Pessoas que gostam deste blog

Lição 12 - A Reciprocidade do Amor Cristão


Lição 12 – 22 de Setembro de 2013 - CPAD

A Reciprocidade do Amor Cristão


TEXTO ÁUREO

"Posso todas as coisas naquele que me fortalece" (Fp 4.13).

VERDADE PRÁTICA

A igreja de Cristo deve zelar pelo bem-estar dos que a servem, a fim de que não haja necessitados entre os filhos de Deus.

LEITURA BÍBLICA EM CLASSE

Filipenses 4.10-13
10 - Ora, muito me regozijei no Senhor por, finalmente, reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade.
11 - Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.
12 - Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade.
13 - Posso todas as coisas naquele que me fortalece.

SUBSÍDIO TEOLÓGICO
10 - Mais uma vez temos o privilégio de sentir toda a vitalidade de uma carta de Paulo. Ela não constitui apenas um tratado doutrinário em forma de carta. Em toda a carta está em jogo a vida inteira da igreja, que liga de forma indissociável o conhecer e o crer, a ação e a esperança. Paulo e os receptores da carta estão interessados na existência real, não no âmbito especial “religião”, embora evidentemente sejam “santos” em toda essa existência. Por isso o final da carta – e somente o final, mas ainda assim de forma suficientemente detalhada – aborda uma questão específica entre Paulo e os filipenses: Paulo passa o recibo de uma dádiva que a igreja lhe enviara através de Epafrodito para seu sustento pessoal. A maneira como ele formula esse “recibo” – essa “gratidão sem agradecimento”, como já disse alguém, a maneira como ele unifica “coisas terrenas” e “coisas espirituais” de forma direta e natural, grata apreciação da dádiva e plena liberdade dela, a maneira como emprega termos técnicos da vida comercial com refinado humor, para apesar disso dizer o contrário de tudo que seja comercial, isso é tão característico para Paulo e tão exemplar para nós que também esse trecho se transforma em presente do Espírito Santo para nós. Aqui aprendemos no exemplo concreto algo sobre “andar como tendes a nós como tipo” (Fp 3.17) e do “considerar o que é verdadeiro e digno, correto e puro, amável e convidativo”. Vemos aqui diante de nós como um “santo” lida com “dinheiro” de maneira santificada e natural.
Por princípio, Paulo rejeitava receber sustento pessoal das igrejas. Naquele tempo em que havia numerosos pregadores itinerantes, e muitos deles um tanto questionáveis, ele visava proteger de antemão sua proclamação contra qualquer suspeita de segundas e interesseiras intenções. Por essa razão ele trabalhava com as próprias mãos para conseguir o pouco de que necessitava para viver. Para ele, privações, pobreza e sofrimentos eram parte inseparável do serviço apostólico (1Co 4.9 ss; 2Co 6.4ss). Unicamente aos filipenses ele permitiu que abrissem uma “conta de reciprocidade” (“prestação de contas de ativo e passivo” é o termo técnico comercial daquela época). Sim, desse modo os filipenses se tornaram “sócios” de seu “empreendimento”! Do contrário as igrejas continuam sendo somente as que recebem e Paulo apenas o que dá, embora Paulo enfatizasse o direito dos mensageiros de receber subsistência das igrejas (1Co 9.4 -14). Não obtemos a informação dos motivos que levaram Paulo a abrir uma exceção para os filipenses. Deve ser parte da cordialidade especial do amor que sentimos desde o começo da carta. Justamente por isso essa definição de Paulo sobre a preferência dada a seus amados, nos termos do mundo comercial, é uma formulação tão afetuosa: somente vocês ingressaram no negócio com prestação de contas mútua! Para nós, porém, é importante que Paulo, apesar de persistir em sua convicção diante dos coríntios (2Co 11.7-12; 12.13), não era homem de meros “princípios”, mas manteve a liberdade de ação. Por isso os filipenses já o sustentaram “uma ou duas vezes” na Tessalônica. Aliás, essa informação sugere que teremos uma ideia errada se At 17.2 nos levar à conclusão de que Paulo permaneceu apenas três semanas na Tessalônica. Sua permanência com certeza deve ter durado mais tempo se durante aquele período foi beneficiado diversas vezes por um auxílio enviado pelo grupo em Filipos. Paulo designa aqueles dias como “começo do evangelho”. Novamente, assim como no v. 3, a palavra “evangelho” não é usada apenas para o conteúdo da mensagem, mas também para sua eficácia, de sorte que ela se torna praticamente definição de uma “época”. De forma análoga, um pai poderia escrever a seu filho: “No começo dos estudos eu te aconselhei…” (Ewald). De 2Co 11.8s se depreende que os filipenses continuaram enviando seu auxílio também durante o trabalho de Paulo em Corinto.
11 Por longo tempo, porém, Paulo não havia recebido mais nada da igreja. Por isso alegrou-se “imensamente” – ele recorre a uma palavra que é mais forte que nosso desgastadíssimo “muito” – que Epafrodito trouxe consigo uma doação considerável. Os filipenses permitiram que o “pensar nele” “florescesse” e “brotasse” – trata-se do termo “pensar”, “ter em mente” que ocorre muitas vezes na presente carta e designa agora o “cuidado por ele”. A metáfora empregada é a da planta que torna a “brotar” ou “florescer” depois do inverno. Obviamente Paulo está ciente de que se dedicavam sempre a “pensar nele”. Contudo falta-lhes o kairós, o tempo apropriado, a oportunidade para ajudar. Já na questão da coleta em 2Co 8.2 Paulo lembrara aos negligentes coríntios a pobreza dos macedônios e as graves tribulações da igreja. Por isso não estavam em condições de auxiliar o apóstolo. Agora Paulo volta a receber uma rica dádiva de Filipos, trazida por Epafrodito. Nada é dito acerca de seu montante real. Paulo atesta “ter recebido tudo”, asseverando “ter agora em abundância” e estar “repleto”. Obviamente isso são expressões bastante relativas! Aquele que estava acostumado com carências e privações considera “profusão” e “abundância” o que aos mimados poderia parecer bastante modesto. O amor de alguém como Paulo com certeza aferiu a “magnitude” da doação mais pela pobreza dos doadores que pelo montante de suas próprias necessidades.
Contudo ele não se importa em absoluto com o “donativo” em si, ainda que seja capaz de se alegrar “imensamente” com ele. Para ele importa o “fruto” [v. 17]. Por natureza o ser humano é ganancioso ou pelo menos se agarra receosamente aos bens. O fato de ser capaz de doar, ainda mais em uma situação pessoal difícil (a igreja ainda continuava em luta, Fp 1.27 -30), evidencia o efeito da palavra que o levou a confiar no Deus vivo e libertou o coração para o amor. É esse “fruto” que Paulo almeja. Vimos diversas vezes na presente carta que ele não apenas está ciente de uma graça que paira como arco-íris promissor sobre uma vida invariavelmente cinzenta, mas de uma graça que transforma a vida real, tornando-a de fato frutífera para Deus. Ele tinha acabado de empregar a figura do comércio. Por isso ele logo o utiliza mais uma vez, dizendo: esse fruto crescente é creditado “na conta de vocês”. Ele aumenta o saldo de vocês. De maneira delicada Paulo combina a gratidão pelo grande presente com a independência total frente aos filipenses: ao produzir o fruto que se pode esperar do plantio do evangelho, eles estão tão-somente elevando o saldo de sua própria conta. O verdadeiro motivo da alegria do apóstolo não reside na ajuda que ele mesmo experimenta, mas no progresso da igreja que se expressa nessas doações.
Porque para sua pessoa Paulo aprendeu “a se manter pessoalmente na situação em que está”. Na sequência ele descreve uma atitude de vida que novamente parece próxima de vários ideais “gregos” ou “filosóficos”, mas que na verdade deixa esses “ideais” muito para trás e deixa de ser um “ideal” para ser simples realidade. Quando o ser humano descobre sua “condição humana”, seus impulsos se tornam para ele uma aflição que o rotulam como mero ser natural e o amarram duramente às circunstâncias. Será que só se tornarão verdadeiramente “seres humanos” depois de mortificarem os impulsos na medida do possível e se libertarem da escravidão das circunstâncias? O ser humano só será “livre” depois que possuir a “autarquia”, a capacidade de se bastar a si mesmo, “manter-se pessoalmente.” Contudo unicamente o “satisfeito” possui essa liberdade! Por isso o filósofo estóico e cínico chega ao “ascetismo”, à configuração mais pobre e primitiva possível. Dessa maneira ele espera salvar a liberdade e dignidade humanas. Quanto mais desenfreadas e sofisticadas se tornavam as formas de desfrutar da vida e a avidez por vida no ocaso da Antiguidade, tanto mais pessoas se sentiam empurradas para esse caminho. O que aqui foi pensado e experimentado mais tarde repetidamente desenvolveu seu poder interior sobre os corações humanos no seio do cristianismo por meio do movimento monástico. Necessidades acorrentam, desprendimento liberta. “Ascetismo” significa o caminho para essa liberdade. Apesar disso, a liberdade adquirida desse modo é apenas meia liberdade. O asceta declara, agradecido e orgulhoso: “Sei jejuar, sei sofrer fome, sei suportar carestia”. Obviamente isso é “liberdade” diante daqueles que não são capazes disso e que permanecem amarrados a suas muitas necessidades. Por isso continua representando um sério questionamento também para nós!
12 - Paulo, porém, acrescenta a segunda metade: “Sei ter fartura… sei ter abundância.” Ambas as coisas juntas – é isso que constitui a totalidade da liberdade. É verdade que também Paulo “aprendeu” isso e não o “sabia” simplesmente. Essa liberdade não lhe foi dada como mero presente. É uma palavra útil para nós, e que precisamos levar em conta. Nossos pensamentos equivocados sobre a graça divina e a incapacidade humana para o bem com frequência geram em nós expectativas tolas, impedindo-nos no “aprendizado” e no necessário engajamento de nossa vontade. Agora, porém, Paulo “em tudo e em todas as circunstâncias está iniciado” – evidentemente uma “iniciação” muito diferente da iniciação nas solenes liturgias dos mistérios! Agora ele “é capaz” de “tudo”.
13 - Mas, apesar de todo o aprendizado e da iniciação a “capacidade” não deixa de ser algo fundamentalmente diferente da mera disciplina da vontade por parte de um asceta. “Tudo posso por meio daquele que me fortalece (Cristo)”. Independentemente de ser necessário incluir o nome “Cristo” de forma expressa ou não, de qualquer modo vem de Cristo a “habilitação” para a liberdade plena que Paulo possui. Como “a vida” para ele é “Cristo” (Fp 1.21), ele já não se apega ao que as pessoas chamam de “vida”. Por essa razão pode tranquilamente, nessas circunstâncias, ter em abundância, viver bem e se saciar, sem que torne um perigo para ele. Por isso, no entanto, também pode alegremente abrir mão e passar fome sem temor e sem irritação. Logo não precisa do donativo dos filipenses. Possui “autarquia”. Também o relacionamento com essa igreja, à qual permitiu que lhe fizesse doações pessoais, não é distorcido pelo desejo secreto daquilo que ela lhe concede. Está regiamente livre. E de fato “regiamente”, e não “asceticamente”, livre. Por isso ele tampouco precisa rejeitar, constrangida ou receosamente, a rica dádiva que Epafrodito trouxe consigo, mas pode alegrar-se sobremaneira com ela e ter novamente “abundância”. Esse é o efeito visível de Jesus! É verdade que a “gloriosa liberdade dos filhos de Deus” virá somente em plenitude quando Jesus consumar sua obra por ocasião de sua parusia. Mas o cristianismo seguramente é mais que mero “consolo para o futuro ou o além”. Jesus já é hoje aquele que habilita os humanos para essa gloriosa liberdade, aqui constatada em Paulo
Fonte: Comentários Bíblicos Esperança

INTERAÇÃO

Professor, você tem sido generoso para com aqueles que servem a Deus e a igreja? Então não terá dificuldade alguma em ensinar a respeito do tema proposto para a aula de hoje: a generosidade da igreja para com aqueles que a servem. Os irmãos de Filipos eram bem generosos. Eles enviaram os recursos que Paulo necessitava para sobreviver na prisão (4.10-20). Vivemos em uma sociedade marcada pelo egoísmo, todavia o crente tem em seu coração o amor de Cristo e este amor o leva a ajudar aqueles que necessitam de socorro. Nossa oferta de amor para aqueles que realizam a obra de Deus revelam a graça do Todo-Poderoso em nossas vidas. Ofertamos não para recebermos algo em troca, mas o fazemos de coração porque já temos experimentado das dádivas divinas. Que não venhamos nos esquecer que "mais bem-aventurada coisa é dar do que receber" (At 20.35).

OBJETIVOS

Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Saber que as dádivas dos filipenses era resultado da providência divina.
Compreender que o cristão tem o contentamento de Cristo em qualquer situação.
Explicar a respeito da principal fonte de contentamento do cristão.

ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA

Professor, reproduza no quadro de giz os dois tópicos abaixo. Utilize-os para introduzir a lição. Discuta com os alunos estes princípios. Explique que estas duas regras devem nortear a nossa doação em favor daqueles que trabalham na obra do Senhor:
"Ao entregar uma oferta o valor não é o mais importante, mas sim a disposição de contribuir para o Reino".
"A doação deve ser como resposta a Cristo, e não pelas vantagens que podemos ter por fazê-lo. O modo como doamos reflete a nossa devoção ao Senhor" (Bíblia de Aplicação Pessoal, CPAD, p. 1620).

COMENTÁRIO

INTRODUÇÃO

PALAVRA-CHAVE
Generosidade: Virtude daquele que se dispõe a sacrificar os próprios interesses em benefício de outrem; magnanimidade, ato generoso; bondade.

Na lição de hoje, aprenderemos a importância da generosidade da igreja para com aqueles que a servem. Dependente das ofertas dos irmãos para sobreviver no cárcere romano, Paulo expressava uma profunda gratidão à igreja de Filipos pelos recursos enviados por intermédio de Epafrodito (4.10-20).
O apóstolo estava agradecido aos filipenses pelo amor que lhe haviam demonstrado. Ele, porém, destaca que sempre confiou à providência divina o seu sustento, e que sua alegria maior estava não nas ofertas recebidas, e sim no fato de os filipenses terem se lembrado dele. 

I. AS OFERTAS DOS FILIPENSES COMO PROVIDÊNCIA DIVINA

1. Paulo agradece aos filipenses. A igreja em Filipos já vinha contribuindo com o ministério de Paulo desde o seu início (v.15 E bem sabeis também vós, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente.). Agora, o apóstolo fora surpreendido pela segunda oferta enviada a ele, exatamente quando estava preso em Roma. Por isso, agradece e regozija-se pela lembrança dos irmãos (v.10 Ora, muito me regozijei no Senhor por, finalmente, reviver a vossa lembrança de mim; pois já vos tínheis lembrado, mas não tínheis tido oportunidade.).
Ele declara ainda que a oferta dos filipenses era o fruto da providência divina em seu ministério, pois confiava plenamente em Deus, em qualquer situação. 
2. Reciprocidade entre o apóstolo e a igreja. Paulo amava a igreja em Filipos. Esta cidade foi a primeira da Europa a receber a mensagem do Evangelho. Ali, Paulo enfrentou perseguições, prisão e muito sofrimento. Porém, agora a igreja, firmada em Cristo, demonstra sua gratidão ao apóstolo cuidando dele e ajudando-o em suas necessidades (vv.10,11,15-18).
3. A igreja deve cuidar dos seus obreiros. Nenhum obreiro deve fazer de sua missão um meio de ganhar dinheiro. Todavia, a igreja precisa prover sustento digno àqueles que a servem. Paulo muito sofreu com a falta de sensibilidade da igreja em Corinto (v.15 E bem sabeis também vós, ó filipenses, que, no princípio do evangelho, quando parti da Macedônia, nenhuma igreja comunicou comigo com respeito a dar e a receber, senão vós somente.). Por outro lado, a igreja em Filipos procurou ajudar o apóstolo.
A Palavra de Deus nos exorta quanto ao sustento daqueles que labutam na seara do Senhor: "Não amordaces o boi, quando pisa o trigo" (1 Tm 5.18 - ARA). No mesmo versículo, o apóstolo completa que "digno é o obreiro do seu salário". Por isso, a igreja deve apoiar devidamente àqueles que são verdadeiramente obreiros, ajudando-os em suas necessidades (1 Tm 5.17).

SINÓPSE DO TÓPICO (1)
Nenhum obreiro deve fazer de sua missão um meio de ganhar dinheiro, todavia a igreja precisa oferecer sustento digno àqueles que a servem.

II. O CONTENTAMENTO EM CRISTO EM QUALQUER SITUAÇÃO

1. O contentamento de Paulo. O apóstolo aprendeu a contentar-se em toda e qualquer situação. Seu contentamento estava alicerçado no fato de que Deus cuida dos seus servos e ensina-os a viver de forma confiante. Aos coríntios, Paulo escreveu: "não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus" (2 Co 3.5).
Paulo deu o crédito de sua força e contentamento a Deus. Muitos se gabam de sua robustez, coragem e até espiritualidade, esquecendo-se de que a nossa capacidade vem do Senhor. Para agirmos de forma adequada em meio às provações e privações é preciso reconhecer que dependemos integralmente do Senhor.
2. "Sei estar abatido" (v.12 Sei estar abatido e sei também ter abundância; em toda a maneira e em todas as coisas, estou instruído, tanto a ter fartura como a ter fome, tanto a ter abundância como a padecer necessidade.). Paulo inicia o versículo doze dizendo: "Sei estar abatido e também ter abundância". Ele estava convicto do cuidado de Deus. Por isso, aceitava as privações sem se envergonhar ou mesmo entristecer-se. Precisamos acreditar na provisão divina e aprender a contentar-nos em toda e qualquer situação.
Talvez você esteja passando por dificuldades. Não permita, porém, que elas o abatam. Confie no cuidado e na bondade do Pai Celeste. Ele é o nosso provedor. Para que o Evangelho chegasse aos confins da terra, muitos homens e mulheres, às vezes sem qualquer sustento oficial, deixaram suas famílias e saíram pregando a Palavra de Deus e fundando igrejas. Esses pioneiros não desistiram, e os resultados ainda podem ser vistos. Hoje, as igrejas, em sua maioria, possuem recursos para enviar obreiros e missionários a outras nações e ali sustentá-los, e devem fazê-lo. Cumpramos, pois, o nosso dever conforme a Bíblia nos recomenda. 
3. O contentamento desfaz os extremismos. Apesar de o exemplo paulino e de a Bíblia ensinar-nos acerca do contentamento, é necessário abordar o perigo da adoção dos extremismos nessa questão. Muitos servos de Deus são obrigados, pela falta de compromisso de suas igrejas, a abandonar a obra de Deus. Para que isso não aconteceça, sejamos fiéis no sustento daqueles que estão servindo a causa do Mestre (1 Tm 5.18 Porque diz a Escritura: Não ligarás a boca ao boi que debulha. E: Digno é o obreiro do seu salário.).
Os obreiros, por sua parte, não podem deixar-se dominar pela avareza e pela ganância. Paulo nos dá uma importante lição quando afirma: "Aprendi a contentar-me com o que tenho" (v.11 Não digo isto como por necessidade, porque já aprendi a contentar-me com o que tenho.). O culto ao Senhor não pode ser transformado em uma  fonte de renda. É o próprio apóstolo Paulo quem ensina a nos apartar daqueles que não se conformam "com as sãs palavras de nosso Senhor Jesus Cristo e com a doutrina que é segundo a piedade". Isto porque, os tais apreciam "contendas de homens corruptos de entendimento e privados da verdade, cuidando que a piedade seja causa de ganho" (1 Tm 6.5). O ensino paulino demonstra que a piedade, com contentamento, já é, por si mesma, um "grande ganho" (1 Tm 6.6).

SINÓPSE DO TÓPICO (2)
O crente pode contentar-se em toda e qualquer situação, pois seu contentamento está no fato de que Deus cuida dos seus servos e ensina-os a viver de forma confiante

III.  A PRINCIPAL FONTE DO CONTENTAMENTO (4.13 Posso todas as coisas naquele que me fortalece.)

1. Cristo é quem fortalece. Paulo nos ensina, com a declaração do versículo 13, que sua suficiência sempre esteve em Cristo. O que fez com que Paulo suportasse tantas adversidades?  Havia algum segredo? Não! O que fez do apóstolo um vencedor foi a sua fé em Jesus Cristo, aquele que tudo pode. A força do seu ministério era o Senhor. Você quer forças para vencer os obstáculos em seu ministério? Confie plenamente no Senhor!
2. Cristo é a razão do contentamento. Nossa alegria e força vêm do Senhor Jesus. Segundo Matthew Henry, "temos necessidade de obter forças de Cristo, para sermos capacitados a realizar não somente as obrigações puramente cristãs. Precisamos da força dEle para nos ensinar a como ficar contente em cada condição". Busque ao Senhor e permita que a alegria divina preencha a sua alma (Ne 8.10).
3. O cumprimento da missão como fonte de contentamento. Uma vez que o objetivo de Paulo era pregar o Evangelho em toda parte, nada lhe era mais importante que ganhar almas para o Reino de Deus. Nenhuma dificuldade financeira roubaria a visão missionária do apóstolo.
Ele não se angustiava pela privação material e social. Pelo contrário, a alegria do Senhor era a sua força. Paulo regozijava-se com a suficiência que tinha de Cristo. O descontentamento é como uma planta má que faz brotar a avareza (Hb 13.5,6), o roubo (Lc 3.14) e a preocupação com as coisas materiais (Mt 6.25-34). Por isso, contente-se em Cristo! Ele tomará conta de nós.

SINÓPSE DO TÓPICO (3)
Cristo é a razão do contentamento, nossa alegria e força vêm dEle.

REFLEXÃO
“Se alguém disse a ele: ´Irmão Paulo, você por certo tem grande força para se conservar paciente e vitorioso diante das adversidades e perseguições´, Paulo responderia: ´Não mantenho essa atitude com minhas próprias forças; consigo todas essas coisas através de Cristo que me fortalece´. A comunhão que Paulo mantinha com o Cristo imutável conservou-o inabalável em todas as circunstâncias.”
Myer Pearlman

CONCLUSÃO

Aprendemos na lição de hoje, que a igreja de Cristo deve zelar pelo bem-estar dos seus obreiros, a fim de que não venham a passar privações. Todavia, a real motivação para servirmos à igreja de Deus jamais devem ser as recompensas materiais. Confiemos na provisão divina, pois assim seremos felizes em toda e qualquer situação.
Nosso contentamento em meio às adversidades é resultado da nossa fé e comunhão com o Senhor Jesus. Que estejamos na dependência do Senhor, para que Ele nos conceda alegria e força a fim de vencermos as vicissitudes e tribulações da vida.

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO I

Subsídio Teológico   
"Graças pelo dom e comunhão deles. A principal razão para Paulo escrever a essa igreja e de estar agradecido por esses irmãos é a expressão concreta deles de apoio a ele (4.1-18). Essa igreja enviou um presente em dinheiro para auxiliar Paulo enquanto estava na prisão (4.10-18). Paulo chama esse presente de 'comunic [ar] com ele, usando a forma verbal (ekoinõsen, v. 15) da palavra grega para comunhão (koinonia). Eles comungam com ele ao participar de seu ministério por meio dessa expressão concreta de amor e de preocupação. Paulo não esperava nem pretendia esse auxílio. Paulo aprendeu a se contentar seja qual fosse sua situação, quer na pobreza quer na abundância. Na verdade, quando Paulo escreve que pode todas as coisas por intermédio de Cristo que o fortalece (4.13), ele quer dizer que pode enfrentar todo tipo de circunstância ou situação financeira sem perder de vista o propósito de Deus para ele. Por isso, recebe o presente deles com gratidão, no qual ele diz ser 'oferta de aroma suave' a Deus (4.18 - NVI). A preocupação deles faz com que lhes assegure que Deus também cuida deles (4.19)'" (ZUCK, Roy B (Ed.). Teologia do Novo Testamento. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2008, p.365).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICO II

Subsídio Teológico   
"Nos versos 15 e 16, Paulo alegremente relembra o apoio que os filipenses lhe ofereceram. Relembra os dias anteriores, quando o evangelho foi proclamado pela primeira vez em Filipos (At 16.4). Quando o apóstolo passou pela Macedônia até a Acaia, em sua segunda viagem missionária, a igreja em Filipos foi a única a sustentar seus esforços. Na linguagem emprestada do mundo comercial, o apóstolo considerou sua parceria como uma questão de 'dar e receber' (termos aproximadamente equivalente aos conceitos de débito e crédito).  Paulo 'deu' o evangelho aos filipenses e 'recebeu' seu apoio. De fato, o verso 16 indica que por mais de uma vez enviaram sua assistência a Paulo antes que deixasse a Macedônia, enquanto ainda estava na cidade vizinha de Tessalônica (At 17.1-9). Os filipenses, por sua vez, 'deram' seu apoio material e moral a Paulo, tendo recebido a mensagem das boas novas e agido de acordo com esta.
No versículo 17, Paulo reitera a pureza de seus motivos em sua expressão de gratidão aos cristãos de Filipos. Não está procurando 'dádivas' ou agradecendo de alguma maneira que venha a ser a base para favores futuros. Sua motivação visa o benefício deles. Sua descrição da recompensa que terão por associarem-se a ele na obra de Deus é expressa em termos financeiros. Sua participação no Evangelho produzirá juros ou dividendos  (literalmente 'fruto'), o que resultará no 'aumento da conta' deles" (ARRINGTON, French L.; STRONSTAD, Roger (Eds.). Comentário Bíblico Pentecostal: Novo Testamento. 4.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2004. p.510).

BIBLIOGRAFIA SUGERIDA

RICHARDS, Lawrence O.  Comentário Histórico-Cultural do Novo Testamento. 1.ed.  Rio de Janeiro: CPAD, 2007.
PEARLMAN, Myer. Epístolas Paulinas: Semeando as Doutrinas Cristãs. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1998.

SAIBA MAIS

Revista Ensinador Cristão
CPAD, nº 55, p.42.

EXERCÍCIOS

1. O que o apóstolo Paulo declara acerca da oferta dos filipenses?
R. Ele declara ainda que a oferta dos filipenses era o fruto da providência divina em seu ministério, pois confiava plenamente em Deus, em qualquer situação. 

2. Por que a igreja deve apoiar devidamente àqueles que são verdadeiramente obreiros, ajudando-os em suas necessidades?
R. Porque é bíblico. A Palavra de Deus nos exorta quanto ao sustento daqueles que labutam na seara do Senhor: "Não amordaces o boi, quando pisa o trigo" (1 Tm 5.18 - ARA). No mesmo versículo, o apóstolo completa que "digno é o obreiro do seu salário".

3. Em que o contentamento de Paulo estava alicerçado?
R.  Seu contentamento estava alicerçado no fato de que Deus cuida dos seus servos e ensina-os a viver de forma confiante.

4. O que Paulo nos ensina na sua declaração do versículo 13?
R.  Paulo nos ensina, com a declaração do versículo 13, que sua suficiência sempre esteve em Cristo.

5. Qual tem sido a fonte do seu contentamento?
R. Resposta pessoal


Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por nos visitar! Volte sempre!