de orelhas de burro para todos os seus erros e fracassos. Tal ensinamento recomenda que os pais declarem seu amor pelos filhos mais regrados e obedientes e o silenciem para os demais, que façam comparação entre um filho e outro, que ressaltem as faltas dos menos favorecidos diante dos demais membros da família, que apliquem punições severas para servir de exemplo aos outros filhos, e que neguem carinho ou um abraço afetuoso àquele que acabou de ser corrigido por infringir uma regra. 
3. Falhas, riscos e perigos do modelo farisaico de educar
Por ser um método baseado em fazer e não fazer coisas, o farisaico é de fácil aplicação e por isto mesmo muito utilizado, inclusive por cristãos sinceros que criticam os fariseus dos tempos bíblicos, mas nem sempre reconhecem que existem nos tempos modernos também, Entretanto, é um método que apresenta falhas graves e oferece riscos e perigos aos educados por meio dele. 
3.1. A falha
A maior e a mais grave falha do método farisaico consiste no esquecimento do “ser” da criança por priorizar o fazer e o ter. Os pequenos são ensinados como e quando devem fazer o que lhes é mandado, e são informados das recompensas por obedecerem e dos castigos por desobedecerem, porém, não são orientados acerca dos princípios, dos valores que precisam. Por exemplo, não lhes é exigido que sejam honestos, apenas que ajam com honestidade.
Assim, as crianças farão algo para obter coisas, privilégios, e tentarão parecer com aquilo que não são para ganhar aprovação e aceitação: o filho obedecerá não conscientemente, mas porque ganhará alguma coisa de que se agrade, ou será poupado daquilo que o desagrada. 
3.2. Os riscos
Por carecer de valores importantes e fundamentais como convicções próprias, fé, segurança, equilíbrio emocional e certeza do amor dos pais (Mt 23.23), não raro, quando obtêm um pouco de liberdade, filhos educados no método farisaico se desviam da disciplina paterna e da Igreja também. Se alguém perguntar a uma adolescente, educada pelo método farisaico, porque ela conserva sua virgindade, provavelmente responderá que precisa fazê-lo porque se não o fizer, seus pais a expulsam de casa. Se perguntarem a um estudante, educado nesse mesmo sistema, porque ele não cola naquela prova tão difícil, responderá que não o faz porque, se for apanhado colando, sua prova será recolhida e ele vai ficar sem nota nenhuma: como explicará isto aos pais? 
3.3. Os perigos
Pelos motivos expostos no tópico anterior, é grande o perigo de, surgindo a oportunidade, filhos educados no método farisaico se envolverem com drogas e outros vícios, se tornarem presas fáceis para pessoas mal intencionadas e de fazerem todo o tipo de esforço e concessões para não serem punidos e obterem reconhecimento, aceitação e popularidade. Mas há um perigo mais grave ainda, pois é de natureza eterna: pais que optam pelo método farisaico de criar filhos, podem criá-los para o inferno ao invés de criá-los para o Céu (Mt 23.15). O perigo existe, porque neste método, o excesso de regras e mandamentos sobrecarrega os filhos de tal forma que, para se livrar do peso deles, também abrem mão de Deus e da Salvação, pois os associam ao fardo insuportável que carregam desde pequeninos (Mt 23,4). Eles raciocinam: “Se isto é ser salvo, prefiro não sê-lo”. 
Conclusão
Fujamos, pois, do trágico erro dos fariseus, o qual faz com que criemos nossos filhos para parecerem que são filhos de Deus, sem de fato o serem, que desenhemos na mente deles a imagem de um deus tirano e legalista, do qual estão sempre com medo (Rm 8.15). Tal imagem os conduz para longe do Bom Deus e os impede de se deleitarem na herança da graça, misericórdia e amor, como fazem os filhos amados (Rm 8.17). O Apóstolo Paulo alerta: “Se, pois, estai mortos com Cristo quanto aos rudimentos do mundo, por que vos carregam ainda de ordenanças, como se vivêsseis no mundo, tais como: Não toques, não proves, não manuseies? As quais coisas todas perecem pelo uso, segundo os preceitos e doutrinas  dos homens; as quais têm, na verdade, alguma aparência de sabedoria, em devoção voluntária, humildade e em disciplina do corpo, mas não têm valor algum contra a sensualidade.” (Cl 2.20-23) 

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