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Lição 09 - A oração como adoração

LIÇÃO 09 – 27 de Novembro de 2016 – Editora BETEL

A oração como adoração

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TEXTO ÁUREO
Comentarista: Pastor José Elias Croce

“Contudo, o SENHOR mandará de dia a sua misericórdia, e de noite a sua canção estará comigo: a oração ao Deus da minha vida.” Sl 42.8

VERDADE APLICADA
A oração é um dos ingredientes essenciais de uma verdadeira adoração.

OBJETIVOS DA LIÇÃO
Resgatar a oração como adoração;
Compreender que oração e louvor também se complementam;
Incentivar a prática da oração como adoração.

GLOSSÁRIO
Enlace: Ação ou efeito de enlaçar ou enlaçar-se; união;
Evocar: Chamar (alguém) para fora do lugar onde está; invocar;
Genuíno: Puro, sem mistura nem alteração, natural, próprio, verdadeiro, sincero.

TEXTOS DE REFERÊNCIA
Sl 43.1  Como o cervo brama pelas correntes das águas, assim suspira a minha alma por ti, ó Deus!
Sl 43.2  A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo; quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
Sl 43.3  As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, porquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?
Sl 43.4  Quando me lembro disto, dentro de mim derramo a minha alma; pois eu havia ido com a multidão; fui com eles à Casa de Deus, com voz de alegria e louvor, com a multidão que festejava.


HINOS SUGERIDOS
88, 151 e 296.

MOTIVOS DE ORAÇÃO
Ore por mais desejo e vontade de buscar a Deus.

Introdução
          Nossa alma carece da oração. Orar é muito mais do que apresentar a Deus uma lista interminável de petições. Os adoradores genuínos amam a oração, pois dela tiram tudo que são e oferecem ao Senhor (Lc 18.1-8).

Oração integral
A oração é o estabelecimento de um diálogo com Deus. Quando oramos com sinceridade, reverência e perseverança (1Ts 5.17), estamos criando um canal entre a terra e o Reino dos Céus.
Muito além do que imaginamos, nosso Pai Celestial ouve e compartilha de nossas aflições, expectativas, sofrimentos ou alegrias.
 Ele é nosso amigo de todas as horas, socorro bem presente na angústia (Sl 46.1), nosso Criador que tudo pode, mas que, pelas suas infinitas misericórdias, nos ouve compassivamente e atende às nossas petições.
Mas, é importante que não estejamos em oração tão somente para pedir, mas principalmente para adorar. Sim, a oração é uma forma (talvez a mais legítima e espontânea) de adoração.
Nascemos para glorificar o Santo Nome do Senhor (Ef 1.5,6) e orar sem adorar, glorificar e magnificar o Senhor é orar sem sentido.
Muito antes de existirmos, Deus já sabia e ainda sabe de todas as nossas necessidades (Sl 139.16), portanto o objetivo maior da oração é o contato com nosso Amigo e Criador Celestial.
Ele quer conversar conosco, quer saber de nós como estamos nos sentindo, assim como um pai sabe das aflições dos filhos, mas se compraz no compartilhamento e na intimidade de uma conversa sincera.
Como sabemos se somos realmente ouvidos em nossas orações? Olhe ao redor: todos os dias o sol nasce, as flores desabrocham, os passarinhos alegres louvam ao Pai com seu cantar. Nossa família está bem e com saúde, estamos vivos e saudáveis, nossos problemas vão sendo solucionados um a um, sem muito esforço, o que parecia impossível se faz possível.
É a mão de Deus! As suas misericórdias são o único motivo de não sermos consumidos (Lm 3.22).
É inegável que, como todo cristão, estamos sujeitos a tribulações, momentos de desespero, tentações inesperadas e terríveis, enfim, estamos no mundo ainda, apesar de pertencermos ao Reino dos Céus.
Mas a oração é a arma eficaz e poderosa contra todas as vicissitudes dessa vida, nos dá a segurança do Pai que tudo pode.
Então, porque não adorarmos e glorificarmos Seu Excelso Nome, com tantos motivos para nos tranquilizar e tantas razões para amá-Lo em espírito e em verdade?
(Ad)oração – esse é o segredo.
Um excepcional estudo e uma semana abençoada, na Paz do Senhor Jesus Cristo!
Márcio Celso - Colaborador

1. A oração no século da indiferença
A atualidade é marcada por ser a era da indiferença. Em tempos, assim, orar é revolucionário, pois, se a oração revela nossas preocupações com os outros, quando oramos por nossos irmãos, quebramos as garras da indiferença e afirmamos pertencer ao Corpo de Cristo.

1.1. Três qualidades essenciais na oração
Existem três qualidades essenciais para a experiência da oração. Primeiro, o amor uns pelos outros. A natureza do amor em Cristo é sua segurança de ser amado pelo Pai, que o torna livre para amar os homens sem medo e sem reservas. Segundo, o desprendimento das coisas terrenas. Quando oramos “Seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu”, desejamos desde já, experimentar as realidades eternas aqui. Nossos afetos são transformados. Desejamos mais as coisas que refletem a imagem de Cristo em nós. Terceiro, o exercício da verdadeira humildade. A humildade nasce de duas compreensões básicas. A primeira diz respeito a Deus e a segunda a nós mesmos. É fundamental compreender diante de quem estamos e a quem dirigimos as nossas orações, e quem somos diante de Deus. A humildade nos faz reconhecer que não temos nada de nós mesmos e que tudo o que temos são dádivas de Deus (Rm 8.32).
Se a indiferença se transforma em regra, o conceito de comunidade agoniza. A oração destrói o edifício da indiferença porque nos coloca em nosso devido lugar: dependentes de Deus e dos outros. Quando nossos afetos se mostram desordenados, a oração também se mostra confusa. A carência nos afetos torna-nos egocêntricos na oração. Não há receitas para a oração. Uma das armas responsáveis pelo declínio da oração nos nossos dias é a tentação da receita. Muitos livros são lançados sobre “como orar”, “sete passos para a oração que Deus responde”, “faça a oração que move a mão de Deus”, e muitos outros nessa infeliz linha. Influenciados pelas lógicas do comércio, esquecemos que orar é conversar com Deus, não comprar um produto qualquer.

1.2. A oração com confronto
O homem pós-moderno julga-se seu próprio deus. Quando tudo é feito para o meu próprio prazer, então sou o deus de minha própria vontade. Contudo, ao orar, estou enfatizando a verdade de que não sou um deus – tenho necessidades, carências. Dirijo-me a um ser maior do que eu. Esse confronto que a oração propõe ao meu ego quebra a arrogância e me torna – ou devolve – a condição original. Como o homem, no século da indiferença, não consegue existir por conta própria, a oração despedaça seu mundo autoconfiante. Esse confronto é um passo para a consciência do quebrantamento.
Quando a adoração tem esses elementos: quebrantamento, contrição e carência honesta, transforma-se numa melodia da graça de Deus nesses tempos de distância dos corações.

1.3. A oração e a luta contra o tempo
Atualmente, a correria tem afastado muita gente do lugar da oração. Influenciados pela sociedade da pressa, muitos perderam a maravilha de passar tempo em oração. O relógio da pós-modernidade não suporta esperar. As pessoas acham que, se perderem algum tempo, diminuirão seus ganhos, perderão oportunidades. O sucesso vem antes da espiritualidade. A oração de Moisés precisa ser feita pela massa pós-moderna: “Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios.” (Sl 90.12). Se perdermos  essa certeza em relação à vida de oração, estaremos condenados a uma vida insana de correrias e cansaço. Quando aprendermos a dádiva da oração como ingrediente indispensável para a existência feliz e segura, poderemos descansar.
Quando oramos, evoluímos da simples expressão de nossa vontade para a abertura mais profunda de nossa dimensão íntima, secreta, discreta e particular. Ser adorador sem oração é como ser pescador e odiar o mar.

2. Desfrutamos da intimidade com Deus
Intimidade é um privilégio de poucos. Uma das grandes tragédias da atualidade é a distância entre nós e Deus. Falta-nos a dimensão do quarto fechado (Mt 6.6). Se perdermos a intimidade com Deus, também perderemos o senso daquilo que O machuca. Resgatar a maravilha de estar em Sua Presença é resgatar a alegria de adorá-Lo pelo que Ele é.

2.1. Uma santa amizade
Intimidade é produto do tempo. Não pode ser produzida por arranjos técnicos. E uma santa amizade com Deus. Numa época onde a carência de verdadeiros amigos corrói relacionamentos, a oração nos auxilia na construção de uma relação honesta e segura com o Senhor. Ficamos inquietos quando o dia se arrasta em afazeres (Marta) e o tempo vai dizendo que não conseguiremos desfrutar da presença de Deus (Maria). A oração que adora é a oração que ora!
A oração que adora é a oração que ora! É quando sei que posso perder tudo, mas jamais perderei a graça de desfrutar do Amigo por excelência.

2.2. Liberdade no mundo dos cativos
A oração nos propicia uma adoração liberta. Chegamos a Deus em absoluta leveza, com coração puro (Hb 10.22). Desfrutar da intimidade com Deus é ter a garantia da verdadeira liberdade. Podemos orar honestamente, permitindo que a alma fale com o seu Criador. Não há carrascos da culpa, nem carcereiros da religiosidade. Quando a alma ora e adora, é livre para encontrar-se com seu Senhor em absoluto enlace de amor – em êxtase.
É importante destacar que os efeitos da ausência de intimidade com Deus são muitos: ver adoração como um negócio; transformar a pregação em uma performance; desenvolver uma espiritualidade positivista barata; entre outros.

2.3. A alegria do relacionamento pessoal
Uma das grandes verdades fundamentais da teologia é que Deus é uma pessoa! A oração que adora é aquela que compreende e ama essa verdade. Quando isso acontece, oramos não buscando as dádivas de Deus, mas o Deus acima de qualquer provável benefício. Amamos a pessoa. Não ficamos confundindo Deus com um mágico celestial, mas O respeitamos como ser de relação, ser que abraça e ama. Deus chora por relacionamentos legítimos. Chega de orações interesseiras, pretensiosas e ofensivas ao coração do Pai.
O Eterno Senhor Deus escolheu se revelar ao homem utilizando uma imagem de relação: Pai. Infelizmente, muitos enxergam o Pai apenas como provedor, mantenedor de vontades infantis. Essa não deve ser a tônica no nosso relacionamento com Deus. A oração que adora é aquela que desembaça a visão das coisas e fixa nosso olhar no Pai. A passagem bíblica de Mateus 7.7-8 nos aconselha para pedir, buscar e bater. O mesmo texto garante que a porta se abre, o objetivo da busca é alcançado e o da petição também, mas não diz quando! Muitos, tentando encurtar o tempo de espera, investem na quantidade da reza, desvirtuando a oração. Deus não presta atenção à pompa das palavras ou à variedade de expressões, mas à sinceridade e a devoção do coração. É importante lembrar que a chave abre a porta não porque é dourada, mas porque se encaixa na fechadura.

3. A oração que louva
Muitos dos Salmos são orações cantadas. Alguns dos belos hinos de nossa Harpa Cristã são orações cantadas. Essa atitude de cantar orações é uma das práticas mais antigas da espiritualidade cristã. Ela evoca dimensões profundas do envolvimento entre o ser que ora e o ser que adora – sem distinções – pois orar, cantar e adorar podem ser três acordes de uma sinfonia da alma.

3.1. Louvando ao Deus que caminha conosco
Um fato interessante no livro de Salmos é a forte presença da salvação como elemento da oração. Os salmistas apresentam uma situação de crise e a oração; dentro desse contexto aparecem a graça e a salvação. Alguns Salmos chegam a trabalhar, na mesma frase, a dor e o louvor: “Salva-nos, Senhor, porque faltam os homens benignos; porque são poucos os fiéis entre os filhos dos homens.” (Sl 12.1). Orações como essa cantam uma certeza inabalável: há um Deus que caminha conosco na fúria da história. Esse é um dos grandes motivos que temos para orar e louvar: não andamos sozinhos.
É importante lembrar que não somos condenados à solidão. Precisamos redescobrir a oração que louva ao Deus companheiro de caminhada. É a oração que se alimenta de um coração que arde pelo caminho (Lc 24.32). O Eterno Deus não reconhece fórmulas. É perniciosa a ideia de que Deus só responde orações que tenham determinadas marcas, fórmulas. Deus não leva em consideração a reza de um robô treinado para elaborar orações trezentas vezes mais bonitas que a sua. A oração genuína é uma conversa entre Pai e filho. Deus responde a toda e qualquer oração que venha honesta, da alma. O problema é que não entendemos (ou não queremos entender) Suas formas de responder. Muitas são as orações que Deus responde em silêncio, apenas com Seu olhar. Conseguimos realmente discernir o silêncio de Deus? O problema ainda maior é que, imersos num tempo de velocidade, achamos que Deus é obrigado a nos responder objetivamente o mais rápido possível. Assim, distorcemos versículos para a nossa própria tragédia hermenêutica.

3.2. Sempre há motivos para orar e louvar
Todos temos motivos para a oração e para o louvor. Motivos para essas práticas nunca vão faltar. Tanto os bons motivos quanto aqueles que trazem dor são todos elementos de uma mesma fé. Oramos e louvamos pelas bênçãos e pelas crises. Oramos e louvamos na festa e no luto. Por quê? Porque nossa composição espiritual é assim. Essa é a nossa natureza. Encontramos forças para orar e certezas para louvar.
Encontramos o alívio na oração e a gratidão no louvor. Essas dimensões vão se encontrando em nossa vida cristã todos os dias. Assim, em qualquer circunstância, devemos orar, e, quando a oração for se tornando nossa respiração (1Ts 5.17), então o louvor fluirá livre, leve, pleno e cheio da alegria de nos tornarmos motivos de louvor. Não deve haver contradição entre o ser que ora e o que vive. Algumas pessoas, no momento da oração, parecem completamente outra. Mudam de voz, de personalidade. A oração genuína é aquela que parte de quem sou. Deus não ama palavras que sei dizer – Ele ama a mim! Não é a beleza ou a correção teológica que legitimam a oração e a adoração, mas sim, a integridade da alma. Orações são falas da alma. Enquanto essa verdade não for amada por mim, não orarei de verdade. É contradição mortal orar aquilo que não sou. É amordaçar a alma para que a verdade de quem sou não me machuque. Quando destruímos a contradição entre o ser que ora e o ser que vive, a adoração pode fluir. Deus é Deus de honestos.

3.3. A oração preenche de conteúdo nosso louvor
A crise do louvor na atualidade é basicamente uma crise de conteúdo. A cura para a doença da falta de qualidade está na oração. Ao invés de fazermos uma reunião para avaliar a forma fria e marqueteira onde estamos errando, voltemos à oração. O cenáculo ainda é o ponto de partida para o poder (At 1.12,13). Quando oro, minha alma se deleita em Deus – e isso produz o estado de espírito ideal para o louvor. Não é legítimo o “louvor” que obriga Deus a fazer uma série de coisas para mim, mas sim, aquele que destrona meu ego: “seja feita a Tua vontade”. O Caminho de Cristo – esvaziar-se – precisa ser nosso caminho.
Quando chegamos à presença de Deus esvaziados do ego e da arrogância, através a oração honesta, ganhamos o conteúdo par louvar, e aí sim temos um novo cântico e uma nova vida. Quanto temos a oração como desejo sincero da alma, temos o conteúdo ideal da adoração e podemos viver com a segurança de um filho que pode conversar com seu Pai a qualquer momento.

Conclusão
A oração genuína é uma das mais incríveis formas de adoração. Ela nos ajuda na tarefa bela de chegar a Deus em certeza de fé. Abençoados pelo privilégio de chegar à presença de Deus, temos a alegria de abrir nossas almas e com isso redescobrimos motivos para louvar.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 4º Trimestre de 2016, ano 26 nº 101 – Jovens e Adultos – Edição Histórica - Professor – Adoração & Louvor – A excelência e o propósito de uma vida inteiramente dedicada a Deus.

Um comentário:

  1. No caminho da oração expressamos de forma verdadeira e legitima, o quanto amamos a Deus, não por aquilo que ele faz, mas sim por aquilo que Ele representa para nós, e isto só se concretiza quando estamos de bem, não só com Ele, como também de bem com todos aqueles que se achegam até nós, vinculando assim a unidade, e a harmonia Dele com todos aqueles que estão ligado pelo doce manto da oração, porque digo que a oração é muito mais do que pedir, ou agradecer simplesmente, por algo alcançado ou atendido; ela é uma declaração de amor, a um Deus que sem medida, que nos tirou das trevas, e nos trouxe para sua maravilhosa luz, nos livrando da ira futura, na qual todos estavam sentenciados, Oh! glória! João 3;16. QUER UM PREMIO MAIOR DO QUE ESSE? TE AMO JESUS CRISTO! isto tem que vir expressivamente da nossa alma!

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