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Lição 9 - Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo


Lição 9 – 01 de Setembro de 2013 - CPAD

Confrontando os Inimigos da Cruz de Cristo

TEXTO ÁUREO

Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo (Fp 3.18).

VERDADE PRÁTICA

A cruz de Cristo é o ponto central da fé cristã: sem ela não pode haver cristianismo.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 3.17-21
17 - Sede também meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós, pelos que assim andam.
18 - Porque muitos há, dos quais muitas vezes vos disse e agora também digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo.
19 - O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles é para confusão deles mesmos, que só pensam nas coisas terrenas.
20 - Mas a nossa cidade está nos céus, donde também esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,
21 - que transformará o nosso corpo abatido, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
É estranho ver Paulo chorando em uma carta cheia de alegria! Talvez esteja se lamentando por si mesmo e por sua situação difícil! Não, ele é um homem de determinação, e as circunstâncias não o desanimam. Será que está chorando por causa do que alguns cristãos de Roma faziam com ele? Não, ele tem uma atitude de submissão e não permite que as pessoas o privem de sua alegria. Essas lágrimas não são por si mesmo, mas por outros. Um a vez que Paulo tem disposição espiritual, encontra-se profundamente entristecido pelo modo de vida de alguns que se dizem cristãos, pessoas que "se preocupam com as coisas terrenas".
Apesar de não ser possível afirmar com certeza, é bem provável que Filipenses 3:18, 19 seja uma descrição dos judaizantes e de seus seguidores. Sem dúvida, Paulo está escrevendo sobre cristãos professos, não sobre gente de fora da igreja. Os judaizantes eram "inimigos da cruz de Cristo", pois acrescentavam a Lei de Moisés à obra da redenção que Cristo ha via realizado na cruz. Por causa de sua obediência às leis alimentares do Antigo Testamento, pode-se dizer que "o deus deles é o ventre" (ver Cl 2:20-23); e sua ênfase sobre a circuncisão corresponderia a glorificar-se em algo que deveria ser motivo de vergonha (ver Cl 6:12-15). Esses indivíduos não tinham disposição espiritual, mas sim inclinação para as coisas terrenas. Apegavam-se a credos religiosos e a rituais terrenos que Deus havia dado a Israel e se opunham às bênçãos que o cristão tem em Cristo (E f 1:3; 2:6; Cl 3:1-3).
O adjetivo "espiritual" é usado tão indevidamente quanto o termo "comunhão". Muita gente acredita que o "cristão espiritual" é místico, distante, sem qualquer senso prático e dado a devaneios. Quando ora, sua voz adquire um tom lúgubre e trêmulo e faz grandes esforços para informar a Deus coisas que ele já sabe. Infelizmente, esse tipo de piedade fervorosa é um péssimo exemplo do que vem a ser a verdadeira espiritualidade. A pessoa que possui uma disposição espiritual não precisa ser mística nem deixar de ser prática. Pelo contrário, a disposição espiritual leva o cristão a pensar com mais clareza e a fazer as coisas com mais eficiência.
Ter "disposição espiritual" significa, simplesmente, olhar para a Terra do ponto de vista do céu. "Pensai nas coisas lá do alto, não nas que são aqui da terra" (Cl 3:2). D. L. Moody costumava repreender os cristãos por "pensarem tanto no céu a ponto de não valerem coisa alguma na Terra", e sua exortação continua sendo pertinente. Os cristãos possuem dupla cidadania - celestial e terrena, e nossa cidadania no céu deve nos tornar pessoas melhores na Terra. O cristão com disposição espiritual não se sente atraído pelas "coisas" deste mundo. Toma suas decisões com base em valores eternos, não nos modismos passageiros da sociedade. Por causa de seus valores terrenos, Ló escolheu as planícies irrigadas do Jordão e acabou perdendo tudo. Moisés recusou os prazeres e tesouros do Egito, pois sua vida tinha um propósito infinitamente mais maravilhoso (Hb 11:24-26). "Que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?" (Mc 8:36). "Pois a nossa pátria está nos céus" (Fp 3:20). O termo grego traduzido por
"pátria" ou "cidadania" dá origem à palavra "política" em nossa língua. É relacionado ao comportamento de um indivíduo como cidadão de uma nação. Paulo nos incentiva a ter disposição espiritual e, para isso, ressalta as características do cristão cuja cidadania está no céu. Assim como Filipos era uma colônia de Roma em território estrangeiro, também a Igreja é uma "colônia do céu" na Terra.
NOSSO NOME ESTÁ REGISTRADO NO CÉU
Os cidadãos de Filipos desfrutavam do privilégio de ser cidadãos de Roma fora de Roma. Quando um bebê nascia em Filipos, era necessário incluir seu nome nos registros locais. Quando o pecador aceita a Cristo e se torna um cidadão do céu, seu nome é escrito no "Livro da Vida" (Fp 4:3).
A cidadania é importante. Quando viajamos para outro país, é essencial ter um passaporte que comprove nossa cidadania. Ninguém quer ter a mesma sina que Philip Nolan no conto clássico The Man Withouta Country [O H om em sem País], Nolan amaldiçoou o nome de seu país e, por isso, foi condenado a viver a bordo de um navio e nunca mais ver sua terra natal nem sequer ouvir seu nome ou receber notícias acerca do seu progresso. Passou 56 anos em uma viagem interminável de navio em navio, de mar em mar e, por fim, foi sepultado nas águas do oceano. Nolan foi um "homem sem país".
O nome do cristão está escrito no Livro da Vida, e é isso o que determina sua entrada final no país celestial (Ap 20:15). Quando confessamos Cristo na Terra, ele confessa nosso nome no céu (M t 10:32, 33). Nosso nome "está arrolado nos céus" (Lc 10:20) e ficará registrado lá para sempre (o verbo grego traduzido por "arrolar", em Lc 10:20, encontra-se no tempo perfeito: está e permanecerá arrolado de uma vez por todas).
Uma pessoa que mora em Washington D.C. providenciou para que meu filho e eu fizéssemos um tour pela Casa Branca. Disse que deveríamos estar em certo portão às 8 horas da manhã e pediu que levássemos algum documento de identificação. David e eu fomos até o portão onde, muito educadamente, um guarda perguntou nosso nome. Nós lhe respondemos, mostrando nossos documentos, e ele disse:
- Muito bem, Sr. Warren Wiersbee David, vocês podem entrar!
Conseguimos entrar na Casa Branca porque nossos nomes estavam anotados em uma lista apropriada, na qual foram incluídos a pedido de outra pessoa. O mesmo se aplica a nossa entrada no céu: quando aceitamos a Cristo, nosso nome foi registrado, e entraremos na glória somente por causa dos méritos dele e de sua intercessão.
Falamos a linguagem do céu. Os que "só se preocupam com as coisas terrenas" falam de coisas terrenas. A final, o que sai da boca revela o que se encontra no coração (Mt 12:34-37). O não salvo não compreende as coisas do Espírito de Deus (1 Co 2:14-16), de modo que não é capaz de falar sobre esses assuntos. Os cidadãos do céu compreendem as coisas espirituais, gostam de falar sobre elas e de compartilhá-las uns com os outros.
"Eles procedem do mundo; por essa razão, falam da parte do mundo, e o mundo os ouve. Nós somos de Deus; aquele que conhece a Deus nos ouve; aquele que não é da parte de Deus não nos ouve. Nisto reconhecemos o espírito da verdade e o espírito do erro" (1 Jo 4:5, 6).
Mas falar a linguagem do céu não envolve apenas o que se diz; também se refere a como se diz. O cristão com disposição espiritual não sai por aí citando versículos bíblicos o dia todo! Tem cuidado, porém, de falar de maneira a glorificar a Deus. "A vossa palavra seja sempre agradável, temperada com sal, para saberdes como deveis responder a cada um" (Cl 4:6). Nossas palavras devem demonstrar moderação e pureza. "N ã o saia da vossa boca nenhuma palavra torpe, e sim unicamente a que for boa para edificação, conforme a necessidade, e, assim, transmita graça aos que ouvem" (Ef 4:29).
Obedecemos às leis do céu
Os cidadãos de Filipos não eram governados pela legislação grega, mas sim pelas leis de Roma, apesar de estarem a centenas de quilômetros da capital do império. Na verdade, foi por causa dessa política que Paulo acabou sendo preso quando visitou Filipos pela primeira vez (At 16:16-24). O apóstolo usou sua cidadania romana para lhe garantir proteção sob a lei romana (At 16:35-40; 21:33-40.
Em Filipenses 3:17, Paulo adverte os cristãos filipenses a não imitarem o tipo errado de cidadão. "Sede imitadores meus." É evidente que Paulo era imitador de Cristo, de modo que não se trata de uma admoestação egotista (1 Co 11:1). Paulo considerava-se um "estrangeiro" neste mundo, um "peregrino e forasteiro" (ver 1 Pe 2:11). Sua vida era governada pelas leis do céu, e era isso o que o tornava diferente. Preocupava-se com os outros, não consigo mesmo; estava interessado em dar, não em receber; era motivado pelo amor (2 Co 5:14), não pelo ódio. Pela fé, Paulo obedecia à Palavra de Deus, sabendo que, um dia, seria recompensado. Ainda que, no presente, estivesse sofrendo oposição e perseguição dos homens, no dia do julgamento final, seria vitorioso.
Infelizmente, como no tempo de Paulo, ainda há quem afirme ser cidadão do céu, mas cuja vida não condiz com essa declaração. Pode ser um indivíduo zeloso em suas atividades religiosas, até mesmo austero em suas disciplinas, mas não mostrar qualquer sinal de que é o Espírito de Deus que controla sua vida. Tudo o que faz é motivado pela carne; ele próprio recebe toda a glória e, para piorar, além de estar desviado, também faz outros se desviarem. Não é de se admirar que Paulo tenha chorado por isso.
Somos leais à causa do céu
A cruz de Jesus Cristo é o tema da Bíblia, o cerne do evangelho e a principal fonte de louvor no céu (Ap 5:8-10). A cruz é prova do amor de Deus pelos pecadores (Rm 5:8) e de sua aversão ao pecado. Ela condena o que o mundo valoriza. Julga a humanidade e declara o veredicto incontestável: culpados!
Em que sentido os judaizantes eram "inimigos da cruz de Cristo"? Em primeiro lugar, a cruz deu cabo da religião do Antigo Testamento. Através do véu do templo rasgado em duas partes, Deus anunciava que o caminho para ele se encontrava aberto por meio de Cristo (Hb 10:19-25). Quando Jesus clamou: "Está consumado!", fez um único sacrifício por todos os pecados e, desse modo, pôs fim ao sistema sacrificial (H b 10:1-14).
Por meio de sua morte e ressurreição, Jesus realizou a "circuncisão espiritual" que tornava a circuncisão ritual desnecessária (Cl 2:10-13). Tudo aquilo que os judaizantes defendiam havia sido eliminado pela morte de Cristo na cruz!
Além do mais, tudo aquilo a que se dedicavam era condenado pela cruz. Jesus havia derrubado o muro de separação entre judeus e gentios (Ef 2:14-16), e os judaizantes estavam reconstruindo esse muro! Obedeciam às "ordenanças da carne" (H b 9:10), regras atraentes para a carne e não dirigidas pelo Espírito. O verdadeiro cristão crucifica a carne (G l 5:24) e também o mundo (Gl 6:14). No entanto, os judaizantes preocupavam-se "com as coisas terrenas". A cruz deve ser o centro da vida do cristão. Ele não se gloria em homens, em religião nem nas próprias realizações; ele se gloria na cruz (Gl 6:14).
Paulo chora porque sabe o que o futuro reserva para esses homens: "O destino deles é a perdição" (Fp 3:19).  Essa palavra dá a ideia de esbanjamento e de extravio (é traduzida por "desperdício" em M c 14:4).
Esse é o termo usado no texto original, quando Judas é chamado de "filho da perdição" (Jo 17:12). Uma vida desperdiçada e uma eternidade de perdição! Entretanto, o verdadeiro filho de Deus, cuja cidadania está no céu, tem um futuro esplendoroso.
Aguardamos o Senhor do céu
Os judaizantes viviam no passado, tentando convencer os filipenses a voltar a Moisés e à Lei, mas o verdadeiro cristão vive no futuro, aguardando a volta de seu Salvador (Fp 3:20, 21). Como contado em Filipenses 3:1­11, Paulo descobriu novos valores. Com o atleta em Filipenses 3:12-16, demonstrou novo vigor. Agora, como estrangeiro, tem uma nova visão: "Aguardamos o Salvador!" É essa expectativa da vinda de Cristo que motiva o cristão com disposição espiritual.
Um a esperança futura exerce grande poder no presente. Por causa da expectativa de habitar em uma cidade, Abraão contentou-se em viver em uma tenda (Hb 11:13-16). Por causa da expectativa de recompensas do céu, Moisés dispôs-se a abrir mão dos tesouros na Terra (Hb 11:24­26). Por causa "da alegria que lhe estava proposta" (Hb 12:2), Jesus dispôs-se a sofrer na cruz. O fato de que Jesus Cristo vai voltar é uma forte motivação para vivermos de modo consagrado e para trabalharmos com dedicação hoje. "E a si mesmo se purifica todo o que nele tem esta esperança, assim como ele é puro" (ver 1 Jo 2:28 - 3:3).
O cidadão do céu que vive na Terra não fica desanimado, pois sabe que, um dia, seu Senhor vai voltar. Continua realizando seu trabalho com toda dedicação para que seu Senhor não volte e o encontre vivendo em desobediência (Lc 12:40-48). O cristão com disposição espiritual não vive em função das coisas deste mundo; antes, vive na expectativa das coisas do mundo por vir. Isso não significa que ignora suas responsabilidades diárias ou delas descuida, mas sim que seus atos no presente são governados por aquilo que Cristo fará no futuro.
Paulo menciona, de modo específico, que o cristão receberá um corpo glorificado, como o corpo de Cristo. Hoje, vivemos em um "corpo de humilhação" (Fp 3:21); mas quando virmos a Cristo, receberemos um corpo de glória. Acontecerá num instante, num piscar de olhos (1 Co 15:42-53)! Então, todas as coisas do mundo deixarão de ter valor para nós, como não devem, relativamente, ter hoje em dia! Se estivermos vivendo no futuro, exercitaremos a disposição espiritual e viveremos para as coisas verdadeiramente importantes.
Quando Jesus voltar, há de "subordinar a si todas as coisas" (Fp 3:21b). O termo "subordinar" significa "organizar em ordem de dependência, do inferior ao superior". Esse é o problema hoje em dia: não colocar as coisas na devida ordem de prioridade.
Uma vez que nossos valores encontram-se distorcidos, desperdiçamos nosso vigor em atividades inúteis, e nossa visão está de tal modo obscurecida que a volta de Cristo não parece ter qualquer poder para motivar nossa vida. Viver no futuro significa deixar que Cristo ordene as coisas de acordo com a verdadeira importância. Significa vislumbrar sempre os valores celestiais e ter a ousadia de crer na promessa de Deus que diz: "aquele, porém, que faz a vontade de Deus permanece eternamente" (1 Jo 2:17).

INTERAÇÃO
No capítulo três da Carta aos Filipenses, Paulo faz uma severa advertência contra os judaizantes, denominados pelo apóstolo de "inimigos da cruz de Cristo". Estes apregoavam o legalismo, a lei e os códigos de conduta, porém não conheciam a cruz de Cristo. Todavia, Paulo chama a atenção não somente a respeito dos judaizantes, mas também quanto os irmãos que não viviam de acordo com o modelo de serviço e sacrifício de Cristo. Paulo pede aos filipenses que lutem contra estes inimigos a fim de que não venham sucumbir na fé. Esta advertência de Paulo deve ser levada a sério pela igreja na atualidade, pois atualmente também muitos são os inimigos da cruz de Cristo

OBJETIVOS
Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Conscientizar-se a respeito da necessidade de se manter firme em Cristo. 
Saber quais são os inimigos da cruz de Cristo
Aprender a respeito do futuro glorioso daqueles que amam a cruz de Cristo.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA
Professor, para a apresentação do tópico II da lição sugerimos que o quadro abaixo seja reproduzido de acordo com as suas possibilidades. Divida a turma em grupos e distribua cópias e canetas. Em seguida faça as seguintes indagações: "Quem são os inimigos da cruz de Cristo?" "Como combater estes inimigos?" Ouça a todos com atenção e em seguida peça que em grupo preencham o quadro. Reúna novamente os grupos. Solicite que mostrem o quadro completo e discuta com os alunos as respostas. Conclua enfatizando que para identificarmos e combatermos os inimigos da cruz de Cristo precisamos conhecer a Palavra de Deus e perseverar na doutrina dos apóstolos

INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO
CARACTERÍSTICAS
O QUE A PALAVRA DE DEUS DIZ A RESPEITO

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

PALAVRA-CHAVE
Inimigos: Na lição são os judaizantes e aqueles que não tinham comunhão com a cruz de Cristo.

Das advertências de Paulo à igreja em Filipos, a exortação para que permanecessem firmes na fé e mantivessem a alegria que a nova vida em Cristo proporciona, é uma das mais importantes. O apóstolo assim os estimula, por estar ciente dos falsos cristãos que haviam se infiltrado no seio da igreja. Tais eram, de fato, inimigos da cruz de Cristo.

I. EXORTAÇÃO À FIRMEZA EM CRISTO (3.17 Irmãos, sede meus imitadores, e observai os que andam segundo o exemplo que tendes em nós.)

1. Imitando o exemplo de Paulo (v.17a). Quando Paulo pediu aos filipenses para que o imitassem, não estava sendo presunçoso. Precisamos compreender a atitude do apóstolo não como falta de modéstia, ou falsa humildade, mas imbuída de uma coragem espiritual e moral de colocar-se, em Cristo, como referência de vida e fé para aquela igreja (1 Co 4.16,17; 11.1; Ef 5.1). Paulo mostrou que a verdadeira humildade acata serenamente a responsabilidade de vivermos uma vida digna de ser imitada. Que saibamos refletir sobre isso num tempo em que estamos carentes de referências ministeriais.
2. O exemplo de outros obreiros fiéis (v.17b). O texto da ARA tem uma tradução melhor dessa passagem: "observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós". Paulo estava reconhecendo o valor da influência testemunhal de outros cristãos, entre os quais Timóteo e Epafrodito, que eram referências para as suas comunidades. O apóstolo chama a atenção dos cristãos filipenses para observarem os fiéis e aprenderem uns com os outros objetivando a não se desviarem da fé.
3. Tendo outro estilo de vida. Muitas vezes somos forçados a acreditar que somente os obreiros devem ter um estilo de vida separado exclusivamente a Deus. Essa dualidade entre "clero" e "leigos" remonta à velha prática eclesiástica estabelecida pela Igreja Romana, na Idade Média, onde uma elite (o clero) governa a igreja e esta (os leigos) se torna refém daquela. É urgente resgatar o ideal da Reforma Protestante, ou seja, a "doutrina do sacerdócio de todos os crentes", ou "Sacerdócio Universal", reivindicada em 1 Pedro 2.9 (Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz.). Todos nós, obreiros ou não, temos o livre acesso ao trono da Graça de Deus por Cristo Jesus. Não tentemos costurar o véu que Deus rasgou!

 SINÓPSE DO TÓPICO (1)
Todo crente, obreiros ou não, tem livre acesso ao trono da Graça de Deus por Cristo Jesus.

REFLEXÃO
“Todos nós, obreiros ou não, temos o livre acesso ao trono da graça de Deus por Cristo Jesus. Não tentemos costurar o véu que Deus rasgou.”

II. OS INIMIGOS DA CRUZ DE CRISTO (3.18,19 Pois muitos há, dos quais muitas vezes vos disse, e agora novamente digo, chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O seu fim é a perdição, o seu Deus é o ventre, e a sua glória é a vergonha. Só pensam nas coisas terrenas.)

1. Os inimigos da cruz (v.18). Depois de identificar os inimigos da cruz de Cristo, Paulo mostra que o ministério pastoral é regado com muitas lágrimas. A maior luta do apóstolo era com as heresias dos falsos cristãos judeus. Paulo chama os judaizantes de "inimigos da cruz de Cristo". O apóstolo conclamou a igreja a resistir tais inimigos, mesmo que com lágrimas, pois eles tinham como objetivo principal minar a sua autoridade pastoral. O apóstolo já havia enfrentado inimigos semelhantes em Corinto (1 Co 6.12 Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma delas.). Agora, em Filipos, havia outro grupo que adotava a doutrina gnóstica. Este grupo de falsos crentes (3.18,19) afirmava erroneamente que a matéria é ruim. Logo, não há nenhum problema em pecar através da "carne", pois toda e qualquer coisa que fizermos com o corpo, e através dele, não afetará a nossa alma. Essa ideia herética e diabólica é energicamente refutada pela Palavra de Deus (1 Ts 5.23 O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.).
2. "O deus deles é o ventre" (3.19 O seu fim é a perdição, o seu Deus é o ventre, e a sua glória é a vergonha. Só pensam nas coisas terrenas.). O termo "ventre" aqui é figurado e representa os "apetites" carnais e sensuais. Os inimigos da cruz viviam para satisfazer os prazeres da carne - glutonaria, bebedice, imoralidade sexual, etc. - satisfazendo todos os desejos lascivos, pois acreditavam que tais atitudes "meramente carnais" não afetariam a alma nem o espírito. Porém, o ensino de Paulo aos gálatas derruba por terra esse equivocado pensamento (Gl 5.16,17 Digo, porém: Andai no Espírito, e não satisfareis à concupiscência da carne. Pois a carne deseja o que é contrário ao Espírito, e o Espírito o que é contrário à carne. Estes opõem-se um ao outro, para que não façais o que quereis.).
3. "A glória deles" (3.19 O seu fim é a perdição, o seu Deus é o ventre, e a sua glória é a vergonha. Só pensam nas coisas terrenas.). Paulo sabia que aqueles falsos crentes não tinham qualquer escrúpulo nem vergonha. Entregavam-se às degradações morais sem o menor pudor e, mesmo assim, queriam estar na igreja como se nada tivessem feito de errado. O apóstolo os trata como inimigos da cruz de Cristo, porque as atitudes deles invalidavam a obra expiatória do Senhor. A declaração paulina é enfática acerca daqueles que negam a eficácia da cruz de Cristo: a perdição eterna.
O castigo dos ímpios será inevitável e eterno (Ap 21.8 Mas, quanto aos medrosos, e aos incrédulos, e aos abomináveis, e aos homicidas, e aos adúlteros, e aos feiticeiros, e aos idólatras, e a todos os mentirosos, a sua parte será no lago que arde com fogo e enxofre, que é a segunda morte.; Mt 25.46 E irão estes para o castigo eterno, mas os justos para a vida eterna.). Um dia, eles ressuscitarão para se apresentarem diante do Grande Trono Branco, no Juízo Final, e serão julgados e lançados na Geena (o lago de fogo), que é o estado final dos ímpios e dos demônios (Ap 20.11-15).

SINÓPSE DO TÓPICO (2)
Paulo conclamou a igreja a resistir os inimigos da cruz de Cristo, mesmo que com lágrimas. Estes inimigos tinham como objetivo principal minar a fé dos irmãos.

III. - O FUTURO GLORIOSO DOS QUE AMAM A CRUZ DE CRISTO (3.20,21 Mas a nossa pátria está nos céus, de onde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará o nosso corpo de humilhação, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.)

1. "Mas a nossa cidade está nos céus" (Fp 3.20 Mas a nossa pátria está nos céus, de onde esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo,). Os inimigos da cruz de Cristo eram os crentes que viviam para as coisas terrenas. Paulo, então, lembra aos irmãos de Filipos que "a nossa cidade está nos céus". Quando o apóstolo escreveu tais palavras, ele tomou como exemplo a cidade de Filipos. Segundo a Bíblia de Estudo Aplicação Pessoal, "Filipos estava localizada na principal rota de transportes da Macedônia, uma extensão da Via Ápia, que unia a parte oriental do império à Itália".
O apóstolo faz questão de mostrar que aquilo que Cristo tem preparado para os crentes é algo muito superior a Filipos (v.20). O apóstolo mostra que o cidadão romano honrava a César, porém os crentes de Filipos deveriam honrar muito mais a Jesus Cristo, o Rei da pátria celestial. Em breve o Senhor virá sobre as nuvens do céu com poder e glória, para arrebatar a sua igreja levando-a para a cidade celeste, a Nova Jerusalém (Mt 24.31 E ele enviará os seus anjos, com grande clangor de trombeta, os quais ajuntarão os seus escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.; At 1.9-11).
2. "Que transformará o nosso corpo abatido" (Fp 3.21 que transformará o nosso corpo de humilhação, para ser conforme o seu corpo glorioso, segundo o seu eficaz poder de sujeitar também a si todas as coisas.). O estado atual do nosso corpo é de fraqueza, pois ainda estamos sujeitos às enfermidades e à morte. Mas um dia receberemos um corpo glorificado e incorruptível. Os gnósticos ensinavam que o mal era inerente ao corpo. Por isso, diziam que só se deve servir a Deus com o espírito. Eles afirmavam ainda que de nada aproveita cuidar do corpo, pois este se perderá. Erroneamente, acrescentavam que o interesse de Cristo é salvar apenas o espírito.
A Palavra de Deus refuta tal doutrina. Ainda que venhamos a sucumbir à morte, seremos um dia transformados e teremos um corpo glorioso semelhante ao de Cristo glorificado (Fp 3.21; 1 Ts 5.23 O mesmo Deus de paz vos santifique completamente. E todo o vosso espírito, alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.; 1 Co 15.42-54).
3. Vivendo em esperança. Vivemos tempos trabalhosos e difíceis (2 Tm 3.1-9). Quantas falsas doutrinas querem adentrar nossas igrejas. Infelizmente, não são poucos os que naufragam na fé. Nós, contudo, à semelhança de Paulo, nutrimos uma gloriosa esperança (Rm 8.18 Para mim tenho por certo que as aflições deste tempo presente não são para comparar com a glória que em nós há de ser revelada.). Haja o que houver, aconteça o que acontecer, o nosso coração estará seguro em Deus e em sua promessa (Ap 7.17 Pois o Cordeiro que está no meio do trono os apascentará e os conduzirá às fontes das águas da vida. E Deus lhes enxugará dos olhos toda lágrima.; 21.4).

SINÓPSE DO TÓPICO (3)
À semelhança de Paulo precisamos ter a confiança de que o futuro daqueles que amam a cruz de Cristo será glorioso. 

REFLEXÃO
“A aliança deles (filipenses) com Deus do céu é tão forte que eles permaneceriam firmes na batalha contra os oponentes, o que estavam comprometidos com a perspectivas caída e os desejos terrenos. A esperança dos santos é que o céu completará o processo e os libertará, transformando seu corpo abatido”.

CONCLUSÃO
Precisamos estar atentos, pois muitos são os inimigos da cruz de Cristo. Eles procuram introduzir, sorrateiramente, doutrinas contrárias e perniciosas à fé cristã. Muitos são os ardis do adversário para enganar os crentes e macular a Igreja do Senhor. Por isso, precisamos vigiar, orar e perseverar no "ensino dos apóstolos" até a vinda de Jesus. Eis a promessa que gera a gloriosa esperança em nosso coração.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOI

Subsídio Teológico
"Cidadania e unidade celestial. 
A visão cósmica e apocalíptica de Paulo da realidade é enfatizada pelo conceito de cidadania celestial do crente (3.20). Em Filipenses 1, esse conceito vem à tona no verbo politeuesthe ('viver como cidadão'). Seu cognato, politeuma ('nação; comunidade'), aparece no capítulo 3 de Filipenses. O termo sugere relação com polis ('Cidade-estado'), isto é, a nova comunidade de Cristo, cuja origem é o céu. Por isso, Paulo escreve: 'Nossa nação [cidadania] está no céu' (3.20). Paulo afirma que esta cidadania existe hoje; não é apenas uma esperança futura. O termo, como tal, expressa uma orientação e uma identidade fundamentais dos crentes.
[...] Filipenses 1.27-30 apresenta o ponto de que a vida do crente deve ser digna dessa origem; ela deve ser digna de sua relação com o evangelho de Cristo. Isso quer dizer que se deve perseguir a união, enquanto a comunidade permanece unida 'num mesmo espírito' (v. 27) no evangelho. Na verdade não é mais necessário temer os oponentes, embora o chamado para essa nova comunidade seja para crer e para sofrer. Os filipenses, ao se entregar a esse chamado, compartilhariam a mesma luta (agõna) que Paulo empreende, e, por essa razão, eles teriam comunhão com  ele e demonstrariam sua união com ele e com Cristo em humilde serviço (1.29-2.11)". (ZUCK, Roy B (Ed.). Teologia do Novo Testamento. 1. ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2008. p.362).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOII

Subsídio Teológico
"Uma advertência solene (Fp 3.17-19)
Nos versos 1-4, Paulo adverte seus leitores contra um erro do lado judaico, a saber, o legalismo, que é submeter a vida à escravidão das leis de Moisés. Nos versos 17-21, adverte-os contra o perigo do lado pagão, a saber: a frouxidão moral.
'Sede meus imitadores, irmãos, e tende cuidado, segundo o exemplo que tendes em nós' (cf. 1 Co 11.1. Rm 16.17). O que deviam imitar? Nos versos 7-13, lemos que Paulo não tinha confiança no seu eu - próprio, que estava disposto a sacrificar todas as coisas por Cristo, que reconhecia a sua própria imperfeição e que estava grandemente desejoso para avançar com o Senhor. Sua advertência é necessária, porque há aqueles que tomam uma atitude diferente. São 'inimigos da cruz de Cristo', não por causa de qualquer hostilidade da parte deles, mas por causa das vidas que vivem. Interessam-se mais em satisfazer os seus apetites do que servir a Deus ('o deus deles é o ventre') e jactam-se das liberdades que tomam na licenciosidade e vidas impuras (2 Pe 2.19). 'Só pensam nas coisas terrenas' - alegam estar no caminho do Céu, mas amam as coisas mundanas; 'o destino deles é a destruição'. Contraste com o verso 14" (PEARLMAN, Myer. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998, pp.141-42).

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

ZUCK, Roy B. Teologia do Novo Testamento. 1 ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2008.
RICHARDS, Lawrence O.  Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1. ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2007.

SAIBA MAIS

Revista Ensinador Cristão
CPAD, nº 55, p.40.

EXERCÍCIOS

1. O que Paulo pretendia ao pedir que os filipenses o imitassem?
R. Paulo pretendia mostrar que a verdadeira humildade acata serenamente a responsabilidade de vivermos uma vida digna de ser imitada.

2. O que a dualidade entre "clero" e "leigos" remonta?
R. Remonta à velha prática eclesiástica estabelecida pela Igreja Romana, na Idade Média, onde uma elite (o clero) governa a igreja e esta (os leigos) se torna refém daquela.

3. O que significa o termo "ventre" empregado por Paulo?
R. O termo "ventre" tem um sentido figurado e representa os "apetites" carnais e sensuais.

4. A exemplo dos cidadãos romanos que honravam a César, quem os filipenses deveriam honrar?
R. Os crentes de Filipos deveriam honrar muito mais a Jesus Cristo, o Rei da pátria celestial.

5. O teu coração está seguro em Deus? Há esperança em você?
R. Resposta pessoal.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
Antigo e Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)

Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

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