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A pregação de João sobre as obras do arrependimento - Lc 10-14

A chamada mensagem das categorias profissionais – Lc 3.10-14
10 – Então, as multidões o interrogavam, dizendo: Que havemos, pois, de fazer?
11 – Respondeu-lhes: Quem tiver duas túnicas, reparta com quem não tem; e quem tiver 
comida, faça o mesmo.
12 – Foram também publicanos para serem batizados e perguntaram-lhe: Mestre, que 
havemos de fazer?
13 – Respondeu-lhes: Não cobreis mais do que o estipulado.
14 – Também soldados lhe perguntaram: E nós, que faremos? E ele lhes disse: A ninguém 
maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo!
O relato apresentado nos v. 10-14 pertence ao “material exclusivo” de Lucas, i. é, constitui algo
trazido somente por Lucas. Mateus e Marcos não narraram essas palavras. Esses versículos são
chamados de pregação das categorias profissionais de João Batista.
João presenciava efeitos imediatos de sua pregação. Acerca das multidões do povo que corriam
até ele, Lucas observa que elas confessavam a João Batista os pecados, cada qual o seu próprio.
Dirigem-se a João com a indagação específica: “Que faremos?”
Que foi que João respondeu a cada pergunta das consciências? Aqui vemos com bastante nitidez
que João não tem o propósito de romper a correlação entre conversão e profissão terrena. Ele não
solicita a ninguém que permaneça com ele no deserto, mas, depois de ter constatado os sinais de um
arrependimento interior, ele remete cada um de volta à sua condição social e profissão, exigindo,
porém, dentro dessa categoria e profissão frutos verdadeiros da conversão.
A verdadeira magnitude do profeta evidencia-se no fato de que ele não transforma em lei para
seus semelhantes o modo de vida que lhe fora imposto para sua vocação especial. Ao exigir o amor
genuíno como fruto do arrependimento, João concorda plenamente com os profetas antigos (cf. Mq
6.6-8) e sobretudo com Jesus e igualmente com os apóstolos (cf. Lc 10.25-37; 1Co 13; etc.). Também
sob esse aspecto ele se insere bem na galeria de profetas e emissários de Deus.
Os funcionários alfandegários eram tão mal-afamados por causa de suas extorsões e falsidades
que não lhes era permitido prestar juramento perante autoridades judaicas.
João Batista, ao qual os publicanos tratam de “Mestre”, não lhes diz que larguem a profissão,
porém que simplesmente não cobrem mais do que o permitido ou prescrito.
João não teme dar uma resposta também às perguntas dos  soldados, que devemos imaginar como
não-judeus. A pergunta desses guerreiros gentios, “e nós, que haveremos de fazer?”, soa
extremamente preocupada. Perguntam se também para eles ainda existe uma salvação diante da ira
vindoura de Deus, porque na verdade sua profissão de forma alguma combina com a espiritualidade
judaica.
João tampouco aconselha a eles que abandonem a profissão. Convida-os a cumprir bem as ordens
de seus superiores. Não devem abusar de seu poder, i. é, não devem maltratar as pessoas com a
finalidade de extorquir dinheiro e nem chantagear com denúncias, contentando -se com seu soldo.
Os publicanos e soldados, portanto, não devem deixar sua condição social, mas renunciar aos
pecados da profissão. Eles devem produzir frutos autênticos do arrependimento justamente como
publicanos e militares convertidos.
Sintetizando: “O povo não é comprometido com a vida na pobreza, mas com a doação, e não é o
negócio pecuniário que torna o publicano culpado, mas a ladroagem. Aos que se encontram no
serviço militar não são tiradas as armas, mas são impedidos da gananciosa extorsão e de atos de cruel
violência. Não se procuram novas condições de vida para o povo, a fim de que o Cristo possa vir até
ele. Ele vem ao mundo, no qual se fazem negócios, se pagam impostos e no qual existem soldados,
para que mantenham a paz e pratiquem o amor, amor puro e verdadeiro. Em meio a esse mundo, não
ao lado dele, também João tem seu lugar. Ao vincular a palavra à pergunta feita naquele instante, a
conseqüência é que se fala exclusivamente daquilo que precisa ser feito agora. Isso confere uma
caracaterística provisória aos mandamentos de João. Suas frases não dizem nada sobre o que cabe
aos publicanos e militares fazer quando o Cristo tiver surgido. Quando o Cristo vier, sua vontade
renovada se mostrará no fato de achegarem-se a ele. Isso é dito expressamente na continuação da
narrativa. Em que consiste o arrependimento do pecador? Em que venha a Jesus. Como ele obtém o
perdão? Pelo fato de Jesus lhe conceder sua comunhão” (Schlatter).
João Batista sabe que lavar a velha sujeira não ajudará muito em longo prazo, e o presente, o
perdão dos pecados, somente se desdobrará e se comprovará corretamente quando uma nova força do
alto desenvolver e deixar crescer a nova vida. Por ser assim, na seqüência passaremos a ouvir acerca
desse poder do Espírito Santo, daquele que é maior e mais forte que João Batista, a saber, Jesus, o
Cristo.

Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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