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Escola Dominical - Dons de Revelação


Lição 3 - Dons de Revelação

20 de Abril de 2014

Comentarista: Elinaldo Renovato de Lima
  
TEXTO ÁUREO


"Que fareis, pois, irmãos? Quando vos ajuntais, cada um de vós tem salmo, tem doutrina, tem revelação, tem língua, tem interpretação. Faça-se tudo para edificação"
(1 Co 14.26).


VERDADE PRÁTICA


Os dons de revelação divina são indispensáveis à igreja da atualidade, pois vivemos em um tempo marcado pelo engano.


LEITURA BÍBLICA EM CLASSE


 1 Coríntios 12.8,10; Atos 6.8-10; Daniel 2.19-22

1Co 12.8 - Porque a um, pelo Espírito, é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência;
1Co 12.10 - e a outro, a operação de maravilhas; e a outro, a profecia; e a outro, o dom de discernir os espíritos; e a outro, a variedade de línguas; e a outro, a interpretação das línguas.
At 6.8 - E Estêvão, cheio de fé e de poder, fazia prodígios e grandes sinais entre o povo.
At 6.9 - E levantaram-se alguns que eram da sinagoga chamada dos Libertos, e dos cireneus, e dos
alexandrinos, e dos que eram da Cilícia e da Ásia, e disputavam com Estêvão.
At 6.10 - E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava.
Dn 2.19 - Então, foi revelado o segredo a Daniel numa visão de noite; e Daniel louvou o Deus do céu.
Dn 2.20 - Falou Daniel e disse: Seja bendito o nome de Deus para todo o sempre, porque dele é a sabedoria e a força;
Dn 2.21 ele muda os tempos e as horas; ele remove os reis e estabelece os reis; ele dá sabedoria aos sábios e ciência aos entendidos.
Dn 2.22 - Ele revela o profundo e o escondido e conhece o que está em trevas; e com ele mora a luz.


SUBSÍDIO TEOLÓGICO
Tudo o que Paulo passa a citar são capacidades genuínas e ―sobrenaturais‖. Carismas não são apenas dons naturais santificados. Sem dúvida Deus também é capaz de colocar a seu serviço aptidões e capacidades naturais, santificando-as para isso. Porém não é isso que está em discussão. Trata-se de dons do Espírito Santo, que não têm nada a ver com dons naturais. Nesta questão é significativo que Paulo não coloque as línguas, tão admiradas em Corinto, em primeiro lugar. Para ele importa acima de tudo o que serve à edificação de toda a igreja. A igreja, porém, precisa de “sabedoria”, ou seja, a capacidade de decifrar as tarefas práticas da vida, encontrando a partir de Deus os caminhos e as soluções apropriadas para elas. Contudo ela também precisa de “conhecimento”, da percepção profunda da verdade e do plano de salvação de Deus. Não precisa apenas da sabedoria e do conhecimento em si, mas sobretudo da “palavra da sabedoria” e da “palavra do conhecimento”, que comunicam essa sabedoria e esse conhecimento de maneira correta e útil à igreja. O Espírito é quem as concede: “A um é dada, mediante o Espírito, a palavra da sabedoria, e a outro, segundo o mesmo Espírito, a palavra do conhecimento.” No entanto é significativo que Paulo considere esses dois dons, tão próximos entre si, como distribuídos a diferentes membros da igreja.
“Dons de curar” e “operações de milagres” estão no plural. Isso deve apontar para o fato de que Paulo não está pensando que algumas pessoas sejam permanentemente equipadas com o poder de curar ou de efetuar milagres. Constantemente é concedido a cristãos que, pelo Espírito Santo, possam curar enfermos e realizar milagres em situações de aflição especial. Ou seja, não é ―curadores de enfermos‖ e ―realizadores de milagres‖que o Espírito concede, mas sim ―dons de curar‖ e ―operações de milagres‖. Em 2Co 12.12 Paulo arrola ―sinais e prodígios‖ entre as necessidades de seu ministério apostólico. Nesse contexto ele não cita expressamente os ―dons de curar‖. De acordo com Mc 16.18 há uma imposição de mãos por parte dos mensageiros de Jesus, sim, de todos os crentes, que cura, mas que não é necessariamente uma dotação com ―dons de curar‖, antes caracterizando a respectiva ação com fé. Isso conduz às instruções de Tg 5.14. Aqui fica muito claro que o enfermo não é remetido a presbíteros especiais com dons de cura, mas que ele pode esperar que simples ―presbíteros da igreja‖ lhe tragam auxílio na aflição da enfermidade por meio da ―oração da fé‖.
Na seqüência são citadas a “profecia” e “variedade de línguas”. Em 1Co 14 ouviremos detalhadamente acerca dos dois dons. Importante, porém, é que ao lado de cada um desses dons é colocado um segundo; ao lado da ―profecia‖ o “discernimento de espíritos”, ao lado da ―variedade de línguas‖ a “interpretação das línguas”. Por que isso é necessário? Quem fala profeticamente demanda que a igreja o ouça e lhe obedeça.
Será que, assim, a igreja está simplesmente à mercê de toda afirmação profética? Aos tessalonicenses Paulo escreveu: ―Não desprezeis as profecias. Julgai todas as coisas, retende o que é bom‖ (1Ts 5.20s). A própria igreja tem o Espírito, razão pela qual também sabe avaliar se aquilo que um profeta afirmou de fato procede do Espírito de Deus. Agora, com vistas aos coríntios, Paulo considera a situação como ainda mais grave. Ao lado dos ―espíritos dos profetas‖ (1Co 14.32) existem também outros espíritos estranhos que podem se imiscuir. Por isso é muito necessário na igreja o dom especial do “discernimento dos espíritos”. De novo consta aqui o plural, a fim de indicar que não se trata de uma qualidade constante de alguns membros da igreja, mas de ―distribuições‖ constantemente renovadas, que podem ser concedidas cada vez ―a outro‖. Tais membros da igreja não tiram da igreja como um todo o dever de examinar as profecias, porém lhe proporcionam um auxílio especial para isso.
Ao lado da “variedade de línguas” está a “interpretação das línguas”. Não sabemos o que Paulo realmente visa dizer com ―variedades‖ de línguas, porque nem mesmo na análise detalhada do falar em línguas em 1Co 14 ele fornece um quadro concreto das ―línguas‖ e de suas ―variedades‖. Não havia necessidade disso, os coríntios o conheciam de experiência própria. Pelo menos no começo de 1Co 13 somos informados de que há ―línguas dos humanos‖ e ―línguas dos anjos‖. Contudo, independentemente de qual ―espécie‖ de línguas se torna audível, a ―língua‖ permanece ininteligível para todos os demais se não for ―interpretada‖ ou ―traduzida‖ para o idioma corrente. Por isso Paulo tolera o falar em línguas na reunião da igreja somente se for concedida também a ―interpretação da língua‖ (1Co 14.27s).
Com habilidade literária, Lucas nos concedeu uma visão das condições da igreja antes de iniciar o relato do terceiro processo, de sangrenta gravidade. Pudemos tomar fôlego (como a própria igreja) antes de presenciar atentamente o destino de Estêvão. “Estêvão”, esse nome aparece diretamente no topo da nova passagem. Acabamos de conhecê-lo na eleição dos “Sete” como “homem cheio de fé e do Espírito”. Agora se afirma que era “cheio de graça e poder”. Os homens da Bíblia não são pensadores e teóricos, que desenvolvem sistemas de visão de mundo ou teológicos sobre Deus, mas são testemunhas do Deus vivo, por meio dos quais ele atua. Porque a graça de Deus, por sua vez, tampouco é mera intenção amigável dele, e sim uma ação poderosa de socorro. “Graça e poder” formam uma unidade. Graça impotente de nada adianta, e poder sem graça é terrível. Porém “graça e poder” fazem “grandes prodígios e sinais entre o povo”. Curas e outros auxílios de cunho admirável na atuação de Estêvão dirigem o olhar para Jesus.
Portanto, os apóstolos não são os únicos que Deus confirma através desses meios.
Deus não está amarrado a determinadas pessoas, nem mesmo quando lhes concedeu tarefas extraordinárias. Nada o impede de atuar também por meio de outras pessoas. Estêvão é autônomo também nos caminhos de sua evangelização. Em Jerusalém havia, além do templo, as “sinagogas”. Nelas a Escritura (i. é, o “AT”) era lida e explicada pelos escribas. No entanto, como sabemos fartamente da vida de Jesus e da história de Paulo, na sinagoga todo israelita podia ler da Escritura e comentar algo a respeito da leitura (cf. Mt 9.35; Lc 4.16-22; At 13.14-16; 17.2; 18.4; 19.8). Não nos surpreende que Estêvão faça uso desse direito, a fim de levar a mensagem de Jesus também desse modo para dentro do povo. Ele próprio era “helenista”, motivo pelo qual procurava as sinagogas helenistas de Jerusalém. Não depreendemos com certeza das palavras de Lucas se ele tem em mente cinco sinagogas diferentes ou apenas duas, de sorte que os “Libertos” usavam a mesma sinagoga junto com os judeus de Cirene e Alexandria, enquanto os da Cilícia e da província romana da “Ásia” (cf. acima o exposto sobre At 2.10) tinham à disposição uma segunda casa de oração. Com certeza também Saulo de Tarso estava na sinagoga dos cilícios naquela época, ouvindo assim a mensagem cristã pela primeira vez por meio de uma pessoa como Estêvão.
Uma sinagoga “helenista” parecia oferecer um campo de trabalho singularmente profícuo. Os judeus da diáspora ocidental tinham visão mais ampla e eram mais versáteis que os judeus de Jerusalém. O pensamento grego não deixou de exercer influência sobre eles. Contudo, em breve se constatou que justamente por isso também eram mais perigosos do que os “mestres da lei” do antigo tipo hebreu. Enquanto estes se interessavam mais por detalhes da interpretação da Escritura, aqueles captavam com maior rapidez e clareza as consequências de cada ideia no conjunto total. Os “prodígios e sinais” como tais novamente não foram capazes de conduzir à fé. Tão somente puderam despertar perguntas e incomodar uma falsa tranquilidade. Essas perguntas começam a se manifestar.
Homens das sinagogas helenistas “levantaram-se e discutiam com Estêvão”. Uma vez que em seguida a acusação contra Estêvão se concentrava em “temos ouvido esse homem proferir blasfêmias contra Moisés e Deus” e “esse homem não cessa de falar contra o lugar santo e a lei”, a discussão deve ter versado mais e mais sobre os dois pontos “templo” e “lei”. Ao que parece, aconteceu algo muito similar ao que sucedeu mais tarde com Martinho Lutero. Os arautos do novo evangelho falaram primeiramente com alegria do positivo, daquilo que Jesus traz, daquele a quem Deus “exaltou a Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.31). O caso de Estêvão não deve ter transcorrido de outro modo que o dos apóstolos. Agora, porém, Estêvão, como depois Martinho Lutero, é obrigado pelos adversários a traçar as consequências negativas. E os “helenistas”, ágeis no raciocínio, conseguem impeli-lo para ideias cada vez mais ousadas de forma mais eficaz do que os hierosolimitas, que ficam atolados numa indignação genérica e proíbem, sem justificativa clara, o “falar com base no nome de Jesus”. Os apóstolos associavam sua nova notícia com uma óbvia fidelidade ao templo e à lei, assim como Martinho Lutero também queria continuar sendo um bom católico depois de sua redescoberta do evangelho. Na discussão, porém, certas perguntas são dirigidas a Estêvão: se o perdão de todos os pecados é concedido em Jesus e sua cruz, que sentido ainda possuem o templo e todas as cerimônias no templo? Se a nova igreja está edificada sobre a “fé”, e se ela possui pela “fé” o relacionamento decisivo com Deus e sua justiça perante Deus, que, então, significa ainda a lei? São as questões que mais tarde também ocuparam vivamente as próprias igrejas cristãs (cf. as cartas aos Romanos, Gálatas, Hebreus!).
Nessas controvérsias acaloradas Estêvão experimenta a verdade da promessa de Jesus em Lc 21.35: “E não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito pelo qual ele falava.” O que mais tarde a irresistível limpidez e poder do Espírito nos apresenta nas cartas aos Romanos e aos Gálatas e o que constantemente gerou novas rupturas para a verdade e a liberdade em todos os séculos, já fora proferido naquele tempo por Estêvão. Interiormente Estêvão não podia ser derrotado. Sua palavra constantemente se apresentava cheia de Espírito e vida no recinto da sinagoga. Isso foi vivenciado naquela época por Saulo de Tarso!
Louvor repleto de júbilo (vv. Dn2.20-23). A primeira reação de Daniel foi bendizer ao Senhor por ouvir suas súplicas e lhes responder. Ele e seus amigos haviam pedido sabedoria, e Deus havia lhes dado (Tg 1:5); sua mão poderosa deteve o processo de execução e deu aos quatro homens tempo para orar. Os "sábios" pagãos nem suspeitavam que estavam sendo salvos pela presença dos hebreus na Babilônia.3 O Deus do céu também é o Deus da história, pois pode determinar e mudar o tempo destinado aos governantes e às nações - justamente o que preocupava Nabucodonosor. Para o rei, o sonho não passava de "trevas", mas como a nuvem de glória que se colocou entre Israel e o exército egípcio (Êx 14:19, 20), para Daniel ele era luz. Daniel incluiu seus três amigos em seu cântico de louvor (Dn 2:23), pois haviam dividido com ele o fardo da oração. Mais tarde, compartilharia com os três as honras que receberia, e eles serviriam com Daniel nos cargos mais elevados da cidade da Babilônia.
Hoje em dia, quando o povo de Deus enfrenta uma crise, precisa seguir o exemplo de Daniel e de seus amigos e levar o assunto ao Senhor em oração. Ter fé é viver sem tramar, e a fé glorifica a Deus. Daniel e seus amigos não podiam receber o crédito por aquilo que aconteceu, pois veio das mãos de Deus. "Invoca-me no dia da angústia; eu te livrarei, e tu me glorificarás" (Sl 50:15). Nas palavras de A. W. Tozer: "A fé pode tudo aquilo que Deus pode, e a oração pode tudo aquilo que a fé pode, se essa oração for feita pela fé. Um convite à oração é, portanto, um convite à onipotência, pois a oração toma o Deus Onipotente e o traz para dentro de nossas circunstâncias".


Fonte: Comentários Bíblicos Warren W. Wiersbe e Esperança 


INTERAÇÃO


Prezado professor, nesta lição estudaremos a respeito dos dons de revelação.  Estes dons são concedidos à Igreja a fim de que ela seja edificada. Estamos vivendo "tempos trabalhosos", necessitamos da sabedoria que vem do alto, do poder de Deus.  Durante o preparo da lição, ore, peça que o Senhor conceda aos seus alunos os dons de revelação. Siga o exemplo de Paulo, pois sua oração em favor dos crentes de Éfeso era: "Para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê em seu conhecimento o espírito de sabedoria e de revelação" (Ef 1.17).  Deus deseja nos outorgar os dons de revelação, a fim de que sejamos edificados e jamais venhamos a cair nas astutas ciladas do Maligno.

OBJETIVOS



Após esta aula, o aluno deverá estar apto a:
Analisar o dom da palavra da  sabedoria. 
Compreender o dom da palavra da ciência.
Saber a respeito do dom de discernimento dos espíritos.



ORIENTAÇÃO PEDAGÓGICA


Professor, reproduza no quadro o esquema abaixo. Utilize-o para introduzir a lição, pois a partir desta lição estudaremos, detalhadamente os dons, então é importante que os alunos conheçam a classificação geral dos nove dons descritos no capítulo 12 de 1 Coríntios. Ao explicar o quadro, ressalte a semelhança que existe entre os respectivos dons. Conclua explicando que todos os dons, independentemente da sua classificação, são importantes e necessários para a edificação do Corpo de Cristo.

CLASSIFICAÇÃO GERAL DOS DONS – 1 Co 12
DONS DE REVELAÇÃO
DONS DE PODER
DONS DE ELOCUÇÃO
Palavra da sabedoria
Palavra do conhecimento
Discernimento de espíritos
Curar
Operação de milagres
Profecia
Variedade de línguas
Interpretação de línguas

COMENTÁRIO


INTRODUÇÃO

O teólogo pentecostal Stanley Horton afirma que "a maioria dos estudiosos classifica os dons de 1 Coríntios 12.8-10 em três categorias: revelação, poder e expressão, [tendo] três dons em cada categoria". Na lição desta semana estudaremos a respeito dos dons da "primeira categoria": os de revelação. Estes são concedidos aos servos de Deus para o aconselhamento e orientação da Igreja do Senhor.    

I. PALAVRA DA SABEDORIA


1. Conceito. O termo palavra exprime uma manifestação verbal ou escrita. Segundo o Dicionário Eletrônico Houaiss, sabedoria significa "discernimento inspirado nas coisas sobrenaturais e humanas". A sabedoria abordada pelo apóstolo Paulo em 1 Coríntios 12.8a refere-se a uma capacitação divina sobrenatural para tomada de decisões sábias e em circunstâncias extremas e difíceis. De acordo com Estêvam Ângelo de Souza, "a palavra da sabedoria é a sabedoria de Deus, ou, mais especificamente, um fragmento da sabedoria divina, que nos é dada por meios sobrenaturais".
2. A Bíblia e a palavra de sabedoria. Embora na Antiga Aliança os dons espirituais não fossem plena e claramente evidenciados como na Nova, alguns episódios do Antigo Testamento vislumbram o quanto Deus conferia aos homens sabedoria do alto para executar tarefas ou tomar decisões. Um exemplo disso é a revelação e a interpretação dos sonhos de Faraó através de José, o filho de Jacó (Gn 41.14-41). Ele não apenas interpretou os sonhos de Faraó, mas trouxe orientações sábias para que o Egito se preparasse para o período de fome que estava para vir. A habilidade do rei Salomão em resolver causas complexas, igualmente, é um admirável exemplo de dom da sabedoria no Antigo Testamento (1 Rs 3.16-28; 4.29-34). 
Em o Novo Testamento podemos tomar como exemplo de palavra da sabedoria a exposição da Escritura realizada pelo diácono e primeiro mártir cristão, Estevão. O livro de Atos conta-nos que os sábios da sinagoga, chamada dos Libertos, "não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito com que falava" (At 6.9,10).
3. Uma liderança sábia. A palavra de sabedoria é de grande valor na tarefa do aconselhamento pessoal e em situações que demandam uma orientação no exercício do ministério pastoral. Entretanto, tenhamos cuidado para não confundir a manifestação desse dom com o nosso desejo pessoal. Lembremo-nos de que Deus manifesta os dons em nossas vidas segundo o conselho da sua sabedoria, não da nossa. Tenhamos maturidade e cuidado no uso dos dons!

SINOPSE DO TÓPICO (1)

A sabedoria a que se refere 1 Coríntios 12.8 não é a humana, adquirida mediante os livros ou nas universidades, mas sim uma capacidade sobrenatural, divina, para tomar decisões sábias em circunstâncias extremante difíceis.

II. PALAVRA DA CIÊNCIA


1. O que é? Este dom muito se relaciona ao ensino das verdades da Palavra de Deus, fruto do resultado da iluminação do Espírito acerca das revelações dos mistérios de Deus conforme aborda Stanley Horton, em sua Teologia Sistemática (CPAD). Este dom também se relaciona à capacidade sobrenatural concedida pelo Espírito Santo ao crente para este conhecer fatos e circunstâncias ocultas.
2. Sua função. O dom da palavra da ciência não visa servir a propósitos triviais, como o de descobrir o significado dos tecidos do Tabernáculo ou a identidade da mulher de Caim, etc. Isto é mera curiosidade humana, e o dom de Deus não foi dado para satisfazê-la. A manifestação sobrenatural deste dom tem a finalidade de preservar a vida da igreja, livrando-a de qualquer engano ou artimanha do maligno.  
3. Exemplos bíblicos da palavra da ciência. Ao profeta Eliseu foram revelados os planos de guerra do rei da Síria. Quando o rei sírio pensou em atacar o exército de Israel, surpreendendo-o em determinado lugar, o profeta alertou o rei de Israel sobre os planos inimigos (2 Rs 6.8-12). Outro exemplo foi a revelação de Daniel acerca do sonho de Nabucodonosor, quando Deus descortinou a história dos grandes impérios mundiais ao profeta (Dn 2.2,3; 17-19). Em o Novo Testamento, esse dom foi manifesto quando o apóstolo Pedro desmascarou a mentira de Ananias e Safira (At 5.1-11). O dom da palavra da ciência não é adivinhação, mas conhecimento, concedido sobrenaturalmente, da parte de Deus.

SINOPSE DO TÓPICO (2)

O dom da palavra da ciência não é para servir a propósitos triviais. A manifestação sobrenatural deste dom tem a finalidade de preservar a vida da igreja, livrando-a de qualquer engano ou artimanha do maligno.

III. DISCERNIMENTO DOS ESPÍRITOS


1. O dom de discernir os espíritosÉ uma capacidade sobrenatural dada por Deus ao crente para discernir a origem e a natureza das manifestações espirituais. De acordo com o termo grego diakrisis, a palavra discernir significa "julgar através de"; "distinguir". Ela denota o sentido de "se penetrar da superfície, desmascarando e descobrindo a verdadeira fonte dos motivos". Stanley Horton afirma que este dom "envolve uma percepção capaz de distinguir espíritos, cuja preocupação é proteger-nos dos ataques de Satanás e dos espíritos malignos" (cf. 1 Jo 4.1).
2. As fontes das manifestações espirituais. Ao longo das Escrituras podemos destacar três origens das manifestações espirituais no mundo: Deus, o homem e o Diabo. Uma profecia, por exemplo, pode ser fruto da ordem divina ou da mente humana ou ainda de origem maligna. Como saber? Aqui, o dom de discernir os espíritos tem o papel essencial de preservar a saúde espiritual da congregação. Segundo nos ensina o pastor Estêvam Ângelo, o "discernimento de espíritos não é habilidade para descobrir as faltas alheias". O dom não é uma permissão para julgar a vida dos outros.
3. Discernindo as manifestações espirituais. A Palavra de Deus nos ensina que os espíritos devem ser provados (1 Jo 4.1). Toda palavra que ouvimos em nome de Deus deve passar pelo crivo das Sagradas Escrituras, pois o Senhor Jesus nos advertiu sobre os falsos profetas. Ele ensinou-nos que os falsos profetas são conhecidos pelos "frutos que produzem", isto é, pelo caráter (Mt 7.15-20). Jesus conhece o segredo do coração humano, mas nós não, e por isso precisamos do Espírito Santo para revelar-nos a verdadeira motivação daqueles que falam em nome do Senhor. O apóstolo João nos advertiu acerca do "espírito do antricristo" que já opera neste mundo (1 Jo 4.3).

SINOPSE DO TÓPICO (3)

O dom de discernimento dos espíritos é uma capacidade sobrenatural dada por Deus ao crente para discernir a origem e a natureza das manifestações espirituais.

CONCLUSÃO

A Igreja de Jesus necessita dos dons de revelação para discernir entre o certo e o errado, entre o legítimo e o falso. Os falaciosos ensinos e as manifestações malignas podem ser desmascarados pelo dom do discernimento dos espíritos. Que Deus conceda à sua igreja dons de revelação para não cairmos nas astutas ciladas do Maligno.


AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOI


Subsídio Teológico
"Uma Palavra de Sabedoria
Trata-se de uma palavra (uma proclamação, uma declaração) de sabedoria dada para satisfazer a necessidade de alguma ocasião [...]. Não depende da capacidade humana nem da sabedoria natural, pois é uma revelação do conselho divino. Mediante esse dom, a percepção sobrenatural, tanto da necessidade como da Palavra de Deus, traz a aplicação prática daquela Palavra [...]ao problema do momento.
Porque é uma palavra de sabedoria, fica claro que é concedida apenas o suficiente para aquela necessidade. Este dom não nos enaltece para um novo nível de sabedoria, nem nos torna impossibilitados de cometer enganos. [...]. Às vezes, este dom transmite uma palavra de sabedoria para orientar a Igreja, assim como em Atos 6.2-4; 15.13-21. É possível, também, que cumpra a promessa dada por Jesus, que daria 'boca de sabedoria a quem não poderão resistir nem contradizer todos quantos se vos opuserem' (Lc 21.15). A prova de que Jesus falava em um dom sobrenatural (a palavra de sabedoria) é comprovada, quando proibiu a premeditação do que diriam nas sinagogas ou diante dos tribunais (Lc 21.13,14). Isso certamente foi cumprido pelos apóstolos e por Estêvão (At 8.4-14,19-21, 6,9,10)" (HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012, p.294).

AUXÍLIO BIBLIOGRÁFICOII


Subsídio Teológico 
"Discernimento de espíritos
Os dons têm um lugar especial na igreja e são muito úteis. Mas o amor representa a essência da vida cristã, e é absolutamente necessário. Ele encontra um lugar mesmo entre os donsA expressão inteira, no grego, apresenta-se no plural. Este fato indica uma variedade de maneiras na manifestação desse dom. Por ser mencionado imediatamente após a profecia, muitos estudiosos o entendem como um dom paralelo responsável por 'julgar' as profecias (1 Co 14.29). Envolve uma percepção capaz de distinguir espíritos, cuja preocupação é proteger-nos dos ataques de Satanás e dos espíritos malignos (cf. 1 Jo 4.1). O discernimento nos permite pregar a Palavra de Deus e todos os demais dons para liberar o campo à proclamação plena do Evangelho" (HORTON, Stanley M. Teologia Sistemática: Uma perspectiva pentecostal. 1.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1996, p.475).


BIBLIOGRAFIA SUGERIDA


SOUZA, Estêvam Ângelo de. Nos Domínios do Espírito. 2.ed. Rio de Janeiro: CPAD, 1987.
HORTON, Stanley M. A Doutrina do Espírito Santo no Antigo e Novo Testamento. 12. ed. Rio de Janeiro: CPAD, 2012


SAIBA MAIS


Revista Ensinador Cristão CPAD
 nº 59, p.37.

EXERCÍCIOS


1. Qual é o verdadeiro propósito dos dons divinos?
R. Discernimento inspirado nas coisas sobrenaturais e humanas.

2. De acordo com a lição, Paulo priorizava na igreja o ato de profetizar  ou o de falar em línguas? Por quê?
R. José e Salomão.

3. Quantos capítulos, Paulo dedicou para falar a respeito dos dons? Quais são estes capítulos?
R. Este dom se relaciona ao ensino das verdades da Palavra de Deus, fruto do resultado da iluminação do Espírito acerca das revelações dos mistérios de Deus.

4. O que é essencial o crente ter para que a igreja seja edificada?
R. Preservar a vida da igreja, livrando-a de qualquer engano ou artimanha do Maligno.

5. Segundo a lição, o que fazia o despenseiro? 
R. É uma capacidade sobrenatural dada por Deus ao crente para discernir a origem e a natureza das manifestações espirituais.


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