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O nascimento de João Batista - Lc 1.57-66

57 – A Isabel cumpriu-se o tempo de dar à luz, e teve um filho.
58 – Ouviram os seus vizinhos e parentes que o Senhor usara de grande misericórdia para 
com ela e participaram do seu regozijo.
O autor nos fornece agora uma graciosa imagem da vida do povo israelita. Um após o outro,
vemos chegar os vizinhos e parentes; aqueles primeiro, porque vivem nas redondezas. A mãe feliz
forma o centro da cena. Um após o outro se achegam a ela e a cumprimentam por causa da  grande
graça que lhe foi concedida, alegrando-se com ela (Godet). Também a palavra de Deus sabe valorizar
essa alegria (Sl 127.4s). De fato esse feliz nascimento se reveste de copiosa misericórdia divina.
Filhos são dádiva do Senhor, e o fruto do ventre é um presente (Sl 127). Como não se alegrar com
isso? Feliz a criança que é saudada com tão sagrada alegria ao ingressar na vida terrena.
59 – Sucedeu que, no oitavo dia, foram circuncidar o menino e queriam dar-lhe o nome de 
seu pai, Zacarias.
60 – De modo nenhum! Respondeu sua mãe. Pelo contrário, ele deve ser chamado João.
Através da circuncisão a criança era incorporada ao povo da aliança do AT. Levando em conta o
leitor gentio, Lucas observa que essa prática acontecia no oitavo dia após o parto. À circun cisão
estava associada a definição do nome. Via de regra o filho recebia um nome de acordo com o nome
do pai ou de um de seus antepassados.
Aqui, no entanto, essa regra é conscientemente rompida. O nome da criança não será Zacarias,
mas João. João não deve apenas dar continuidade à família de Zacarias. Com ele algo realmente
novo deve ter início. Deve ficar patente que João é um homem enviado por Deus, que recebeu tanto o
nome quanto dons e vocação não da casa paterna e dentre seus amigos, mas  de Deus. E to dos se
admiraram de que ambos os pais se ativeram de forma tão determinada ao estranho nome “João”.
Ambos os nomes, Zacarias e João, indicam de modo apropriado a atitude do coração. Zacarias
(“Deus lembra”) remete nos moldes do AT para o tempo da promessa.  O nome João proclama: “Deus
é misericordioso”. Chegaram a graça e a verdade, ainda que apenas no raiar da manhã. O sol
desponta e brilha de forma límpida e nítida para todos aqueles que “já não mais dormem nem
repousam”. Os dois pais, porém, são pessoas que “acordam cedo”, porque o sol da graça raiou. De
fato, Deus se lembra de que ele é misericordioso.
61 – Disseram-lhe: Ninguém há na tua parentela que tenha este nome.
62 – E perguntaram, por acenos, ao pai do menino que nome queria que lhe dessem.
63 – Então, pedindo ele uma tabuinha, escreveu (as palavras): João é o seu nome. E todos se 
admiraram.
64 – Imediatamente, a boca se lhe abriu, e, desimpedida a língua, falava louvando a Deus.
65 – Sucedeu que todos os seus vizinhos ficaram possuídos de temor, e por toda a região 
montanhosa da Judéia foram divulgadas estas coisas.
66 – Todos os que as ouviram guardavam-nas no coração, dizendo: Que virá a ser, pois, este 
menino? E a mão do Senhor estava com ele.
A expressão original “escreveu e falou” não deve ser interpretada no sentido de que a fala lhe
havia sido restituída no momento da definição do nome.
Com certeza ninguém será capaz de descrever o que Zacarias suportou e sofreu durante sua
mudez! Seu coração pode ter transbordado quando Isabel estava na expectativa de se tornar mãe,
pelo que ele obtinha a plena certeza daquilo que lhe fora dito. Pode ter tido vontade de proclamar
para todos os lados o que o Senhor lhe havia feito. Contudo – ele não conseguia falar, nem sequer
podia derramar o coração perante Isabel! Talvez o tentasse algumas vezes com a tabuinha  –  mas isso
era apenas um recurso precário! O coração quase lhe explode de aflição, de ser obrigado a cerrar
dentro de si tudo o que o move tão intensamente! Ele é abençoado e, não obstante, disciplinado,
precisamente por meio daquilo com que é abençoado. A grande alegria vem a ser suplício para ele, e
o filho que lhe trouxe alegria torna-se pregador de arrependimento mesmo antes de nascer. Nove
longos meses haviam, pois, transcorrido. Ele deve ter aguar dado ansiosamente o dia do nascimento.
Agora a criança nasceu – porém a língua ainda não foi solta! Com quanta predileção ele teria
enaltecido a Deus agora. Não consegue fazê-lo! Essa situação representou uma última grave
provação de fé para Zacarias! Afinal, o anjo não dissera que ele permaneceria mudo até o dia em que
isso haveria de acontecer? Afinal, isso o quê? “Isso” não significa: até o dia do nascimento do filho?
Mas, apesar disso, a língua não se solta?
O dia do nascimento passou, mas Zacarias continua mudo. Chega o dia da circuncisão, que
acontece somente no oitavo dia após o parto. Mas Zacarias não consegue participar das alegres
conversas. Quantas lutas estariam ocorrendo no íntimo de Zacarias! Contudo, malgrado a mudez
ainda persistente, sua fé se apega à promessa, e a determinação com que ele escreve: “João é seu
nome” constitui a última vitória de sua confiança. Agora ficou evidente que o Zacarias incrédulo se
tornou crente. “Imediatamente, a boca se lhe abriu, e, desimpedida a língua, falava louvando a
Deus.” Zacarias foi aprovado em seu derradeiro teste de fé! Agora finalmente também se quebrou a
limitação da língua e do coração! A admiração dos presentes se intensifica em temor, que já
conhecemos dos vs. 12 e 29 e, posteriormente, de Lc 2.9.  O poderoso braço de Deus (a majestade de
sua graça, a santidade de sua proximidade) apodera-se das pessoas (Gn 3.10; Êx 33.20).
Deve-se supor que o casal, que havia se calado por tanto tempo, agora revela aos hóspedes da casa
todos os seus segredos. Podemo s imaginar o impacto extraordinário que o milagre do mudo que volta
a falar, louvar e enaltecer a Deus exerce sobre os hóspedes. O estranhamento em relação ao nome
João silencia de súbito. Sim, seu significado é sentido profundamente também nos corações do s
presentes. É como se ouvissem o frêmito dos pés daquele que vem.
De modo tão benigno Deus reverteu o castigo que enviara a Zacarias por causa de sua
incredulidade. Ele teve de ajudar a revelar a mão do Senhor e manifestar a graça de Deus a todo o
povo. O que sucedeu na casa dessa família sacerdotal com certeza contribuiu consideravelmente para
intensificar ainda mais a expectativa pelo Messias no povo.
66a  Todos os que as ouviram guardavam-nas no coração.
A notícia impactou-os. Não podiam desvencilhar-se dela, tinham de movê-la constantemente no
coração. Afinal, no nascimento de homens como Moisés, Sansão (Juízes 13), Samuel haviam
acontecido fatos semelhantes. Esperanças há muito definhadas tornavam a brot ar nos corações. E a
alegria permaneceu porque a mão do Senhor estava com a criança, e ela cresceu e se tornou forte no
Espírito (v. 80), precisamente no Espírito Santo, que já o preenchia no ventre materno, constituindo a
força do espírito dele. Pode-se notar nele o nazireu, pois ele o era por fora e por dentro.
Conseqüentemente, o mensageiro é precedido pela mensagem de que Deus tem grandes objetivos
com ele. Foi-lhe aberto o acesso ao coração do povo, para que com isso prepare o caminho do
Senhor. Ei-lo aí, esse João, enviado de Deus, um homem que na verdade jamais realizou um milagre
pessoalmente, mas foi introduzido no mundo por meio de um milagre e que andou diante dos olhos
do povo como um milagre!

Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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