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As Origens do Apóstolo Paulo - Lição 1 - 07 de outubro de 2012


LIÇÃO 01 – 07 de Outubro de 2012

As Origens do Apóstolo Paulo

TEXTO AUREO

“Mas o que, para mim, era lucro, isto considerei perda por causa de Cristo”. Fp 3.7

VERDADE APLICADA

É fato inegável que a linhagem, o lugar de nascimento e a cultura de Saulo de Tarso contribuíram decisivamente para que o Evangelho fosse divulgado em todo mundo antigo.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

Fp 3.4 - Ainda que também podia confiar na carne; se algum outro cuida que pode confiar na carne, ainda mais eu.
Fp 3 .5 - Circuncidado ao oitavo dia, da linhagem de Israel, da tribo de Benjamim, hebreu de hebreus; quanto à lei, fariseu,
Fp 3.6 - quanto ao zelo, perseguidor da igreja; quanto à justiça que há na lei irrepreensível.
Fp 3.8 - Sim, deveras considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; por amor do qual perdi todas as coisas e as considero como refugo, para ganhar a Cristo.

Introdução
Para compreender as origens de Paulo – aquele que se tornou o Apóstolo dos gentios, o primeiro bandeirante do evangelho ao lado de Barnabé – exige-se esforço e horas a fio, de leitura e investigação. Ao longo deste trimestre, buscaremos ler e entender sobre ele cujo labor missionário, obra social e trabalho doutrinário fizeram repercutir, através dos séculos, resultados incontestáveis acerca da fé cristã.

1. Seus dados pessoais
Estudaremos, a seguir, as origens daquele que, após Jesus, tornou-se a figura de maior expressão do Novo Testamento. Muitos são os detalhes com respeito à pessoa de Paulo, seu nome, onde nasceu e a grandeza da sua cidade natal. São informações importantes para entender um pouco mais sobre a história desse homem tão brilhante em sua época. Ele continua contribuindo enormemente para com a fé cristã através de sua vida, cartas e teologia.

1.1. Nome
O Judeu, natural de Israel, costumava ter o nome seguido pelo nome de seu pai, por exemplo, Jesus, filho de José (Lc 3.23); Tiago, filho de Zebedeu (Mt 4.21); Zacarias, filho de Ba-raquias (Mt 23.35). E, em outros textos, também é indicada a linhagem tribal ou o seu ancestral proeminente (Mt 15.22; At 13.21; Rm 11.1). Porém todo judeu da diáspora, pelo Império Romano afora, tinha dois nomes, um em hebraico e outro latino, ou grego também. O Apóstolo dos Gentios era possuidor de dois nomes, “Saulos” o mesmo que Saul que significa “o desejado”; e um nome latino “Paulus” que significa “pequeno”.


1.2. Local de nascimento
Oportunamente, Saulo exibia, com muito orgulho, a sua origem natalícia em seu testemunho pessoal (At 21.39). Para ele era uma glória proceder de Tarso e para um centurião ou tribuno romano algo cobiçável, pois ser de Tarso lhe conferia automaticamente o direito de cidadania romana por nascimento, o que era conseguido por alguns com grande soma de dinheiro (At 22.27,28). Geograficamente, a cidade de Tarso se localizava na Cilicia, que, nos dias de Paulo, pertencia à Síria por ter sido anexada por meio de Roma. Tarso era um lugar de belas paisagens, com um centro comercial muito próspero, era uma cidade portuária com grande movimentação de mercadorias e de pessoas.
Atos 21.39 - Paulo respondeu: “Sou judeu, cidadão de Tarso, cidade importante da Cilícia. Permite-me falar ao povo”. Paulo informou a Cláudio Lísias que nascera em Tarso, uma importante cidade que ficava na Cilícia. O seu desejo era válido, porquanto, a fama que essa cidade tinha, devido à sua cultura e erudição, as suas inscrições traziam a seguinte inscrição: “Metrópole autônoma”, ou seja, cidade independente, já que esse governo próprio lhe fora outorgado pelas autoridades romanas. Júlio Cesar dera aos habitantes de Tarso da Cilícia todos os direitos e privilégios da cidadania romana.
Atos 22.27,28 - O comandante dirigiu-se a Paulo e perguntou: “Diga-me, você é cidadão romano?” Ele respondeu: “Sim, sou”. O comandante já poderia estar seriamente comprometido, porquanto era reputado um crime até mesmo amarrar um cidadão romano, segundo já se fizera com Paulo. Porém, a fim de garantir que nenhum outro problema em potencial fosse criado, ele se sentia na obrigação de averiguar pessoalmente se era correta a informação que acabara de dar ao centurião.
Tarso era o que se chamava de “urbs libera” cidade livre, não era uma colônia romana, como era o caso de Filipos.
Atos 22.28 - Então o comandante disse: “Eu precisei pagar um elevado preço por minha cidadania”. Respondeu Paulo: “Eu a tenho por direito de nascimento”. Cláudio Lísias, o comandante, provavelmente era um grego que apenas recentemente obtivera a cidadania romana. Isso pode ser deduzido pelo fato de que os cidadãos recentes com frequência adotavam o nome do imperador então reinante, e “Cláudio” era o nome do imperador reinante. Messalina, esposa do imperador Cláudio, costumava vender títulos de cidadania romana por grandes somas de dinheiro, e, por causa desse exemplo real, o costume se generalizou.

1.3. Exuberância de Tarso
Por tornar-se uma célebre cidade, nos dias de Paulo, era considerada uma cidade cosmopolita, seus habitantes eram procedentes de vários lugares do Império. Havia ali um apego e um entusiasmo grande com relação ao aprendizado, chegando a tal ponto que Tarso superou Atenas e Alexandria no Egito com sua universidade. Portanto era uma cidade com forte influência grega muito ligada à filosofia, principalmente estóica. Muitos de seus habitantes eram tecelões e faziam tendas a partir de um tecido grosseiro fabricado com pelo de cabra e tudo indica que Paulo aprendeu tal profissão ali.
Escola Estóica, no grego, stoikoi, os filósofos epicureus e estóicos são mencionados uma única vez em toda a Bíblia, em Atos 17:18, quando é indicado que alguns filósofos dessas escolas puseram-se a contender com o apóstolo Paulo, em Atenas. Dentre os fatos, os filósofos estóicos também rejeitavam a ideia da ressurreição do corpo físico.
Historicamente, a Cilicia foi uma das primeiras a ser anexada por Roma à Síria, entretanto foi, através de Marco Antônio, que Tarso alcançou o status de cidade independente. Esse direito foi confirmado posteriormente por Augusto em 31a.C. Tal privilégio possibilitou aos cidadãos, ali nascidos, o direito de cidadania romana, o que foi conferido a Paulo, se bem que não se sabe a data de seu nascimento, mas calcula-se que Paulo tenha nascido entre 5e8d.C.

2. Origem familiar
A história não nos fornece informações precisas com respeito à família de Paulo, nem se realmente foi casado ou não, mesmo sendo ele capaz de discorrer com maestria sobre relação conjugal. Todavia podemos facilmente compreender o valor que Paulo dava à família. As instruções precisas e os conselhos sábios contidos na sua correspondência às igrejas demonstram fartamente isso.

2.1. Hebreu de hebreus
Apesar de não ser mencionado o nome do pai e nem da mãe de Paulo em nenhuma parte do N.T., sabe-se perfeitamente que ele é de ascendência hebraica. Ora, uma coisa importante de saber-se é que para ser considerado israelita, tem de necessariamente ser filho de mãe judia, logo era realmente hebreu, circuncidado ao oitavo dia (Fp 3.5). Portanto isso quer dizer que ele era filho segundo a carne de Abraão, Isaque e Jacó, pertencente à linhagem da tribo de Benjamim (Rm 11.1; Fp 3.5). Não sabemos que circunstâncias levaram os ancestrais de Paulo a imigrar à região da Cilicia e instalarem-se em Tarso. Dentre as várias hipóteses que se possa levantar, uma é a de que seria descendente de um ex-escravo que teria sido prisioneiro de guerra, e a outra, a mais aceita, é de que sua família estaria dentre os judeus da diáspora que moravam numa enorme colônia judaica da época.

2.2. Pais
Seu pai era fariseu, isso significa que era membro de um grupo religioso em Israel muito rigoroso quanto à Lei de Moisés e os costumes dos antepassados (At 23.6). Como vários fariseus daquela época tinham seu próprio negócio, era possível que o pai de Paulo fosse um homem assim também, pois pôde financiar os estudos do filho em Jerusalém, o de natureza superior, quando este ainda era bem jovem. Como todo pai dedicado, queria posicionar bem o filho na sociedade judaica de sua época. Não há qualquer registro do nome do pai e da mãe de Paulo. Mas seria o menino Saulo filho único? Claro que não, pois tinha uma irmã provavelmente mais velha - ela morava em Jerusalém e tinha um filho jovem na época em que estava preso na Fortaleza de Antonia. Foi esse moço, seu sobrinho, que o livrou da morte através de informação sigilosa, de uma conspiração dos judeus para tirar-lhe a vida durante o seu translado para Cesaréia (At 23.16-24).

2.3. Outros parentes
Na Carta de Paulo aos Romanos, capítulo 16, nas saudações finais; dentre as 36 pessoas mencionadas, três são apontadas como parentes seus quando diz, “Saúda Adrônico e Júnias, meus parentes” (v.7); e em seguida, escreve: “Saudai meu parente Herodião” (v. 11). Daí se conclui que, além de ter parentes, eles eram fiéis que pertenciam à Igreja que estava em Roma. Cremos que, a partir da sua conversão, muitos vieram a se converter depois, ainda que não tenha sido resultado de seu trabalho direto, pois o cristianismo se espalhou no mundo antigo chegando também a Roma rapidamente.
O fato em si de pertencer à descendência de Abraão, ser benjamita circuncidado era para Paulo de Tarso um orgulho, do ponto de vista religioso, e do ponto de vista social chegava a ser uma ostentação. Mas, depois de convertido a Cristo Jesus, o que era reputado por ganho, passou a ser considerado perdido por amor ao Filho de Deus, como escória e algo sem sentido; no afã de conquistar Cristo cada. vez mais. Porém isso só aconteceu depois de sua conversão. Um verdadeiro encontro com Deus nos traz mudanças indeléveis tanto no pensar quanto no agir; evangelho sem transformação é apenas uma religião sem vida.

3. Cultura e personalidade
Sabemos que Paulo estava bem posicionado em sua época, até porque isso lhe garantiria livre trânsito por todo Império Romano. Se Paulo vivesse em nossos dias, com certeza procuraria estar na dianteira, não por uma questão de ostentação, mas pelo rápido deslocamento, livre acesso a todos os lugares possíveis até por uma questão de segurança em tempos de perseguição. Que bom seria ver os obreiros de nossas igrejas buscando tal melhora e aperfeiçoamento.

3.1. Cultura judaica e grega
Quando Paulo era pequeno em Tarso, como toda criança judia, ia à escola que ficava ao lado da sinagoga. Aos cinco anos, iniciava seu aprendizado elementar sobre a lei de Moisés baseado em Deuteronômio, e estudava também os Salmos (113 a 118), nos anos subsequentes, estudava a história de Israel e, entre outros estudos, aos doze anos, tinha que aprender, aos pés de um rabino, uma série de preceitos orais e divinos, essa fase pode ter acontecido tanto em Tarso quanto em Jerusalém, pois ele se mudou para lá, ainda bem novo, como ele mesmo chegou a dizer em Atos 22.3. “Mas criei-me nesta cidade (Jerusalém)”. Posteriormente Paulo fez o seu curso superior aos pés de Gamaliel, renomado mestre da sua época, como ele mesmo testemunhou: “aqui fui instruído aos pés de Gamaliel”. Paulo é reconhecidamente o homem mais culto dentre os apóstolos. Mas isso não aconteceu por acaso, seus pais investiram em sua instrução.
Será que entendemos bem o significado de igreja? E, como pais, o que estamos investindo para crescimento d.e nossos filhos? Será que os estamos preparando para irem além de nós? Para se tomarem úteis à sociedade e a Deus? Para seguir nosso legado? Afinal, o que estamos deixando para nossa posteridade? Filhos úteis ou problemáticos?

3.2. Evidência de amplos conhecimentos
O mundo antigo estava sob o domínio romano, mas impregnado da cultura grega. Assim, ser bem sucedido e ter “status” social era de vital importância naquela época. No currículo de Paulo, constavam idioma grego, filosofia, história e lendas. Basta olharmos para suas cartas e veremos citações gregas e pensamentos filosóficos comuns, sua viagem a Atenas e seu discurso no areópago para eliminar quaisquer dúvidas sobre a sua vasta cultura postas a serviço do reino de Deus após sua conversão. Outra coisa digna de nota é que Paulo, ao escrever a “Carta aos Romanos”, o maior tratado acerca da salvação, fê-lo em tom jurídico, pois o direito fascinava os romanos.

3.3.  Personalidade de Paulo
Paulo era uma pessoa decidida, com conceitos firmes e de muita atitude. Tinha um temperamento voltado para a liderança, nasceu para o comando e sabia desenvolver uma equipe de voluntários num trabalho árduo e sem recompensa financeira. Era uma pessoa capaz de despertar profundo amor e ódio nas pessoas, por ser ele um homem verdadeiro, muito trabalhador e cheio de zelo e de docilidade ao mesmo tempo. Tão foi o apóstolo, que, por mais que se fale a seu respeito, ainda é pouco. Porém o que sabemos a seu respeito é o suficiente para o seguirmos e o imitarmos como ele mesmo disse: “sede meus imitadores, como eu sou também de Cristo” (ICo 11.1; Fp 3.17; lTs 1.6; 2.14; 2Ts 3.7,9; Hb 6.12).
Há, sempre, em nós, um interesse em saber sobre a aparência de Paulo, e nos perguntamos, corno era a sua fisionomia. Não é mesmo? Mas não há quaisquer relatos bíblicos que tratem acerca do assunto. Os coríntios relataram assim sua aparência. “Suas cartas são graves e fortes, mas a presença pessoal dele é fraca” (2Co 10.10). Há relatos do II século de que Paulo era de estatura baixa, calvo, de pernas tortas e barba pontuda. Em sua velhice, a sua saúde era um tanto debilitada, mas são relatos que não podemos ter certeza dada sua longitude no tempo e a I falta de outros testemunhos comprobatórios.

Conclusão
Qualquer um que olhasse para o jovem Paulo de Tarso veria nele um fanático, perseguidor soberbo. Mas Deus que vê além do óbvio, do natural, do presente, das origens e das intenções ij do coração, olhou e viu, naquele moço, um poderoso aliado; viu nele um vaso útil para depositar os tesouros do Reino e utilizou-se de tudo quanto Paulo tinha para o futuro engrandecimento da Sua obra aqui na terra. Maravilhosa visão de Deus que deu, a sua Igreja, tal homem como presente.

QUESTIONÁRIO

1. Por que Saulo tinha dois nomes?
R. Porque todo judeu da diáspora usava dois nomes, um em hebraico e outro latino.
2. Como Saulo identificava e reconhecia sua cidade natal (Tarso)? 
R. Cidade bastante célebre.
3. Que tipo de filosofia mais influenciava Tarso.
R. A filosofia estóica.
4. Quais os nomes dos pais de Saulo de Tarso?
R. Não há registro dos nomes deles.
5. Como era a personalidade de Paulo?
R. Decidida, com conceitos firmes e de muita atitude.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
O Antigo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento 
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Comentário Bíblico - F. B. Meyer
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)
Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

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