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Expulso da sinagoga de Nazaré, Jesus passa a atuar na sinagoga de Cafarnaum. – Lc 4.31-37

A alegria de saudar o Cristo, i. é, o Messias foi concedida de maneira singular à cidade
Cafarnaum, situada na margem ocidental do lago de Genezaré, não longe da foz do Jordão.
Localizada na via comercial entre Damasco e o mar Mediterrâneo, tornara-se uma cidade próspera.
Nessa cidade Jesus fixou residência, a fim de torná-la centro de suas peregrinações missionárias.
Aqui ele parece ter morado geralmente na casa de Pedro. Não tinha uma “casa própria” (Mc 1.29; Lc
9.58; Mt 8.20). O destaque concedido desse modo a Cafarnaum levou o evangelista Mateus a
recordar as palavras proféticas de Isaías: “Caminho do mar, além do Jordão, Galiléia dos gentios! O
povo que jazia em trevas viu grande luz, e aos que viviam na região e sombra da morte resplandeceulhes a luz” [Mt 4.15s].
De fato aquele rincão era o mais desprezado da terra judaica, longe da residência visível do povo
eleito, violado por e mesclado com gentios. Agora esse rincão era o cenário da revelação da glória do
Senhor. O Senhor ensinava no poder da verdade da palavra divina, não como os escribas, na inanição
da fórmula morta.
31 – E desceu a Cafarnaum, cidade da Galiléia, e os ensinava no sábado.
32 – E muito se maravilhavam da sua doutrina, porque a sua palavra era com autoridade 
(exousia).
33 – Achava-se na sinagoga um homem possesso de um espírito (pneuma) de demônio 
imundo, e bradou em alta voz:
34 – Ah! Que temos nós contigo, Jesus Nazareno? Vieste para perder-nos? Bem sei quem és: 
o Santo de Deus (hagios tou theou)!
35 – Mas Jesus o repreendeu, dizendo: Cala-te e sai deste homem. O demônio, depois de o 
ter lançado por terra no meio de todos, saiu dele sem lhe fazer mal.
36 – Todos ficaram grandemente admirados e comentavam entre si, dizendo: Que palavra 
(logos) é esta, pois, com autoridade (exousia) e poder (dýnamis), ordena aos espíritos imundos, e 
eles saem?
37 – E a sua fama (eco) corria por todos os lugares (topos) da circunvizinhança.
Lucas tem predileção por acentuar a “autoridade” (exousia) e a “força” (dýnamis) de Jesus.
A atividade letiva de Jesus estava alicerçada sobre a autoridade de Deus. Ele era um profeta
capacitado por Deus, que não carecia de autenticação humana como os demais mestres do povo.
Nessa autoridade e nesse poder Jesus pregava, ensinando abertamente o povo aos sábados nas
sinagogas.
A palestra doutrinária de Jesus na sinagoga foi interrompida por um possesso. Podemos ficar
admirados pelo fato de que uma pessoa que sofria da possessão e devia ser considerada impura se
encontrasse na sinagoga. Contudo, esta enfermidade, que em casa talvez se manifestasse apenas em
surtos ocasionais, deve ter-se mostrado aqui pela primeira vez de forma flagrante e ma is terrível que
até então. A presença e o ensinamento de Jesus fê-la eclodir. Na expressão “um espírito (hálito) de
um demônio impuro” o termo “espírito” designa a influência, a palavra “demônio impuro” a natureza
do satânico.
[34] Em conjunto com todo o reino demoníaco, este espírito afirma: “Que temos nós contigo,
Jesus?”, rejeitando o que na realidade não consegue negar, a saber, que pela sua vocação Jesus se
oporá a ele e a todo o reino dos maus espíritos. Para ele o Redentor parece um destruidor.
Mas o Senhor, e posteriormente também seus servos (At 16.17s) nem de longe pensavam em
aceitar a confissão ou o testemunho do espírito de um demônio. Jesus dedicava todos os seus
amorosos esforços às pessoas possessas, que eram tão terrivelmente torturadas, a fim de ajudá-los.
Aos próprios demônios, porém, o Senhor repreendeu com autoridade e poder, porque são
incorrigíveis.
[35] Onde o Espírito de Deus predomina, o ser humano submete sua força livremente ao serviço
da obra de Deus. Onde, porém, habita um demônio, o ser humano torna-se instrumento involuntário
do poder das trevas. A ira do demônio comunica-se à alma do possesso. Ela é forçada a exteriorizar
os pensamentos do demônio por intermédio da sua fala. O demônio é um espírito violento. Ele
empurra o espírito humano para o lado, impondo em seu lugar um domínio nefasto e escravizador.
Jesus, porém, compadece-se do possesso. Interpela o demônio poderosamente com a palavra de
autoridade: Cala-te e sai dele. Então o espírito impuro agita o pobre homem. Ele  corre para o meio
da assembléia. Gritos, sons agudos saem dele. Mas este foi o último surto de fúria.
[36] O poder demoníaco soltou-o, e a última e terrível cena, em que o espírito imundo parecia
tentar destruí -lo, não o ferira em nada. Uma estarrecida ad miração toma conta dos presentes. Essa
admiração temerosa de todas as testemunhas oculares constitui a prova de que a cura do possesso foi
o primeiro milagre dessa espécie em Cafarnaum. A admiração apavorada de todos os presentes
expressa-se pela exclamação geral que lemos no v. 36: Que palavra é essa, que ele ordena com
autoridade e poder aos espíritos imundos, e eles saem?
A impressão já causada pela pregação foi intensamente reforçada pela ação e redundou em que a
pregação fosse reconhecida como profética.

Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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