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Porventura o estudo sistemático de fontes exclui a inspiração divina? Lc 1.1-4

Porventura o estudo sistemático de fontes exclui a inspiração divina? Lc 1.1-4

O primeiro olhar sobre os v. 1-4 permite perceber que o autor é instruído  em grego e no respectivo estilo 
lingüístico. As expressões que Lucas utiliza neste prefácio não pertencem ao vocabulário hebraico do NT, mas são 
emprestadas do grego clássico. Ao invés da lacônica adição das frases que é própria do estilo hebraico, deparamo-nos 
no v. 1-4 com o bem-estruturado período sintático grego, e a tradução em português não é capaz de proporcionar uma 
idéia da elegante estruturação e da sonoridade rítmica do original grego. Filólogos do ramo apreciaram 
significativamente o estilo do prefácio. O erudito Wilhelm Bousset afirma: “Lucas domina a prosa artística grega 
melhor que Paulo” (Bousset-Heitmüller, Die Schriften des NT, p. 392).
Lucas constrói um prefácio tão deslumbrante pelo fato de que esta obra é apresentada a um homem distinto e 
erudito, a saber, o grego Teófilo.
No entanto, não somente a forma exterior de seu prefácio, mas igualmente a circunstância a seguir anunciam sua 
formação científica. Lucas é o único evangelista que, segundo o exemplo dos historiadores gregos, inicia su a obra com 
uma breve dedicatória. Se compararmos esse prólogo com o prefácio dos historiadores gregos Heródoto, Tucídides e 
Políbio, temos de dizer que Lucas foi um excelente conhecedor da literatura das obras historiográficas clássicas.
Os historiadores gregos escreviam suas obras a fim de preservar os grandes feitos dos helênicos na memória da 
posteridade. O interesse ao qual Lucas agora dedica sua pena, é de cunho extremamente superior ao dos mestres 
gregos, cujo método ele segue. Ele deseja dar notícia do maior acontecimento da história mundial, do tema que abarca 
céu e terra, tempo e eternidade, passado e futuro, referente ao Deus eterno e seu Filho eterno.
Aquilo que Lucas apresenta na dedicatória de seu escrito evangélico, a fim de justificá-lo, não é nada mais que a 
menção de uma investigação histórica exata.
Nesse prólogo Lucas se reporta ao incondicional testemunho ocular de seus informantes. Afinal, era a história 
sagrada que ele escrevia, história que trata do bem e da desgraça de toda a humanidad e. Aqui a demonstração da 
veracidade possui uma relevância soteriológica (referente à doutrina da salvação). O  espírito da verdade e a 
determinação em prol da verdade vicejavam com vigor juvenil nas testemunhas que haviam visto, face a face, a 
própria Verdade, a saber, Jesus Cristo.
1 – Visto que muitos houve que empreenderam uma narração coordenada dos fatos que 
entre nós se realizaram,
2 – conforme nos transmitiram os que desde o princípio foram deles testemunhas oculares e 
ministros da palavra:
Na expressão “empreenderam” reside uma leve alusão ao fato de que os autores anteriores provavelmente não 
tenham recorrido a todos os auxílios. Por essa razão Lucas não envia simplesmente um dos escritos mais antigos a 
Teófilo, mas empenha-se pessoalmente em anotar a trajetória de vida de Jesus, a fim de proporcionar a seu eminente 
amigo um conhecimento plenamente autêntico (confiável) daqueles episódios históricos.
A palavra “entre nós” é a mesma de João 1.14, com a única diferença de que lá uma das testemunhas iniciais fala 
em nome de suas co-testemunhas, ao passo que aqui fala alguém que recebeu das testemunhas oculares e originárias a 
notícia dos acontecimentos ocorridos.
As duas expressões, “testemunhas oculares” e “ministros da palavra”, referem-se tão-somente aos crentes, ou 
seja, à Igreja de Jesus. Lucas visa anotar não o que alguém como Pilatos ou Herodes ou Caifás e Anás, fariseus ou 
escribas, têm a relatar sobre a vida, paixão e morte do Senhor (de que todos na verdade também foram “testemunhas 
oculares”), porém unicamente aquilo que membros da Igreja do Senhor dizem sobre Jesus de Nazaré, como 
testemunhas oculares e pregadores do evangelho.
O fato de que milhares que não faziam parte do círculo da Igreja ouviram sermões de Jesus e presenciaram seus 
feitos, de que Pilatos e Caifás trocaram palavras com ele e que o imperador e os mais elevados magistrados em Roma 
ouviram de Paulo e de Jesus, por meio do procurador Festo (At 25.14; 19.26), revela que todos aqueles 
contemporâneos que estavam fora da Igreja no fundo não viram nem ouviram nada a respeito do evento supremo 
ocorrido sobre a face da Terra. Nada perceberam precisamente pelo fato de que  não queriam ver nem ouvir nada (Lc 
8.10; 10.23).
Aqui, portanto, não se trata de um sistema de idéias, mas de fatos. Os apóstolos não seguiram fábulas inventadas, 
mas foram pessoalmente testemunhas da glória sobrenatural de seu Senhor (2Pe 1.16).
Obviamente ter noção da existência de um Jesus e de seus apóstolos ainda não é “fé”. Os contemporâneos 
incrédulos de Jesus também sabiam da existência de um homem que se chamou Jesus de Nazaré, e apesar disso não 
creram nele. Alcança essa fé somente aquele que deseja crer e que pretende chegar a Deus com veracidade e retidão na 
maior profundeza do coração. Para aquele tempo e para hoje vigora: “Quem deseja chegar a Deus tem de crer que ele 
é.”
A expressão “transmitiram” não possui aqui qualquer definição mais precisa. Quando não houver definição mais 
precisa, a palavra refere-se a uma tradição oral (At 16.4; 1Co 11.2,23; depois 15.3). Igualmente o substantivo 
“tradição” (Mt 15.2,3,6; Cl 2.8; 2Ts 2.15, etc.) refere-se à tradição oral. Antes de qualquer escrito já havia, pois, 
“tradição”, e também o que hoje chamamos de “evangelho” e “Sagrada Escritura” já foi, antes de sua anotação escrita, 
parte da “tradição” oral.
A expressão desde o princípio refere-se ao começo da vida do Senhor. – Quem relata todos esses “eventos do 
princípio” não são “ministros da palavra” no sentido mais restrito, mas no mais amplo  – por exemplo, Maria, mãe do 
Senhor, que talvez também tenha transmitido tudo o que lhe havia sido relatado por Zacarias e Isabel, por Simeão e 
Ana.
3 – igualmente a mim me pareceu bem, depois de acurada investigação de tudo desde sua 
origem, dar-te por escrito, excelentíssimo Teófilo, uma exposição em ordem (de tudo),
4 – para que tenhas plena certeza das verdades em que foste instruído.
Esse versículo 3 forma a frase principal. Por meio da expressão em bom grego “igualmente a mim me pareceu 
bem”, Lucas aponta para a resolução de tornar-se um historiógrafo da história de Jesus! Na expressão “desde sua 
origem” (anothen = de cima para baixo) Lucas parece comparar-se com um peregrino que tenta avançar até a nascente 
do rio para depois percorrer todo o curso posterior do rio. – A narrativa e proclamação apostólicas, integralmente 
dominadas pela finalidade prática do anúncio da salvação, começaram somente com a atuação pública de Jesus. No 
entanto Lucas sentiu-se pressionado a retroceder mais e iluminar os primeiríssimos começos da história de Jesus  -veja-se o capítulo 1 e 2 (relatos da infância). Assim como completou a “tradição” nessa direção, ele também se 
esforçou em colecionar os fatos e discursos de Jesus que faltavam naquela. Isso está fixado no “ pasin” = “todos”. O 
evangelho de Lucas demonstra isso em todas as suas partes.
Quanto a Teófilo, veja acima, a Introdução, pág 12
Depois que Lucas desvendou seus trabalhos preparatórios, ele passa a expor a finalidade de seu escrito: trazer ao 
coração de seu eminente protetor a incontestável e inabalável verdade e o fundamento do ensinamento da fé, o qual Teófilo havia recebido dele no passado.
Fonte: Lucas - Comentário Esperança

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