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Maria exalta a misericórdia de Deus - Lc 46-50

46    Minha alma engrandece o Senhor! significa: “Minha alma o reconhece como o grande Deus, o 
único que deve ser honrado e exaltado” (Sl 103.1; Êx 15.1; Sl 96; 72.17s). Engrandecer a Deus
significa ainda abrir o próprio comportamento e ser completamente a De us, de tal forma que busca
explicitar as glórias infinitas de Deus convincente e vivamente, com santa entrega, para si mesmo e
outras pessoas.
De acordo com a Escritura, a alma (psyché) é o âmbito da vida que anima o corpo, e por isso
constitui a essência da personalidade. A expressão: “minha alma” abrange, portanto, o pensar, sentir
e querer. Em Maria, tudo isso agora se agita, preenchido com a adoração a Deus. Essa adoração é
engrandecimento ao Senhor. Por que Maria “torna grande o Senhor”? Será que experimentou algo
grandioso? Sim. Ela está para se tornar Christophora, i. é, a “portadora do Cristo”, de uma forma
única. Contudo, esse fato grandioso e extraordinário, totalmente inconcebível, que lhe é confiado,
levará as pessoas a julgá-la, porque dirão: “O que é isso? Maria, ainda não casada, terá um filho?”  -Desprezo das pessoas, aflição do noivo - estas serão as conseqüências! Não obstante: “Maria
engrandece o Senhor!” Portanto, engrandecer também significa: todo o meu pensar, louvar, ponderar
e projetar o anunciam como importante, falam muito dele. A primeira coisa pela manhã, a última à
noite, e a principal durante todo o dia é engrandecê-lo. “Que cada pulsação seja gratidão, e cada
respiro uma canção.”
47  Meu espírito exultou em Deus, meu Salvador (texto da Vulgata latina) – Por quê?
48  Porque contemplou na humildade de sua serva.
Esse contemplar divino é ao mesmo tempo “acudir os miseráveis”. Isso vale não apenas  para
Maria, mas para todos nós. E por causa desse “não ser deixado prostrado na miséria –  mas ter sido
aceito…” Maria se gloria como bem-aventurada.
Maria constata nesse mistério que a gloriosa salvação eterna do Messias anunciado por todo o AT
há de tornar-se real por intermédio dela, um instrumento imprestável e indigno.
Maria reconhece em seu serviço de mãe um bendito serviço de escrava. Ser escrava do Senhor
constitui sua única fama e seu título honorífico. Maria vê com que grande graça o Senhor a
presenteou, não se deixando deter por sua humildade, i. é, pela condição insignificante em que a
geração de Davi havia caído, para escolhê-la para uma posição de honra. Ela, a insignificante virgem,
que jamais havia pensado em honra, que não reconhece em si absolutamente nenhuma vantagem
exterior, e que nem mesmo tem consciência de qualquer vantagem interior  – constata que de forma
imprevista, extremamente bondosa e transcendendo rogos e compreensão foi vista por seu Deus,
eleita dentre milhares, agraciada muito mais que todas as mulheres santas do passado. Maria constata
que é vista com mais bondade que a famosa Raquel, a abençoada Ana, a devota Rute e a rainha Ester
– de modo que não consegue deixar de abrir o coração e os lábios para o alegre salmo, a fim de
enaltecer, em todo esse agir de Deus, a sua natureza redentora.
48b  Pois (eis que), desde agora, todas as gerações me considerarão bem-aventurada.
Maria não quer ser exaltada, muito menos declarada santa. Não se deve honrá-la como mãe de
Deus, como rainha do céu - não, ela não deseja isso. No entanto, quem poderá impedir que, em seu
louvor, a própria Maria, que acabara de falar de sua “humildade”, se considere aquela que precisa ser
reconhecida como bem-aventurada? Porque ela vê no momento atual o vindouro, a saber, a salvação,
a indizivelmente gloriosa salvação eterna!
Ambos os aspectos são expressos por Maria no v. 48, a saber:
a) o reconhecimento de sua própria indignidade, e
b) o reconhecimento da glória do Senhor revelada na sua própria vida e na vida do povo de Israel
e dos povos do mundo. Nossa atitude de fé também deveria ser afinada com essa tônica dupla: a) sou
insignificante demais – não sou digno, porém b) tu, Senhor, és grande e digno de adoração! A cada
momento cumpre louvar por esse olhar misericordioso que o Senhor Deus lança sobre nós – no
Natal, na Sexta-Feira Santa, na Páscoa, no Pentecostes e assim por diante, sempre, cotidianamente e
a cada hora, do dia e da noite. “Não dormita nem dorme o guarda de Israel” [Sl 121.4]  – Deus é
supremo e olha para as profundezas. Onde haverá outro Deus como o nosso, que está entronizado nas
maiores alturas e apesar disso olha para os humildes na Terra? – Esse olhar é salvação!
49  A palavra: o Poderoso me fez grandes coisas  faz lembrar o Sl 126, onde consta: “Quando o 
Senhor libertar os prisioneiros de Sião, seremos como os que sonham… então se dirá entre as nações: 
O Senhor fez grandes coisas por nós.” – Aqui deu-se o primeiro passo para o cumprimento dessa
profecia do Sl 126. Também Maria já se sente como quem sonha, perguntado a si mesma: “Será
sonho ou realidade? Será possível? Quanta graça! Eu, pobre serva, insignificante e pecadora  – hei de
ser a mãe de meu Senhor? O Filho único do Pai eterno  – também filho meu?” Avassaladoramente
imensas são a onipotência e a santidade de Deus.
50  Com a expressão: A sua misericórdia vai de geração em geração sobre os que se voltam a ele 
com veneração o olhar de Maria vai muito além das fronteiras de Israel.
Maria acaba de exaltar a Deus, seu Redentor, como poderoso, santo e misericordioso. Ele sempre
foi tudo isso e também continuará sendo para sempre. Olhando para frente ou para trás  – Ele é
sempre e imutavelmente o mesmo Deus. As revelações de Deus, contudo, não estagnam em um
determinado degrau. Assim como na vida de um indivíduo ocorre um crescimento do entendimento
de Deus, assim acontece também na história de seu reino. Suas revelações aumentam e crescem em
luz e vigor, em claridade, em largura, comprimento, altura e profundidade (Ef 3.18). C om Jesus, o
filho de Maria, todas as revelações anteriores são cumpridas da forma mais gloriosa. Nele habita
corporalmente toda a plenitude da Divindade (Cl 2.9). Nele, toda a glória de Deus, toda a Sua
onipotência, santidade e misericórdia foram manifestas sob uma luz incomparavelmente mais
sublime.
Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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