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Jesus evangeliza em toda a região – Lc 4.42-44

42 – Sendo dia, saiu e foi para um lugar deserto; as multidões o procuravam, e foram até 
junto dele, e instavam para que não os deixasse.
43 – Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino de Deus 
também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado.
44 – E pregava nas sinagogas da Judéia.
Os acontecimentos daquele dia de sábado em Cafarnaum tinham a tendência de tornarem-se um
duplo perigo:
1) Que Jesus se tornasse mais desejado como o homem que cura por meio de milagres do que
como pregador do evangelho.
2) Que a população se afastasse da pregação e se voltasse às curas milagrosas. Por essa razão
Jesus saiu de Cafarnaum bem cedo na manhã do dia seguinte, dirigindo-se a um local solitário.
[42] Porém, quando voltou a amanhecer e ele saiu, dirigiu-se a um lugar deserto.
Quando Jesus exercia intensa atividade em público, ele sentia uma necessidade tanto maior
sintonizar-se com o Pai. Em seu caso, dar e receber mantinha o mesmo ritmo. É fácil que alguém que
se encontra a serviço do Senhor não chegue ao recolhimento interior por causa do ativismo. Torna -se
dispersivo, superficial, esvaziado e debilitado. Com Jesus é diferente! A cada manhã ele precisava
deixar-se presentear novamente com aquilo que necessitava para o dia que iniciava, pois ele vivia por
intermédio do Pai (Jo 6.57).
Incluindo o presente caso, temos o relato de três vezes ocasiões em que o Salvador passou a noite
(ou parte dela, como aqui) em oração. Não sabemos se ele fazia isso com maior freqüência. De
qualquer forma, esse dado mostra que às vezes Jesus tinha a necessidade de falar com o Pai em voz
alta, i. é, de forma que ele mesmo ouvisse, mas sozinho e longe de observadores.  Essas orações com
certeza eram muito concretas, sem “vãs repetições” (Mt 6.7). Eram tão -somente a grande quantidade
e a gravidade do conteúdo que demandavam tanto tempo, e, no presente relato, justamente a grande
quantidade de assuntos é que deve ter levado Jesus com tanta seriedade ao Pai. Afinal, tinha sido a
primeira vez em que a miséria humana se dirigira a ele procurando por socorro em tão grande volume
e em uma configuração tão variada. Ele dedicava-se de todo coração aos seres humanos nas situações
em que era preliminarmente mais compreensível para eles, a saber, em suas necessidades físicas e
confusões psíquicas. Quanto mais atividade exterior ele desenvolvia, tanto mais o Senhor tinha a
necessidade e o desejo de fortalecer sua energia interior por intermédio do silêncio. Afinal, seria pura
superstição ou fantasia supor que ele tivesse derramado os milagres com grande facilidade.  Pois o
Filho não pode nada a partir de si mesmo. Ele não podia nem queria fazer nada a partir de si mesmo,
não por sua essência – afinal, ele era o Filho de Deus – mas por sua vontade. Afinal, ele era
verdadeiro ser humano e não queria nenhuma outra filiação divina que não aquela que estava incluída
em sua humanidade (cf. nossos comentários sobre a história da tentação, acima, p. ….[102]), mas  o
que o Filho vê o Pai fazer, isso também ele faz de igual modo (Jo 5.19). E era objeto de sua súplica
que o Pai fizesse isso. Em sua mente, havia por trás desses enfermos os milhares de sofredores que
gemiam sem esperança sob a mesma aflição. Cumpria-lhe, pois, fazer o que mais tarde nos
recomendou fazer pessoalmente: suplicar, buscar, bater à porta. Não disse “Receberás tudo de
bandeja”, ou “basta buscar”, ou “todas as portas estão abertas para ti”, ou: “basta que as abras rápida
e facilmente”. Nada disso consta na Escritura, mas lemos: “Pede!”, “Procura!”, “Bate à porta!”
Permite que teus relacionamentos com Deus se tornem, nas preocupações pelo Seu reino, uma
parcela de tua mais íntima e profunda história de vida e de compaixão, onde derramas o sangue do
coração (Veja os comentários a Lc 5.15 e 6.12).
Portanto, até mesmo Jesus, o Filho de Deus, dependia desse “Pede, procura, bate à porta!” para
realizar sua incumbência. Deus não faz acepção de pessoas. Essa é uma lei constitutiva que se
expressa repetidamente na Bíblia. A mentalidade, os motivos interiores, a atitude do coração  – é só
isso que Deus considera. Isso não faz parte da pessoa, do semblante ( persona significa o exterior de
um ser humano), mas do mais profundo âmago do coração!
Se Jesus visava obter a ajuda do Pai para os humanos, ele precisava colocar-se diante de Deus
como simples ser humano. Afinal, é para isso que ele havia se tornado humano. Só poder ia ajudar as
pessoas em sua trajetória pelo fato de ter se tornado “igual a outro ser humano”. Se pensarmos que
ele teria repetidamente recorrido à sua divindade para cumprir sua incumbência, então
desconhecemos completamente a magnitude e gravidade desta  incumbência.
Como simples ser humano, portanto, (pois somente assim ele poderia colocar-se diante do Pai em
prol das pessoas), Jesus contentou-se com o “pedir, buscar, bater à porta”. Certamente encontrou
numerosas fechaduras enferrujadas há milhares de anos, trancas da antiga maldição, que não lhe
eram imediatamente removidas, até chegar àquelas últimas fechaduras que só lhe seriam abertas pelo
preço de sua vida no Calvário.
No entanto, igualmente as multidões o procuravam, e foram até junto dele, instando-o para
que não as deixasse. Ele, porém, lhes disse: É necessário que eu anuncie o evangelho do reino
de Deus também às outras cidades, pois para isso é que fui enviado. E pregava nas sinagogas da
Judéia (Galiléia).
Em breve o assédio dos que buscavam ajuda e salvação multiplicou-se diante da casa de Simão.
Jesus havia saído, porém Simão foi pressionado a procurá-lo (cf. Mc 1.36). Nesse caminho,
aparentemente, reuniram-se não apenas familiares, mas também pessoas da multidão, e quando
encontraram Jesus, explicaram-lhe que ele estava sendo ardentemente procurado por todos, enquanto
os outros lhe rogavam que não saísse da cidade.
Conseqüentemente, os cidadãos de Cafarnaum fizeram o contrário do que haviam feito os
nazarenos. Estes o expulsaram, aqueles desejam  mantê-lo para si.
Provavelmente algumas solicitações insistentes faziam-se ouvir, mas Jesus não podia se deixar
amordaçar. Também às outras cidades tenho de levar o evangelho do reinado de Deus; porque
para isso fui enviado, explicava-lhes. Essa era uma o brigação sagrada, do íntimo. Nem insistência
humana e muito menos a opinião própria podiam detê-lo diante desse impulso.
É importante salientar que o próprio Jesus sempre coloca a proclamação em primeiro plano. Os
milagres e sinais estão subordinados à proclamação.
Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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