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Lição 06 - 4º trimestre 2021 - A revelação do mistério chamado Igreja

  Lição 06 – 07 de novembro de 2021 – Editora BETEL

A revelação do mistério chamado Igreja

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Sobre a Igreja de Cristo

Nos três primeiros versículos do capítulo 3 da carta aos Efésios, Paulo, mais uma vez, se identifica como "o prisioneiro de Jesus Cristo" para cumprir a missão de despenseiro da graça de Deus, ao qual foi revelado o mistério da verdadeira unidade espiritual entre judeus e gentios. "Por esta causa" (v. 1) é uma expressão referente a tudo quanto havia escrito sobre as riquezas das bênçãos de Deus em Cristo (cap. 1) e ao desenvolvimento que deu à questão do propósito de Deus em Cristo (cap. 3), quando destaca a nova vida em Cristo, que reúne judeus e gentios num só povo.

"... eu, Paulo, sou o prisioneiro de Jesus Cristo" (v. 1). Ao identificar-se dessa maneira, Paulo queria mostrar dois lados da mesma situação. No sentido real, ele estava preso em Roma. Por outro lado, essa prisão lhe dava a oportunidade de tornar-se prisioneiro de Cristo, pois ali poderia prestar-lhe um serviço que talvez não fizesse melhor se estivesse fora da prisão de Roma. Então, a expressão "prisioneiro de Jesus Cristo" tem um sentido literal e outro metafórico. Ao invés de lamentar o fato de estar preso, ele inverte o seu significado e torna sua prisão uma forma de servir melhor ao Senhor. Como prisioneiro, sua epístola teria um efeito muito maior entre os crentes de Éfeso.

"... dispensação da graça de Deus" (v. 2). O significado literal da palavra "dispensação" é administração, portanto a frase fica melhor assim: "... tendes ouvido da administração da graça de Deus a vós". Paulo se identifica aqui como um administrador dos bens espirituais dados aos gentios, por isso mesmo é chamado "apóstolo dos gentios” (2Tm 1.11). Como administrador ou despenseiro da graça de Deus, não significava que Paulo tivesse poder para salvar ou para dar a graça de Deus aos homens, mas ele agiria como um mordomo para distribuir e apresentar a graça e a salvação de Deus (2Co 10.1; Gl 5.2,3; Cl 1.23).

"Como me foi este mistério manifestado pela revelação" (v. 3). Paulo faz questão de frisar o fato de que o Evangelho aos gentios lhe fora dado especialmente, para que eles (gentios) fossem incorporados aos privilégios do reino de Deus, tanto quanto os judeus. A fonte do ministério de Paulo aos gentios está na sua experiência com Cristo no caminho de Damasco. Nessa experiência, Paulo viu Jesus e ouviu sua ordenação para o ministério entre os gentios conforme está em Atos 9.15, que diz: "... este é para mim um vaso escolhido, para levar o meu nome diante dos gentios e dos reis, e dos filhos de Israel".

A visão de Cristo não só o converteu como mudou o rumo da sua vida. De apaixonado e fanático fariseu entre os judeus, tornou-se "o apóstolo dos gentios" (At 9.15,16; Gl 1.15,16). A revelação inicial desse ministério deu-se ali no caminho de Damasco e, posteriormente, essa visão tornou-se mais ampla. O grande mistério oculto só foi conhecido dos gentios através de Paulo, a quem foi revelado. Ele tornou conhecido a todos os homens o propósito divino para com suas vidas e a maneira particular de Deus revelar-lhes o mistério divino de salvação. No verso 9, as palavras "revelação" e "demonstrar" estão intimamente ligadas com a palavra "mistério".

Esse mistério é revelado em dois ângulos: a revelação de Cristo na sua forma glorificada, e a revelação da união de judeus e gentios, formando um só povo e participando dos mesmos privilégios. A revelação do mistério do Cristo glorificado e a razão dessa glória são quatro destaques especiais:

a) O mistério do Cristo encarnado (1Tm 3.16);

b) O mistério da Igreja como o corpo de Cristo (1Co 12.27);

c) O mistério da presença de Cristo dentro de nós, morando em nós (Cl 1.27);

d) O mistério da Igreja como esposa de Cristo (Ef 5.32). Esses mistérios estavam ocultos na eternidade.

O grande mistério que Paulo desejava revelar à igreja em Éfeso era a participação plena dos crentes gentios na salvação efetuada na cruz. A posição dos gentios no corpo de Cristo e a sua participação conjunta com os judeus veio de encontro a vários conceitos errados sobre privilégios espirituais. A Igreja é a união de todos os crentes em Cristo, independente de raça, língua ou nação. Ela é a constituição divina formando um só povo, uma só fé, um só Senhor (Ef 4.1-7), todos com os mesmos privilégios. A participação na filiação a Deus é direito comum a todos quantos receberem a Cristo Jesus como Salvador (Jo 1.12).

Esse mistério é apresentado com um sentido amplo, e a participação dos gentios na nova ordem (a Igreja) é de igualdade de posição e privilégios em relação aos judeus cristãos. A ampliação dessa participação gentios-judeus é compreendida pelo prefixo grego sun, que significa iguais, sócios, participantes, juntos, isto é, no mesmo nível: nem inferior nem superior aos outros. Este prefixo sun equivale ao prefixo "co", em português, quando Paulo afirma que os gentios são co-herdeiros, coparticipantes e comembros do corpo de Cristo, conforme está no versículo 6. A palavra "co-herdeiros" refere-se à participação dos gentios e os judeus crentes em Cristo na Igreja. A preocupação do apóstolo era desfazer um falso ensino no seio da igreja de Éfeso. Alguns judeus afirmavam que nenhum gentio crente poderia participar da herança ou parte dela prometida a Israel, a não ser que o gentio se submetesse ao cumprimento de alguns ritos e cerimônias estritamente judaicas. Entretanto, a Paulo foi revelado que a graça de Deus para os gentios não exigia nenhum rito judaico, visto que esses ritos eram especificamente para os judeus e dos judeus. Em Cristo, os gentios têm direito a todas as bênçãos divinas com base apenas nos méritos de Cristo Jesus. Eles são participantes das promessas de Cristo e formam um só corpo espiritual com os judeus, cujo resultado único é a Igreja (1 Co 12.13; Ef 2.13). Os gentios foram feitos "povo de Deus", "geração eleita", "nação santa" e "povo adquirido" juntamente com os judeus, tudo em Cristo Jesus (1Pe 2.9).

As palavras "do qual" no verso 7 referem-se ao Evangelho que Paulo pregava e ensinava. O sentido da palavra "ministro" é bem mais amplo. No original grego, a palavra empregada é diakonos, que dá a ideia de um ofício específico (Fp 1.1; 1Tm 3.8-12). Já o verbo diakonein designa aquele que vive e trabalha num determinado serviço. Implica mais um serviço dinâmico do que uma posição estática. No caso aqui, a palavra que cabe melhor para designar aquele que serve a Cristo é diakonia (2Co 3.6; Cl 1.23; 1Tm 4.6). O que Paulo queria que todos soubessem em Éfeso era que ele tinha a função de um servo investido da autoridade de Cristo. Como "ministro" dessa revelação, Paulo era apenas o instrumento do Espírito Santo.

As palavras que dão sequência à declaração de Paulo se referem a que ele "foi feito ministro... pelo dom da graça de Deus" (v. 7), e isso mostra a sinceridade e a humildade do apóstolo das gentes. O ministério recebido não lhe foi dado por méritos pessoais, "mas segundo o dom", em consequência de, e de acordo com "o dom da graça de Deus". Ainda o final do versículo 7 apresenta: "... que me foi dado segundo a operação do seu poder". Que poder é esse? Que operação é essa? A palavra "operação", no original grego, tem o significado de energia. Aclarando melhor a frase, a teríamos nessa forma: "segundo a força operante do seu poder". As palavras "força", "energia" e "operação" indicam a fonte dessa operação, que é "o poder de Deus" manifesto de forma concreta na vida do ministro dessa revelação.

No verso 10 temos a revelação de que a Igreja é constituída de ambos os povos — judeus e gentios. Ela não foi uma solução acidental nem um remédio de última hora. A Igreja sempre fez parte do plano preestabelecido e elaborado por Deus antes da fundação do mundo (Ef 1.3-5). A sua constituição é a revelação do mistério oculto em Deus; não a igreja meramente humana, ou política, mas a Igreja que forma o corpo místico de nosso Senhor Jesus Cristo.

A revelação desse mistério foi feita não só à Igreja, mas também aos "principados e potestades nos céus".

Que são os "principados e potestades nos céus"? Até ser revelado à Igreja, o mistério da salvação era desconhecido dos anjos. Foi através dela que eles vieram a conhecer esse mistério. "Principados e Potestades" são categorias especiais de anjos, tanto entre os anjos de Deus como entre os anjos caídos. Assim, tanto os anjos bons como os maus passaram a conhecer a revelação do mistério quando Deus o fez conhecido à Igreja. A expressão "seja conhecida dos principados e potestades" nos dá a ideia de que tanto os anjos de Deus como os anjos caídos foram surpreendidos com a revelação feita inicialmente à Igreja, e não a eles.

"Segundo o eterno propósito que fez em Cristo Jesus" (v. 11). A execução desse propósito só poderia ter acontecido por meio de Jesus Cristo. O plano divino tinha a pessoa de Cristo como o seu objetivo central. A expressão "propósito eterno" nos ensina que todas as coisas na criação seguem um propósito preestabelecido. Na sabedoria divina, esse propósito foi elaborado na eternidade e executado na manifestação do Filho de Deus feito carne (Jo 1.14).

Em obediência a esse propósito, a Igreja segue para o seu destino eterno, e cada crente em Cristo, particularmente, como parte da Igreja, tem ousadia (liberdade) em Cristo e acesso (livre entrada) ao reino de Deus. Ninguém pode ter acesso a Deus por outra via, a não ser Jesus (Jo 14.6).

Uma semana abençoada para todos os irmãos na Graça e na Paz do Senhor Jesus Cristo!

Márcio Celso

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 4º Trimestre de 2021, ano 31 nº 121 – Revista da Escola Bíblica Dominical - Adultos – Professor – Efésios – Uma exposição sobre as riquezas da graça, misericórdia e glória de Deus – Bispo Abner Ferreira.

Sociedade Bíblica do Brasil – 2009 – Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Revista e Corrigida.

Sociedade Bíblica do Brasil – 2007 – Bíblia do Obreiro – João Ferreira de Almeida – Revista e Atualizada.

Editora Vida – 2014 - Bíblia Judaica Completa – David H. Stern, Rogério Portella, Celso Eronildes Fernandes.

Editora Vida – 2014 – Bíblia de Estudo Arqueológica – Nova Versão Internacional.

Editora Central Gospel – 2010 - O Novo Comentário Bíblico – Antigo Testamento – Earl D. Radmarcher, Ronald B. Allen e H. Wayne House – Rio de Janeiro.

Editora Central Gospel – 2010 - O Novo Comentário Bíblico – Novo Testamento – Earl D. Radmarcher, Ronald B. Allen e H. Wayne House – Rio de Janeiro.

Editora Vida – 2004 – Comentário Bíblico do Professor – Lawrence Richards.

Editora Central Gospel – 2005 – Manual Bíblico Ryken – Um guia para o entendimento da Bíblia – Leland Ryken, Philip Ryken e James Wilhoit.

Editora CPAD – 2017 – História dos Hebreus – Flávio Josefo.

Editora CPAD – 2005 – Comentário Bíblico Beacon.

Editora Vida – 2014 – Manual Bíblico de Halley – Edição revista e ampliada – Nova versão internacional – Henry Hampton Halley – tradução: Gordon Chown.

Editora Mundo Cristão – 2010 – Comentário Bíblico Africano - editor geral Tokunboh Adeyemo.

Editora CPAD – 2010 – Comentário Bíblico Mathew Henry – Tradução: Degmar Ribas Júnior, Marcelo Siqueira Gonçalves, Maria Helena Penteado Aranha, Paulo José Benício.

Editora Mundo Cristão – 2011 - Comentário Bíblico Popular — Antigo e Novo Testamento - William MacDonald - editada com introduções de Art Farstad.

Editora Geográfica – 2007 – Comentário Bíblico Expositivo Wiersbe – Antigo Testamento – Volume 2 – Tradução: Susana E. Klassen.

Editora Geográfica – 2007 – Comentário Bíblico Expositivo Wiersbe – Novo Testamento – Volume 1 – Tradução: Susana E. Klassen.

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