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Jesus cura à noite enfermos e possessos – Lc 4.40s

40 – Ao pôr-do-sol, todos os que tinham enfermos de diferentes moléstias lhos traziam; e ele 
os curava, impondo as mãos sobre cada um.
41 – Também de muitos saíam demônios, gritando e dizendo: Tu és o Filho de Deus! Ele, 
porém, os repreendia para que não falassem, pois sabiam ser ele o Cristo (Messias).
Durante o pôr-do-sol Jesus desempenhou ainda uma intensa atividade de cura. Era o momento do
dia em que o descanso do sábado chegava ao fim.
[40] A expressão pôr-do-sol no v. 40 refere-se ao sol do entardecer (não, como também se traduz:
quando o sol se havia posto). Revela a impaciência com que esse momentos era esperado, não porque
então diminuía o calor, como pensaram alguns, mas porque então acabava o sábado e a partir desse
instante era permitido carregar enfermos sem transgredir a  lei (cf. Jo 5.10).
A cura de muitos possessos recebe destaque especial. O forte testemunho destes a respeito da
filiação divina de Jesus levou-o a proibir-lhes de falar sobre isso, em tom ameaçador e eficaz. O
Senhor Jesus não visava obter o reconhecimento de seu povo por meio desses testemunhos e sinais.
Não podia alicerçar sua função de Messias sobre os testemunhos de uma esfera da vida tão
demoníaca e sombria. Ameaçou-os e não os deixava terminar de falar. O episódio noticiado no reino
dos espíritos malignos pelo menos desde a história da tentação, de que Jesus é o Messias, o Cristo,
não deve ser divulgado no mundo humano pela gritaria dos enfermos subordinados ao domínio
desses demônios. Afinal, a fé em Jesus, o Cristo, surgida dessa maneira não valeria  mais do que o
conhecimento morto dos próprios espíritos: os diabos também crêem em Deus, mas tremem (Tg
2.19).
Jesus impunha as mãos em cada doente, curando -o. Portanto, dedicou-se de forma muito especial
a cada um. Não realizava curas em massa. Jesus falou diante de milhares, mas seu alvo era a salvação
da alma pessoal. Ainda hoje Jesus é assim. Seu olhar vê o todo e pousa sobre cada um dos seus.
Dedica-se à alma individual como se estivesse exclusivamente à disposição dela. Está disponível
para cada um e também para todos!
Os outros dois evangelhos sinóticos não mencionam a imposição das mãos. Lucas não deve ter
acrescentado esse detalhe por conta própria. Logo, tinha uma testemunha especial. Esse gesto é o
símbolo da transmissão, seja de cargo (1Tm 5.22;  etc.), de bênção (Gn 48.14; etc.), de culpa (Lv
4.4,15,24), de dom (2Tm 1.6), ou, como aqui, da dádiva do poder e da saúde (At 9.17; etc.). Verdade
é que Jesus também poderia ter curado apenas através da palavra (Lc 7.6-10), e até mesmo por meio
de um simples ato de vontade (Jo 4.49s). No entanto, o principal é que há um aspecto genuinamente
humano nessa imposição da mão sobre a cabeça daquele a quem se devota o sentimento de apreço. É
um movimento de amor. Dessa maneira Jesus visa estabelecer um laço pessoal com o enfermo, pois
não visa meramente curar, mas conduzir de volta para Deus!
Os demônios denotam uma percepção instintiva da natureza superior de Jesus. Aquele que fora
curado na sinagoga expressara o susto que a pessoa e o ensinamento de Jesus causa vam, pela
exclamação santo de Deus. O título Filho de Deus resulta de uma percepção análoga, pois a
característica básica da natureza divina é a santidade. Os demônios reconhecem na santidade de Jesus
o representante visível daquele diante do qual eles tremem. A exclamação é praticamente um
prelúdio da adoração forçada que um dia eles hão de tributar-lhe (Fp 2.9s). Contudo Jesus não pode
aceitar essa reverência imposta pelo temor. Possivelmente os demônios tinham o objetivo de, com
seu grito, lançar uma luz negativa sobre Jesus, suscitando expectativas messiânicas no povo ou
gerando a impressão de uma aparente correlação entre a obra de Jesus e a deles. Nesse caso Jesus
precisava separar sua causa da deles da forma mais categórica possível.
Terminava, pois, para o Senhor um grande dia de celebração. Encerrava-se uma longa jornada de
vitória em sua luta contra o reino do pecado e da morte. Sua vida fora submetida à mais intensa
movimentação. Em tais situações ele gostava de refugiar-se na solidão. Não era bom para o povo
permanecer nessa intensa agitação. E Ele mesmo tinha grande necessidade de buscar recuperação na
solidão orando em comunhão com o Pai. Por isso, na manhã seguinte ele foi impelido para a quietude
de um lugar ermo.
Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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