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Lição 03 - Mardoqueu e sua integridade

 Lição 03 – 17 de janeiro de 2021 – Editora BETEL

Mardoqueu e sua integridade

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Sobre Mardoqueu

O nome de Mardoqueu (ou Mordecai, conforme a versão da Bíblia) aparece cinquenta vezes no livro de Ester e, em sete ocasiões, é identificado como um "judeu" (2.5; 5.1-3; 6.10; 8.7; 9.29, 31; 10.3). Quis, um dos seus antepassados, foi levado de Jerusalém para a Babilônia na segunda deportação, em 597 a.C. (2Rs 24). Ciro, o rei da Pérsia, invadiu a Babilônia em 539 a.C. e, no ano seguinte, permitiu que os judeus voltassem a sua terra. Cerca de 50 mil judeus aceitaram esse desafio (Ed 1-2). Em anos subsequentes, outros judeus voltaram para Israel, mas

Mardoqueu escolheu ficar na capital persa. Apesar de a Babilônia ter transtornado a vida do povo de Judá, os persas mostraram-se mais clementes com os estrangeiros, e muitos judeus prosperaram na terra onde eram cativos. Mardoqueu acabou ocupando um alto cargo no governo, sentando-se à porta do rei (Et 2.21). É bem provável que tenha recebido esse cargo depois da coroação de Ester, pois precisava andar de um lado para o outro na frente da casa das mulheres a fim de descobrir como sua filha adotiva estava passando (v. 11). Se, naquela ocasião, já fosse um oficial do rei, poderia ter tido acesso a informações internas.

Ester era prima e filha adotiva de Mardoqueu (v. 1 5). Seu nome persa, Ester, significa "estrela" e seu nome hebraico, Hadassa, quer dizer "murta". (E interessante que o arbusto da murta dá flores com o formato de estrela.) Uma vez que era uma mulher belíssima, Ester foi levada para o harém do rei. Diz um provérbio inglês que "a beleza pode ter lindas folhas, mas dá frutos amargos".

Ficamos imaginando quantas jovens do império não se lamentaram por serem bonitas! Um dos elementos fundamentais dessa história é que o povo de Susã não sabia das origens de Mardoqueu e Ester. Os funcionários do palácio souberam que Mardoqueu era judeu quando ele próprio lhes contou (3.4), e o rei só ficou sabendo sobre Ester no segundo banquete que ela ofereceu para ele e Hamã (cap. 7).

Trata-se de um fato um tanto problemático. Em primeiro lugar, se Mardoqueu e Ester estavam se fazendo passar por persas, sem dúvida, não estavam observando todas as leis de Moisés e mantendo um lar ritualmente puro. Se tivessem seguido todas as leis de alimentação, sem falar nas regras de separação e de adoração, sua identidade teria logo sido descoberta. Se Ester tivesse praticado a fé judaica durante seu ano de preparação (2.12) ou nos quatro anos em que havia sido rainha (2.16 e 3.7), seu disfarce não teria funcionado.

Qualquer um tem direito de não revelar sua verdadeira nacionalidade, uma decisão que, por si mesma, não é pecaminosa. Desde que ninguém lhes perguntasse, Mardoqueu e Ester tinham todo direito de esconder suas origens étnicas. Se as pessoas pensaram que os dois primos eram gentios, foi uma conclusão que elas próprias tiraram. Ninguém mentiu. Matthew Henry escreveu que: "Nem todas as verdades devem ser ditas a todo tempo, mas uma inverdade não deve ser dita em tempo algum". De qualquer modo, é uma pena que Ester e Mardoqueu não professassem o Deus de Israel naquela sociedade pagã.

Deixando de lado sua atitude evasiva, falemos de seu estilo de vida ritualmente impuro. Apesar de a lei de Moisés ser temporária e de ter seu fim determinado com a morte de Cristo na cruz, essa lei ainda estava em vigor, e esperava-se que os judeus lhe obedecessem. Daniel e seus amigos tiveram o cuidado de observar a lei enquanto viviam na Babilônia, e Deus os abençoou por sua fidelidade (Dn 1). Por que Deus deixou passar a infidelidade de Mardoqueu e Ester e ainda usou os dois para cumprir seus propósitos?

Uma questão ainda mais séria que seu estilo de vida é a presença de uma judia num harém e, por fim, seu casamento com um gentio. A lei de Moisés especificava várias formas de sexo ilícito e também proibia os casamentos mistos (Êx 20.14; 34.16; Lv 18; Dt 7.1-4), e tanto Esdras quanto Neemias tiveram de tratar do problema da união entre judeus e gentios (Ed 9-10; Ne 10.30; 13.23-37). No entanto, Deus permitiu que uma moça judia pura se tornasse a esposa de um rei gentio lascivo, um adorador de Zoroastro!

Alguns estudiosos veem todo esse processo como um "concurso de beleza" que envolveu todo o império e consideram Ester uma concorrente que, na verdade, não deveria ter participado. Também afirmam que o incentivo de Mardoqueu deveu-se ao fato de ele querer alguém de seu povo numa posição de influência no império, caso surgissem problemas. É possível que haja alguma verdade nessa interpretação. Porém, outros estudiosos acreditam que as mulheres não se voluntariaram, mas sim que foram escolhidas pelos oficiais do rei. Essas moças não chegaram a ser levadas à força, mas todos sabiam que não era possível opor-se a um monarca do Oriente e permanecer impune.

Nesse caso, não creio que devamos condenar Ester pelo que aconteceu com ela, uma vez que, em grande parte, estava fora de seu controle. Além disso, Deus não interferiu, pois estava considerando o bem do povo dela.

Ao considerarmos a situação apóstata dos judeus daquele tempo, a desobediência do remanescente de Judá no império persa e o estilo de vida pouco espiritual de Mardoqueu e de Ester, será que é de se admirar que o nome de Deus não apareça em momento algum neste livro? Você iria querer que seu nome santo fosse identificado com pessoas tão profanas?

Se Mardoqueu não tivesse ficado de olhos e ouvidos atentos, nos portões do palácio do rei Assuero, e não fosse comprometido com tudo que é bom e correto, não teria ficado ciente de uma conspiração contra a vida do rei. Não teria informado sua afilhada Ester, a nova rainha, que por sua vez não teria avisado o rei do perigo que corria. A informação chegou aos ouvidos do rei em tempo e sua vida foi salva.

Mais à frente no relato encontrado no livro de Ester, Mardoqueu volta a ser o herói. Foi por meio de sua atuação que a rainha Ester desmascarou o plano do poderoso Hamã de organizar um genocídio contra o povo judeu. Mardoqueu ficou sabendo da trama, fez um plano, e levou a rainha a agir e todo o seu povo a orar e a se preparar para se defender. Podemos imaginar a festa nas vilas judaicas espalhadas pelo império persa, quando os judeus triunfaram (Et 8.17; 9.18).

Mardoqueu era apenas um elo, um membro sem grandes poderes políticos na “ciranda do bem”. Mas porque foi fiel, e fez a sua parte na hora certa, ele acabou evitando um genocídio. É um conceito muito simples, repetido em muitas histórias na Bíblia, mas que exige muita coragem e fidelidade de cada um. Mesmo uma pessoa aparentemente sem importância, como a escrava de Naamã (2Rs 5), pode conquistar grandes vitórias, porque ela está ligada ao grande e poderoso Rei.

Uma semana abençoada para todos os irmãos na Graça e na Paz do Senhor Jesus Cristo!

Márcio Celso

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 4º Trimestre de 2020, ano 30 nº 117 – Revista da Escola Bíblica Dominical - Adultos – Professor – A importância da Palavra de Deus para o bem estar do ser humano – Pr. Isaqueu Mendes de Freitas.

Sociedade Bíblica do Brasil – 2009 – Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Revista e Corrigida.

Sociedade Bíblica do Brasil – 2007 – Bíblia do Obreiro – João Ferreira de Almeida – Revista e Atualizada.

Editora Vida – 2014 - Bíblia Judaica Completa – David H. Stern, Rogério Portella, Celso Eronildes Fernandes.

Editora Vida – 2014 – Bíblia de Estudo Arqueológica – Nova Versão Internacional.

Editora Central Gospel – 2010 - O Novo Comentário Bíblico – Antigo Testamento – Earl D. Radmarcher, Ronald B. Allen e H. Wayne House – Rio de Janeiro.

Editora Central Gospel – 2010 - O Novo Comentário Bíblico – Novo Testamento – Earl D. Radmarcher, Ronald B. Allen e H. Wayne House – Rio de Janeiro.

Editora Vida – 2004 – Comentário Bíblico do Professor – Lawrence Richards.

Editora Central Gospel – 2005 – Manual Bíblico Ryken – Um guia para o entendimento da Bíblia – Leland Ryken, Philip Ryken e James Wilhoit.

Editora CPAD – 2017 – História dos Hebreus – Flávio Josefo.

Editora CPAD – 2005 – Comentário Bíblico Beacon.

Editora Vida – 2014 – Manual Bíblico de Halley – Edição revista e ampliada – Nova versão internacional – Henry Hampton Halley – tradução: Gordon Chown.

Editora Mundo Cristão – 2010 – Comentário Bíblico Africano - editor geral Tokunboh Adeyemo.

Editora CPAD – 2010 – Comentário Bíblico Mathew Henry – Tradução: Degmar Ribas Júnior, Marcelo Siqueira Gonçalves, Maria Helena Penteado Aranha, Paulo José Benício.

Editora Mundo Cristão – 2011 - Comentário Bíblico Popular — Antigo e Novo Testamento - William MacDonald - editada com introduções de Art Farstad.

Editora Geográfica – 2007 – Comentário Bíblico Expositivo Wiersbe – Novo Testamento – Volume 1 – Tradução: Susana E. Klassen.

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