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Lição 05 - 1º trimestre 2022 - A lei da responsabilidade pessoal

 Lição 05 – 30 de janeiro de 2022 – Editora BETEL

A lei da responsabilidade pessoal

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Sobre a responsabilidade pessoal

Os versículos 1 a 4 do capítulo 18 do livro de Ezequiel declaram o princípio da responsabilidade pessoal, e o restante do capitulo ilustra este princípio. Algumas passagens afirmam que os filhos (descendentes) de um homem podem sofrer e morrer por causa dos pecados paternos. Ver Êxodo 20.5, onde há notas com este princípio. Outras passagens enfatizam a responsabilidade pessoal. Ver as notas expositivas sobre Deuteronômio 24.16 e Ezequiel 18.20. O conceito de união da comunidade era muito forte na mentalidade hebraica; assim, o que os antepassados fizeram, os descendentes compartilham, como se a raça fosse um único ser manifestando-se em tempos diferentes. Este conceito era forte entre os hebreus, mas a responsabilidade individual não se perdeu. Os exilados culparam seus antepassados pelas calamidades que sofreram (ver Jeremias 31.27-30). Mas qualquer pessoa veria que aqueles ímpios mereciam o que receberam, por causa de suas próprias obras iníquas. A raça compartilhou um pacto, mas cada indivíduo era responsável por agir de acordo com as suas pretensões. A Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura se aplica às coletividades (às nações), mas também aos indivíduos.

O presente capítulo é paralelo a Ezequiel 12.21-28, sendo que os dois respondem a um provérbio do povo, que negava a iminência do julgamento de Jeová. Quando a comunidade é julgada, obviamente os indivíduos também o são. O indivíduo culpado de rebeldia pode sofrer, enquanto a comunidade escapa da mão pesada de Deus. Quem toma as decisões é a mente divina, não a mente manipuladora dos homens.

A vida mencionada neste capítulo provavelmente é a vida terrena, física. O homem que observa a lei de Deus vive por mais tempo, com prosperidade, mas os pecadores morrem jovens, em meio à miséria. Alguns intérpretes vêem aqui uma referência a vida além do sepulcro e falam de julgamentos eternos. Não é provável que este trecho de Ezequiel contenha um ensino desta natureza. De qualquer modo, o texto pode ser aplicado desta maneira. É precário usar textos do Antigo Testamento para ensinar tais doutrinas.

A Lei Dá Vida. Quer dizer, a lei, quando observada, dá vida física longa e próspera, segundo o conceito hebraico. Ver Deuteronômio 4.1; 5.33; 6.2 e Ezequiel 20.11.

Eis que todas as almas são minhas, Ez 18.4. O fato de todas as almas pertencerem a Jeová é prova de que todas são igualmente responsáveis diante d’Ele. Cada alma é responsável por si, não pela grande coletividade (uma nação, por exemplo). Se ela influenciou outra alma que pecou, então é responsável por isto.

A alma que pecar, essa morrerá. Ez 18.4. Jeová é o Criador, portanto é também o Juiz de todas as almas. Além disto, é o grande Legislador. Sua lei (a lei mosaica) é o próprio padrão da justiça e dos pecados. A lei obedecida promete uma vida longa e cheia de prosperidade. O transgressor, todavia, morrerá. Alguns intérpretes acham que tal ensinamento inclui a morte espiritual depois do sepulcro, mas outros pensam que Ezequiel não tinha uma teologia suficientemente avançada para incluir esta ideia. O próprio escritor deixa suas palavras sem definição. Daniel 12.2-3 olha para além do sepulcro e vê a lei moral da colheita segundo a semeadura operando aí, mas fez com que a ressurreição mediasse castigos e recompensas, não a imortalidade da alma. As definições foram melhoradas nos livros apócrifos e pseudoepígrafos, no período entre o Antigo e o Novo Testamento; o Novo Testamento melhorou ainda mais os nossos entendimentos.

De qualquer maneira, a morte do versículo 4 é, certamente, uma referência à matança que o exército babilônico traria a Jerusalém. O país inteiro sofreria morte prematura. O que mais pudéssemos ver no texto, ficaria duvidoso. A vida prometida é a sobrevivência física, a libertação do massacre babilônico, que seria proporcionada mediante arrependimento sincero. Os versículos 5 a 9 dão um breve sumário da natureza do homem justo que sobreviveria em meio à matança.

            Guardou todos os meus estatutos e os praticou, por isso certamente viverá. Ez 18.19. O autor sagrado enfatizou novamente a responsabilidade pessoal de cada homem. Os versículos 19 e 20 formulam uma doutrina resultante da discussão anterior. O povo continuava insistindo na “verdade” do provérbio (versículo 2). Todas as ilustrações do profeta comprovaram a falsidade do ditado. O princípio, aplicado às circunstâncias imediatas de Judá, mostra que aquele povo iníquo morreria por causa de seus próprios pecados, não por causa das falhas “dos pais” da nação. A tese do povo era falsa e perniciosa. O povo que promovia a idolatria-adultério-apostasia sofreria as consequências drásticas de seu caráter perverso. A Lei Moral da Colheita segundo a Semeadura garantiu o péssimo destino de toda a nação e de todos os pecadores que a constituíam. O profeta refutou a “ortodoxia” da doutrina de Êxodo 20.5, ignorando que poderia ter alguma verdade. Ele não quis enfraquecer seu argumento, portanto não se preocupou com reconciliações de teologias em conflito.

A alma que pecar, essa morrerá. Ez 18.20. A Doutrina. Agora o profeta chega à conclusão da discussão anterior: a responsabilidade pessoal opera na vida de todas as pessoas e na vida coletiva de uma nação. A alma que pratica o pecado morrerá; a coletividade que pratica a maldade morrerá; a alma que pratica o bem viverá; a coletividade que pratica o bem viverá.

            A doutrina de Ezequiel é uma afirmação poderosa da lei moral da colheita segundo a semeadura. Ver Gálatas 6.7-8, no Novo Testamento Interpretado. O filho inocente de um pai corrupto viverá (versículos 14-17); o bom pai não participará dos resultados dos pecados de um filho rebelde (versículos 10-11). O bom homem terá a proteção de Jeová e terá vida longa e próspera e, depois, da morte biológica, a vida eterna. Mas o homem maldoso enfrentará a ira de Deus. O seu sangue será sobre ele (versículo 13). Esta conclusão é lógica e verdadeira, e concorda plenamente com o princípio anunciado no versículo 4. Jeová, o Criador de todas as almas, é também seu Juiz. Além disto, é o Legislador que deu Sua lei como guia, tornando os homens responsáveis, porque tinham luz para o caminho.

O texto ensina responsabilidade moral e espiritual de todos os indivíduos, e também ensina responsabilidade da nação de Judá inteira. As duas manifestações são os dois lados da mesma moeda.

Desviando-se o justo de sua justiça e cometendo iniquidade, morrerá por ela; Ez 18.26. O profeta ilustra sua tese, repetindo o caso do homem justo que abandona o caminho reto, tornando-se ímpio. Sua maldade anula o bom passado e ele fica sujeito às punições justas de Jeová. Morrerá de morte prematura (fisicamente) e talvez (na mente do profeta) sofrerá a ira de Deus no além-túmulo. O versículo 26 é uma declaração abreviada do versículo 24. A justiça de Deus é vindicada, quando Ele castiga o pecador severamente, mesmo se no passado o homem (nação) tivesse sido bom.

Mas, convertendo-se o ímpio da sua impiedade, que cometeu e praticando o juízo e a justiça, conservará este a sua alma em vida. Ez 18.27. A justiça de Deus é demonstrada e vindicada também quando o homem mau de ontem é o homem bom de hoje. O passado é anulado pelo presente; uma mudança de conduta reverte a avaliação divina. Este versículo repete, de modo mais abreviado, o que vemos nos versículos 21-22.

Ezequiel tinha anteriormente trovejado a condenação total do povo, contudo Deus permitiu que tições fossem arrancados da fogueira. Os justos foram excluídos dos ímpios por meio de um sinal. Diante do juízo iminente, salvariam as suas próprias vidas, mas não as de outros, contudo, o arrependimento seria possível.

Os conceitos da solidariedade social e da responsabilidade de grupo eram coisas antigas em Israel. A pregação de Ezequiel no capítulo 18 implica na operação da sequência natural da causa e efeito no meio das circunstâncias da vida humana. Deus não considera um homem responsável pelas circunstâncias nas quais nasceu, mas apenas pelo uso que fizer delas subsequentemente. Portanto, um homem é livre para renunciar ao seu passado, tanto para o bem como para o mal.

Exatamente como um escritor pode mudar o curso de uma narrativa acrescentando novo material aos capítulos anteriormente escritos em um livro, assim, apesar do passado melancólico, o presente pode se tornar em uma oportunidade de total transformação e pode produzir um futuro triunfante. O perdão não apaga o passado, mas relaciona-o de maneira nova com Deus, de modo que podemos transformá-lo de maldição em uma fonte de bênçãos.

Como representante de Deus, Ezequiel declara que o homem individual não está envolvido nos pecados e destino de seus antepassados (versículos 1 a 4). E então ele desenvolve o princípio da responsabilidade pessoal do indivíduo no caso de três gerações sucessivas: um pai justo, um filho perverso e um neto justo (versículos 5-9, 10-13, 14-18). Ele torna a declarar o princípio da responsabilidade individual (versículos 19 e 20), e declara que o perdão divino está à disposição do pecador arrependido, mas que o apóstata morrerá nos seus pecados (versículos 21 a 29). Ele conclui com uma exortação de arrependimento para a salvação (versículos 30 a 32).

Uma semana abençoada para todos os irmãos na Graça e na Paz do Senhor Jesus Cristo!

Márcio Celso

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

Editora Betel 1º Trimestre de 2022, ano 32 nº 122 – Revista da Escola Bíblica Dominical - Adultos – Professor – Ezequiel –O profeta com a mensagem de juízo, arrependimento, restauração e manifestação da glória de Deus – Pastor Valdir Alves de Oliveira.

Sociedade Bíblica do Brasil – 2009 – Bíblia Sagrada – João Ferreira de Almeida – Revista e Corrigida.

Sociedade Bíblica do Brasil – 2007 – Bíblia do Obreiro – João Ferreira de Almeida – Revista e Atualizada.

Editora Vida – 2014 - Bíblia Judaica Completa – David H. Stern, Rogério Portella, Celso Eronildes Fernandes.

Editora Vida – 2014 – Bíblia de Estudo Arqueológica – Nova Versão Internacional.

Editora Central Gospel – 2010 - O Novo Comentário Bíblico – Antigo Testamento – Earl D. Radmarcher, Ronald B. Allen e H. Wayne House – Rio de Janeiro.

Editora Central Gospel – 2010 - O Novo Comentário Bíblico – Novo Testamento – Earl D. Radmarcher, Ronald B. Allen e H. Wayne House – Rio de Janeiro.

Editora Vida – 2004 – Comentário Bíblico do Professor – Lawrence Richards.

Editora Central Gospel – 2005 – Manual Bíblico Ryken – Um guia para o entendimento da Bíblia – Leland Ryken, Philip Ryken e James Wilhoit.

Editora CPAD – 2017 – História dos Hebreus – Flávio Josefo.

Editora CPAD – 2005 – Comentário Bíblico Beacon.

Editora Vida – 2014 – Manual Bíblico de Halley – Edição revista e ampliada – Nova versão internacional – Henry Hampton Halley – tradução: Gordon Chown.

Editora Mundo Cristão – 2010 – Comentário Bíblico Africano - editor geral Tokunboh Adeyemo.

Editora CPAD – 2010 – Comentário Bíblico Mathew Henry – Tradução: Degmar Ribas Júnior, Marcelo Siqueira Gonçalves, Maria Helena Penteado Aranha, Paulo José Benício.

Editora Mundo Cristão – 2011 - Comentário Bíblico Popular — Antigo e Novo Testamento - William MacDonald - editada com introduções de Art Farstad.

Editora Geográfica – 2007 – Comentário Bíblico Expositivo Wiersbe – Antigo Testamento – Volume 2 – Tradução: Susana E. Klassen.

Editora Geográfica – 2007 – Comentário Bíblico Expositivo Wiersbe – Novo Testamento – Volume 1 – Tradução: Susana E. Klassen.

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