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O evangelho do Apóstolo Paulo e sua pedagogia - Lição 9 – 02 de Dezembro de 2012

LIÇÃO 09 – 02 de Dezembro de 2012

O evangelho do Apóstolo Paulo e sua pedagogia

TEXTO AUREO

“E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio”. Rm 15.20

VERDADE APLICADA

O alvo principal do ensino cristão é apresentar a Deus todo homem perfeito em Jesus Cristo.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

Rm 1.14 - Eu sou devedor, tanto a gregos como a bárbaros, tanto a sábios como a ignorantes.
Rm 1.15 - E assim, quanto está em mim, estou pronto para também vos anunciar o evangelho, a vós que estais em Roma.
Rm 1.16 - Porque não me envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê; primeiro do judeu, e também do grego.
Rm 1.17 - Porque nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé, como está escrito: Mas o justo viverá da fé.

Romanos 15.20 – Texto Áureo
De modo surpreendente Paulo dá a conhecer um princípio, que resultava menos de sua vocação que de experiências posteriores. (Nisso), porém, esforçando-me, deste modo, por pregar o evangelho, não onde Cristo já fora anunciado, para não edificar sobre fundamento alheio.  Em 2Co 10.12-18, onde ele assume a mesma posição, transparece também seu motivo. Ele visa distanciar-se daqueles missionários que o seguiam, missionavam atrás dele, espionavam-no e se apoderavam, ávidos de vanglória, da sua obra. Ele evitava qualquer atrito. Por razão semelhante também não fazia valer nas igrejas recém-fundadas o seu direito por sustento material: “Tudo faço por causa do evangelho” (1Co 9.23). Indiretamente, ele novamente dá a entender aos romanos: entre vocês terei apenas um papel de visitante, mas auxiliem-me no meu trabalho pioneiro na Espanha, unicamente por amor ao evangelho!

Introdução
Paulo se tornou doutor dos gentios e assim considerava-se por causa da sua dedicação ao ensino que objetivava apresentar todo homem a Deus, perfeito em Cristo Jesus. Este foi um projeto muito ambicioso pelo qual lutou incansavelmente até os últimos momentos de sua vida. Esse ainda hoje é o alvo mais nobre da pedagogia cristã pelo qual se deve lutar.

1. Objetivo de firmar convicções
É surpreendentemente maravilhoso ver como o ensino paulino se depara com públicos diferentes, e mesmo assim, ele se ajusta à necessidade dessa heterogeneidade humana. Aos romanos, a dinâmica pedagógica de Paulo se ajusta à necessidade de um conhecimento aprofundado acerca da salvação, em tom pertencente ao direito, visando aprofundar suas convicções.

1.1. O homem precisa da justificação
A comunicação e o ensino de Paulo partem de um ponto que venha despertar o interesse. Por exemplo, Paulo ao escrever para os romanos, ensina sobre a salvação, mas parte do ponto de vista jurídico, capaz de despertar e fixar a atenção dos seus leitores, que têm um gosto peculiar pela jurisprudência. Paulo demonstra que todos são pecadores, todos estão sob condenação, e por isso, precisam de justificação. No entanto o homem é por si mesmo incapaz de alcançar essa justificação, mas ela lhe é oferecida gratuitamente, pela fé, e por graça mediante a redenção que há em Cristo Jesus (Rm 3.23-25). Esse tom jurídico é em si uma maneira interessante de se aprender sobre a salvação.
Romanos 3.23-25 - Neste ponto, Paulo insere brevemente no seu raciocínio o resultado de 1.18–3.20. Porque não há distinção (entre judeus e gentios): pois todos pecaram e carecem da glória de Deus. De acordo com Sl 8.5,6, o ser humano na verdade está logo abaixo de Deus. Como reflexo de Deus ele traz sobre a cabeça uma coroa de glória, com a Criação aos seus pés. Ele, porém, possui essa dignidade somente quando persevera na adoração de Deus, assim como a lua somente brilha quando está voltada para o sol. Por meio da trágica alteração de percurso mencionada e m 1.21, o ser humano perdeu sua irradiação prevista por Deus. Em 1.24-32 e 3.10-18 Paulo retratou o ser humano desviado de Deus e, por isso, assustadoramente sem brilho. Segundo 2.7,10, no juízo final estará em jogo a pergunta se Deus nos conferirá esse brilho reluzente da dignidade humana original.
Depois que Paulo trouxe mais uma vez à presença o ser humano silenciado sob a acusação e apagado sob a ira de Deus, ele afirma, como elemento de contraste, sobre o mesmo ser humano: tão logo chega à fé em Cristo, é justificado por Deus. É justo para Deus, capaz para Deus e, desse modo, inteiramente capaz de viver. Paulo assevera duplamente que para isso não se abre uma contabilidade. A pessoa é declarada livre gratuitamente, sem custos, mas sem que a declaração por isso fosse “barata”. É muito comum recebermos de graça o que não tem valor, porém de Deus recebemos justamente o que é impagável e, por isso, impossível de adquirir por dinheiro. O “desconto” total se explica nesse caso como pura graça.
Ao mesmo tempo, graça acontece aqui em correlações jurídicas. Ela é concebida como um processo intrajudicial. Pois nosso pecado produziu uma situação jurídica. Transportou-nos para a condição de escravos (Rm 6; Jo 8.34). Sofremos desenvolvimentos compulsórios que não só nos vitimam injustamente, mas que também merecemos. Pois também diante de Deus é justo que o nosso mal não nos faça bem, que colhamos o que semeamos (Gl 6.7). Ou seja, o poder do pecado pode exibir uma “ordem de execução” divina. Sob esse aspecto, sofremos não apenas a infâmia satânica, mas também juízo divino. “A força do pecado é a lei (divina!)” (1Co 15.56). Em consequência, o que precisamos não é “só o amor”. Perdão “sem mais nem menos” não conduz à liberdade. Para haver redenção verdadeira é preciso proceder de forma correta. Para isso, é necessário anular o direito do nosso pecado. A afirmação da graça de Deus tem por base legal o ato legal da morte de Cristo. Para valorizá-la, Paulo utiliza em Rm pelo menos três metáforas jurídicas: “redenção” (v. 24), do direito da família, “propiciação” (v. 25), do direito sacro, e em 5.1-11 “reconciliação” (5.11), do direito internacional.
Somos declarados livres por Deus mediante a redenção (que aconteceu) em Cristo Jesus. O resgate era originalmente uma instituição do direito israelita da família. Quando um israelita estava endividado ao extremo, seu parente mais próximo intervinha em favor dele com tudo que tinha e que podia fazer, como seu “resgatador”. Essa instituição de redenção por compra serve na Bíblia também como parábola do agir redentor de Deus em Israel no Egito, depois, no cativeiro babilônico, e finalmente em Isaías, bem como no NT, como acontecimento em favor de todos os povos.
O NT apresenta 18 passagens que falam do resgate. São configuradas de maneiras diferentes, mas sua mensagem fundamental é a seguinte: o próprio Deus é esse parente mais próximo de todas as pessoas (Sl 27.10). Incondicionalmente, ele intervém em favor de suas criaturas escravizadas e deportadas. São exatamente a culpa, aflição e vergonha que o convocam como “resgatador”. Em Cristo ele se fixou nessa função. Ali ele é plenamente “resgatador”. Visto que compra não é roubo, e sim um ato legal, o resgate em Cristo Jesus constitui o negócio mais confiável do mundo.
Paulo bem sabia quão importante era afirmar as convicções através do ensino, o eixo principal de sua mensagem é Cristo Jesus, o crucificado. A cultura paganizada de sua época precisava ser alterada, pela cultura da fé cristã (Hb 11.6). Os deuses tinham o seu domínio na crença, daquelas civilizações, mas não tinham respostas do dilema eterno posto no coração humano. Mas os cristãos deforma tão simples se tornaram uma poderosa ameaça por causa do que criam, do que experimentavam, e do que testemunhavam com as suas vidas, correndo severos riscos em muitos lugares.


1.2. A fé no evangelho é o único elemento capaz de justificar o homem
Todos concordam que a justificação é um ato exclusivo de Deus (Rm 3.21-23). E não é uma doutrina nova nas Escrituras, mas presente no Antigo Testamento, e mui claramente demonstrada na vida do patriarca Abraão (Rm 4.1-5). Por isso, o Apóstolo Paulo se utiliza da figura desse personagem, para exemplificar que a justificação é consumada no coração humano pela fé, mas que, sobretudo, precisa ser entendida para depois ser experimentada (Rm 10.17).
Rm 3.21-23 – Debaixo da Lei do Antigo Testamento, a justificação dava-se quando o homem se comportava bem; mas, sob o evangelho, a justificação se dá quan­do o homem crê. A Lei em si revela a justiça de Deus, pois "a lei é santa; e o mandamen­to, santo, e justo, e bom" (Rm 7:12). Além disso, a Lei dava testemunho dessa justifica­ção do evangelho, apesar de ela própria não ter poder para justificar. Começando em Gé­nesis 3:15 e continuando ao longo de todo o Antigo Testamento, vemos o testemunho da salvação pela fé em Jesus Cristo. Os sacri­fícios, as profecias e os tipos do Antigo Testa­mento, bem como as principais "Escrituras do evangelho" (como Is 53), davam teste­munho dessa verdade. A Lei podia afirmar a justiça de Deus, mas não podia oferecê-la ao homem pecador, pois somente Jesus Cris­to pode fazer isso (ver Gl 2:21).
 (v. 22a). O va­lor da fé consiste no valor de seu objeto. Todos os seres humanos creem em alguma coisa, mesmo que seja apenas em si mes­mos; o cristão, porém, crê em Jesus Cristo. A justiça da Lei é uma recompensa por obras realizadas. A justiça do evangelho é uma dádiva concedida por meio da fé. Muita gen­te diz: "Eu acredito em Deus!", mas não é isso o que nos salva. O que salva e justifica o pecador é a fé pessoal e individual em Jesus Cristo. Até mesmo os demónios no in­ferno creem em Deus e estremecem; no en­tanto isso não os salva (Tg 2:19).
 (w. 22b, 23). Deus deu sua Lei aos judeus e não aos gentios; mas as boas novas da salvação por meio de Cristo são para todos, pois todos precisam ser sal­vos. Em se tratando de condenação, não há diferença alguma entre judeus e gentios. "To­dos pecaram e estão aquém da glória de Deus" (Rm 3:23, tradução literal). Deus declarou todos os homens culpados para que pudesse oferecer a todos o dom gratui­to da salvação.

Rm 4.1-5 - Paulo aborda a questão controvertida entre cristãos e judeus quanto à experiência central de Abraão. Que, pois, diremos ter alcançado Abraão, nosso pai segundo a carne? Em todo caso encontrou graça, pois é assim que o termo “alcançar” pode ser completado a partir de uma expressão bíblica. Nisso Paulo e seus adversários eram unânimes. Porém, por meio de que ele chegou a esse estado de graça? Que o tornou correto diante de Deus, de modo que ele foi chamado “amigo de Deus” (Tg 2.23)? A deduzir da continuação no v. 2, a resposta adversária era: Cumprimento exemplar da lei rendeu-lhe o louvor de Deus! Nisso é preciso levar em conta a doutrina judaica de que Abraão já tinha conhecimento da lei do Sinai, ainda que não em forma escrita, observando-a exemplarmente ponto por ponto. Desse modo adquiriu um saldo positivo de boas obras, que reverteria em benefício de seus descendentes no juízo final. Se não forem capazes de quitar seus pecados através de méritos próprios, usufruem do tesouro de méritos dele. Sob esse aspecto, sem a justiça transbordante das obras de Abraão, sucumbia para os judeus a esperança da salvação.
(v 2)  Paulo aguça agora a interpretação judaica: Porque, se Abraão foi justificado por obras (da lei), tem (algo) de que se gloriar. Poderia triunfar no juízo com sua própria justiça. Contra isso, porém, levanta-se um protesto exegético. Porém (isso) não (vale) diante de Deus, que fala por intermédio da Escritura.
(v 3) O texto-chave de Gn 15.6 documenta a justiça de Abraão por fé. Pois que diz a Escritura? Abraão creu em Deus, e isso lhe foi imputado para justiça. “Texto-chave” significa nesse caso: Essa forma de imputação não estava apenas limitada àquela situação, mas formou o alicerce da relação propriamente dita entre Abraão e Deus, até o juízo final. Pelo sentido literal daquele texto, fé em Abraão não era praticar com fé as prescrições, mas submeter-se sem reservas à promessa de Deus. Realmente é imprópria a ideia de obedecer mandamentos sobre alimentos, ordens de jejum, ritos e sacrifícios. Logo Abraão, confiante nas promessas, foi a pessoa acertada para Deus, o aliado ideal. Por isso ele lhe declarou solene aceitação misericordiosa, renunciando ao direito de que dispunha de lhe imputar culpa (v. 6-8). É essa deliberação fundamental que sustenta Abraão e o povo que lhe foi prometido. Evidentemente esse “crer” tem uma série de relações com outras manifestações da vontade de Deus. No entanto, quem visa sempre cumprir a vontade de Deus, imperiosamente deve visar Deus pessoalmente. Em cada um dos mandamentos, o decisivo é avançar até o I Mandamento e temer e amar o próprio Deus acima de todas as coisas.
(v 4) O texto de Gn 15.6 desconhece a ideia de creditar contraprestações humanas. Ora, ao que trabalha, o salário não é considerado como favor (segundo a graça), e sim como dívida. Pois nessa hipótese estaria no comando a conta dos méritos, que sobe cada vez mais, até permitir a leitura do resultado, a soma da “justiça”, que pode ser quitada. Para Paulo, porém, vigora a graça, muito em consonância com Rm 3.24; 11.5,6.
(v 5) Portanto, resta apenas a justiça por fé. Mas, ao que não trabalha, porém crê naquele que justifica o ímpio, a sua fé lhe é atribuída como justiça. O patriarca está sendo contado, sem que seja dito expressamente, entre as pessoas sem Deus. Talvez a intenção de Paulo também seja apontar para a descendência gentílica de Abraão. Em todo caso ele desafia incrivelmente a interpretação judaica de Abraão, sim, ele afronta inicialmente qualquer percepção tradicional de direito. Reside nisso um dilema, que será solucionado só no final do capítulo, mas que agora estava sendo sentido como tal.

Rm 10.17 - Depois de refutar a ideia de um automatismo da fé sob a pregação, Paulo tem condições de afirmar duas coisas sobre o surgimento da fé: E, assim, a fé vem pela pregação. Antes que venha a fé, vem a mensagem. Mas a pregação, pela palavra de Cristo. Por trás da boca do mensageiro está a boca do Cristo ressuscitado.

1.3. Jesus Cristo é o preço pago para nossa justificação
Não é possível apresentar o homem perfeito a Deus sem Cristo Jesus, sem que Ele se torne o tema central nos nossos próprios ensinamentos. Afinal, foi Ele quem foi entregue à morte e ressuscitou para a nossa justificação (Rm 4.25). A graça da justificação pela fé no Cristo ressuscitado é para todos os homens. Tal verdade deve ser levada com muito empenho para que este alicerce soteriológico fique inabalável nas pessoas.
A soteriologia é o estudo da salvação humana. A palavra é formada a partir de dois termos gregos (Soterios), que significa "salvação" e (logos), que significa "palavra", ou "princípio".

Rm 4.25 – o qual foi entregue por causa das nossas transgressões e ressuscitou por causa da nossa justificação.
Um dito homogêneo, cuidadosamente formulado, sobre esse Senhor enfeixa, no final, todo o bloco da carta desde 3.21. Na forma de uma confissão que é apoiada por todas as comunidades, Paulo recoloca mais uma vez a mensagem fundamental da morte propiciatória de Jesus, de Rm 3.25: o qual foi entregue por causa das nossas transgressões. Essa ação de Deus está presente também como base para Paulo nas demais exposições (p. ex., 5.9,10; 6.10; 8.3,32-34). Além disso, porém, o nexo com o v. 17b direciona especificamente para a ação da Páscoa, que ainda estava ausente em 3.24,25: e ressuscitou por causa da nossa justificação. Para o “por causa”, tanto na frase inicial, quanto no período posterior desse versículo, são possíveis diferentes explicações.
• A preposição “por causa” poderia ter ambas as vezes um sentido causal (justificativo). Então teremos para ambas as ações a seguinte correlação: Cristo morreu em nosso lugar, “por causa” de nossos pecados. Desse modo ele restabeleceu a nossa justiça, p. ex., no sentido de 5.9: “sendo justificados pelo seu sangue”. Sob essa premissa, ou seja, “por causa” de nossa justiça perfeita, Deus em seguida respondeu por meio de uma segunda ação, despertando Jesus da morte. Vista dessa maneira, a ressurreição constituiu o resplandecente “sim” e “Amém” de Deus à obra já consumada na cruz (Jo 19.30). Ela a qualificou como inegável. Páscoa é o quebra-dúvidas (1Co 15.17). Nenhuma experiência negativa será capaz de superá-la.
• No entanto, também se pode fazer uso da possibilidade linguística de que esse “por causa” ocasionalmente pode especificar um sentido final (indicação da finalidade). Nesse caso mantém-se na parte inicial o sentido causal como acima, mas entende-se a continuação como finalidade e parafraseando: Cristo foi ressuscitado “com a intenção” da nossa justificação, do estabelecimento e da preservação da nossa justiça. Vista assim, a ação de Deus na Páscoa não foi somente uma confirmação retrospectiva da expiação perfeita, Deus não se limitou a uma limpeza do passado, não apenas restabeleceu o ponto zero, mas aponta, a partir da Páscoa, para um “algo mais”. Páscoa é ruptura voltada para a frente, em direção da novidade de uma vida para Deus (5.2; 6.4b,10,11). Cristo foi enaltecido, a fim de salvar também os reconciliados para todo o futuro “pela sua vida” (5.10). Seu justificar contínuo (8.34; Hb 7.25) “dá vida” (5.18). Os textos paralelos aqui referidos indicam com que força esses pensamentos ocuparão o próximo bloco da carta.
Essa foi uma questão muito pertinente que gerou muitas dúvidas e precisava de muito esclarecimento naquela época. A forma de recurso usado por Paulo para eliminação delas era o ensino quando estava presente, mas quando ausente, a través de suas cartas, procurou cuidadosamente eliminar qualquer dúvida. Visto que a insegurança, nesse assunto, gera prejuízos irreparáveis.

2. Paulo e a construção do conhecimento
A pregação e o ensino cristãos não eram o único meio de promover a moral da sociedade greco-romana. Mas a construção do pensamento cristão através de Paulo, parte do conceito de autoridade das Escrituras, evidentemente do Antigo Testamento (posto que, naquele tempo, era o que se tinha documentado e ratificado como inspirado por Deus).

2.1. Tudo parte das Escrituras
O ponto de apoio paulino para a comunicação, convencimento e instrução de seu auditório, não vinham de si mesmo. Ele mesmo se recusa a usar linguagem floreada, rebuscada e lisonjeira, mas usa a simples e direta como uma espada. Sua mensagem também não vinha de pensamentos filosóficos correntes de sua época, isso não significa que não encontremos citações diretas e indiretas de mestres e filósofos em suas pregações e cartas. O seu cuidado era que a vida cristã de seus ouvintes e destinatários não repousassem sobre qualquer elemento pessoal, filosófico ou humano. Que o conhecimento e vida prática deles partissem das Escrituras e do Senhor Jesus (Rm 15.4; 2Tm 3.16). Ele é a sabedoria, o logos, e o poder de Deus. Se hoje a igreja local se desprender do eixo do conhecimento revelado, perderá o sentido de sua existência.
2Tm 3.16 - Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça,
“Toda a Escritura é inspirada por Deus” A doutrina da inspiração das Es­crituras é de importância vital e também é uma doutrina que Satanás tem atacado des­de o princípio ("É assim que Deus disse...?" [Gn 3:1]). É inconcebível que Deus desse a seu povo um livro no qual não pudessem confiar. Ele é o Deus da verdade (Dt 32:4); Jesus Cristo é "a verdade" (Jo 14:6); e "o Espírito é a verdade" (1 Jo 5:6). Jesus afir­mou acerca das Escrituras: "a tua palavra é a verdade" (Jo 17:17). O Espírito Santo de Deus usou homens de Deus para escrever a Palavra de Deus (2 Pe 1:20, 21). O Espírito não apagou as ca­racterísticas naturais dos escritores. Antes, em sua providência, Deus preparou escrito­res para a tarefa de redigir as Escrituras. Cada um deles tem seu estilo e vocabulário pró­prios. Cada livro da Bíblia originou-se de um conjunto específico de circunstâncias. Ao preparar os homens, ao conduzir a história e ao operar por meio do Espírito, Deus rea­lizou o milagre das Escrituras.
Não se deve pensar no termo "inspira­ção" da forma que o mundo o entende hoje, quando diz: "sem dúvida, Shakespeare foi um escritor inspirado". A inspiração bíblica refere-se à influência sobrenatural do Espíri­to Santo sobre os escritores, garantindo que as palavras que escreveram seriam precisas e fidedignas. A revelação é a comunicação da verdade ao ser humano por Deus; a ins­piração é relacionada ao registro dessa co­municação de maneira confiável.
Tudo o que a Bíblia afirma a respeito de si mesma, do ser humano, de Deus, da vida, da morte, da história, da ciência e de qual­quer outro assunto é verdade, isso não sig­nifica que todas as declarações encontradas na Bíblia sejam verdadeiras, pois ela registra as mentiras dos homens e de Satanás. Mas o registro é verdadeiro.
As Escrituras são úteis (v. 16b). São úteis para o ensino (aquilo que é certo), para a repreensão (aquilo que é errado), para a correção (como fazer o que é certo) e para a educação na justiça (como permanecer no caminho certo). O cristão que estuda a Bíblia e que aplica o que aprende cresce em santi­dade e evita muitas ciladas deste mundo.

2.2. Fé para entender
A pedagogia paulina se baseia na fé que parte da revelação, como disse Agostinho: “Eu creio para entender”. Nas Escrituras, constatamos que a fé e a razão andam juntas, e não divorciadas. Mas reconhecemos que a fé tem capacidade de ir mais além do que os olhos podem ver, tocar, e sentir (ICo 2.9). A superioridade da fé que repousa na revelação é capaz de aceitar o que a razão rejeita, demonstrando depois ser perfeitamente racional. Como disse certo teólogo, “Onde a razão para a fé caminha, prossegue vitoriosamente”. Tertuliano também disse: “Creio porque é absurdo, se não fosse absurdo não haveria necessidade da fé, bastariam os sentidos ou a razão”. Por mais chocante que possa parecer, o conhecimento de Deus, a salvação em Cristo e uma vida cristã abençoada é alicerçada sobre a “fé que atua pelo amor” (G1 5.6; Hb 11.1-2).
ICo 2.9 - Mas, como está escrito: As coisas que o olho não viu, e o ouvido não ouviu, e não subiram ao coração do homem, são as que Deus preparou para os que o amam.
Este versículo é usa­do com frequência em funerais e aplicado ao céu, mas sua aplicação principal diz respeito à vida do cristão hoje. O versículo seguinte deixa claro que Deus está nos re­velando tais coisas aqui e agora.
Trata-se de uma citação (adaptada) de Isaías 64:4. O contexto imediato é relacio­nado a Israel no cativeiro, esperando o livramento de Deus. A nação havia pecado e, como disciplina, fora mandada para a Babi­lónia. O povo clamou a Deus, pedindo que descesse para livrá-los. Depois de setenta anos de exílio. Deus respondeu a suas ora­ções. Deus tinha planos para seu povo, e ninguém precisava temer coisa alguma (Jr 29:11).
Paulo aplicou esse princípio à igreja. Quaisquer que sejam as circunstâncias, nos­so futuro está seguro em Jesus Cristo. Na verdade, os planos de Deus para seu povo são tão maravilhosos que nossa mente não é capaz sequer de começar a concebê-los ou a compreendê-los! Deus ordenou tais coi­sas para sua glória (1 Co 2:7). É glória desde a Terra até o céu!
Para os que amam a Deus, todo dia é um bom dia (Rm 8:28). Pode não parecer bom ou podemos não sentir que é bom, mas quando Deus realiza seu plano, podemos ter certeza de que é o melhor. É quando deixamos de crer no Senhor ou lhe obede­cer, quando nosso amor por ele esfria, que a vida se torna sombria. Se caminharmos com Deus em sabedoria, desfrutaremos suas bênçãos.
Consideramos nesta passagem duas ver­dades fundamentais acerca do evangelho: o cerne da mensagem é a morte de Cristo, e ela faz parte do grande plano eterno do Pai. Os cristãos em Corinto haviam esqueci­do o preço pago por sua salvação; havia deixado de olhar para a cruz. Também esta­vam se ocupando de questões secundárias, coisas de criança, pois haviam deixado de se maravilhar com a magnitude do plano de Deus para eles. Era necessário que vol­tassem ao ministério do Espírito Santo.

Hb 11.1-2 - Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. Pois foi por meio dela que os antigos receberam bom testemunho.
Não se trata de uma definição da fé, mas sim de uma descrição do que ela faz e de como funciona. A verdadeira fé bíblica não consiste em um otimismo cego nem em um sentimento forçado de "espero que [...]". Também não é uma aquiescência intelectual à doutrina. Certamente não é crer apesar das evidências, pois isso seria superstição!
A verdadeira fé bíblica é uma obediência confiante à Palavra de Deus apesar das cir­cunstâncias e consequências. Convém ler a frase anterior novamente e deixar que ela penetre a mente e o coração. Essa fé funciona de maneira bastante sim­ples. Deus fala, e ouvimos sua Palavra. Confiamos em sua Palavra e agimos de acordo com ela, a despeito das circunstâncias e das consequências. As circunstâncias podem ser impossíveis e as consequências assustadoras e desconhecidas. Ainda assim, obedece­mos à Palavra de Deus e cremos que ele fará o que é certo e o que é melhor.
O mundo incrédulo não entende a verda­deira fé bíblica, provavelmente porque vê tão pouca fé operando na Igreja de hoje. H. L Mencken, um editor cínico, definiu a fé co­mo "uma crença ilógica na ocorrência do impossível". O mundo não entende que a fé tem o mesmo valor que seu objeto, e que o objeto de nossa fé é Deus. A fé não é um "sentimento" que criamos. É nossa resposta de corpo e alma àquilo que Deus revelou em sua Palavra.
Três termos em Hebreus 11:1-3 resumem a verdadeira fé bíblica: certeza, convicção testemunho. O termo traduzido por "certe­za" significa, literalmente, "servir de escora, sustentar". A fé é para o cristão aquilo que o alicerce é para a casa: dá confiança e segurança de permanecer em pé com firmeza.
Assim, podemos dizer que ter fé é "estar seguro das coisas que se esperam". A fé do cristão é o meio que Deus usa para lhe dar confiança e segurança de que as promessas serão cumpridas.
A palavra convicção quer dizer "persua­são íntima". É a convicção íntima dada por Deus de que ele cumprirá o que prometeu. A presença no coração da fé recebida de Deus é convicção suficiente de que ele cum­prirá sua Palavra.
O termo testemunho é importante em Hebreus 11. Aparece não apenas no ver­sículo 2, mas também duas vezes no versí­culo 4, uma vez no versículo 5 e uma vez no versículo 39. O resumo em Hebreus 12:1 chama essa lista de homens e mulheres de "grande nuvem de testemunhas". São teste­munhas para nós porque Deus testemunhou para eles. Em cada exemplo citado, Deus deu testemunho da fé desse indivíduo por meio da aprovação de sua vida e ministério.

2.3.  A renovação da mente
Passar a viver a fé em Jesus Cristo envolve a renovação da mente. Devemos entender que quando alguém recebe Cristo, ele é regenerado pela Palavra, isto é, nasce como uma criança no reino de Deus. E como todo bebê precisa ser alimentado para o seu pleno desenvolvimento, assim, o novo convertido precisa ser alimentado para o seu pleno desenvolvimento espiritual. Isso significa que o espírito humano é renovado e recebe uma nova disposição e entendimento das coisas de Deus, as quais antes eram impedidas pela cegueira do pecado, da incredulidade e a atuação maligna (2Co 4.3,4). Entretanto, essa mente não é transformada por um milagre, mas com esforço pessoal, pois Paulo diz o seguinte: “sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus” (Rm 12.1,2).
Rm 12.1,2 - Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.
E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.
 (v. 1). Antes de crer em Cristo, usávamos o corpo para prazeres e propósitos pecaminosos; agora que pertencemos ao Senhor, usamos o cor­po para sua glória. O corpo do cristão é o templo de Deus (1 Co 6:19, 20), pois o Espí­rito de Deus habita nele (Rm 8:9). É nosso privilégio glorificar e engrandecer a Cristo com nosso corpo (Fp 1:20, 21).
Assim como Jesus Cristo precisou ter um corpo para realizar a vontade de Deus na Terra, também devemos entregar o corpo a Cristo para que possa continuar a obra de Deus por meio de nós. Devemos entregar os membros de nosso corpo como "instru­mentos de justiça" (Rm 6:13) para o Espírito Santo realizar a obra de Deus. Os sacrifícios do Antigo Testamento eram sacrifícios mor­tos, mas devemos ser sacrifícios vivos.
Há dois "sacrifícios vivos" na Bíblia que ajudam a entender o verdadeiro significado desse conceito. O primeiro é Isaque (Gn 22); o segundo é nosso Senhor Jesus Cristo. Isaque colocou-se voluntariamente no altar e se mostrou disposto a morrer em obe­diência à vontade de Deus, mas o Senhor enviou o cordeiro que tomou seu lugar. Ain­da assim, Isaque "morreu" para si mesmo e se entregou prontamente à vontade de Deus. Quando saiu do altar, Isaque era um "sacri­fício vivo" para a glória de Deus.
É evidente que o Senhor Jesus Cristo é a ilustração perfeita de um "sacrifício vivo", pois, na verdade, morreu como sacrifício em obediência à vontade do Pai. No entanto, ressuscitou e hoje esta no céu como "sacri­fício vivo", levando ainda em seu corpo as marcas do Calvário. Ele é nosso Sumo Sacer­dote (Hb 4:14-16) e nosso Advogado (1 Jo 2:1) diante do trono de Deus.
O termo "apresentar", neste versículo, significa "apresentar-se de uma vez por to­das". Ordena uma entrega definitiva do cor­po ao Senhor, como os noivos se entregam um ao outro na cerimonia de casamento. E essa entrega definitiva que determina o que fazem com o corpo. Paulo apresenta dois motivos para essa consagração: (1) é a atitu­de certa diante de tudo o que Deus fez por nós "Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus; (2) essa entrega é nosso "culto racional" ou nossa ''adoração espiritual", o que significa que, quando consagramos nosso corpo ao Senhor, cada dia é uma experiência de adoração.
 (V. 2a). O mun­do quer controlar nossa mente, mas Deus quer transformá-la (ver Ef 4:17-24; Cl 3:1-11). O termo traduzido aqui por transformar é o mesmo traduzido por transfigurarem Mateus 17:2. Em nossa língua, equivale à palavra "metamorfose". Descreve uma mudança que ocorre de dentro para fora. O mundo deseja mudar nossa mente e, para isso, exer­ce pressão externa. Mas o Espírito Santo transforma nossa mente, liberando poder interior. Se o mundo controla nossa manei­ra de pensar, somos conformados, mas se Deus controla nossa maneira de pensar, so­mos transformados.
Deus transforma nossa mente e a focaliza nas coisas espirituais usando sua Palavra. Ao passar tempo meditando sobre a Pala­vra de Deus, memorizando-a e assimilando-a em nosso ser interior, aos poucos, Deus torna nossa mente cada vez mais espiritual (ver 2 Co 3:18).
 (v. 2 b). A mente controla o corpo e a volição controla a mente. Muitas pessoas acreditam que podem controlar a volição pela "força de vontade", mas normalmente não são bem-sucedidas. (Essa é a experiência que Paulo relata em Rm 7:15-21.) Somente quando en­tregamos nossa volição a Deus é que seu poder assume o controle e nos dá a força de vontade de que precisamos para ser cris­tãos vitoriosos.
Entregamos nossos desejos a Deus pela oração disciplinada. Ao passarmos tempo em oração, entregamos a Deus nossa volição e oramos como Jesus Cristo: "Faça-se a tua vontade, e não a minha". Devemos orar so­bre todas as coisas e permitir que Deus faça o lhe aprouver em todas as coisas.

Em muitas culturas, para o adorador se aproximar de determinada divindade, oferecia-se sacrifício de animais. Isso para o judeu era algo perfeitamente compreensível, visto que fazia parte de sua liturgia religiosa, no templo, a prática do oferecimento de sacrifícios. Note que a ideia original de oferta e de sacrifício em Paulo permanece,  mas agora o crente era Jesus é a oferta viva, oferta santa e oferta que agrada a Deus através do culto racional. A ideia de “culto racional” é profunda, pois, pelo latim, traz consigo o sentido de cultivo, cuidado, honrado e venerado. Já culto, corno está no texto em grego “latreian”, tem o sentido de serviço assalariado ou serviço a Deus. Sendo assim, podemos concluir que: seja o cultivo ou serviço a Deus, isso deve ser feito de maneira racional, lógica, mas constante, pois a vida não para.

3. Pedagogia que transforma vidas
A pedagogia de Paulo não é milagreira, mas passa um conteúdo capaz de transformar vidas. Parece contraditório isso, mas a explicação é que não se trata do trabalho de Paulo apenas, e sim, da graça de Deus que opera através da sua vida e suas palavras.

3.1. O Conteúdo do evangelho
Falamos acima sobre a importância da renovação da mente. Mas qual o conteúdo usado por Paulo e demais apóstolos capaz de operar isso? Como também já dissemos Jesus é o tema central de seu conteúdo pedagógico, que se apoia no cumprimento fiel das profecias do Antigo Testamento, pelo fato de que Jesus morreu e ressuscitou de acordo com testemunho de muitos fiéis (ICo 15.3-8), um ensino que gera esperança e nutre a fidelidade a Deus. Todavia há três tipos principais do ensino evangélico paulino: primeiro, através do próprio exemplo piedoso de quem ensina, nesse aspecto, o próprio Paulo se oferece como um modelo (ICo 4.16; 11.1); segundo, aqueles destinados a instruir, eliminando dúvidas e a responder questões, como por exemplo, sobre a ressurreição, costumes locais, etc.; terceiro, aqueles ensinos com peso dogmático, ético, ou seja, para obedecer-se. Esses três modelos de ensino continua, e jamais devem deixar de ser empregados na igreja.
ICo 15.3-8 - (v. 3, 4). A expressão antes de tudo significa "o que é de suma impor­tância". O evangelho é a mensagem mais importante que a Igreja pode proclamar. Ape­sar de o envolvimento com as ações sociais e com o aperfeiçoamento humano ser algo louvável, não há motivo algum para esses ministérios tomarem o lugar do evangelho. "Cristo morreu [...] foi sepultado [...] ressus­citou [...] e apareceu [...]" - esses são os fatos históricos fundamentais nos quais o evangelho encontra-se apoiado (1 Co 15:3-5). "Cristo morreu pelos nossos pecados", essa é a explicação teológica dos fatos históricos. Os romanos crucificaram muita gente, mas apenas uma dessas "vítimas" morreu pelos pecados do mundo.
Quando Paulo escreveu "segundo as Escrituras" (1 Co 15:3), referia-se às Escrituras do Antigo Testamento. Grande parte do sis­tema sacrificial do Antigo Testamento apon­tava para Cristo como nosso substituto e Salvador. Também deve ter se lembrado do Dia da Expiação, observado anualmente (Lv 16), e de profecias como Isaías 53.
Mas em que parte do Antigo Testamen­to é declarada a ressurreição de Cristo no terceiro dia? Jesus fala da experiência de Jonas (Mt 12:38-41). Paulo também compara ressurreição de Cristo com as primícias apresentadas a Deus no dia depois do shabbath seguinte à Páscoa dos judeus (Lv 23:9-14; Co 15:23). Uma vez que o shabbath deve ser sempre o sétimo dia, então o dia depois do shabbath é, necessariamente, o primeiro dia da semana, ou seja, o domingo, o dia da ressurreição de Cristo. No calendário judai­co, esse período equivale a três dias. Além da Festa das Primícias, havia outras profecias sobre a ressurreição do Messias no Antigo Testamento: Salmos 16:8-11 (ver At 2:25-28); Salmos 22:22ss (ver Hb 2:12); Isaías 53:10-12 e Salmos 2:7 (ver At 13:32, 33).
 (v. 5-8). Na cruz, Jesus ficou ex­posto aos olhos dos incrédulos; mas, depois da ressurreição, foi visto por seus seguidores, que poderiam dar testemunho da ressur­reição do Mestre (At 1:22; 2:32; 3:15; 5:32). Tanto Pedro quanto os outros apóstolos vi­ram o Cristo ressurreto. Tiago era o meio-irmão de Jesus que se converteu depois que Jesus apareceu a ele (Jo 7:5; At 1:14). Mais de quinhentos irmãos e irmãs o viram ao mesmo tempo (1 Co 15:6), de modo que pode ter sido uma alucinação ou um engano. É possível que esse acontecimento ocorrido antes da ascensão de Cristo Mt 28:16ss).
Todavia, uma das principais da ressurreição foi o próprio Paulo, antes de ser salvo, estava plenamente convicto de que Jesus continuava morto, mudança radical em sua vida, formação que lhe causou sofrimento e per­seguições, sem dúvida é prova de que Jesus, de fato, havia ressuscitado dentre os mortos.

ICo 4.16 - Admoesto-vos, portanto, a que sejais meus imitadores.
 “Exorto-vos, pois: sede meus imitadores”. Paulo reitera isso em 1Co 11.1 e declara igualmente aos filipenses (Fp 3.17), aos gálatas (Gl 4.12) e com vistas aos tessalonicenses (1Ts 1.6). Pessoas renascidas não se encontram mais sob a lei. Não se deve dar-lhes, como na instrução rabínica, uma multidão de preceitos específicos, aos quais tenham de seguir. Porém, de acordo com quem hão de conduzir-se em sua nova vida? De acordo com pessoas vivas que lhes servem de exemplo na vida de fé! Também nisso têm a liberdade de ser, filhos que imitam espontaneamente os pais, crescendo assim na vida correta.

3.2. O lado pragmático do evangelho
O ensino de Paulo é prático e deve ser acatado pelos crentes em Jesus, que por sua vez, devem ir “na contra-mão” do curso deste mundo. Os cristãos não devem tomar como modelo as formas pagãs tão modernizadas e correntes, tão momentâneas que refletem o domínio do espírito que permeia este mundo sem Deus. Atualmente, a arqueologia tem encontrado vestígios claros que demonstram a licenciosidade em muitos lugares do tempo de Paulo no Império Romano, isso sem contar o muito da literatura daquela época existente também em nossos dias. Diante disso, devemos a cada dia, mais e mais nos identificar com o Filho de Deus, abandonando todo pecado do século presente e buscando insaciavelmente níveis profundos de transformação segundo a imagem de Jesus Cristo, nosso Senhor.

3.3. Objetivo de um ensino transformador do evangelho
Principalmente na Carta aos Romanos, encontramos de uma maneira bem organizada os objetivos de um viver transformado. Primeiro todo homem deve viver para agradar a Deus e a vida em comunhão com o Espírito de Deus é que possibilita isso (Rm 8); segundo, essa nova vida em comunhão com Cristo segundo o poder do Espírito Santo é o único meio eficaz de se vencer as paixões da nossa natureza pecaminosa (Rm 8; G1 5.16); terceiro, a vida assim, como expusemos, é o único meio de produzir frutos para Deus através das virtudes cristãs, a única maneira de glorificar o seu nome. Isto se dá pela expressão de emoções sadias tais como amar, ser benigno e alegre com o nosso próximo; pela demonstração de virtudes individuais pelo domínio próprio, mantendo-se longe de vícios de todo o tipo; pelas virtudes demonstradas num relacionamento falando a verdade sempre, sendo paciente e honesto; e por fim, pelas atitudes religiosas corretas, tais como fugir da idolatria e feitiçaria.
O conteúdo do evangelho não consiste apenas na parte teórica, e sim prática. Devemos considerar que o evangelho foi primeiramente vivido, depois de vários anos as histórias foram organizadas e escritas. A dinâmica. da vida exige um evangelho dinâmicoprático sem deixar de ser profundo ao mergulhar em suas águas de conhecimento.

Conclusão
O maior alvo do evangelho em relação ao homem é torná-lo perfeito em Jesus Cristo através da justificação pela fé. Onde houver um coração sem Cristo, há ali uma terra cultivável para o desenvolvimento das convicções que toma o homem melhor. O maior alvo do evangelho em relação a Deus é promover a sua glória através do conhecimento de Cristo para a obediência da fé.

QUESTIONÁRIO

1. Segundo o evangelho de Paulo, por que o homem precisa da justificação?
R. Porque todos são pecadores e estão sob condenação.
2. Jesus Cristo foi o preço pago para quê?
R. Para a nossa justificação.
3. Quem disse, “creio porque é absurdo...”?
R. Tertuliano
4. Cite um dos três tipos principais do ensino Paulino:
R. Paulo se oferece como modelos; ensinos que visam à instrução ou eliminação de dúvidas; ensinos para serem obedecidos.
5. Como é possível segundo o evangelho de Paulo viver para agradar a Deus?
R. Através da comunhão com o Espírito Santo.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento 
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Comentário Bíblico - F. B. Meyer
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)
Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

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