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A pregação de João acerca da vinda do Cristo (Messias) – Lc 3.15-17

15 – Estando o povo na expectativa, e discorrendo todos no seu íntimo a respeito de João, se 
não seria ele, porventura, o próprio Cristo,
16 – disse João a todos: Eu, na verdade, vos batizo com água, mas vem o que é mais 
poderoso do que eu, do qual não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias; ele vos 
batizará com o Espírito Santo e com fogo.
17 – A sua pá, ele a tem na mão, para limpar completamente a sua eira e recolher o trigo no 
seu celeiro; porém queimará a palha em fogo inextinguível.
Os três primeiros evangelistas têm esse trecho em comum. A espera de todo o povo pelo “Cristo”,
o Messias, era muito viva naquele tempo. Como mencionamos no começo do cap. 3, a situação
dentro e em torno de Jerusalém na época do velho Herodes e de seus sucessores, em conexão com
promessas da antiga aliança (cf. Is 4.2-5.7; 40.1s; 52.9; Sf 3.14-20; Zc 9.9ss;12.1ss), causaram nos
israelitas devotos o anseio pelo Cristo (Messias), ou pela consolação de Israel. A esperança para
Jerusalém com vistas à espera pelo Messias também se expressa na oração das 18 petições (Quanto à
“oração de dezoito preces”, veja em Comentário Esperança, Mateus, p. 103).
Diante da opinião do povo de que ele mesmo talvez fosse o Cristo, João deu seu testemunho
humilde do Cristo vindouro (Cf. Comentário Esperança, Mateus, p. 61s, e Marcos, p. 52s).
João mantém a opinião de que não é digno de soltar as amarras da sandália daquele que batiza
com o Espírito Santo e com fogo, i. é, que ele não merece nem mesmo prestar o mais humilde
serviço de escravo ao Cristo. Nessa atitude João Batista revela humildade genuína (Cf. a esse respeito
o Comentário Esperança, Marcos, p. 52).
Conquistar milhares de pessoas com uma única palavra e direcioná-las sempre para olhar para
outro, que nem mesmo pode ser visto, para, tão logo este chegue, retirar-se modesta e até mesmo
alegremente, para que esse outro cresça – alguém já viu um caráter tão modesto e devotado, e alguém
seria capaz de confessar uma “grandeza” de cunho tão peculiar, não fosse a palavra Lc 1.15 e 80
expressão da mais pura verdade?
João afirma que o Vindouro batizará com o Espírito Santo. Dessa man eira João aponta com muita
clareza para um efeito penetrante do Espírito. Isso se torna ainda mais nítido quando ele chama esse
batismo com o Espírito também de batismo com fogo. A água toca somente a superfície, mas o fogo
penetra na substância das coisas.
Os israelitas estavam familiarizados com esse efeito do fogo no v. 16, visto inicialmente de modo
positivo, no que se refere a sua imagem de santificação, porque o fogo do altar transportava da
imanência terrena ao além da presença divina.
O fogo no v. 16 designa, ademais, a atividade do Espírito também sob o aspecto de sua atuação
negativa, uma vez que ele consome tudo o que atrapalha a formação do novo ser humano devotado a
Deus e que precisa ser aniquilado. Por conseqüência, o fogo é uma imagem de juízo, mas do juízo
misericordioso que purifica e limpa, como o fogo do ourives.
O fogo no v. 17, em contrapartida, é a imagem do juízo final que destruirá aqueles que se furtaram
ao fogo sagrado na santificação. Por isso ele também é expressamente diferenciad o do fogo no v. 16
por meio do adendo “inextinguível” i. é, eterno (cf. Mt 18.8: incessante).
A metáfora da separação do trigo e da palha na colheita igualmente descreve a atividade julgadora
do Cristo. De acordo com a profecia em Ml 3 e 4, parece que em espírito João viu o dia do primeiro e
do segundo futuro do Senhor conjuntamente. O que é dito no v. 17 refere-se a uma segunda vinda do
Senhor, a saber, o dia do último juízo. A palavra do último profeta na antiga aliança  - “todos os
soberbos e todos os que cometem perversidade serão como o restolho; o dia que vem os abrasará, diz
o Senhor dos Exércitos” (Ml 4.1) - contém aqui uma primeira confirmação no NT. Quando João
Batista diz que o Cristo tem na mão a pá, isso significa que a separação como tal já está  próxima, i. é,
o nítido contraste entre o trigo no celeiro celestial e a palha no inextinguível, eterno e incessante fogo
se manifestará em seguida, precisamente na aceitação e rejeição do Messias.
Por um lado, a ilustração do juízo que João Batista delineia para o povo de Israel acerca do Cristo
vindouro, i. é, o Messias, cuja autêntica profecia ele mesmo havia visto em uma visão conjunta da
primeira e segunda vinda do Senhor, e sua primeira concretização, quando Jesus veio e sua atividade
pública se iniciou, foram bem diferentes e, por outro lado, apesar disso exatamente iguais! Para isso,
cf. o evangelho de João, onde a rejeição incrédula do Messias também é uma peculiar representação
do juízo sobre Israel, o duro juízo como tal! Veja-se também o Comentário Esperança sobre
Mateus13, e Marcos 4, bem como sobre Paulo, em Rm 9-11. – Na realidade houve diversas tensões
injustificadas entre essa imagem de João Batista e a atuação messiânica de Jesus, que executou plena
salvação e juízo divino (Lc 7.18ss; veja, por favor, abaixo).
Em toda a pregação autêntica de Cristo persistirá uma tensão justificada, que consiste no fato de
que sempre sucedem ambas as coisas, juízo divino e graça total! A aparição de Jesus não traz consigo
nem a clemência barata nem um juízo superficial.

Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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