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Paulo e o bom combate da oração Lição 11 - 16 de Dezembro de 2012


LIÇÃO 11 – 16 de Dezembro de 2012

Paulo e o bom combate da oração

TEXTO AUREO

“Porque quero que saibais quão grande combate tenho por vós, e pelos que estão em Laodicéia, e por quantos não viram o meu rosto em carne”. Cl 2.1

VERDADE APLICADA

Quando a igreja descobre o valor e o poder da oração intercessória, seu alcance se torna maior, e seu poder sobressai onde quer que esteja.

OBJETIVOS DA LIÇÃO

 Conhecer a figura de Paulo mais profundamente como um exemplo de intercessor;
 Apresentar algumas frentes de combate de oração de Paulo;
 Notar alguns dos principais ensinos de Paulo sobre a prática da oração.

TEXTOS DE REFERÊNCIA

Ef 3.14 - Por causa disto me ponho de joelhos perante o Pai de nosso Senhor Jesus Cristo,
Ef 3.15 - Do qual toda a família nos céus e na terra toma o nome,
Ef 3.16 - Para que, segundo as riquezas da sua glória, vos conceda que sejais corroborados com poder pelo seu Espírito no homem interior;
Ef 3.17 - Para que Cristo habite pela fé nos vossos corações; a fim de, estando arraigados e fundados em amor,
Ef 3.18 - Poderdes perfeitamente compreender, com todos os santos, qual seja a largura, e o comprimento, e a altura, e a profundidade,
Ef 3.19 - E conhecer o amor de Cristo, que excede todo o entendimento, para que sejais cheios de toda a plenitude de Deus.


2:1: Pois quero que saibais quão grande luta tenho por vós, e pelos que estão em Loodicéia, e por quantos não viram a minha pessoa;
Em Col. 1:29 é usada a metáfora do atletismo, com o uso da palavra «afadigo», que no grego é «agonizo», indicando os labores extremamente diligentes de Paulo em prol do evangelho. Agora ele pinta seu serviço em favor de Cristo como a nobre «competição» (no grego, «agona»). A forma verbal, com seu derivado nominativo, talvez já tivesse adquirido uma espécie de sentido semitécnico para indicar o martírio e a vida dos mártires em potencial, que se ocupavam no conflito contra as forças do mal. No segundo século de nossa era, essas palavras tinham tal sentido. Pelo menos, o martírio, e a vida que conduz ao menos, nunca são vistos nas Escrituras como uma resistência passiva, mas antes, como uma luta ativa pelo bem e contra as forças do mal.
Paulo já havia mostrado que tinha o direito de escrever aos crentes de Colossos, convencendo-os do erro, por causa de sua comissão divina e do escopo universal do seu ministério (ver os versículos vinte e cinco a vinte e nove do primeiro capítulo); e agora diz que tinha esse direito devido ao seu interesse pessoal por aqueles crentes, e porque lutava pessoalmente em favor deles, não sendo eles uma questão indiferente para ele. Sua ansiedade não estava limitada às igrejas por ele fundadas. Ele era apóstolo dos gentios. Até mesmo o trabalho em Colossos fora, indiretamente, fruto do seu labor (ver Col. 1:7 e ss.), porquanto Epafras labutava sob a sua autoridade, e, mui provavelmente, se convertera sob o seu ministério.
“...pelos laodicenses..." Evidentemente Paulo também não trabalhara em Laodicéia, lugar que distava cerca  de cento e trinta quilómetros de Éfeso e menos de trinta e cinco quilómetros de Colossos; mas, tal como no caso de Colossos, provavelmente também fora o originador indireto da igreja daquele lugar. Fica implícito que os crentes de Laodicéia também vinham sendo atacados por alguma heresia similar à de Colossos, pelo que Paulo também se preocupava por eles, ao ponto de tornar-se uma «competição», uma questão agonizante para ele. É provável que Paulo aluda aqui, indiretamente, ao seu aprisionamento, talvez em Éfeso, que ficava tão próximo, e que fora ocasionado por seus labores naquela área, como também ao seu contínuo ministério de oração em favor deles. Também podem estar em foco certos mensageiros que ele lhes enviara, a fim de encorajá-los a andarem condignamente no caminho cristão e de protegê-los dos ataques heréticos. Laodicéia é cidade mencionada aqui porque esta epístola aos Colossenses deveria ser lida por aqueles crentes também (ver Col. 4:16), ao passo que certa outra epístola, provavelmente agora perdida, que Paulo enviara aos crentes laodicenses, deveria ser lida pela comunidade cristã de Colossos. Alguns estudiosos têm conjecturado que a carta aqui mencionada seria a nossa epístola aos Efésios ou a nossa epístola a Filemom, o que é possível, apesar de não passar de uma mera conjectura.
“...e por quantos não me viram face a face...” Há duas coisas que ficam subentendidas aqui: 1. Os crentes colossenses e laodicenses não eram conhecidos de Paulo. 2. Ele também não conhecia a outros crentes daquela região, como os de Hierápolis, que também eram objetos de sua agonia espiritual. O trecho de Col. 1:4, naturalmente, já indicara que ele não era fundador da igreja de Colossos; e a presente referência reforça isso.
“...face a face...” Literalmente, teríamos a tradição «minha face na carne». Os crentes tinham ouvido falar no apóstolo dos gentios, e tinham amigos mútuos, alguns dos quais eram líderes principais da comunidade cristã; mas nunca o tinham visto pessoalmente, embora o reconhecessem “espiritualmente”. Essas palavras não envolvem qualquer ideia de separar alguns “conhecidos” de Paulo dos “desconhecidos” dele naqueles lugares. Tão-somente indicam que ele não visitara aquela região em geral, embora houvesse ali diversas comunidades cristãs. Essas palavras, por igual modo, não fazem a separação entre “Colossos” e “Laodicéia”, como se houvesse localidades que ele conhecia e outras que ele não conhecia, na mesma área, ideia essa que alguns intérpretes ter defendido.
Fonte:
Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin

Introdução
Qualquer um que leia sobre o trabalho missionário de Paulo, seus diversos talentos naturais, e dons espirituais, não deixa de se impressionar pelo volume de trabalho por ele realizado por amor ao Senhor Jesus. Lemos e meditamos acerca deste consagrado servo de Cristo sob várias óticas: sua trajetória ministerial, seu ensino e filosofia, mas notamos de que um de seus grandes segredos era ser um combatente fervoroso na oração.

1. O exemplo de Paulo na oração
A forma como ocorreu sua chamada ministerial era o agente impulsionador de seu trabalho missionário. Porém a oração dele foi a principal pilastra de um edifício que atravessa séculos, que os terremotos da perseguição ferrenha de imperadores romanos não o abalaram, nem tampouco a erosão do tempo corroeram.

1.1. Paulo um combatente da oração
Desde bem cedo, Paulo aprendeu a depender de Deus em Cristo pela oração. Ele entendia que a hegemonia do Império Romano fora conquistada a custa de vários combates, inclusive com a destruição definitiva de Cartago que controlava o comércio no Mar Mediterrâneo. Muitos reinos e nações foram conquistados o que deu a luz ao vasto Império, mas quando uma cidade se insurgia, eles a destruíam para demonstrar quem mandava, ou seja, mantinham o seu controle pela força. Entretanto Paulo entendeu que o estabelecimento do reino de Deus se dá pela oração. Sem ela não haverá verdadeira justiça, paz e alegria no Espírito Santo, que são a essência do reino celestial (Rm 14.17).
Rm 14.17 - Pois o Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo;
Os cristãos devem ter prioridades (w. 16-18). Assim como os fariseus da Antigui­dade, nós cristãos temos a tendência de nos concentrar nas minúcias (Mt 23:23, 24). Vi igrejas se dividirem por causa de questões insignificantes, quando comparadas com o que há de mais vital na fé cristã. Já ouvi falar de igrejas que se dividiram por causa de coisas secundárias, como o lugar onde o piano deveria ficar no templo ou a prática de servir refeições na igreja aos domingos. "Porque o reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, e paz, e alegria no Espí­rito Santo" (Rm 14:17). "Não é a comida que nos recomendará a Deus, pois nada perderemos, se não comermos, e nada ga­nharemos, se comermos" (1 Co 8:8).
Nossas prioridades não devem ser as coisas externas, mas sim as coisas eternas: retidão, paz e alegria. De onde elas vêm? Do Espírito Santo de Deus operando em nossa vida (ver Rm 5:1, 2). Se cada cristão se entregasse ao Espírito e se concentrasse em levar uma vida piedosa, não veríamos cristãos discutindo entre si por causa de coi­sas secundárias. As prioridades espirituais são essenciais para a harmonia na igreja.


1.2. Paulo e demais companheiros de combate
Visto que o reino de Deus aqui é implantado no poder do Espírito Santo, não há outro meio de alcançar esse poder por Jesus Cristo prometido, senão pela oração. Por isso, subentende-se que Paulo tinha uma disciplina quanto à prática da oração. Alguns de seus companheiros de oração são mencionados ao longo do Novo Testamento: Barnabé, Silas, Timóteo, Epafras e muitos outros que talvez nunca venhamos conhecer. Certo dia, na segunda viagem missionária, Paulo e Silas saem para um lugar a fim de orar, e ambos foram surpreendidos por uma jovem pitonisa que dizia: “Estes homens, que nos anunciam o caminho da salvação, são servos do Deus Altíssimo”. Paulo depois de muitos dias repreendeu o espírito advinhador que dava lucro para os seus senhores, e ela nunca mais adivinhou (At 16.16-26). Devemos nos lembrar que a narrativa de Lucas aponta para Silas como um companheiro leal na oração e nas tribulações também.

1.3. Orando no Espírito
Quando Paulo ensina aos efésios, que eles devem orar: “Em todo tempo... No Espírito” (Ef 6.18), devemos entender que ele não está dizendo em orar mentalmente, mas está falando em orar motivado, energizado pelo Espírito Santo. Esse é um tipo de oração que procede da fé e comunhão com o Espírito, que possibilita o crente ir além de sua limitação de tempo e esforço mental. Então orar no Espírito aqui significa ser guiado e fortalecido pelo Espírito Santo em oração. Provavelmente Paulo utiliza essa frase aqui como em (ICo 14.14,15), para incluir a oração em línguas.
Ef 6.18 – Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos.
Orar em todo tempo. É evidente que isso não significa "proferir orações o tem­po todo". Não somos ouvidos por causa de nossas "vãs repetições" (Mt 6:7). "[Orar] sem cessar" (1 Ts 5:17) significa estar sem­pre em comunhão com o Senhor, estar conectado com ele a todo tempo. Ao orar, o ideal é nunca dizer: "Senhor, colocamo-nos em tua presença...", pois, na verdade, nunca deixamos a presença dele! O cris­tão deve orar "em todo tempo", pois está sempre sujeito a tentações e a ataques do diabo. Um ataque surpresa já derrotou mais de um cristão que se esqueceu de "orar sem cessar".
Orar com toda oração. Existe mais de uma forma de orar: oração, súplica, inter­cessão e ação de graças (Fp 4:6; 1 Tm 2:1). O cristão que ora apenas para pedir coisas para si está perdendo as bênçãos resultan­tes da intercessão e da ação de graças. Na verdade, a ação de graças é uma grande arma para derrotar Satanás. Assim como o louvor, a oração tem poder transformador. A intercessão por outros pode trazer vitó­ria em nossa própria vida. "Mudou o Senhor a sorte de Jó, quando este orava pelos seus amigos" (Jó 42:10).
Orar no Espírito. De acordo com o mo­delo bíblico, oramos ao Pai, por meio do Filho e no Espírito. Romanos 8:26, 27 mos­tra que a única maneira de orar dentro da vontade de Deus é pelo poder do Espírito. De outro modo, nossas orações podem ser egoístas e estar fora do que Deus deseja.
No tabernáculo do Antigo Testamento, an­tes do véu que dava acesso ao Santo dos Santos, havia um pequeno altar de ouro em que o sacerdote queimava incenso (Êx 30:1-10; Lc 1:1-11). O incenso retrata a oração e, para ser queimado no tabernáculo ou templo, deveria ser preparado de acordo com as instruções de Deus, não segundo alguma fórmula humana. O fogo do altar retrata o Espírito Santo, pois é ele que "acen­de" nossas orações dentro da vontade de Deus. E possível orar com fervor na carne e não se comunicar com Deus. Também é pos­sível orar tranquilamente no Espírito e ver a mão de Deus fazer grandes coisas.
Orar com os olhos abertos. Vigiar sig­nifica "manter-se alerta". A injunção para "vigiar e orar" aparece com frequência na Bíblia. Quando Neemias estava restau­rando os muros de Jerusalém e o inimigo tentava impedi-lo de realizar essa obra, Neemias derrotou os adversários vigiando e orando. "Porém nós oramos ao nosso Deus e, como proteção, pusemos guarda contra eles" (Ne 4:9). "Vigiar e orar" é o segredo para vencer o mundo (Mc 13:33), a carne (Mc 14:38) e o diabo (Ef 6:18). Pedro adormeceu quando deveria estar orando, e o resultado foi a vitória de Sata­nás (Mc 14:29-31, 67-72). Deus espera que usemos os sentidos que nos deu para que, conduzidos pelo Espírito, possamos perceber quando Satanás está começando a operar.
Continuar a orar. A palavra perseve­rança significa, simplesmente, "persistir em algo e não desistir". Os primeiros cristãos oravam dessa maneira (At 1:14; 2:42; 6:4), e devemos seguir seu exemplo (Rm 12:12). A perseverança na oração não sig­nifica que estamos tentando convencer Deus, mas sim que estamos profundamen­te interessados e preocupados, e que não conseguimos descansar enquanto não re­cebemos uma resposta de Deus. Nas pa­lavras de Robert Law: "Orar não é insistir para que a vontade do homem seja feita no céu, mas sim para que a vontade de Deus seja feita na Terra"A maioria desiste exatamente quando Deus está preste a dar a vitória. Nem todos têm a disposição ne­cessária para passar uma noite inteira em oração sincera, mas todos podemos perse­verar muito mais do que costumamos fazer. A Igreja primitiva orou incessantemente enquanto Pedro estava na prisão e, no últi­mo instante, Deus lhe deu a resposta (At 12:1-19). Devemos continuar orando até que o Espírito nos oriente a parar ou até que Deus responda. Justamente no momento que sentirmos vontade de desistir, Deus dará a resposta.
Orar por todos os santos. As primeiras palavras da oração que Jesus ensinou são: "Pai nosso" e não "meu Pai". Oramos como parte de uma grande família que também conversa com Deus e devemos orar pelos demais membros da família. Até mesmo Paulo pediu o apoio dos efésios em ora­ção - ele que já havia sido arrebatado ao terceiro céu e voltado. Se Paulo precisa­va das orações dos santos, tanto mais nós também precisamos! Se minhas orações cooperam para que outros santos derro­tem Satanás, essa vitória também me aju­dará. Convém observar que Paulo não pede que orem por seu bem-estar ou segu­rança, mas pela eficácia em seu testemu­nho e ministério.
Uma frágil vida de oração e de súplicas ocasionais, “como uma lista de supermercado”, certamente não será eficiente na guerra espiritual. Precisamos nos inclinar mais intensamente à oração no Espírito e pelo Espírito, em nossas orações c intercessões pessoais e comunitárias (comentário Pentecostal N.T. pág. 1268).

Fonte:
Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe

2.  Combates de Paulo em oração
A obra de um intercessor é sobremodo importante para a realização da obra de Deus. Nesse campo, há muitos mistérios que poucos servos de Deus conseguem penetrar por falta de intimidade com os céus. Embora nem sempre percebamos, o espírito imundo sabe quem tem autoridade sobre ele, como vimos no caso da jovenzinha escrava que dava lucro a seus patrões com a adivinhação, até que, orando a Deus, este deu autoridade a Paulo para desnudar e repreender o tal espírito, e ele nunca mais voltou. Todavia Paulo e Silas não ficaram livres das consequências do agir humano contra eles em Filipos, mas mesmo assim oravam.

2.1. Derramando o seu coração pela igreja
Paulo não apenas intercedeu fervorosamente, mas fez questão de escrever algumas de suas orações pelas igrejas com as quais se correspondia (Fp 1.9; 4.6). Com muita intensidade, Paulo escreveu duas orações em favor dos efésios, a fim de que eles alcançassem toda a maturidade necessária em Cristo. São duas orações que têm sido lidas, estudadas e repetidas em favor de famílias e igrejas, e, ainda hoje, em alguns lugares. Paulo não se envergonhava de dobrar os joelhos e de demonstrar um ministério com lágrimas, à semelhança de Jeremias e Jesus. Semelhantemente, devemos chorar pelas nossas igrejas, famílias e nação contra essa avalanche que está prestes a desabar sobre a igreja brasileira.
Fp 1.9 - Esta é a minha oração: Que o amor de vocês aumente cada vez mais em conhecimento e em toda a percepção,
Paulo alegra-se com as recordações que tem de seus amigos em Filipos e com seu amor cada vez maior por eles. Também se alegra em se lembrar deles diante do trono da gra­ça em oração. O sumo sacerdote de Israel usava sobre o peito uma vestimenta espe­cial chamada de "peitoral do juízo". Nela se encontravam engastadas doze pedras pre­ciosas, e em cada uma estava gravado o nome de uma das tribos de Israel (Êx 28:15-29). Como o sacerdote, Paulo trazia o povo junto ao coração em amor. Talvez a maior comunhão cristã e alegria que podemos ex­perimentar nesta vida encontre-se diante do trono da graça, ao orarmos uns com os ou­tros e uns pelos outros.
Vê-se aqui uma oração pedindo maturi­dade, e Paulo começa com o amor. Afinal, se o amor cristão se desenvolver corretamente, o resto será consequência. O apóstolo pede que os filipenses experimentem amor abundante e discernente. O amor cristão não é cego! O coração e a mente trabalham jun­tos para que se tenha amor discernente e discernimento amoroso. Paulo deseja que seus amigos cresçam em discernimento, ou seja, na capacidade de "fazer distinção en­tre coisas diferentes".
A capacidade de distinguir é um sinal de maturidade. Quando uma criança está aprendendo a falar, às vezes chama todo animal quadrúpede de "au-au". Mas, à me­dida que se desenvolve, descobre que exis­tem gatos, ratos, vacas e outras criaturas quadrúpedes. Para uma criança, todos os carros são iguais, mas com certeza não é o caso para o adolescente aficionado por au­tomóveis! Ele é capaz de identificar as di­ferenças entre os modelos antes mesmo de seus pais conseguirem distinguir a marca. O amor discernente é um dos sinais inequívo­cos de maturidade.
Paulo também ora pedindo que tenham um caráter cristão maduro e que sejam "sinceros e inculpáveis". O termo grego traduzido por ''sinceros" pode ter vários significados. Alguns o traduzem por "testa­do à luz do sol". O cristão sincero não tem medo de ser exposto à luz.
O vocábulo correspondente a sincero também significa "girar em uma peneira", o que sugere a ideia de separar a palha do trigo. Em ambos os casos, a verdade é a mesma: Paulo ora para que seus amigos te­nham um caráter que possa ser testado e aprovado. Na língua portuguesa, o adjetivo "sincero" vem do latim sinceru, que signifi­ca "sem mistura, não adulterado, puro".
Paulo ora por eles para que tenham amor e caráter cristão maduros, "inculpáveis para o Dia de Cristo" (Fp 1:10) Isso significa que a vida não deve ser mo­tivo de tropeço para outros e que estamos preparados para o tribunal de Cristo em sua volta.

2.2. Paulo dependia da oração
Deus é Todo Poderoso e imutável, portanto, não se enfraquece com o tempo, mesmo assim, Ele escolheu trabalhar através das orações dos crentes. Assim, quanto maior número de pessoas que estiverem orando, tanto mais ele vai liberar o seu poder sobre o seu povo contra o pecado e contra o mal. A oração não deve ser um meio de promoção pessoal e sim do Reino. Para o Senhor Jesus, o combate em oração é uma verdadeira campanha de guerra, a guerra pela paz que se estabelece com a total dependência de Deus.

2.3.  Paulo e a intercessão de seus discípulos
Não foram poucos os homens de Deus que tinham uma cobertura de oração. Essa cobertura é de suma importância para a vida ministerial, e Paulo compreendia muito bem que com ela poderia avançar mais e mais. Paulo servia e orava pelos outros, mas era humilde o suficiente para lhes pedir que orassem por ele também, a fim de desempenhar sem impedimento o seu ministério. Curiosamente ele pede aos romanos que se juntem a ele num combate de intercessão por um grande desafio que estava prestes a enfrentar (Rm 15.30); também aos efésios. pede que intercedam por ele para que tenha ousadia na comunicação do evangelho (Ef 6.19).
Rm 15.30 - Recomendo-lhes, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e pelo amor do Espírito, que se unam a mim em minha luta, orando a Deus em meu favor.
No mesmo instante, porém, o apóstolo é novamente alcançado pelo presente cheio de preocupações, a partida para Jerusalém. A sua segunda intenção está ligada a essa situação: orem por mim! Nitidamente, esse pedido é mais que simples rotina em finais de cartas. Ele praticamente conjura os romanos, exorta-os por tudo que lhes é sagrado: Rogo-vos, pois, irmãos, por nosso Senhor Jesus Cristo e também pelo amor do Espírito, que luteis juntamente comigo nas orações a Deus a meu favor. Apesar de o conhecerem somente à distância, apesar de que, conforme Rm 3.8 e 16.17, também estão expostos à irradiação da propaganda adversa, Paulo parte do pressuposto de que esse grande escrito lhe proporcionou crédito em Roma. É esse saldo disponível que ele aciona agora. Pressiona-os a se decidirem: façam um pacto de luta comigo, deem-me cobertura seguramente diante de pessoas, mas até perante a instância máxima, perante Deus! Talvez seja estranha para nós essa luta com Deus em oração, porém ela é inerente à profundidade bíblica da oração.
Nesses dias em que a aprovação de. leis no congresso brasileiro bombardeia a família e a moral e enfraquece a nossa nação, que, embora seja considerada laica, é na verdade cristã, precisamos realizar cruzadas de oração pública levantando mãos abençoadoras em, nossa nação. É necessário fazer passeatas, lutar no congresso liberando uma influência espiritual e social. Mas, acima de tudo, devemos orar, pois apenas Deus pode trazer o seu reino aos corações dos homens. Sem Cristo nada podemos fazer.

Fonte:
Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
Romanos - Comentário Esperança

3. Ensinos de Paulo sobre a oração
Os dois maiores mestres da oração no Novo Testamento, em se tratando de volume de ensino; são o Senhor Jesus e o apóstolo Paulo. Porém devemos lembrar que Paulo era um imitador do Jesus terreno em todos os aspectos, incluindo o da oração também.

3.1. Perseverança (1Ts 5.17)
Paulo recomendou sempre oportunamente a oração perseverante às comunidades cristãs. Embora a comunicação, entre os seres humanos, seja fácil, devemos reconhecer que, para a maioria esmagadora dos homens e mulheres crentes comuns, não é um exercício espiritual fácil. Mas precisamos intensamente orar, e era por isso, que Paulo sempre recomendava em suas cartas como fez. Aos Romanos escreveu, “perseverai na oração” (Rm 12.12); embora não haja nenhuma recomendação expressa quanto à oração nas cartas aos Coríntios, ele se coloca como um exemplo de oração perseverante numa causa pessoal (2Co 12.8); já para os efésios recomenda que orem “em todo tempo no Espírito” (Ef 6.18); enquanto que aos irmãos de colossos disse: “perseverai na oração com ações de graças” (Cl 4.2). Aos amáveis irmãos filipenses ele insistiu que não andassem ansiosos, e que suas orações fossem conhecidas por Deus (Fp 4.6); e finalmente aos tessalonicenses escreveu: “orai sem cessar” (lTs 5.17).
lTs 5.17 - Orem continuamente.
A oração era uma prá­tica importante na Igreja primitiva (1 Co 11:1-6; At 1:13,14; 4:23ss). As reuniões de oração das congregações eram uma experiência sublime e sagrada. Hoje em dia, pede-se que alguém "nos dirija em oração" sem sequer fazer ideia se essa pessoa está em comu­nhão com Deus. Em algumas igrejas, há duas ou três pessoas que monopolizam as reu­niões de oração. Se formos dirigidos pelo Espírito (Jd 20), faremos nossas orações em união e com liberdade, e Deus responderá. "Orai sem cessar" não significa estar sempre sussurrando orações. O termo tradu­zido por "sem cessar" não significa fazer continuamente, mas sim "voltar a fazer cons­tantemente". Devemos manter conexão per­manentemente ativa com Deus, de modo que nossa oração faça parte de uma longa conversa sem interrupções. Deus conhece os desejos do coração (SI 37:4) e responde mesmo quando estamos em silêncio. Ver os Salmos 10:17 e 21:2.

3.2. Intensidade (Ef 6.18)
Ao escrever à igreja de Éfeso, Paulo se encontrava preso em Roma numa prisão domiciliar algemado a um soldado romano para que não fugisse. Aqueles homens deveriam estar sempre atentos a pessoa de Paulo. Mas Paulo estava atento a eles também. Em algum momento, ao ver a imagem duma armadura de guerra que revestia um soldado, esta surgiu diante dele como um traje de guerra espiritual. Ele se lembrou de Isaías 59.16-17 que reporta profeticamente o Messias revestido em sua armadura para o momento da vingança no fim dos tempos. E assim, Paulo orientou os crentes a se revestirem de toda a armadura espiritual, o Senhor Jesus, no combate contra o mal através da oração. Do mesmo modo que uma batalha requer atenção total e intensidade, de tal maneira deve ser a intercessão do crente para estabelecer o reino de justiça aqui na terra enquanto Jesus não vem: intensidade, fervor e ardor na oração.
Ef 6.18 - Orem no Espírito em todas as ocasiões, com toda oração e súplica; tendo isso em mente, estejam atentos e perseverem na oração por todos os santos.
Mesma referência escrita no tópico “1.3. Orando no Espírito”.

3.3. Abrangência (lTm 2.1)
Paulo tanto pede que se ore em favor de todos os crentes fervorosa e perseverantemente, como também recomenda a Timóteo que faça uma campanha de oração ininterrupta em favor de todos os homens, principalmente as autoridades. Percebemos que ao escrever a Timóteo a primeira carta que temos, ele pressentia a perseguição generalizada que estava por vir, no intento de tolir o crescimento da igreja. Então, é nesse momento que Paulo, um experiente guerreiro sugere uma ofensiva maciça contra as trevas que rege os reinos dos homens (lTm 2.1,8). Parafraseando o que ele disse, escrevemos: “antes de tudo, primeiro roguem a Deus insistentemente, orem, intercedam por todos os homens”.
lTm 2.1 - Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens;
A primazia da oração (v. 1a). A expressão "Antes de tudo" indica que a oração é prio­ritária no culto público da igreja. E triste ver como a oração tem perdido a importância em muitas igrejas.
- Se eu avisar que vamos ter um jantar especial - disse um pastor, as pessoas com­parecem. Mas se eu avisar que vamos ter uma reunião de oração, fico feliz se os diá­conos vierem!
Não apenas as reuniões de oração per­deram espaço na maioria das igrejas locais, como também a oração nos cultos públicos tem sido deixada, cada vez mais, em segun­do plano. Muitos pastores passam mais tem­po dando avisos do que orando!
O falecido Peter Deyneka, fundador da organização Slawc Gospel Association, costumava lembrar: "Muita oração, muito poder! Nenhuma ora­ção, nenhum poder!".
Os membros da igreja preci­sam estar preparados para orar. Nosso cora­ção deve estar em ordem com Deus e uns com os outros. Devemos ter um desejo au­têntico de orar, não apenas para agradar as pessoas (como era o caso dos fariseus, Mt 6:5) ou para cumprir um dever religioso. Quando uma congregação deixa de depender da ora­ção, Deus deixa de abençoar seu ministério.
As várias formas de oração (v. 1b). Exis­tem pelo menos sete substantivos gregos para "oração", e quatro deles são usados nesta passagem. As súplicas dão a ideia de "apre­sentar um pedido por uma necessidade que sentimos".
Orações é o termo mais comum usado para essa atividade e enfatiza seu caráter sa­grado. Estamos orando para Deus; a oração é um ato de adoração, não apenas a expres­são de desejos e necessidades. Devemos nos dirigir a Deus com um coração reverente.
Uma tradução mais adequada para in­tercessões é "petições". Esse mesmo termo é traduzido por "oração" em 1 Timóteo 4:5, versículo em que se refere a abençoar os alimentos que ingerimos (é evidente que não intercedemos pelo alimento no sentido ha­bitual desse verbo). O significado básico é "aproximar-se de uma pessoa e conversar com ela confiantemente". Sugere que des­frutamos comunhão com Deus e, portanto, confiamos nele ao orar.
Por certo, as ações de graças fazem par­te da adoração e da oração. Não damos graças apenas pelas respostas às orações, mas também por quem Deus é e por aquilo que ele faz por nós em sua graça. Não se deve apenas acrescentar agradecimentos ao final de uma oração egoísta! As ações de graças são um ingrediente importante em todas as orações. Na verdade, há ocasiões em que devemos imitar Davi e apresentar a Deus somente ações de graças sem quais­quer pedidos! (ver SI 103).
As "petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças" (Fp 4:6) fazem parte da fórmula de Paulo para ter a paz de Deus no coração. Convém observar que Daniel, o grande guerreiro de oração, orava dessa forma (Dn 6:10, 11).
Os assuntos de oração (w. 1c, 2). A ex­pressão "todos os homens" deixa claro que nenhuma pessoa na Terra está fora da esfe­ra de influência da oração feita com fé. (Em momento algum, a Bíblia exorta a orar pe­los mortos. Se fosse o caso, esta seção da carta a Timóteo seria ideal para Paulo indi­car tal necessidade.) Isso significa que deve­mos orar tanto pelos salvos quanto pelos não salvos: pelas pessoas próximas e também pelas que estão mais distantes de nós; pelos amigos e pelos inimigos. Infelizmente, os fariseus não tinham essa visão universal da oração, pois concentravam toda sua aten­ção em Israel.
Paulo insta a igreja a orar especificamen­te pelas autoridades. Na época, o perverso imperador Nero ocupava o trono, e, no en­tanto, os cristãos deveriam orar por ele! Mesmo quando não é possível respeitar ho­mens e mulheres em posições de autoridade, deve-se respeitar o cargo que ocupam e orar por tais pessoas. Na verdade, fazemos isso para nosso bem, "para que vivamos vida tran­quila e mansa, com toda piedade e respeito" (1 Tm 2:2b). A Igreja primitiva era alvo constante de oposição e perseguição, de modo que era sábio orarem pelas autorida­des. A vida "mansa" refere-se às circunstân­cias, enquanto a "tranquilidade" diz respeito a uma atitude interior de calma. O resultado deve ser uma vida piedosa e honrada.
É claro que Paulo não cita todas as pes­soas pelas quais podemos e devemos orar, pois "todos os homens" é suficientemente abrangente. Não é possível orar por todas as pessoas do mundo mencionando-as pelo nome, mas, sem dúvida, devemos orar pelos conhecidos e pelos que não conhecemos pessoalmente, mas que sabemos necessitar de oração. Por quê? Pois é algo bom e por­que agrada a Deus.
Estamos vivendo dias em que há uma busca pelo retomo ao paganismo. Na verdade, é um movimento novo, mas é muito atuante nestes últimos anos chamado pós-modernismo que traz em seu bojo dentre tantas coisas o movimento do arco-íris, isto é, movimento gay. Que se tem articulado e ganhado espaço com fins políticos. Em muitos lugares, está havendo uma onda de cristianofobia, em que muitos cristãos são tachados de homofóbicos, intolerantes, todavia, devemos entender que isso faz parte de uma articulação do mal que visa enfraquecer as famílias e igrejas como instituições que são os pilares da sociedade e da moral.

Conclusão
Um dos grandes segredos da sobrevivência de um grupamento, pelotão, ou do indivíduo em combate, é a comunicação com seu quartel general, de onde recebe instruções específicas, suprimentos e socorro em momentos cruciais. A oração é esse instrumento de comunicação com o nosso supremo general em meio às batalhas comuns do dia a dia.

Fonte:
Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe


QUESTIONÁRIO

1. De que maneira Paulo entendeu que se dá o estabelecimento do reino de Deus?
R. Através da oração.
2. Nem sempre Paulo orava só, cite alguns companheiros dele de oração:
R. Barnabé, Silas. Timóteo, Epafras, etc.
3. O que significa orar no Espírito?
R. Significa orar motivado, energizado pelo Espírito Santo.
4. Apresente um dos combates de Paulo em oração demonstrado em suas cartas.
R. Ele intercedia pela igreja; convocou seu cooperador Timóteo a orar pelas autoridades.
5. Cite um exemplo de ensino de Paulo da oração a Deus:
R. O ensino da perseverança; ou, do dever de se orar a Deus com intensidade; ou ainda, o dever de se orar a Deus em favor de todos os homens.

REFERÊCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 4º Trimestre de 2012, ano 22 nº 85 – Jovens e Adultos – Apóstolo Paulo.
Comentário Bíblico Expositivo – Warrem W. Wiersbe
O Novo Testamento Interpretado Versículo Por Versículo - Russell Norman Champlin
Comentário Esperança - Novo Testamento 
Comentário Bíblico Matthew Henry - Novo Testamento
Comentário Bíblico - F. B. Meyer
Bíblia – THOMPSON (Digital)
Bíblia de Estudo Pentecostal – BEP (Digital)
Dicionário Teológico – Edição revista e ampliada e um Suplemento Biográfico dos Grandes Teólogos e Pensadores – CPAD - Claudionor Corrêa de Andrade

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