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O batismo de Jesus e a consagração do Cristo (Messias) – Lc 3.21s

21 – E aconteceu que, ao ser todo o povo batizado, também o foi Jesus; e, estando ele a orar, 
o céu se abriu, [Mt 3.13-17; Mc 1.9-11; Jo 1.32]
22 – e o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea como pomba; e ouviu -se uma voz 
do céu: Tu és o meu Filho amado, em ti me comprazo.
A relação entre Jesus e João Batista compara-se à de dois astros, um seguindo o outro em diversas
fases de sua trajetória. O anúncio do nascimento de ambos, o nascimento em si, o começo da atuação
pública, sua morte, sucedem-se um ao outro em pouco tempo. Apesar disso ocorreu somente um
único encontro direto entre esses dois homens, intimamente tão próximos por causa da relevância de
sua trajetória de vida. Nesse instante um astro rapidamente cruza a trajetória do outro. Na seqüência
separam-se, e cada um persegue novamente o caminho prescrito para si. Esse momento
extraordinário do encontro direto dos dois é descrito agora pelo evangelista na história do  batismo de
Jesus  no rio Jordão.
Existem rios importantes e grandes. Dentre todos os rios da terra, porém, o mais importante é o
Jordão. Por quê?
Jesus foi batizado nele. O Filho de Deus submergiu profundamente o corpo no Jordão, permitindo
que fosse mergulhado integralmente nas águas do Jordão pela mão de João Batista. Aqui começou o
caminho de sacrifício e morte do Cristo, o Ungido. Aqui, no entanto, começou também nossa subida,
nossa trajetória de alegria e liberdade, nossa felicidade temporal e eterna.
O batismo de Jesus é relatado com apenas uma frase. Contudo, que peso inefável está contido
nessa breve frase! Singelamente Lucas relata: “João batizou todo o povo”, “Jesus foi batizado.”
Por intermédio do batismo o Senhor uniu-se ao povo. Lucas é o único dos três relatos dos
evangelistas que acrescenta uma palavra muito importante à frase “quando Jesus foi batizado ”: e
estando a orar. Como é extremamente significativo esse orar de Jesus ao sair da água. Nosso
evangelista gosta de dirigir a atenção para essas importantes ocasiões em que Jesus orava (cf. Lc
6.12; 9.16,29; 11.1).
No batismo de Jesus aconteceram três coisas:
1) O céu se abriu;
2) O Espírito Santo desceu;
3) Ouviu-se a voz divina.
Esses três fatos foram intelectual e fisicamente perceptíveis para João e Jesus.
1) O céu se abriu. Poderíamos considerar essa abertura do céu como uma ação recíproca entre o
céu e a terra propriamente dita, porque o Cristo, como emissário do céu, resgata a terra para o céu.
2) O Espírito Santo desceu em forma corpórea como uma pomba sobre ele (tradução do
autor). Lucas diz expressamente: “o Espírito Santo”. – Mateus diz: “Espírito de Deus”, Marcos traz:
“o Espírito”. – A forma da pomba traz em si um aspecto fechado, arredondado. Na festa de
Pentecostes o Espírito Santo aparece na forma de línguas de fogo, distribuídas sobre as cabeças dos
presentes. Pentecostes é o símbolo dos diversos dons distribuídos entre os discípulos. Aqui o Espírito
Santo é concedido ao Senhor Jesus em sua completude, unidade e plenitude. Deus não lhe concedeu
o Espírito em parcelas, “como aos profetas”. Antes Jesus é a habitação integral constante do Espírito,
completa e imensuravelmente cheio do Espírito Santo (Jo 3.34). Ao contrário da efusão do Espírito
sobre os profetas do AT, é preciso citar a palavra de João Batista no evange lho de João (1.32): “O
Espírito Santo permaneceu sobre ele” (tradução do autor). No caso das pessoas do AT, o Espírito
Santo sobreveio-lhes como efeito passageiro, mas aqui o Espírito Santo “permaneceu”
constantemente, com sua plenitude, sem medida!
3) A terceira notícia do céu é a voz divina. Segundo Marcos e Lucas a interpelação é dirigida a
Jesus: “Tu és meu Filho amado…” (54). Em Mateus essas palavras se encontram na terceira pessoa:
“Esse é meu Filho amado!” Esta diferença não é uma contradição. A voz  de Deus, dirigida a Jesus,
foi notada por João Batista.
A voz do céu anuncia o Senhor como Filho de Deus, do qual o Pai celestial se agradou. A
designação: “… Meu Filho, o amado” corresponde ao termo hebraico “jachia” = o Filho único,
unigênito de Deus. Diante do homem Jesus descortina-se agora uma visão mais ampla do que ao
menino de doze anos. De agora em diante, o seu empenho não apenas é “estar no que é do Pai” (A
esse respeito, cf. acima o comentário a Lc 2.49); agora amadureceu a consciência de salvação, agora
ele reconhece que tem de estar no meio do povo pecador “naquilo que é do Pai”, a saber, na obra do
Pai para a redenção do povo. Essa auto-humilhação é imediatamente encontrada pela glorificação
divina: “Tu és meu Filho amado, em ti encontrei agrado!” (Cf. Comentário Esperança, Marcos, p.
57s).
No entanto, a palavra “Tu és meu Filho…” não tem relevância somente para o Cristo (o Ungido, o
Messias), mas também possui um sentido profundo para nós, particularmente soteriológico. Existe
somente um caminho até o Pai no céu: o Filho. Por isso o Filho pode ser nosso único Mediador. O
Pai diz: “Esse é meu Filho amado”. Por amor desse Filho o Pai permite que compareçamos diante de
sua face. Por amor do Filho o Pai nos o uve. – Sem o Filho isso é impossível. Nesse relacionamento, a
palavra do Pai vale também para nós: “Esse é meu Filho amado”.
Mais um pensamento sobre a palavra: “Tu és meu Filho amado…”. Na verdade Deus enviou
muitas pessoas como instrumentos seus, preparando-as para seu ministério. Todas elas, porém,
receberam o envio no contexto da vida terrena. No entanto, “o Filho” foi enviado por Deus da vida
sobrenatural para dentro da vida terrena. O Filho já existia antes da vida terrena, eternamente junto
de Deus, Deus com Deus, essencialmente igual e unido com o Pai (Jo 1.1).
O significado do batismo, contudo, ainda não será compreendido integralmente se for considerado
apenas como um fator da obra redentora de Jesus, e não também como uma fase na história da igreja
de Jesus. Pelo fato de que Jesus entrou nesse batismo do pecador e posteriormente tenha se tornado o
conteúdo deste mesmo batismo, com sua cruz e ressurreição, de agora em diante “ser batizado”
significa: morrer com Cristo, a fim de ressurgir com ele par a a nova vida (veja Rm 6).
A história do batismo de Jesus, por fim, possui também uma relevância permanente sob o aspecto
cristológico.
Ela confere à nossa fé no Filho de Deus a base objetiva de um testemunho divino que não pode ser
negado nem revogado. E revela uma parte da plenitude da natureza divina, quando o Pai dá
testemunho ao Filho e o Espírito desce sobre ele em forma visível.
Consideremos a dupla atuação do Espírito em Jesus: nascimento (Lc 1.35) e batismo (Lc 3.22), e
nos discípulos (Jo 20.22; At 2.38). Consideremos: batismo de João – batismo de Jesus – batismo pelo
Espírito (At 19.1-7).
O banho do renascimento não é o batismo na água, mas o batismo pelo Espírito (Rm 6.3-5; Gl
3.27; Cl 2.11s; 1Co 12.13; Ef 4.5; 1Pe 3.21; Tt 3.5; Jo 3.5).

Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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