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Em Deus nada é impossível - Lc 1.26-38

Conforme depreendemos da história anterior, o sacerdote retornou calado do templo. Não podia
anunciar ao povo a maravilhosa mensagem da proximidade do Messias, mas tinha de levá-la consigo
às montanhas, como um segredo cerrado. Isso já trazia indícios de que o sistema do templo chegaria
ao fim.
De forma totalmente diferente apresenta-se agora a segunda história. Ela não sucede a um
sacerdote, mas a uma jovem israelita. Não acontece no templo, mas em Nazaré da Galiléia; não ao
queimar incenso no altar, mas na singela habitação da jovem Maria. Maria, porém, não acolhe o
mensageiro divino com incredulidade, e sim com fé. No caso de Zacarias foi dito: “O anjo
apareceu”, e aqui se ouve: “O anjo entrou” (v. 28). Aquele ouviu a promessa de que sua esposa, a
idosa Isabel, lhe daria à luz o “precursor” do Messias, e ele duvidou. Maria, no entanto, ouviu a mais
estranha mensagem, de que ela daria à luz o próprio Messias, o “Filho de Deus”, mesmo virgem, e  –
estava pronta para crer! O sacerdote precisa carregar a mensagem celestial mudo para sua casa, e
somente depois que seu filho nasce ele reencontra a fala. Maria, por sua vez, está imediatamente
repleta de bendita alegria e se apressa para ter com Isabel, a fim de anunciar sua felicidade com
louvor e gratidão. Esse é o contraste entre a velha e a nova aliança.
Independentemente dessa disparidade, na qual já se anuncia a magnitude da nova aliança sobre a
antiga, a excelência do cristianismo sobre o judaísmo, não deixa de ocorrer a mais íntima relação de
parentesco entre a velha e a nova alianças. Ambas as proclamações são trazidas pelo mesmo anjo! Na
segunda proclamação o anjo até mesmo aponta para a primeira. Um é  filho tardio do idoso casal de
sacerdotes, que já ultrapassou “a sua época”, o outro é o primogênito de uma virgem. O nascido
tardio é enchido do Espírito Santo no ventre materno, o segundo é gerado e nascido pela  sobrepujante
atuação de Deus na virgem pelo poder do Espírito Santo.
“A hora em que aconteceu o que nos é relatado aqui era sagrada, uma hora que concederia à
virgem o filho, ao mundo o Redentor, à terra uma nova vida, à humanidade o Filho de Deus  – a hora
da concepção de Cristo, a hora da descida da palavra de Deus, do Logos (Jo 1.1), sobre a terra, para
dentro da carne! Para ler essa história são necessárias devoção e uma mente de seriedade santa.
Cumpre lê-la com adoração e humildade (Êx 3.5)” (Heubner).
A proclamação da maravilhosa origem de Cristo da “virgem” já é profetizada no paraíso em Gn
3.15. Essa promessa, que fala da semente da mulher, e não da semente do homem, exclui o homem
expressamente dessa geração. Nas genealogias do AT os israelitas se apegavam com tanta
intensidade à ascendência masculina que, com exceção dessa promessa ( Gn 3.15), em lugar algum se
fala entre eles de outra coisa que não da semente do homem.
Quanto ao nascimento virginal, cf. também Gl 4.4, onde Paulo não diz nada a respeito de “gerado
do pai”, mas escreve: “nascido de mulher”.
26 – No sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado, da parte de Deus, para uma cidade da 
Galiléia, chamada Nazaré.
De Jerusalém e do templo o relato nos transporta a uma pequena cidade provincial, à casa de uma
moça desconhecida. Do contexto sacerdotal chegamos à vida privada do israelita comum. – A
referência de tempo no sexto mês corresponde aos cinco meses do v. 24. Chegou o momento em que
Isabel pôde sair de sua reclusão e ser reconhecida como aquilo  que ela era. Deus esperou por esse
momento a fim de acrescentar a essa primeira ação a promessa de uma outra ainda maior. O nome
Galiléia designa a borda setentrional da Palestina, na fronteira com a Fenícia. O nome completo
dessa parte do território era “círculo dos gentios”, por causa dos muitos gentios que habitavam essa
região (cf. Is 9.1, onde se fala da Galiléia dos gentios). Por isso essa terra de fronteira era desprezada
pelos judeus ortodoxos. Agora o anjo de Deus se dirige para lá, a fim de anunciar o Filho unigênito
de Deus, o alvo de todas os prenúncios proféticos. E a cidade se chama Nazaré. Ela jamais é
mencionada no AT.
27 – A uma virgem desposada com certo homem da casa de Davi, cujo nome era José; a 
virgem chamava-se Maria.
Duas vezes, no começo e no final do v. 27, enfatiza-se que o envio do anjo não se destinava a uma
mulher casada, mas a uma virgem. No final do versículo não é usado o pronome “ela”, mas retorna
expressamente o termo “parthenos”, i. é, virgem. O anjo não é enviado ao palácio de uma pessoa
grande e rica, mas à humilde morada de uma pobre virgem. E quem era essa virgem, essa Maria,
escolhida desde a eternidade para ser a mãe de nosso Redentor, a mulher cuja semente há de esmagar
a cabeça da serpente? É estranho como a Escritura silencia a esse respeito. Tudo o que sabemos a
respeito dela, de sua condição social, seu caráter, sua vida e suas experiências restringe -se a poucos
traços relatados para glorificar seu filho. Esses poucos traços, porém, nos permitem lançar olhares
profundos. São suficientemente ricos para que sintamos a plenitude com que o Senhor agraciou essa
sua serva. Talvez explicações mais amplas teriam resultado em excessiva honra para Maria. A
Escritura, porém, promove tão-somente a honra de Deus. A adoração de Maria praticada pela Igreja
Católica Romana não tem fundamento na Escritura. Maria era a noiva de José. O Senhor havia
providenciado a união dos dois porque seu propósito era conceder à virgem um protetor e vigia que
haveria de defender o nascimento estranho das fofocas e assegurar à criança o direito à cidadania em
Israel.
Será que as palavras da casa de Davi se referem a José, ou a José e Maria, ou somente a Maria?
As palavras referem-se unicamente a Maria. Dessa forma visa-se assinalar que, segundo a exposição
de Lucas, Maria era da descendência de Davi (cf. v. 32 e 69). A origem davídica de José é atestada
em Lc 2.4, bem como na genealogia em Mateus e por intermédio do título “filho de Davi”, atribuído
publicamente ao Redentor.
28 – E, entrando o anjo aonde ela estava, disse: Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é 
contigo!
O mesmo mensageiro que já proclamara o Messias no AT aparece pela segunda vez e chega até
Maria. A palavra grega para “favorecida” designa mais do que uma pessoa agraciada por meios
naturais. Aconteceu algo especial com ela, enviado da parte de Deus. A saudação “Alegra-te, muito
favorecida, o Senhor [é] contigo!” também é particularmente marcante e relevante pelo fato de que
nem sequer fazia parte dos bons costumes saudar uma mulher. Isso igualmente fica claro numa
palavra de oração judaica: “Agradeço-te, Deus, que não me criaste como gentio, como leproso ou
como mulher.”
Com a saudação da graça abriu-se o NT. Um novo mundo foi inaugurado: o mundo da graça.
29 – Ela, porém, ao ouvir esta palavra, perturbou-se muito e pôs-se a pensar no que 
significaria esta saudação.
O susto da virgem constitui uma prova de que ela não é sem pecado, como considera a Igreja
Católica Romana, adorando-a por isso. Se não tivesse pecado, ela permaneceria impassível, sem a
menor consternação diante do anjo. É sempre um indício de pecaminosidade que a aproximação do
mundo invisível suscite temor nas pessoas (Is 6.5; Lc 5.8). – No entanto, em Jesus não constatamos o
menor susto quando anjos se achegam a ele (cf. as histórias da tentação, da transfiguração, do
Getsêmani).
30 – Mas o anjo lhe disse: Maria, não temas (não permaneças em teu temor); porque achaste 
graça diante de Deus.
A expressão “achar graça” designa uma demonstração de graça que lhe está sendo concedida.
31 – Eis que conceberás e darás à luz um filho, a quem chamarás pelo nome de Jesus.
As formulações utilizadas pelo anjo lembram Is 7.14: “A virgem conceberá e dará à luz um filho e 
lhe chamará Emanuel.” Jesus significa: “Deus é salvação ou redenção.”
32 – Este será grande e será chamado Filho do Altíssimo; Deus, o Senhor, lhe dará o trono 
de Davi, seu pai.
33 – Ele reinará para sempre sobre a casa de Jacó, e o seu reinado não terá fim.
Portanto, Ele será chamado “Filho do Altíssimo”, Filho de Deus, do Criador e Mantenedor do céu
e da Terra. Se Maria tivesse compreendido integralmente o que diz essa palavra,  a infinita grandeza
daquele que ela deverá carregar sob o coração e nutrir com seu sangue, de modo algum o teria podido
suportar!
É bem verdade que houve outras pessoas de nome Jesus ou Josué, porém nenhuma delas era
aquilo que o nome diz, a saber, alguém que torna bem-aventurado, i. é, alguém que redime seu
povo dos pecados.
É bem verdade que houve pessoas chamadas grandes, porém nenhuma no sentido pleno da
palavra, como o Messias Cristo, que era grande e verdadeiro em sua divindade, grande e verdadeiro
em sua humanidade, grande em seus milagres, grande em seu ensinamento, grande em seu agir. Não
houve ninguém que por natureza e essência fosse simultaneamente Filho do Altíssimo, Filho eterno
do Pai eterno, resplendor de sua glória e réplica de sua natureza, e cuja obra por isso é tão
importante. Houve igualmente reis, reis assentados no trono de Davi e que governaram sobre a casa
de Israel, mas não que fossem eternos, reis da verdade ou duques da bem-aventurança ou príncipes
da paz e da vida, como Jesus Cristo o foi.
É uma estranha magnitude, essa que começa em um estábulo, acaba em uma cruz e no meio tempo
é carregada de sofrimento, opróbrio e tristeza. Grande não é necessariamente aquele que apregoa a
Cristo poderosamente diante de uma multidão gigantesca. Grande é aquele que, ao anunciar o
Senhor, é expulso das casas, alvejado com pedras, e então segue adiante, tentando a mesma coisa em
outro local. Cumpre, pois, lembrar aquelas pessoas diante das quais o Senhor e Mestre caminha com
a coroa de espinhos, escarnecido, ofendido e açoitado. – “Olha para Cristo, pondera o que ele
merecia e o que lhe foi feito aqui na terra: que direito, que exigências tens tu, para que estejas em
melhor condição do que ele, e que obtenhas honra, enquanto ele tinha de sofrer humilhação? Aprende
que a vergonha que te torna semelhante ao Jesus desprezado constitui verdadeira grandeza.”  –
Maiores que a saúde são com freqüência a enfermidade e fraqueza, porque a glória da alma crente,
que consiste em humildade, submissão e perseverança, transparece mais nitidamente através do
invólucro passageiro (Rieger, Müller).
34 – Então, disse Maria ao anjo: Como será isto, pois não tenho relação com homem algum?
A virgem, chamada a tornar-se mãe de Jesus, não pode retroceder diante da possibilidade de
tornar-se um enigma para seu noivo e para o mundo. Pois, no instante em que está para tornar -se a
mãe daquele que não terá receios de levar uma vida de humilhação e não terá medo de suportar o
opróbrio e a vergonha do mundo, também ela precisa demonst rar a coragem de trilhar os caminhos
de Deus e consentir na agonia de morte, i. é, precisa aparentar ser moça desonrada diante do mundo.
Com certeza não havia coisa mais terrível para uma moça pura. Daí sua pergunta: “Como será isto?”
35 – Respondeu-lhe o anjo: Descerá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te 
envolverá com a sua sombra; por isso, também o ente santo que há de nascer (ser gerado) será 
chamado Filho de Deus.
De acordo com Mt 1.20 “to gennomenon” é derivado de “gennao”, não “que há de nascer”, mas
“que é gerado” (gennao significa gerar).
Aquilo que está sendo gerado em Maria é chamado o santo, não um ente santo, provavelmente
para que entenda que a criança não será primeiramente santificada pela graça, como as pessoas santas
do AT e NT. Na verdade ela é, desde o primeiro instante em que é gerada, a coisa santa, i. é, aquilo
que não tem máculas de pecados (Dn 9.24), que não tem pecado.
Houve quem cismasse em perguntar como, afinal, seria possível que de Maria nascesse algo sem
pecado. Porque da carne pecaminosa de Maria a criança somente poder obter carne pecaminosa. Mas
aqui no v. 35 é dito expressamente que a criança não será algo santo por nascer da  virgem – sem
cooperação do homem –  mas pelo fato de que o Espírito Santo veio sobre a virgem, a fim de gerar a
criança dentro dela. Deve-se a essa geração pelo Espírito Santo que o Filho de Deus veio de Maria
“sem pecado”.
Como é extremamente delicada e suave a expressão o poder do Altíssimo te envolverá com a
sua sombra! Provavelmente a idéia seja a de uma nuvem. No povo de Israel a nuvem era sinal da
presença graciosa e glória de Deus. Quando somos rodeados por nuvens ao escalar uma montanha,
ficamos completamente envoltos por elas e não vemos nada além das nuvens. Desse modo também
Maria deve ter estado completamente envolta e rodeada pelo Espírito Santo. Essa vinda do poder do
Altíssimo e esse envolvimento pela nuvem de Deus no Espírito Santo devem ter sido tão completos
que Maria não viu e nem sentiu nada além da simples presença da nu vem da graça do Espírito Santo,
que causou a vinda do Redentor como criancinha sem pecado.
Se o Senhor Jesus não tivesse sido gerado pelo Espírito Santo, mas apenas plenificado com o
Espírito Santo, ainda que já no ventre materno como no caso de João, ou somente por ocasião do
batismo, ele teria sido mero ser humano, uma pessoa pecaminosa (talvez o maior dos profetas, mas
nunca e jamais o Filho unigênito de Deus). Seu nome é Filho de Deus não por causa de quaisquer
façanhas extraordinárias ou por causa de uma graça que posteriormente se derrama sobre Ele, mas
por ter sido em essência e desde a eternidade o Filho perpétuo de Deus – por isso ele também
continuou sendo o Filho de Deus no momento de se tornar humano, em virtude de sua maravilhosa
geração, ocorrida a partir de Deus por intermédio do Espírito Santo. Cristo é  verdadeiro Deus,
porém da mesma maneira verdadeiro ser humano. Jesus é o único ser humano que certamente
precisava nascer, mas não renascer. Seu nascimento, porém, é metáfora e causa de nosso
renascimento.
O anjo não diz nada a Maria sobre a eterna igualdade e comunhão com Deus desde antes da
fundação do mundo, por causa da qual o próprio Messias-Cristo pôde afirmar mais tarde: “Antes que
Abraão existisse, eu sou” (Jo 8.58). Não o diz porque ela simplesmente não o teria entendido. Sobre
isso ele ainda mantém estendido o véu.  – Também hoje o Senhor ainda revela tudo no devido tempo.
O Senhor manifesta apenas tanto quanto conseguimos suportar (Rm 8.23; 1Jo 3.2). – Jesus é o Filho
de Deus, isso bastava para Maria. Nós somos filhos de Deus, isso basta para nós. Aqui há sabedoria e
graça a um só tempo.
Entretanto, notemos ainda o seguinte: o segundo Adão, o Filho de Deus, não sai como o primeiro
Adão, diretamente da mão de Deus, mas é nascido de um ser humano, a fim de ser verdadeiramente
partícipe de nossa natureza humana e tenha, pelo parentesco de sangue, comunhão com toda a nossa
geração, igual a seus irmãos em todas as coisas, a fim de que se torne um sumo sacerdote
misericordioso e fiel perante Deus, para reconciliar os pecados do povo (Hb 2.17). Por essa razão ele
tampouco se envergonha de nos chamar de seus irmãos, a saber, a todos os que crêem em seu nome,
que também não são nascidos do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade de um humano, e
sim de Deus (Jo 1.12s).
36 – E Isabel, tua parenta, igualmente concebeu um filho na sua velhice, sendo este já o sexto 
mês para aquela que diziam ser estéril.
É difícil identificar o grau de parentesco que existia entre Maria e Isabel, a filha de Arão (v. 5).
Sem que tenha sido solicitado, o anjo fornece a Maria um sinal, enquanto interpreta a solicitação
de um sinal por parte de Zacarias como incredulidade. Por quê?
Porque aqui, no caso de Maria, a coisa mais sublime do mundo está sendo confiada a um ser
humano mortal.
37 – Porque para Deus não haverá (palavras) impossíveis em todas as suas promessas.
Cf. Gn 18.14; Jr 32.17,27; Zc 8.6; Mt 17.20 (literalmente) “Em Deus nenhum dito é sem força”
(também  Rm 4.17). Deus criou Adão, não apenas sem contribuição do homem, mas igualmente sem
contribuição de uma mulher. Deus criou Eva com a contribuição de um homem e sem a contribuição
de uma mulher. Nada mais fácil do que crer que também Jesus pode ser chamado  por Deus à
existência humana sem contribuição de um homem, mas com a contribuição de uma mulher.
Porventura nosso Deus não criou céus e terra a partir do nada, sem que qualquer coisa tenha
servido de matéria-prima para isso? Será que ele não sustenta ainda  hoje todas as coisas com sua
poderosa palavra? Acaso não lhe está subordinado tudo, realmente tudo, e por isso tudo não lhe é
possível?
Não há como expressar a infinita plenitude de fortalecimento da fé que reside no fato de que o
Senhor é onipotente. Sim, o que é impossível aos humanos, isso é possível para Deus (cf. Mt 19.24 -26).
38 – Então, disse Maria: Aqui está a serva do Senhor; que se cumpra em mim conforme a 
tua palavra. E o anjo se ausentou dela.
Era um instante decisivo na vida de Maria. Pode-se afirmar que no v. 38 era fundamental para
Maria que nesse instante fosse encontrada como obediente e com fé. Chegou a hora em que a
incumbência de Deus a alcançou e em que ela tinha de dizer sim a essa solicitação. O sim, no
entanto, era sinal de fé, como está escrito: “Eu noivarei contigo pela fidelidade” (Os 2.20  – TEB).
Louvado seja Deus, porque ela consentiu com toda a singeleza. Com esse sim ela se decidiu a ser
escrava do Senhor por toda a vida subseqüente. Ela ainda não tem noção de todas as lutas associadas
a essa decisão, mas ela está firme, como se estivesse postada sobre uma rocha na qual as vagas
bravias precisam arrebentar-se.
Em sua singeleza Maria olhou para um único ponto, para a graça do Senhor, esquecendo -se de si
mesma. Isso torna-a a mais audaz heroína da fé, isso permite-lhe dizer “sim” e “amém” com tamanho
destemor às maiores promessas; isso leva-a a aceitar imediatamente, sem vacilar um instante sequer,
nem consultar sua carne e sangue, a maior de todas as graças e honras.
Quando será possível também hoje que o filho e a filha de Deus se tornem um servo ou serva
abençoados do Senhor? No dia em que o filho e a filha de Deus se entregarem a seu Deus como fez
Maria, de forma tão crente, renunciando tanto a si mesma, tão disposta a sofrer, tão rendida, tão
obediente, tão alegre, para o que der e vier na morte e na vida.
Por isso, filhos e filhas de Deus, não se intrometam nos planos dele, não lhe prescrevam mais
nada. Contudo permitam que todos os seus anseios, toda a sua alegria, sua honra,  sua bemaventurança passem a ser que os mandamentos e as promessas dele se cumpram a vocês, em vocês e
através de vocês, e que ao morrer vocês possam declarar ainda com o último hálito: “Aqui está teu
servo, tua serva. Faze comigo como queres e o que tu queres!”
Jesus Cristo há de crescer nas pessoas em cujo íntimo estiver esse pensamento, na proporção em
que tudo o que é próprio diminuir cada vez mais.
Besser, comentarista bíblico, afirma: “Maria tornou a cobrir de honra a mulher. A incredulidade
de Eva trouxe pecado e morte – a fé de Maria, no entanto, ajudou para que viesse aquele que redime
do pecado e da morte.”
O Dr. Eichhorn declara: “Maria carregou duas coisas: 1. A honra da fé perante Deus e todos os
filhos e filhas de Deus, e 2. O opróbrio da fé perante o mundo incrédulo. Em todos os tempos, cães e
porcas lhe atribuíram sua própria impureza. – Nós, porém, enaltecemos a Deus, que encontrou o
caminho para confiar à humanidade o Salvador.”
Stockmayer explica: “A última palavra dos lábios de Isabel, que se tornava mãe de João Batista,
foi: O Senhor anulou o meu opróbrio, enquanto Maria desde o início estava disposta a tomar sobre si
o opróbrio.”
Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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